Veranico

Adalbert Stifter (1805-1866) foi um dos maiores estilistas da literatura alemã. Ele iniciou sua carreira no espírito do Biedermeier austríaco, escrevendo histórias para o público leitor burguês. O tema destas histórias, as quais apareceram pela primeira vez em revistas e almanaques populares, era, frequentemente, a humanização do elementar. Stifter, posteriormente, fez uma revisão cuidadosa destes trabalhos, resultando na publicação das mesmas em seu Studien, de 1844-1850 e Bunte Steine, de 1853. Após os levantes revolucionários de 1848, Stifter distanciou-se das tendências contemporâneas. Der Nachsommer (Veranico), a primeira grande obra do seu período posterior, retrata um mundo idílico, no qual as tradições da antiguidade clássica estão ligadas ao romantismo medieval em uma antítese utópica para a civilização urbana da época de Stifter. Em 1964, a Biblioteca Estatal da Baviera adquiriu os manuscritos, há muito tempo tido como perdidos, de Der Nachsommer, Bunte Steine e sete histórias do Studien. Os manuscritos apresentam uma nova compreensão do trabalho de Stifter como estilista, e seu reaparecimento levou à publicação de uma nova edição histórico-crítica de suas obras.

Bíblia de Ottheinrich

A Bíblia de Ottheinrich é o manuscrito ilustrado do Novo Testamento mais antigo, ainda existente, na língua alemã. O trabalho foi encomendado, em 1430, por Ludwig VII, o Barbudo, Duque da Baviera-Ingolstadt. O texto foi escrito, provavelmente, em Ingolstadt, em uma escrita monumental consistente com os mais elevados padrões caligráficos. O texto foi, então, enviado para Regensburg para ser iluminado. Contudo, apenas cerca de um quinto das miniaturas estavam concluídas, quando o trabalho foi interrompido. Um pouco antes de 1530, o Conde Palatino Ottheinrich havia adquirido a Bíblia e contratou o artista Mathis Gerung para concluir a sequência de miniaturas, as quais se estendiam, anteriormente, até o Evangelho de São Marcos. Gerung concluiu o trabalho em 1530-1531. Ao todo, esta Bíblia magnificamente iluminada contém 146 miniaturas e 294 iniciais ornamentadas, em 307 folhas de pergaminho. O manuscrito foi posteriormente levado, como despojo de guerra, de Heidelberg para Munique e, em seguida, para Gotha, onde, no século XIX, foi dividido em oito volumes. A Biblioteca Estatal da Baviera adquiriu três destes volumes em 1950, e os demais cinco restantes em 2007.

Bíblia de Gutenberg

Johannes Gutenberg nasceu em Mainz, na Alemanha, por volta de 1400, filho de uma família aristocrática ligada à indústria metalúrgica local. Viveu em Estrasburgo (na França atual) por um tempo, onde ele realizou experiências com tipos metálicos móveis, fabricados através de um molde. Em meados da década de 1450, ele aperfeiçoou um sistema de impressão com tipos móveis, que usou para criar o que se tornou o livro mais famoso do mundo, a tradução em Latim da Bíblia (Vulgata), geralmente conhecido como a Bíblia de Gutenberg. Os estudiosos têm pesquisado exaustivamente todos os aspectos do trabalho de Gutenberg: a tipologia elaborada, com seus 290 caracteres diferentes oriundos da escrita missal gótica, a forma pela qual ele dividiu o texto no processo de composição, e o papel que usouusou para a impressão. No entanto, certos pontos fundamentais sobre a Bíblia de Gutenberg são ainda desconhecidos ou permanecem como matérias de disputa. A data em que a impressão foi concluída baseia-se, unicamente, na anotação "1455" na encadernação do exemplar em papel que se encontra em Paris. Acredita-se que foram impressas 180 cópias da Bíblia, mas esta informação é baseada em uma única carta de Enea Silvio Piccolomini (o futuro Papa Pio II), o qual viu amostras do trabalho de Gutemberg em Frankfurt, em 1455. Originalmente, Gutenberg desejava imprimir os títulos dos livros da Bíblia em vermelho, mas abandonou esta idéia, usando, ao invés disso, uma tabela impressa em separado, que serviria como modelo para que essas linhas fossem inseridas manualmente. Dos 49 exemplares existentes, mais ou menos completos, da Bíblia de Gutenberg (12 em pergaminho, 37 em papel), esta cópia da Biblioteca Estatal da Baviera é uma, de apenas duas (juntamente com uma cópia na Biblioteca Nacional da Áustria), em que esta tabela é encontrada como um vestígio do processo de produção.

Livro das Jóias da Duquesa Anna da Baviera

Este inigualável manuscrito foi encomendado, em 1552, pelo Duque Alberto V, da Baviera, o fundador do que é hoje a Biblioteca Estatal da Baviera. O manuscrito é um inventário das jóias de propriedade do duque e de sua esposa, a duquesa Anna, membro da dinastia Habsburg e filha do Imperador Fernando I. O trabalho, contém 110 magníficos desenhos do pintor Hans Mielich, da corte de Munique. Um dos mais impressionantes destes desenhos é a miniatura que está na primeira página, que mostra Alberto e Anna jogando xadrez, com Alberto retratado como um cavaleiro da Ordem do Tosão de Ouro. Por conta da sua destacada importância como obra de arte, o manuscrito foi mantido na privada Câmara de Artefatos ducal e eleitoral por quase três séculos — muito tempo após os originais das jóias retratadas terem sido perdidos. Somente em 1843 o trabalho foi apresentado à Biblioteca Estatal da Baviera pelo Rei Ludwig I.

Parzival

Wolfram von Eschenbach compôs seu poema épico medieval alemão, Parzival, que consiste de mais de 24 mil linhas, na primeira década do século XIII. Conta a história do tolo rapazola Parzival que, tendo crescido no isolamento da floresta, pouco sabe sobre o mundo e causa muita angústia ao sair de casa a fim de se tornar cavaleiro. Ele chega ao Castelo do Graal, mas falha em perguntar ao enfermo Rei-Pescador Anfortas sobre a origem de seu sofrimento - uma pergunta que libertaria Anfortas e que faria de Parzival o novo rei do graal. Após uma longa odisséia e uma catarse religiosa, Parzival consegue retornar à corte do Rei Arthur e é consagrado o novo rei do graal. O conto, evidenciado pela tradição do manuscrito, gozou de grande popularidade durante todo o período da Idade Média. Este manuscrito, da Biblioteca Estatal da Baviera, foi produzido por um único escriba que, tal como seu dialeto indica, deve ter vivido na Baviera. Uma Carta de 1408 anexada à capa, bem como várias entradas manuscritas datadas do século XV nas margens das folhas, indicam que o códice deve ter permanecido na Baviera após sua composição. O manuscrito entrou para a coleção privada de Johann Jacob Fugger, cuja biblioteca foi anexada à biblioteca da corte de Munique, pertencente aos duques da Baviera, em 1571.

Parzival

Wolfram von Eschenbach compôs seu poema épico medieval alemão, Parzival, que consiste de mais de 24 mil linhas, na primeira década do século XIII. Conta a história do tolo rapazola Parzival que, tendo crescido no isolamento da floresta, pouco sabe sobre o mundo e causa muita angústia ao sair de casa a fim de se tornar cavaleiro. Ele chega ao Castelo do Graal, mas falha em perguntar ao enfermo Rei-Pescador Anfortas sobre a origem de seu sofrimento - uma pergunta que libertaria Anfortas e que faria de Parzival o novo rei do graal. Após uma longa odisséia e uma catarse religiosa, Parzival consegue retornar à corte do Rei Arthur e é marcado como o novo Rei Graal. O conto, evidenciado pela tradição do manuscrito, gozou de grande popularidade durante todo o período da Idade Média. Apenas alguns dos manuscritos são iluminados. Este manuscrito, da Biblioteca Estatal da Baviera, escrito em escrita gótica cursiva, é um dos poucos manuscritos iluminados de Parzival, de cuja existência se tem conhecimento. Infelizmente, apenas uma das iluminuras no códice, as quais deveriam ter sido inseridas em espaços que o escritor deixara em branco, foi executada. O estilo de pintura sugere que esta, muito provavelmente, é originária da Baixa Baviera, talvez de Landshut. A qualidade e a riqueza desta iluminura em particular, nos dá uma noção do esplêndido trabalho de arte que este teria sido, caso tivesse sido concluído.

Livro do evangelho de Freising

Este evangelho carolíngio exemplifica a posição da Baviera como um ponto de encontro de diferentes tradições artísticas. O texto e a escolha dos prólogos correspondem àqueles nos manuscritos antigos de Salzburgo, e podem ser inicialmente comparados a um protótipo italiano. As margens das páginas do maravilhoso manuscrito, escrito durante o episcopado de Anno de Freising (854–875), apresenta várias notas essenciais sobre o texto, incluindo uma série de variantes gregas. Outras influências podem ser observadas na decoração, composta de iniciais entrelaçadas, uma sequência de cânone de 18 páginas, e quatro imagens dos evangelistas. A influência da escola carolíngia de Rheims é claramente perceptível no estilo de pintura agitado dos retratos dos evangelistas. A decoração ornamental do manuscrito é igualmente caracterizada como sendo permeada por várias tradições artísticas. Em um grupo de manuscritos relacionados aos evangélios de Freising, este códice é o primeiro em questão de tempo e qualidade. O termo carolíngio refere-se ao período no qual boa parte da Europa Ocidental foi dominada pela dinastia criada por Pepino, o Breve, em 751, cujo filho, Carlos Magno, foi coroado imperador Sacro Romano em 800, e dominou o império até sua morte, em 814. A renascença carolíngia (por volta de 775-900) foi marcada por conquistas na arte, arquitetura, literatura, religião e leis.

O livro secreto de honras da família Fugger

A história da família Fugger pode ser vista como uma história de sucesso sem precedentes na Renascença alemã. Começando como tecelões na segunda metade do século XIV, a família evoluiu rapidamente para comerciantes, bancários e nobres de sucesso, culminando em Jakob Fugger, o Rico, (1459–1525) e Anton Fugger (1493–1560). Considera-se que tenham sido as pessoas mais ricas de seu tempo, ainda que os negócios da família estivessem quase falidos devido a empréstimos aos Habsburgos na década de 1560. A dinastia Fugger ainda existe hoje como uma família nobre na Alemanha. Por volta de 1545, Johann Jakob Fugger (1516–1575) encomendou este manuscrito detalhando a genealogia de sua família até sua época. As pesquisas genealógicas e a condensação do texto foram realizadas pelo oficial de justiça, arquivista e empreendedor Clemens Jäger (por volta de 1500–1560). A iluminura do manuscrito, incluindo retratos luxuosos de membros da família, emblemas heráldicos e motivos de fronteira muito detalhados, foi executada na principal oficina de Augsburgo de Jörg Breu, o Jovem, (cerca de 1510-1547) e terminou por volta de 1548. Ao contrário do resto da biblioteca de Johann Jakob Fugger, que foi vendida ao duque Albrecht IV da Baviera em 1571, o manuscrito foi mantido na família por séculos e foi até atualizado durante o século XVIII. Somente em 2009 a família Fugger vendeu-o à Biblioteca Estatal da Baviera. A aquisição foi possível graças ao generoso suporte financeiro da Ernst-von-Siemens Kunststiftung.

Efígies dos doze profetas de acordo com Raffaello Schiaminossi

Este pequeno volume da Biblioteca Estatal da Baviera contém representações dos 12 profetas do Velho Testamento: Jeremias, Moisés, Zacarias, Ezequiel, Oséas, Isaías, Davi, Amós, Jonas, Mica, Daniel e Joel. Monumentais, com conduta de comando adequada às suas funções de videntes e admoestadores, os profetas aparecem envoltos por grandes mantos que voam ao redor deles nos desenhos, os quais foram feitos em tinta com grande vivacidade. Com expressões espirituais em seus rostos, eles parecem olhar para o espectador. Cada folha é assinada "RAF" pelo artista Raffaello Schiaminossi (1572–1622), um mestre dos desenhos e gravuras de Sansepolcro na Toscana. A bela encadernação em couro vermelho marroquino com gravação de ouro carrega o brasão de armas (como um supralibros) de Clemente XI (papa de 1700 a 1721), nascido Giovanni Francesco Albani, era proprietário de uma coleção de arte de fama internacional localizada no Albani Palazzo del Drago alle Quattro Fontane em Roma. A coleção foi estruturada de acordo com certos princípios provenientes das teorias de arte de Rafael. A encadernação deste livro é bem mais simples do que as bem conhecidas encadernações romanas da biblioteca Albani e, numa análise mais minuciosa, também pode-se notar que os desenhos são cópias de gravuras de Schiaminossi, feitos por um artista alemão. Dessa forma, esta obra parece ser uma farsa engenhosa, feita por volta de 1700, que chegou à Biblioteca Estatal da Baviera através do comércio de arte no século XIX. O mistério da farsa ainda não foi resolvido.