Sexto livro sobre arquitetura: sobre as habitações dentro e fora das cidades

A redescoberta em 1414 do manuscrito de De architectura libri decem (Os dez livros sobre arquitetura), de Vitrúvio (por volta de 80–15 a.C.), o único tratado sobre arquitetura herdado da antiguidade, causou uma revolução no pensamento arquitetônico renascentista. Um dos arquitetos mais importantes da época, conhecido tanto por seus escritos teóricos quanto pelos edifícios que projetou, foi Sebastiano Serlio (1475-1554) de Bolonha. Os sete livros sobre arquitetura de Serlio tiveram uma influência decisiva sobre a evolução da arquitetura das villas e palácios venezianos. A influência de Serlio foi atribuída anteriormente ao muito ilustre Andrea Palladio, mas, desde então, tem sido confirmada pelos estudiosos. O sexto livro sobre arquitetura de Serlio, Delle habitationi fuori e dentro delle città (Sobre as habitações dentro e fora das cidades), trata de casas e villas adequadas a todos os diversos níveis sociais das pessoas. A obra contém modelos desenhados de maneira clara e elegante em pergaminho luxuoso, complementados por explicações muito divertidas e pessoais de Serlio. Este manuscrito, escrito pelo próprio artista, é particularmente precioso. Ele é dedicado ao Rei Henrique II da França (1519-1559, reinou entre 1547e 1559) e data dos últimos anos do artista em Lyon. Por razões financeiras, Serlio decidiu, antes mesmo do manuscrito ser impresso, vendê-lo a Jacopo Strada, um comerciante italiano, que passou-o para a biblioteca ducal em Munique, onde tem permanecido desde então.

Livro ilustrado de poesia tailandesa

Os poemas reunidos neste notável manuscrito tailandês da segunda metade do século XIX são de um poeta desconhecido. Todos eles compartilham o mesmo tema: a perda da mulher amada. Com base em todos os possíveis graus de refinamento que o idioma, a poesia e a arte tailandesa podem dominar, cada poema é uma obra de arte em si, elogiando a beleza da mulher amada e lamentando a sua morte. Precedendo os poemas estão 13 ilustrações ligadas ao tema geral. Elas mostram criaturas mitológicas e motivos de lendas e histórias tailandesas, como Kinnari (figuras místicas metade pássaro) ou a figura de Rama, o herói do Ramáiana tailandês. O manuscrito encontra-se na Biblioteca Estatal da Baviera, em Munique, Alemanha.

As doze damas da retórica

O manuscrito, intitulado Les douze dames de rhétorique (As doze damas da retórica) contém a correspondência literária entre Jean Robertet, secretário do duque João II de Bourbon, George Chastelain, historiógrafo de Philippe le Bon de Borgonha e Jean de Montferrant, conselheiro e tesoureiro na corte de Borgonha. Escritas por volta de 1464-1465, as 19 cartas em francês e latim referem-se à poesia. As cartas são acompanhadas de uma série de descrições em verso das doze companheiras da Dama Retórica. Apenas cinco cópias do texto, criadas imediatamente após a composição do original, foram preservadas, três das quais foram providas com iluminuras em Bruges. Este manuscrito, decorado com 15 miniaturas de meia página, estava em posse de Filipe de Cleves, que provavelmente recebeu como presente de seu pai. Algum tempo antes de 1777, o Príncipe-eleitor Karl Theodor do Palatinado-Sulzbach adquiriu o manuscrito e deu-lhe uma nova encadernação. Entre 1803 e 1804, uma parte da biblioteca dos eleitores do Palatinado, a Biblioteca Palatina em Mannheim, incluindo este precioso manuscrito, foi transferida para Munique. O manuscrito encontra-se atualmente preservado na Biblioteca Estatal da Baviera.

Coleção sobre a genealogia da nobreza da Baviera, volume 27

Johann Franz Eckher von Kapfing (1649–1727), príncipe-bispo de Freising de 1696 em diante, interessava-se muito por história e genealogia. Tendo reunido o material desde a sua juventude, ele solicitou seu Hofkammerdirektor (diretor do departamento da câmera do tribunal), Johann Michael Wilhelm von zu Prey Strasskirchen (1690-1747), que o ajudasse com sua pesquisa. Alguns anos depois da morte de Eckher, foi feita uma cópia limpa de todo o material recolhido; foi, em seguida, disposta e encadernada em mais de 30 grandes volumes. A coleção, que nunca foi impressa, é a mais extensa compilação histórico-genealógica já feita sobre as famílias nobres da Baviera. O volume 27 da coleção é um dos três volumes que detalha a genealogia dos Condes de Törring. Comparado com a maioria dos outros volumes da série, foi escrito em uma data anterior (1724) e apresenta um grande número de desenhos coloridos de brasões, árvores genealógicas e retratos ficcionais. Junto com os outros volumes, ele tornou-se propriedade da Biblioteca Estatal da Baviera quando a diocese de Freising foi incorporada ao território da Baviera em 1803.

Hagadá de Pessach

Este Haggadah Shel Pesach (Hagadá de Pessach) contém os textos em hebráico e aramáico que são lidos e cantados na primeira noite e, em muitas casas na diáspora, na segunda noite do festival de Pessach. Estes textos normalmente são ricamente iluminados e decorados com miniaturas. Este manuscrito da Abadia de Tegernsee, um ex monastério beneditino localizado no Tegernsee, na Baviera, contém 23 miniaturas. O manuscrito também contém um comentário bastante polêmico, em latim, de um ponto de vista cristão, escrito em 1492 pelo dominicano Erhardus, que possuía claramente certo conhecimento de hebráico. A apresentação e estilo artístico do texto indicam que o manuscrito tenha sido originado no sul da Alemanha ou na Baviera na segunda metade do século XV. Depois do fechamento do monastério em 1803, o Hagadá foi transferido para a biblioteca da corte de Munique, predecessora da Biblioteca Estatal da Baviera, onde está agora preservado.

Carta portulana (mundo velho)

Dentre os manuscritos geográficos na Biblioteca Estatal da Baviera está uma série das mais importantes cartas portulanas que sobreviveram até hoje. Estas cartas foram feitas em um pedaço único de pele de ovelha e exibem os contornos dos continentes e nomes dos assentamentos costeiros. Os mapas incluem várias rosas dos ventos e mostram marcos, cujas distâncias poderiam ser determinadas usando um par de divisores. Os mapas foram uma importante ajuda de navegação para marinheiros. Os buracos no pergaminho revelam pontos nos quais a carta foi presa a um mastro ou mesa. Esta preciosa carta portulana do mundo velho de 1505 foi feita na Itália, a qual produziu, em Gênova e Veneza, duas importantes escolas de geógrafos do século XVI. O mapa foi transferido para a Biblioteca Estatal da Baviera do monastério cisterciano de Aldersbach. É extraordinário pelo preciso e detalhado conhecimento das cadeias de montanhas refletidas nele que vão da Espanha aos Urais e pelo retrato das regiões da África e Ásia, cujos mestres exóticos são retratados juntamente com seus sobrenomes. Os textos que acompanham a carta começam com letras maiúsculas e destacam a importância das cidades de peregrinação de Jerusalém e Meca.

O pequeno espelho de Genji

Genji Monogatari (O conto de Genji) é bastante considerado o auge da literatura clássica japonesa. Ele conta a história de Hikaru Genji, filho do imperador japonês que, por razões políticas, é rebaixado ao status de cidadão e tem que começar uma carreira como um oficial imperial. O texto abrange toda a sua vida, concentrando-se especialmente em sua vida privada como um cortesão, incluindo os seus inúmeros casos amorosos. O conto foi escrito por volta do ano 1000 na corte imperial de Heian-kyo (Kyoto) por uma dama de companhia da corte cujo nome verdadeiro é desconhecido, mas que atendia pelo pseudônimo de Murasaki Shikibu. A obra completa é longa e complexa, abrangendo centenas de páginas e detalha a vida não só de Hikaru Genji, mas de cerca de 400 personagens, por isso, no período Edo (1603-1867) tornou-se comum o uso de versões abreviadas do conto. Esta compilação ilustrada de cinco volumes foi criada no século XVII e é iluminada com ilustrações de cores vivas.

Armorial de Ortenburgo

Este armorial foi provavelmente escrito e iluminado por diferentes pessoas na Baviera entre 1466 e 1473. Ele contém brasões dos Quaternions (grupos de quatro, cada um representando diferentes grupos sociais do Império Romano). Ele também ilustra os timbres dos príncipes, nobres, territórios, bispados e príncipes-bispos (em sua maioria) da Baviera. Apesar de sua execução um pouco crua, é um recurso valioso para a heráldica do sul da Alemanha no final do século XV. Em 1534, o manuscrito foi adquirido pelos condes de Ortenburgo, próximo a Passau; lá, foram adicionados três brasões da família Ortenburgo e de seus ancestrais. Ele permaneceu na família até 1953, quando foi vendido para a Biblioteca Estatal da Baviera, onde está preservado.

Missal do século XV com notas e iniciais

Este manuscrito musical da Biblioteca Estatal da Baviera está decorado com 15 iniciais com gavinhas. As iniciais enquadram fotos e referem-se aos corais do ano biblíco. Por razões estilísticas, os estudiosos dataram estas iluminuras da última década do século XV e as atribuíram ao ilustre pintor renascentista Berthold Furtmeyr (por volta de 1435/1440–por volta de 1501) e sua escola. Furtmeyr e seus seguidores foram importantes contribuintes da secular Escola de Iluminura de Ratisbona (atual Regensburgo). Artista de grande renome, Furtmeyr iluminou muitas obras impressionantes, incluindo este manuscrito, a Bíblia de Furtmeyr, e o missal da festa de Salzburgo em cinco volumes (todas encontram-se atualmente na Biblioteca Estatal da Baviera), e muitos outros trabalhos. Seus principais clientes para estes lindos livros religiosos eram os duques da Baviera e os príncipe-arcebispos de Salzburgo. Em suas obras, o artista domina a difícil tarefa de combinar com êxito imagens, ornamento e texto com grande autoridade. Furtmeyr é famoso por sua manipulação de cores, suas iluminuras brilhantes e a extrema diligência que marca o seu trabalho. Embora ele ainda estivesse profundamente enraizado na Idade Média, o seu amor por cores, cenas noturnas e nus femininos marcam uma transição para o Renascimento.

O missal de Salzburgo

Os cinco volumes do monumental missal da festa da basílica de Salzburgo, agora na Biblioteca Estatal da Baviera, estão entre os missais medievais mais luxuosamente ornamentados, e provavelmente entre os mais caros do mundo. Encomendado pelo príncipe-arcebispo de Salzburgo Bernhard de Rohr (1418–1487, reinou entre 1466–1482), um amante da arte e bibliófilo, o manuscrito foi concluído em 1494 sob o governo de seus sucessores. Ele contém 22 textos litúrgicos sobre as festas religiosas mais importantes celebradas na basílica de Salzburgo. No final da década de 1450, o pintor de Salzburgo Ulrich Schreier começou a trabalhar em incríveis miniaturas, mas, pouco tempo depois, Berthold Furtmeyr (por volta de 1435/1440–por volta de 1501) foi solicitado a continuar. Furtmeyr decorou os volumes com esplêndidas miniaturas, e o missal é considerado sua obra prima de nível artístico maduro. O nível do trabalho e a divisão de suas 680 folhas em cinco volumes dão testemunho das incríveis exigências da encomenda. Em escrita de textura ampla, cada volume tem 38 centímetros de altura por 28 de largura, conveniente para segurar e, ao mesmo tempo, impressionante. Cada volume contém textos litúrgicos e iluminuras coloridas brilhantes. O primeiro volume inclui as três missas sagradas: o nascimento de Cristo em 25 de dezembro, a Festa da Circuncisão de Cristo em 1º de janeiro e a festa da Epifania em 6 de janeiro. O segundo volume contém liturgias para a Purificação da Virgem, a Anunciação, a Deposição de São Ruperto, Quinta-feira Santa, Páscoa e Ressureição. O terceiro volume inclui liturgias de Pentecostes, Domingo da Santíssima Trindade, Corpus Christi, solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e a Assunção. O quarto volume contém liturgias sobre Santo Agostinho, a Natividade de Maria, a Transladação de São Ruperto, a Quermesse da Basílica de Salzburgo, e a Transladação de São Virgílio. No quinto volume, a Solenidade de Todos os Santos, Dia de São Martinho, e a Deposição de São Virgílio em 27 de novembro completam o ano litúrgico.