16 de outubro de 2012

Vista completa da região de Suruga

Este mapa da Província de Suruga, localizada na região da atual Prefeitura de Shizuoka, apresenta um perfil do Monte Fuji, cujas cercanias aparecem mapeadas em uma superfície horizontal, com relevo mostrado de forma figurativa. Este estilo não fornece informações geográficas precisas, mas era muito comum em meados do século XIX. A montanha é desenhada desproporcionalmente grande, para transmitir a impressão que provocava no cartógrafo e a importância que ela tinha para a população. O mapa traz nomes de cidades e estradas; de templos e santuários; e de castelos, fortes e campos de batalha antigos, bem como os nomes dos picos do Monte Fuji. Suruga foi uma das províncias mais mapeadas no início do Japão moderno, sem dúvida devido à atração popular da montanha e sua importância como local de peregrinação sagrado.

Mapa figurativo da província de Yamashiro

Os kuni ezu são mapas provinciais padronizados, compilados por ordem do xogunato Tokugawa em Edo (atual Tóquio). A primeira encomenda chegou em 1606, três anos após o início do xogunato, e foi seguida de encomendas de revisão em 1636, 1649, 1702 e 1838. Os daimyō (nobres territoriais que governavam vastas terras particulares e grandes números de vassalos) deveriam topografar as áreas sob seu controle administrativo e enviar mapas para o governo, juntamente com registros da produção de arroz. Esses mapas oficiais acabaram por se tornar acessíveis ao público, e várias cópias foram publicadas a partir do século XVIII. Mapas desenhados à mão, como esta descrição manuscrita em aquarela e tinta, eram menos acessíveis ao público geral do que as cópias impressas. Este mapa descreve a Província de Yamashiro, na Prefeitura de Kyoto, onde a capital imperial estava localizada, com o norte orientado para a esquerda. A área amarela no centro assinala a área do palácio imperial e as principais ruas que o cercavam. Os nomes das vilas aparecem em rótulos ovais, com códigos de cor para cada distrito. As estradas que vão além da província também estão indicadas.

Mapa figurativo da região do rio Abe-kawa

O mapa pictórico descreve a região do rio Abe-kawa do Japão, localizada na região que corresponde à atual Prefeitura de Shizuoka. A inclinação acentuada e o fluxo rápido do Abe-kawa causaram inúmeras inundações na região do delta, e diques abertos foram construídos desde o período de Edo (1603–1868) para proteger as lavouras e vilas. Tokugawa leyasu (1543–1616), fundador do xogunato Edo, implantou um grande projeto de controle de enchentes e ordenou a construção de uma barragem ao longo do Abe-kawa em 1606, determinando a rota atual do rio. Este mapa é um rascunho manuscrito de um mapa oficial, e traz vários símbolos e nomes de vilas riscados ou rasurados. O mapa é codificado por cores de acordo com a paisagem e traz túmulos importantes, lagoas com peixes abundantes e medidas esporádicas de distâncias e koku (o volume de arroz que a região pode produzir). O castelo da Província de Suruga está localizado na seção amarela, na área superior direita, e o Ōya kuzure (deslizamento de terra), origem do rio e local de um dos três maiores deslizamentos de terra no Japão, é indicado em marrom no centro da margem esquerda do mapa. O mapa está orientado com o norte para o lado esquerdo superior.

Mapa da cidade e baía de Cartagena de las Indias

Este mapa em bico de pena e colorido a mão foi desenhado por Antonio de Ulloa (1716-1795) em 1735, com base em um mapa anterior desenhado por Juan de Herrera por volta de 1721. Ele mostra em detalhes a baía de Cartagena de Indias e a área costeira adjacente da atual cidade de Cartagena, Colômbia. Na época, o território fazia parte do Vice-reinado de Nova Granada no Império Espanhol. O mapa é orientado por uma roda dos ventos, com o norte apontando para a esquerda. A longitude foi definida em relação ao Observatório Real Astronômico em Tenerife nas Ilhas Canárias. As sondagens e as linhas de braça indicam a profundidade do fundo do mar para navegação. Também são mostradas estradas e florestas. O título, o autor e a escala do mapa são fornecidos na parte superior direita, em um pedestal ladeado por figuras de índios. Ulloa era um oficial da marinha espanhola que, em 1735, foi nomeado membro da expedição científica para o Peru organizada pela Academia Francesa de Ciências. Ele passou quase uma década na América do Sul com a expedição. Ulloa estava no caminho de volta à Espanha em 1745, quando o navio em que ele estava viajando foi capturado pelos britânicos. Ele ficou mantido como um prisioneiro na Inglaterra, onde permaneceu por vários anos. Ele ganhou o respeito e a amizade de muitos cientistas líderes ingleses e se tornou um Companheiro da Sociedade Real em Londres. Ele, finalmente, recebeu permissão para retornar à Espanha e, em 1784, publicou Relación histórica del viaje á la América Meridional (Relação histórica da viagem à América Meridional), um relato detalhado das pessoas, da geografia e da história natural da América do Sul baseada em sua pesquisa no continente. Esse mapa pode ter sido o original daquele que aparece em Relación (Relação) de Ulloa. O conhecido cartógrafo espanhol Tomás López (1730–1802) também utilizou o mapa de Ulloa para seu mapa mais recente da baía e da cidade de Cartagena.

Vista superior do Castillo del Morro situado na foz da Baía de Havana

Este mapa manuscrito do século XVIII mostra o projeto do Castelo do Morro, localizado na entrada da Baía de Havana, Cuba. A fortaleza foi construída pelos espanhóis, iniciando em 1585. O engenheiro militar italiano Battista Antonelli (1547–1616) foi contratado para projetar as fortificações. Originalmente, a estrutura foi concebida como um pequeno forte cercado por vala seca, mas foi expandida e reconstruída em várias ocasiões e se tornou a principal fortaleza de maior importância estratégica para a ilha. O mapa está orientado com o norte para a esquerda e inclinado em um ângulo agudo. No lado direito estão o título e uma “Explicação” que indica, por um código numérico, os baluartes, as pontes, as cisternas e as baterias do forte, com breves descrições de algumas dessas características. O mapa está desenhado em caneta sobre papel, com os desenhos das escalas em preto e o fundo em cinza, rosa, verde e sépia alaranjado.

Um mapa hidrográfico e corográfico das Ilhas Filipinas

Este magnífico mapa do arquipélago filipino, desenhado pelo padre jesuíta Pedro Murillo Velarde (1696–1753) e publicado em Manila, em 1734, foi o primeiro e mais importante mapa científico das Filipinas. Na época, as Filipinas eram uma parte vital do Império Espanhol e o mapa mostra as rotas marítimas de Manila à Espanha e à Nova Espanha (México e outros territórios espanhóis no Novo Mundo), com legendas. Na margem superior se encontra uma grande cártula com o título do mapa, coroada pelo brasão real espanhol ladeado em cada lado por um anjo com um trompete, do qual sai uma inscrição. O mapa não apresenta apenas o grande interesse do ponto de vista geográfico, mas também como um documento etnográfico. Ele está ladeado por 12 gravuras, seis de cada lado, oito das quais retratam diferentes grupos étnicos que viviam no arquipélago e quatro das quais são descrições cartográficas de cidades ou ilhas específicas. De acordo com os rótulos, as gravuras no lado esquerdo mostram: Sangleyes (filipinos chineses) ou chineses; Kaffirs (um termo depreciativo para não muçulmanos), um Camarin (da área de Manila) e um Lascar (do subcontinente indiano, um termo Raj britânico); mestiços, um Mardica (de extração portuguesa) e um japonês; e dois mapas locais: um de Samboagan (uma cidade em Mindanao) e outro do porto de Cavite. No lado direito estão: várias pessoas em roupa típica; três homens sentados, um armeno, um mogul e um malabar (de uma cidade têxtil indiana); uma cena urbana com várias pessoas; uma cena rural com representações de animais domésticos e selvagens; um mapa da ilha de Guajan (que significa Guam); e um mapa de Manila.