Livro de trajes da corte dos duques Guilherme IV e Alberto V da Baviera, 1508-1551

A primeira parte deste manuscrito, que originalmente foi compilado e usado como uma referência heráldica pela chancelaria dos estados da Baviera, contém uma cópia parcial do chamado Hofkleiderbuch (Livro de trajes). Possui ilustrações finamente executadas de trajes civis e militares, uniformes e insígnias de guerra em uso entre 1508 e 1551 na corte dos duques da Baviera, Guilherme IV (nascido em 1493, reinou entre 1508 e 1550) e seu filho, Alberto V (nascido em 1528 , reinou entre 1550 e 1579). A segunda parte do manuscrito mostra principalmente uma variedade de emblemas heráldicos, como timbres de nobres e cidades, e também desenhos fantásticos de várias pessoas e países históricos e fictícios. Também incluído no manuscrito encontra-se um desenho baseado em um mural mostrando a linha ancestral dos duques da Baviera. O manuscrito encontra-se preservado na Biblioteca Estatal da Baviera.

Brasão inglês

Na metade do século XVI, os mercadores trabalhando para o império comercial e bancário dos Fugger, e contratados pelo nobre de Agusburgo e amante de livros Johann Jakob Fugger estavam muito ocupados conseguindo novos tesouros, de fontes próximas e distantes, para a imensa coleção de livros dos Fugger. Para aumentar sua coleção da história da dinastia e heráldica europeias, um interesse especial de Fugger em 1545-1550, ele adquiriu esta obra, a última versão do armorial da nobreza inglesa. A coleção abre com um magnífico brasão do Rei Henrique VIII (reinou entre 1509–1547) em ouro, prata e cores brilhantes. Dentre os brasões estão também emblemas heráldicos do rei (emblemas pessoais), incluindo a rosa Tudor e a faixa azul da Ordem da Jarreteira com extremidades douradas e bordada com o motivo dourado: Honi soit qvi mal y pense (Envergonhe-se quem nisto vê malícia). Seguidos pelos brasões das famílias das seis esposa de Henrique, dos 12 pares mais importantes da Inglaterra e da Irlanda, e dos membros da Ordem da Jarreteira. Depois, estão os brasões da família real inglesa, da nobreza inglesa, dos bispos ingleses e de outras famílias inglesas. Em 1571, dificuldades nos negócios forçaram Johann Jakob a vender sua coleção de livros para Alberto V da Baviera. O armorial, juntamente com toda a biblioteca de Fugger, veio para a biblioteca da corte de Munique, predecessora da Biblioteca Estatal da Baviera.

Armorial de Conrad Grünenberg

Conrad Grünenberg foi um importante burguês e cavaleiro e um descendente de uma dinastia aristocrática de Konstanz, localizada no Lago de Constança, no sudoeste da Alemanha. Não há nenhuma evidência da data exata de seu nascimento ou morte. Seu nome aparece pela primeira vez quando ele é mencionado como um construtor contratado pela cidade de Konstanz em 1442. Grünenberg ocupou-se da heráldica e compôs um armorial, que veio a ter o seu nome. Várias cópias foram produzidas depois da cópia original autografada de Grünenberg, uma das quais trata-se deste esplêndido manuscrito da Biblioteca Estatal da Baviera. Grünenberg foi membro do conselho da cidade de Konstanz entre 1454 e 1462 e foi eleito prefeito por várias vezes. Em 1465 ele e seu irmão John foram nomeados para servir ao imperador Frederico III. De 1468 em diante ele ostentou o título de cavaleiro. Em 22 de abril de 1486, Grünenberg supostamente saiu em peregrinação à Palestina. Acredita-se que a medalha de São Jorge de Habsburgo tenha decorado seu brasão de armas. O armorial de Grünenberg inclui ilustrações, com texto explicativo, de brasões de armas dos heróis, reis e imperadores romanos, eleitores, duques, cidades livres, príncipes europeus e príncipes não europeus e colônias, outra alta nobreza, torneios e sociedades de torneio, bem como de vários brasões de armas lendários.

Cruel tirano amor

Esta versão previamente desconhecida da cantata solista, Crudel tiranno Amor (Cruel tirano amor) de George Friedrich Handel (1685–1759), ressurgiu em uma partitura manuscrita completa e recém-descoberta entre as muitas propriedades póstumas abrigadas no Departamento de Música da Biblioteca Estatal da Baviera. Ela foi encontrada em uma coletânea de 18 manuscritos que antes pertenciam ao conhecido historiador cultural, musicógrafo e novelista Wilhelm Heinrich von Riehl (1823–1897). A sensacional descoberta foi feita em 2004 pelo musicólogo Doutor Berthold Over, que conseguiu identificar a cantata italiana anônima do manuscrito como uma obra de Handel feita por suas próprias mãos. O manuscrito de Munique conta com a cantata completa em 11 páginas. No entanto, em vez de serem marcados para soprano solista, dois oboés, cordas e baixo contínuo, conforme descrito no catálogo temático de Handel (HWV 97), a voz solista é acompanhada por um instrumento único de teclado. Muitos detalhes musicais nesta versão de câmara fogem da tradição conhecida anteriormente. A versão original provavelmente tenha sido ouvida pela primeira vez pelo público do Teatro Real, em Haymarket, Londres, em 5 de julho de 1721, enquanto que esta versão foi escrita mais tarde, presumidamente em ou por volta de 1738.

Descrição do batizado de Lady Elisabeth de Hesse

Em 1596, o Landegrave Moritz de Hesse (1572–1632) comemorou o batizado de sua filha, Landegravina Elisabeth von Hessen-Kassel (1596–1625), com quatro dias de jogos, torneios e fogos de artifício luxuosos. Dois anos mais tarde, o artista, gravador e editor Wilhelm Dillich (1571–1650) criou e publicou uma descrição ricamente decorada destas festividades em dois volumes. As luxuosas ilustrações detalham, em sua maioria, os trajes e as decorações dos vários desfiles, com muitos dos participantes vestidos como personagens históricos, alegóricos ou mitológicos. A cópia preservada na Biblioteca Estatal da Baviera foi colorida à mão pelo próprio Dillich e apresentada a Landegrave Moritz. Em algum ponto antes de 1606, um artista desconhecido decorou todo o espaço livre restante do manuscrito (isto é, nas páginas em branco, além das margens) com pinturas em aquarela memoráveis de flores comuns e exóticas como a tulipa, violeta e peônia. Dentre os personagens históricos e mitológicos representados no manuscrito estão Jasão, Perseus, Aníbal, Alexandre o Grande e Júlio Cesar.

Atlas com cartas portulanas do novo e velho mundo, 1580

Este atlas de cartas portulanas do novo e velho mundo é composto por 16 folhas duplas feitas de pergaminho fino branco, encadernado em couro marroquino vermelho caro (feito de pele de bode) com ornamentos dourados em estilo oriental. Acredita-se que o importante marinheiro, cartógrafo e pintor português Fernão Vaz Dourado tenha feito o atlas em 1580, perto do fim de sua vida. Ele pertence a uma classe das obras primas cartográficas do século XVI, as quais refletem a crescente demanda da época por trabalhos que fossem tanto visualmente impressionantes quanto úteis para uma navegação prática. O atlas foi encomendado pela coroa portuguesa e produzido em Goa, oeste da Índia, onde Dourado passou seus últimos anos. A dimensão geográfica do atlas se extende da América do Sul ao Império Persa, até a China (onde Cantão recebeu seu nome), Java, Nova Guiné e América do Norte. Estas cartas são memoráveis por sua riqueza narrativa. Nas regiões mostradas, os nativos são retratados sem roupas, com atributos que se acreditavam típicos, enquanto caçavam, buscavam comida ou realizavam outras atividades representantes de seus respectivos países conforme retratados nos trabalhos literários ocidentais. Os conquistadores, em contraste, aparecem montados em cavalos, usando chapéu e trajes. O mapa da África contém o que provavelmente seja uma alusão ilustrativa à batalha entre os portugueses e os mouros próximo a Ksar el-Kebir (Alcazarquivir, Marrocos) em 1578. Os dois cavaleiros envoltos em trajes característicos e carregando bandeiras provavelmente representam os principais protagonistas da batalha, Rei Sebastião I de Portugal e sultão Abd Al-Malik do Marrocos (mostrado usando um turbante). O atlas foi transferido da abadia de Polling (Alta Baviera), após seu fechamento em 1803, para a biblioteca da corte de Munique, que tornou-se a Biblioteca Estatal da Baviera, onde permanece desde então.

Sobre a vida de Plotino. As seis Enéadas

Sob a influência do humanismo italiano e de seu tutor e colecionador de livros János Vitéz, o Arcebispo de Esztergon, Matias Corvino da Hungria (1443-1490) desenvolveu uma paixão por livros e pela aprendizagem. Eleito rei da Hungria em 1458, aos 14 anos de idade, Matias conquistou grande sucesso por suas batalhas contra os turcos otomanos e por seu patrocínio à aprendizagem e à ciência. Ele criou a Bibliotheca Corviniana, na época considerada como uma das melhores bibliotecas da Europa. Após sua morte, e especialmente após a conquista de Buda pelos turcos, em 1541, a biblioteca foi dispersa e grande parte da coleção foi destruída, com os volumes sobreviventes sendo espalhados por toda a Europa. Este códice, um dos oito manuscritos originalmente da Biblioteca de Corvino e agora preservado na Biblioteca Estatal da Baviera, contém as obras filosóficas completas, as chamadas Enéadas, de Plotino (entre 204 e 270, aproximadamente), conhecido como o fundador da filosofia neoplatônica. Também incluída no códice encontra-se a biografia de Plotino, escrita por Porfírio (234-por volta de 305), um dos discípulos mais proeminentes do filósofo, e o compilador de Enéadas. Copiado por dois escribas diferentes que são bem conhecidos por estudiosos modernos, o códice muito provavelmente foi adquirido por Corvino logo após a sua produção. A Coleção da Bibliotheca Corviniana foi inscrita no programa Memória do Mundo, da UNESCO, em 2005.

Antigo Testamento alemão

Este manuscrito em dois volumes de uma tradução do alemão meridional do Antigo Testamento foi escrito pelo escriba profissional Georg Rorer de Ratisbona (Regensburgo) por volta de 1463, provavelmente para o monastério de Rottenbuch, na Baviera. O primeiro volume contém todos os livros do Antigo Testamento, desde o Livro de Gênesis (os trechos da primeira parte do Livro de Gênesis estão faltando até 24:19) até o Segundo Livro dos Reis, além do saltério. Nesse volume, os primeiros capítulos do Evangelho de Mateus (1:1–5:44) foram acidentalmente anexados entre o Livro dos Números e o Livro de Deuteronômio. O volume é ilustrado por 60 miniaturas e motivos florais adicionais; estes também foram executados em Ratisbona, em um estilo semelhante (embora um pouco anterior) às iluminuras de Berthold Furtmeyr (ativo entre 1460-1501), considerado um dos maiores iluminadores alemães de seu tempo. O segundo volume, também feito por Rorer, contém os livros do Antigo Testamento desde o Livro de Paralipômeno (também conhecido como Crônicas I e II) até o Livro de Malaquias, além de prólogos únicos dos livros da Bíblia, incluindo, entre outros, aqueles para os maiores e menores profetas, assim como para os quatro evangelhos. Vale apontar que o códice também apresenta dois prólogos do monge franco-beneditino Rábano Mauro (por volta de 784-856, também conhecido como Rabanus Maurus) aos dois livros dos Macabeus. O segundo volume é ilustrado por 52 miniaturas e motivos florais adicionais, também em um estilo semelhante àquele de Furtmeyr.

As vitórias de Maximiliano

Dentre os muitos esforços empreendidos pelo Sacro Imperador Romano Maximiliano I (1459-1519) em promover o seu legado estava seu plano de uma vitória alegórica monumental, a qual seria montada com mais de 200 xilogravuras. Muitos dos maiores artesãos da época trabalharam no projeto, mas foi interrompido depois da morte do imperador e nunca foi concluído. O manuscrito de Munique do Turnierbuch (livro do torneio, também conhecido como As vitórias de Maximiliano) conta com cópias dos desenhos de preparação feitos por Hans Burgkmair, o Velho, (1473–1531), que era responsável por quase metade das ilustrações do manuscrito. As cópias foram provavelmente desenhadas e coloridas à mão por seu filho, Hans Burgkmair, o Jovem, (por volta de 1500–1559) e são de excelente qualidade. Elas mostram vários cavaleiros e oficiais da corte de Maximiliano representando variações das lutas do torneio, ambos montados e a pé. Hans Burgkmair, o Velho, era um pintor e xilogravurista que nasceu e trabalhou em Augsburgo. Hans Burgkmair, o Jovem, também foi um pintor e gravador.

Os retratos da família Fugger

Em 1593, os membros da família Fugger encomendaram ao gravador de Augsburgo, Dominicus Custos (por volta de 1550–1612), a criação desta ambiciosa coleção de retratos de família. Usando retratos existentes como seus modelos, Custos terminou a primeira edição dos retratos em 1593. Após sua morte, seus genros, Lukas Kilian (1579-1637) e Wolfgang Kilian (1581-1662), ampliaram e atualizaram a coleção, substituindo os retratos de alguns membros da família com gravuras novas retratando-os em idade mais avançada. Esta nova edição foi publicada em 1618. A cópia foi comprada da família Fugger pela Biblioteca Estatal da Baviera em 2009 e agora compõe parte de seu acervo. A obra contém 138 gravuras, representando as edições completas de 1593 e 1618, além de dois adendos pertencentes à edição de 1620. Todas as gravuras foram coloridas manualmente de maneira especializada por um artista desconhecido. Os Fuggers eram uma dinastia alemã bancária e mercantil cujas origens vêm de Hans (Johannes) Fugger (1348–1409), um tecelão de Augsburgo. A família dominou os negócios europeus nos séculos XV e XVI e exercia grande influência política através de seus empréstimos a reis e imperadores, desde Henry VIII da Inglaterra até a Casa de Habsburgo.