13 de janeiro de 2012

Biografia do soberano dragão celestial e imperador de grande virtude

A edição original desta obra foi descrita no catálogo anotado Dao zang mu lu xiang zhu (Catálogo do cânone taoísta com anotações detalhadas) como sendo composta de seis juan. A obra é uma biografia de Lao Zi, tradicionalmente considerado o autor de Dao de jing e fundador do taoísmo. A primeira referência a Lao Zi pode ser encontrada em Shi ji (Os registros do ilustre historiador), pelo historiador chinês Sima Qian (por volta de 145-186 a.C.). Lao Zi era frequentemente considerado um contemporâneo de Confúcio (551-479 a.C.). A longa frase, Tai shang hun yuan shang de huang di (O soberano dragão celestial) foi um título honorífico concedido a Lao Zi pelo imperador Zhenzong (reinou em 998-1022), da dinastia Song. Esta cópia do manuscrito fragmentado Ming consta de dois juan em dois volumes e, provavelmente, é uma cópia originária da biblioteca do príncipe Gaotang da dinastia Ming, já que cada volume tem uma impressão de selo em forma de quadrado da ex libris do príncipe: Gaotang Wang fu tu shu (Biblioteca do palácio do príncipe Gaotang). Neto do Imperador Xianzong (reinou em 1465-1487), o príncipe Gaotang (1514-1583), cujo verdadeiro nome era Zhu Houying, era conhecido como um estudioso do conhecimento enciclopédico, um calígrafo e um colecionador de livros que muitas vezes tinha cópias de livros raros. Esta edição Ming foi copiada de um texto Song. O autor foi Jia Shanxiang, um famoso taoísta, conversador e tocador de cítara da dinastia Song do Norte (960-1127). Algumas de suas obras, entre elas You long zhuan (Biografia de um mestre dragão), podem ser encontradas no Zheng zong dao zang (Cânone taoísta ortodoxo).

Compêndio de matéria médica

Impresso durante o período Wanli, Ben cao gang mu (Compêndio de matéria médica) é uma obra em escala enciclopédica, com 52 juan de texto e dois juan de ilustrações, em 25 volumes. Foi compilada por Li Shizhen (por volta de 1518-1593), um nativo de Sichuan, que foi um dos maiores médicos, farmacologistas e naturalistas da história chinesa. Após servir por apenas um ano no prestigiado Instituto Médico Imperial, Li voltou para casa para trabalhar como médico e começar a escrever este livro. A obra e as suas três revisões levaram 27 anos para serem concluídas. A data exata da publicação é desconhecida. Li coletou o material mediante meticuloso levantamento de centenas de fontes nos anos de 1552-1578. Ele viajou por um longo período e adquiriu experiência em primeira mão com ervas e remédios locais em toda a China, bem como consultou todos os livros de medicina impressos na época. O resultado foi esta obra de grande importância científica, médica e histórica. O compêndio contém informações sobre cerca de 1.800 medicamentos, incluindo variedades desconhecidas, com ilustrações e aproximadamente 11.000 prescrições. Cada erva é descrita por seu tipo, forma, sabor, natureza e método de aplicação. A obra foi reeditada várias vezes durante a dinastia Qing (1644-1911) e desde então. Ela foi traduzida em muitos idiomas e continua sendo considerada a principal ferramenta de referência para a medicina tradicional chinesa. Também estão incluídas discussões sobre temas relacionados como botânica, zoologia, mineralogia e metalurgia. O autor agrupou seu material nas categorias animal, mineral e vegetal. Além disso, possui uma bibliografia de cerca de 900 títulos de livros. A etiqueta indica que este exemplar foi originalmente de propriedade de Fujiyama de Izumo. As correções, escritas em tinta vermelha nas margens superiores, foram feitas pelo estudioso médico japonês, Mori Tatsuyuki. O prefácio, datado de 1590, é de Wang Shizhen (1526-1590), um proeminente intelectual e historiador da dinastia Ming.

Suplemento do compêndio de matéria médica

Esta obra é um suplemento do Ben cao gang mu (Compêndio de matéria médica), do século XVI, em forma de manuscrito, de 11 juan, em 20 volumes, compilado por Zhao Xuemin (por volta de 1719-1805), um nativo de Qiantang (atual Hangzhou), província de Zhejiang. O livro é considerado a obra médica mais importante da dinastia Qing. Zhao Xuemin era filho de um médico de renome e tanto ele como seu irmão seguiram os passos de seu pai. Zhao era conhecido como um ávido colecionador de obras médicas, farmacológicas e astrológicas. Ele cultivava ervas, testava as propriedades de várias plantas e operava uma clínica. Esta obra originalmente fazia parte de uma série de 100 volumes, intitulada Liji shi er zhong (Doze séries de Liji), que Zhao completou ao longo de décadas de coleta e organização. A obra foi agrupada em 12 categorias, abrangendo vários temas médicos relacionados com doenças, curas e matéria médica, incluindo a medicina popular. Das 12 categorias, apenas duas ainda existem e estas foram revistas e impressas por Zhang Yingchang no décimo ano do reinado de Tongzhi (1871). O prefácio deste manuscrito indica que o autor levou 40 anos para completar a obra, entre 1765 e 1805, durante os reinados dos imperadores Jiaqing e Qianlong do período Qing. Apesar do lapso de mais de 200 anos desde a publicação de Ben cao gang mu, de Li Shizhen, Zhao tentou preencher algumas lacunas que havia encontrado no compêndio anterior. Ele corrigiu uma série de erros e adicionou mais de 700 medicamentos, sobretudo extraídos da tradição popular. O livro tem um prefácio escrito pelo autor.

17 de janeiro de 2012

Os poemas italianos do mestre Francesco Petrarca

Francesco Petrarca (1304–1374) foi um poeta e estudioso italiano, muitas vezes chamado de pai da Renascença. O maior estudioso de sua época, Petrarca defendeu a continuidade básica entre o cristianismo e a cultura clássica da Grécia e de Roma. Embora escrevesse principalmente em latim e pessoalmente tenha descoberto muitos manuscritos (em latim) há muito tempo perdidos, ele é mais conhecido por sua poesia lírica italiana, em grande parte escrita para Laura, o assunto do seu amor idealizado identificada por muitos estudiosos como Laure de Noves (por volta de 1308-1348) de Avignon, França. Le cose volgari é uma edição dos poemas italianos de Petrarca, produzida pelo tipógrafo e estudioso veneziano Aldo Manuzio (por volta de 1450-1515). Em 1501, Aldo começou a imprimir os chamados "libelli portatiles", edições de textos sem comentários acadêmicos in-oitavo, um formato que até então era utilizado apenas em livros de oração. O de Petrarca foi publicado em julho como o primeiro "livro portátil" em italiano e é um excelente exemplo da capacidade inovadora de Aldo. O livro é impresso em itálico, o qual foi inventado por Aldo e que tinha a intenção de imitar a caligrafia de sua época. O texto em si foi editado pelo estudioso Pietro Bembo (1470-1547) usando um manuscrito de Petrarca. Bembo teve uma enorme influência no desenvolvimento do italiano como língua literária moderna, a qual ele acreditava que devia ser modelada com base nos escritos de Petrarca.

18 de janeiro de 2012

Mongólia

Durante a preparação para a conferência de paz que se seguiu a Primeira Guerra Mundial, na primavera de 1917, o Ministério do Exterior Britânico criou uma seção especial responsável pela preparação de informações históricas que poderiam ser úteis aos delegados Britânicos durante a conferência. Sob a liderança de Sir George W. Prothero, diretor da Seção Histórica do Ministério das Relações Exteriores, os especialistas foram contratados para escrever resumos referentes à geografia, história e características econômicas, sociais e políticas dos países e territórios sobre os quais os delegados poderiam ter interesse. Ao todo, foram produzidos mais de 160 estudos separados sobre países e territórios em todas as partes do mundo, bem como sobre temas gerais, tais como a liberdade dos mares, rios internacionais, congressos e conferências internacionais. Também foram produzidos quatro volumes de mapas. Em 1919-20, com a Conferência de Paz de Paris se aproximando do fim, o Ministério das Relações Exteriores, em resposta a pedidos de informação, decidiu liberar os estudos para uso público. Este trabalho, número 68 da série publicada, cobre a geografia e história política da Mongólia, que havia sido objeto de complexas manobras diplomáticas entre a China, Rússia e Mongólia, entre 1911 e 1915.

19 de janeiro de 2012

Carta a Guillaume Budé, 4 de Março de 1521

François Rabelais (1494?-1553) foi um escritor da Renascença Francesa lembrado por sua obra-prima cômica, Pantagruel e Gargântua. Esta carta é o primeiro texto conhecido de Rabelais. Foi escrito em 1521, quando Rabelais era um jovem monge do mosteiro franciscano de Fontenay-le-Comte e dedicava-se profundamente ao estudo do grego e das ciências humanas. A carta é dirigida a Guillaume Budé, um erudito acadêmico a quem Rabelais admirava. Destinada a atrair a atenção de Budé e a incitar seu encorajamento, a carta utiliza os convencionais elementos temáticos do humanismo clássico. Rabelais deixou o claustro em 1530, estudou e, mais tarde, praticou a medicina; também publicou a primeira parte de Gargântua e Pantagruel in 1532. O livro é a história de dois gigantes, Gargântua e seu filho, Pantagruel, e suas inúmeras aventuras, que Rabelais utilizou para satirizar a hierarquia da igreja, os advogados, as escolas e universidades, os filósofos e outros aspectos da sociedade em que ele vivia.