31 de janeiro de 2012

Coletânea de poemas do estúdio Yizhizhai

O autor desta obra, Ding Yan (1794-1875), era um nativo de Shanyang (parte da atual Huai'an, província de Jiangsu), um estudioso de talento e um funcionário do governo. Depois de alcançar o posto de ju ren, como um candidato bem-sucedido no exame de nível provincial, o autor da obra não conseguiu obter seu jin shi (doutorado), e recusou compromissos oficiais de menor importância. Retornou em seguida para Shanyang, onde passou a participar ativamente dos problemas locais. Em 1842 ele conduziu o corpo local de civis na defesa de sua cidade, confrontou a frota britânica que avançava pelo rio Yangtzé e encarregou-se do reparo dos muros da cidade. Em 1843 ele foi agraciado com o título de secretário do Grande Secretariado. Dez anos depois ele voltou a defender sua cidade, desta vez contra os rebeldes Taiping. Em 1853 ele foi acusado de cometer erros na organização da milícia e foi condenado e banido, porém liberado mais tarde. Em 1861, Ding foi formalmente nomeado, por decreto imperial, pelos seus esforços na defesa de Shanyang, para servir na comissão de formação do corpo de civis no norte de Jiangsu e finalmente recebeu o título de oficial da segunda ordem. Ding era altruísta e contribuiu para o alívio da fome e para a dragagem de canais. Ele defendeu a emissão de papel-moeda e a proibição rigorosa do ópio. Ding dirigiu também várias academias locais e foi um dos principais compiladores das histórias locais de Shanyang. Ding era especialmente conhecido pela sua erudição e realizações literárias. Cerca de 50 obras atribuídas a ele são conhecidas, das quais 23 formaram uma coletânea em 1862, sob o título de Yi zhi zhai cong shu (Coletânea de obras do estúdio Yizhizhai). Seus poemas e ensaios curtos em 16 juan, intitulados Yi zhi zhai shi wen ji (Coletânea de poemas e ensaios do estúdio Yizhizhai), nunca foram impressos. Estudioso e arqueólogo, Luo Zhenyu (1866-1940) adquiriu uma cópia manuscrita da obra desse autor de descendentes de Ding, da qual em 1915 ele selecionou e imprimiu um juan de ensaios de Ding e um juan de seus poemas. A edição da Biblioteca do Congresso é um manuscrito Qing que manteve o título original. Possui diversos prefácios, poemas e inscrições feitos por vários estudiosos e intelectuais. Entre eles estão o próprio prefácio de Ding (datado de 1832) e os de Zhou Ji (datado de 1836) e Dashi Sheng (1824), poemas de Pan Deyu (1828) e Gui Wang (1831), bem como inscrições de Zhu Qi (1844) e Huang Juezi (1836). Marcas manuscritas indicam também que talvez tenham sido feitas pelo próprio Ding Yan.

Memoriais de Qinghai

Os memoriais eram memorandos pessoais apresentados por funcionários ao imperador, muitas vezes com propostas de ação. Eles eram um dos principais meios de comunicação entre o imperador e seus funcionários. Os memoriais dão uma ideia da variedade de opiniões defendidas na época sobre diversos assuntos e são importantes fontes históricas. Esta é uma coleção manuscrita de memoriais em dez volumes, escrita por Yushi (1825-1906) durante o reinado do imperador Tongzhi (1862-1874) e do imperador Guangxu (1875-1908). Yushi era um nativo de Han cujo nome original da família era Liu, que mais tarde tornou-se membro de uma das oito bandeiras manchu. Ele obteve seu jin shi (doutorado) em 1852 e ingressou no governo, servindo em uma série de postos oficiais, incluindo um no Grande Secretariado. Em 1859 ele se tornou um censor investigativo de Shandong e mais tarde de Shaanxi. Dois anos mais tarde ele se tornou o prefeito de Lanzhou e Pingliang. Em 1870 ele foi promovido a grande ministro superintendente de Xining, Qinghai, onde ele auxiliou Zuo Zongtang (1812-1885), o mais proeminente líder e estadista militar da época, que lutava para a supressão do movimento muçulmano contra Qing na região. Em 1878 ele se tornou o governador militar de Urumqi. Esta obra contém os memoriais escritos por ele durante seus anos na região de Qinghai. Muitos dos memoriais detalham as manobras militares e fornecem informações relativas aos eventos que complementam as histórias oficiais do período. Também estão incluídos os memoriais solicitando o recrutamento de soldados para proteger guarnições vitais, o recrutamento do corpo civil e a correspondência envolvendo sanções para o tesoureiro provincial por atraso na entrega do pagamento e das provisões aos soldados. O livro tem dois prefácios, um do autor e outro de Li Hongzao (1820-1897), um colega alto funcionário que foi um tutor na corte imperial e serviu como grande conselheiro.  

São Wladimir (i.e., Vladimir), Monumento, Kiev, Rússia (i.e., Ucrânia)

Esta impressão fotocrômica do monumento de São Vladimir, em Kiev, é parte de "Vistas da Arquitetura e de Outros Locais, Principalmente na Polônia, Rússia e Ucrânia", do catálogo da Detroit Publishing Company (1905). O monumento de bronze, erguido em 1853, fica no topo da Colina Vladimirskaya e eleva-se sobre o Rio Dnieper. É dedicado ao príncipe Vladimir Svyatoslavich (958-1015), ou São Vladimir, que trouxe o Cristianismo para o Kievan Rus em 988. O monumento de 20 metros foi projetado pelo escultor Vasily Demuth-Malinovsky (1779–1846). A estátua, que ocupa apenas cinco metros da altura total do monumento, é de autoria do escultor Pyotr Klodt (1805-1867). Destaca a figura de São Vladimir, com uma cruz na mão direita e a boina de príncipe em sua mão esquerda. O pedestal de tijolos e ferro, decorado com estrelas e cruzes, é de Konstantin Ton (1794-1881).

Um novo tratado sobre autorecriminação

Este é um manuscrito em três volumes escrito em chinês no início do século XVIII pelo estadista coreano Kim Chang-jip (1648-1722). Ele pertencia a um poderoso ramo do clã Kim baseado em Andong, província de Kyongsang do Norte e mais tarde foi acusado de traição e executado em 1722. Ele era conhecido por ter visitado a capital imperial chinesa com regularidade. Um prefácio escrito por Li Yi indica que Kim aprendeu com os homens chineses de virtude e com altos funcionários, lendo as inscrições da estela que exaltava suas vidas e obras, histórias extraoficiais e outros escritos diversos. Ele escreveu suas idéias sobre conduta e comportamento exemplares, para servirem como um guia aos seus descendentes. Ele também citou provérbios de fontes coreanas. Seguindo o arranjo de uma obra chinesa do século XIII, Zi jing bian (Tratado sobre autorecriminação) escrito pelo autor Shanliao Zhao, do período Song, Kim Ch'ang-jip organizou seus escritos em três juan, com o primeiro composto de 12 entradas, o segundo de 25 entradas e o terceiro de 23 entradas. Cada entrada cita as fontes utilizadas. As exortações na obra foram adotadas por homens de grande importância e sabedoria da época. O manuscrito entrou para coleção da Biblioteca do Congresso em 1929.

Dicionário geográfico de Zhongdu, a capital central

O primeiro imperador Ming, Hongwu (1328-1398), também conhecido por seu nome pessoal Zhu Yuanzhang, estabeleceu a capital nacional em Nanquim. Ele também renomeou Linhao (atual Linhuai, Fengyang, província de Anhui), onde ele nasceu, como Zhongdu e designou-a como a capital central. A construção de uma cidade imperial com palácios imponentes e uma capital com cidades interiores, médias e externas e nove portões, teve início em 1372, mas o imperador interrompeu repentinamente a construção em 1375. Embora Zhongdu nunca tenha se tornado o centro político da China, alguns dos conceitos de planejamento urbano utilizados na sua construção, incluindo as disposições do palácio, tiveram grande influência sobre o planejamento de Pequim e ocupam uma posição de destaque na história do planejamento urbano na China. Zhongdu foi uma das construções mais majestosas da China, e foi seguida, em um novo estilo, na tradição dos períodos Song e Yuan. Atualmente, apenas alguns vestígios da cidade podem ser encontrados, como túmulos imperiais, a torre em forma de tambor e o Templo Longxing. Esta obra manuscrita foi compilada por Zhang Liangzhi, um nativo de Anyi, província de Shanxi, que obteve o grau de ju ren (um candidato bem sucedido dos exames imperiais em nível provincial) em 1528 e garantiu um posto no Ministério da Fazenda. No ano 26 do reinado de Jiajing (1547), Zhang Liangzhi tornou-se um funcionário do Ministério da Investigação em Zhongdu, onde oito tropas estavam aquarteladas para proteger os túmulos imperiais. Foi aqui que Zhang escreveu esta obra. Incluídos na obra estão os nomes dos funcionários locais, enumerados em ordem cronológica. O último funcionário listado, em 1558, foi Shouxiu Li, que também poderia ser a pessoa responsável pela publicação da obra, que tem um prefácio do autor.

Memoriais ao trono da nossa gloriosa dinastia

Esta obra foi um dos livros proibidos na dinastia Qing. A proibição e a destruição de livros têm uma longa história na China e tornaram-se especialmente predominante sob o imperador Qianlong (reinou em 1736-1795) da dinastia Qing, quando a enciclopédia da Si ku quan shu (Biblioteca completa dos quatro tesouros) estava em andamento. Cerca de 3.100 obras, aproximadamente 150.000 exemplares de livros, ou foram queimados ou proibidos. Livros sobre história, biografia, filosofia e literatura Ming e até mesmo algumas obras sobre ciência, tecnologia e economia que eram consideradas de conteúdo proscritivo, como sentimentos antimanchu ou palavras censuráveis, foram alvo de ataque. Esta obra não foi incluída no Si ku quan shu zong mu (Catálogo geral da biblioteca completa dos quatro tesouros). O título pode ser encontrado tanto no Jin shu zong mu (Catálogo geral dos livros proibidos) quanto no Wei ai shu mu (Índice de obras contra os costumes ou a lei). O catálogo geral dos livros proibidos registrou-o com um título diferente, Bu kui tang ke zou shu (Memoriais gravados em Bu kui tang). Na corte imperial chinesa, documentos, tais como memoriais e editais, funcionavam como ferramentas para facilitar a comunicação entre o imperador, seu governo e seus funcionários, a fim de permitir que o imperador compreendesse os assuntos do Estado e para usá-los como bases de suas políticas. O termo zou yi indica principalmente memoriais pessoais apresentados ao imperador por altos funcionários, muitas vezes com recomendações e propostas de ação. Alguns memoriais talvez não tivessem sido sancionados pelo imperador e outros nem chegado ao trono. No entanto, eles são importantes fontes históricas que ajudam a compreender a variedade de opiniões defendidas sobre vários assuntos e acontecimentos da época. Diversas coleções de memoriais e escritos selecionados sobre assuntos de Estado da dinastia Ming sobreviveram. Esta obra foi compilada por Wu Daoxing durante o reinado de Wanli (1573-1620). Após receber seu jin shi (doutorado) em 1595 e mais tarde ser promovido ao posto de wen lin lang, Wu Daoxing ocupou um cargo no Tribunal de Cerimônia Imperial de Sacrifício. A obra consiste em documentos de 32 anos, que datam do primeiro ano do reinado de Wanli, da dinastia Ming (1573), organizados em 24 partes, com títulos, como jun dao (o estilo do governante) e guo shi (política nacional). O prefácio do compilador é datado de 1607.