31 de janeiro de 2012

Pesquisas geográficas por ordem imperial

Esta obra é um manuscrito incompleto em três volumes, provavelmente um dos primeiros atlas oficiais da dinastia Qing, que começou em 1644. O título, Qin ding fang yu lu cheng kao lue (Pesquisas geográficas por ordem imperial), na capa do volume três, foi riscado posteriormente e substituído com tinta vermelha por Qin ding huang yu quan lan (Atlas completo por ordem imperial). Uma etiqueta na mesma capa indica que “estas são as cópias do projeto para a compilação de Wu Ying Dian [a tipografia e encadernadora imperial] e eram originalmente de propriedade de Li Qiyuan [um estudioso e membro da Academia Hanlin]”. A compilação desta obra foi feita por Wang Shihong (1658-1723) e por outros durante os anos 46 e 47 do reinado de Kangxi (1707-1708). Os três volumes documentam principalmente condados e prefeituras, na maioria da província de Shanxi, bem como as estradas que seguem para as províncias vizinhas de Shaanxi e Henan, no centro-nordeste da China. A obra não parecia ter sido concluída ou impressa em sua totalidade na época do reinado de Kangxi (1622-1762). Não se sabe se alguma vez houve uma cópia completa deste atlas.

Memoriais de Zhang Xianghe ao trono

Esta obra contém memoriais escritos por Zhang Xianghe (1785-1862), datados de janeiro a dezembro de 1853, o terceiro ano do reinado de Xianfeng, com os do mês de janeiro incompletos. De acordo com a biografia de Zhang Xianghe no capítulo sete da Qing shi gao (História da dinastia Qing), Zhang obteve seu jin shi (doutorado) em 1820 e assumiu diversos postos, chegando ao cargo de presidente do Ministério de Obras em 1859-1861. Em 1853, quando esses memoriais foram escritos, Zhang foi chamado à capital deixando a província de Shaanxi, onde tinha sido o magistrado presidente. Estes memoriais foram provavelmente escritos enquanto ele ainda estava em Shaanxi, mas eles não foram impressos na época, portanto, partes deles foram perdidas. Em um de seus memoriais, Zhang propôs que devido às ações militares crescentes na região sudeste, era imperativo reforçar a formação das forças militares e aumentar as defesas. Ele também recomendou o sistema bao jia (um sistema administrativo para a organização da população com base em famílias) para manter a ordem pública. Apenas oito dos prováveis 50 ou 60 volumes de memoriais de Zhang foram encontrados, documentos esses, escritos em seu último ano como magistrado. Não existe informação disponível se os outros volumes ainda existem.

Um câncer infecto espalha sua má influência

Esta obra é uma cópia manuscrita com um índice, mas sem um prefácio, que tira seu título da capa do primeiro volume. A obra tem seis juan em seis volumes e contém memoriais escritos pelo funcionário Huang Juezi (1793-1853), da dinastia Qing, que desempenhou um papel importante durante a primeira Guerra do Ópio (1839-1842). No primeiro memorial, datado do ano 18 do reinado de Daoguang (1838), ele recomendou a promulgação de leis drásticas para proibir o ópio. O memorial foi enviado a todos os altos funcionários administrativos das províncias para discussão, cujos resultados foram relatados ao trono por Lin Zexu, o comissário imperial com poder plenipotenciário designado pelo imperador para acabar com a dominação do ópio no Cantão. No último memorial, de 1843, Huang Juezi solicitou ao imperador a emissão de um édito imperial para remover três altos funcionários, Qishan, Yijing e Wenyu, do cargo e aconselhá-los a refletir sobre suas más ações. Qishan, que ocupou vários cargos importantes, substituiu Lin Zexu em 1840 e liderou as negociações com os britânicos, nas quais ele concordou com a cessão de Hong Kong e com uma indenização de 6 milhões de dólares em prata. Qishan foi condenado, demitido e banido, mas após o término da guerra em 1842, foi reintegrado e tornou-se governador-geral de várias províncias. Yijing, um bisneto do Imperador Qianlong (1711-1799), recebeu a patente de general como comandante da província de Zhejiang e Wenwei foi feito comandante assistente. Em março de 1842, as forças de Yijing atacaram Ningbo, que havia sido ocupada pelos britânicos, mas foram totalmente derrotadas. Yijing também falhou em outras ações militares. Ele foi preso no mesmo ano, porém mais tarde foi perdoado e reintegrado. O memorial de Huang indicou que estes três funcionários foram responsáveis pelos reveses militares da guerra. Além de memoriais e éditos imperiais, este manuscrito contém correspondências, biografias e versos. Os textos estão bem organizados e são uma fonte útil no estudo das Guerras do Ópio.

Coleção Jing Xin de poemas de Chen Zi

Esta coleção de manuscritos contém poemas de Chen Zi (1683-1759), um nativo de Yuyao, província de Zhejiang e famoso poeta e calígrafo durante os períodos de Kangxi e Qianlong da dinastia Qing. Embora duas vezes recomendado para posições oficiais, Chen se recusou a servir à corte de Qing. Os poemas da obra foram copiados e preservados por seus amigos durante a inquisição literária Qing. A inquisição literária na China teve uma longa história, mas durante a dinastia Qing essa perseguição oficial a intelectuais, comumente chamada de wen zi yu (condenação por escritos literários), foi particularmente desenfreada. Para impedir a oposição de intelectuais e silenciá-los, as autoridades interpretavam o significado das obras de um indivíduo de acordo com as suas próprias regras e procuravam qualquer palavra ou frase que servissem como prova necessária à perseguição. Ambos os prefácios de Chen e uma introdução de Zheng Yiting estão imbuídos de tristeza pela mudança de dinastia, luto pela inquisição literária e lamento por terem nascido em uma época inoportuna. O trabalho tem seis juan, os cinco primeiros contendo 30 poemas e o sexto, intitulado Jiu jiu yue fu (Poemas escritos no estilo yue fu), contêm referências a eventos históricos na dinastia Ming. Os poemas estão organizados cronologicamente datando do ano 52 de Kangxi (1713) ao 12º ano do reinado de Qianlong (1747).

Obras coletadas no Templo do Monte do Norte

O Templo do Monte do Norte era o templo oficial dedicado a Hengshan, no nordeste da China, uma das Cinco Montanhas Sagradas, adoradas por gerações. Ele está localizado em Quyang, no centro da província de Hebei. Originalmente um santuário de 98 a.C., o templo tomou forma em 500-512 d.C. As ruínas que ainda permanecem datam de 1270, quando o templo foi reformado. Elas consistem em um salão principal, as fundações de um outro salão, um pavilhão e três portões. Os murais do salão central retratam divindades do monte sagrado, três juízes do Céu, da Terra e da Água, montes, montanhas e imortais. No local também encontram-se inúmeras estelas entalhadas com inscrições. Durante o período Jiajing (1522-1566), Hou Tingxun, magistrado do condado de Quzhen, pediu ao governador provincial para compilar essas inscrições de valor histórico. Hou e outros foram enviados ao local para copiá-los. Por fim, Huangfu Fang (1503-1582), um poeta e funcionário Ming, compilou um volume de três juan e editou-o no 11º ano de Jiajing (1532) com o título de Bei yu bian (Compilação do Monte do Norte). Esta obra, uma edição posterior e ampliada em 10 juan (em quatro volumes), foi compilada por Wei Xueli, um subprefeito de Guangping, Hebei e foi editada no ano 18 do reinado de Wanli (1590). Ela contém tratados, com ilustrações, sobre o Templo do Monte do Norte, outros montes e templos em Quyang, Hengshan e em outras áreas e as pinturas do templo. Ela também contém um mapa da China, intitulado “Mapa do domínio unificado da grande Ming”.