12 de janeiro de 2012

O Livro da Escadaria das Virtudes

O manuscrito tem um número de características peculiares. O texto está em Garshuni (árabe em caracteres siríacos), mas a palavra guia (uma palavra dada na parte inferior de uma página que corresponde à primeira palavra do texto da página seguinte para assegurar que a ordem das páginas seja mantida) é dada em escrita árabe. As citações biblícas são indicadas (algumas vezes em vermelho) na margem, escritas de lado (como, por exemplo, fólio 13, onde Mateus 10:16 é citado). Os pontos diacríticos dados às letras são em preto quando a escrita principal é em vermelho, e vice-versa. Em parte do trabalho, os títulos das seções são dados em escrita árabe rubricada em vez de siríaco. O colofão no fólio 71 está em (totalmente vocalizado) siríaco, não em árabe, e dá a data do manuscrito, 1830. No fim do manuscrito, sahha (fim) está escrito duas vezes em garshuni, e duas vezes em árabe. O livro é tido como um guia para a alma para o caminho certo em direção a Deus. Nenhum título é dado até perto do fim (fólio 80): A Escadaria das Virtudes. Especificamente, estas virtudes são: 1. 1. Fé, 2. Esperança no Deus Vivo, e 3. Amor a Deus e ao Próximo. No fólio 80, quatro padres da igreja - Agostinho, João Crisóstomo, Basílio o Grande, e Teofilato - são citados.

13 de janeiro de 2012

Treze ensaios de Guan Gongming

Esta obra consiste em ensaios e um resumo da  adivinhação Yi supostamente escrita por Lu Guan (208-255), também conhecido como Guan Gongming. Guan Lu foi um famoso praticante de adivinhação durante a era dos Três Reinos (220-265). Ele ficou conhecido por ter sido capaz de diagnosticar as causas de doenças e prever o destino de uma pessoa por meio de leitura da sorte. Uma série de obras creditadas a ele foi listada nas histórias das dinastias Sui e Tang. Esta edição do manuscrito foi publicada durante o período Qianlong (1736-1795) da dinastia Qing. Um posfácio no final do segundo volume indica que a obra foi escrita no quarto ano do reinado de Qianlong (1739). O nome de Guan Lu presumivelmente foi usado para adicionar autenticidade à obra. A inscrição no primeiro volume indica que o texto foi copiado por Chen Dajing, sobre quem não existe qualquer informação. O volume dois, intitulado Bu yi zhai yao (Princípios básicos da adivinhação), possui quatro impressões de selos de Chen Dajing. No texto de congratulações do início da obra, entre os nomes mencionados aparece o de Liu Bowen (1311-1375), um estrategista militar, político e intelectual ativo sob o primeiro imperador Ming, Hongwu (reinou em 1368-1398). Isto sugere que o texto original poderia ter sido escrito durante ou após a metade do período Ming.

Escritos da escola ortodoxa

Wen zhang zheng zong (Escritos da escola ortodoxa) é uma obra incompleta da dinastia Song, consistindo nos juan 4, 10, 13 e 15, as partes sobreviventes de uma compilação originalmente em 24 juan. Trata-se de uma antologia de escritos práticos e registros oficiais. Os artigos foram selecionados com base em padrões políticos, filosóficos e literários do autor, como a ênfase no racionalismo, o uso de anotações corretas, a busca da elegância e o respeito aos antepassados, a ética moral e assim por diante. O autor, Zhen Dexiu (1178-1235), natural de Pucheng, província de Fujian, mudou seu nome de família de Shen para Zhen para evitar usar o mesmo nome do Imperador Xiaozong (reinou em 1163-1189). Zhen Dexiu foi um famoso político e renomado escritor que, juntamente com Wei Liaoweng, foi um dos dois promotores do neoconfucionismo da dinastia Song do Sul (1127-1279). Descendente de Zhu Xi, o fundador do neoconfucionismo, Zhen promoveu o desenvolvimento do neoconfucionismo e expandiu sua influência. Ao combinar as doutrinas do budismo e do taoísmo com o neoconfucionismo e expressar seus pensamentos sobre a melhoria da personalidade e da administração do país, ele adaptou o neoconfucionismo à época e conseguiu transformá-la na filosofia tradicional da dinastia Song. Este livro incorporou a concepção literária do neoconfucionismo e refletiu o principal pensamento literário de sua época, além de influenciar profundamente a literatura chinesa das gerações posteriores. Para esta obra, Zhen selecionou um grande número de documentos oficiais que datam do período das Primaveras e Outonos (770-476 a.C.), que ele anotava como guias para a posteridade. Esses documentos oficiais foram ferramentas importantes na política, que evoluíram ao longo do tempo, com cada vez mais variados tipos e formatos. Zhen considerava os documentos do período das Primaveras e Outonos como simples, diretos e ricos em conteúdo e considerava os éditos imperiais da dinastia Han (206 a.C.-220 d.C.) como breves, simples e impregnados de solidariedade para com as pessoas comuns.

Tratado sobre diagnósticos e tratamentos de órgãos Zang e Fu com ilustrações do corpo humano

Esta edição impressa, em oito juan, com oito juan de suplementos, em seis volumes, foi publicada no ano 34 do reinado de Wanli (1608). A obra possui algumas características da impressão Ming, suas xilogravuras eram cortadas com extremo cuidado e precisão, o tipo de letra em sua maioria era cortado em formato quadrado e a encadernação possuía lombada costurada. O autor da obra original é desconhecido. O prefácio, datado de 1606, escrito por Qian Lei, um médico de Siming (atual Shi Ningbo, província de Zhejiang), da dinastia Ming, indica que ele havia adquirido um livro intitulado Zang fu zheng zhi tu shuo ren jing jing (Tratado sobre diagnósticos e tratamentos de órgãos Zang e Fu com ilustrações do corpo humano) do espólio do médico da corte Wang Zongquan, com quem ele havia praticado medicina. Qian publicou esta edição sob o mesmo título, baseado no livro que ele adquiriu e acrescentou os dois juan de suplementos. A obra trata principalmente dos chamados 12 meridianos regulares e divergentes e dos oito canais extras, da medicina tradicional chinesa, cuja principal função era a de fortalecer a relação exterior-interior dos 12 canais regulares e assim criar laços mais estreitos entre todas as partes do corpo. As entradas no livro, com ilustrações, fornecem explicações sobre os órgãos internos zang (como o coração, os pulmões e o fígado) e fu (como a vesícula biliar e o estômago), as suas funções, os sintomas das doenças e os tratamentos. O prefácio observa que Qian já era idoso na época da impressão do livro, assim, seu filho Qian Xuan e seu neto Qian Shizhong se juntaram a ele na compilação da obra.

Ensaios de exercícios do salão de Enfutang

O compilador deste manuscrito, em dois volumes, foi Yinghe (1771-1839), um oficial e escritor manchu, que obteve seu jin shi (doutorado) em 1793. Ele ingressou na Academia Hanlin tornando-se aí um compilador, dois anos depois. Em 1799 ele foi nomeado subchanceler do Grande Secretariado e após um ano tornou-se vice-presidente do Ministério de Ritos. Em 1801 foi-lhe dado o cargo concomitante de ministro da Casa Imperial, onde seu bisavô também serviu. No mesmo ano ele foi transferido para o Ministério da Receita. Em 1804 ele se tornou um grande conselheiro. Em 1829 ele foi destituído de seu posto, sua propriedade foi confiscada e ele foi banido para a província de Heilongjiang, nordeste da China, juntamente com seus dois filhos. Durante o exílio, ele estudou as condições locais em Qiqihar, a capital provincial, e escreveu duas obras sobre a região. Mais tarde, perdoado e autorizado a retornar à capital, ele comprou um jardim nas Montanhas Ocidentais e viveu seus anos restantes. Ele foi postumamente nomeado como um funcionário de terceiro grau. Em seus últimos anos, editou seus próprios escritos, conhecidos coletivamente sob o título de En fu tang quan ji (Coleção completa de obras do salão de Enfutang), dentre os quais encontra-se esta obra. Os ensaios foram escritos no estilo salão de exames. Em 1800-1809, como parte de sua carreira oficial, Yinghe dirigiu dois exames provinciais e dois metropolitanos. Muitos estudiosos e funcionários de renome alcançaram suas posições tendo realizado exames conduzidos por Yinghe, tornando-se seus discípulos. Uma inscrição na capa do volume um, escrito pelo próprio autor, reconhece o professor Li Jing'an como o editor da obra.

O sistema mailo em Buganda: um estudo de caso preliminar na posse de terra africana

A unidade básica do sistema mailo é uma milha quadrada, daí a derivação de mailo, que também é equivalente a 640 acres. O termo é usado em Uganda para descrever um sistema de posse de terra que entrou em vigor quando o reino de Buganda assinou um acordo com o Protetorado de Uganda, administrado pelos britânicos, em 1900. Buganda se estende ao longo da costa noroeste do lago Vitória, no atual centro-sul de Uganda. Esta obra é de Henry W. West, que foi comissário assistente de terras e levantamentos no início da década de 1960 e o maior especialista no sistema mailo na Uganda recém-independente. O livro traça as raízes da posse de terra costumeira na região antes da influência britânica e explica as origens do povo baganda e como a terra tornou-se uma questão delicada, uma vez que os direitos de ocupação camponesa foram ignorados no acordo de 1900. O uso e o controle tradicionais da terra são discutidos em detalhe, com os obutaka (direitos do clã) exercidos por cada chefe de clã e também como o sistema evoluiu desde a época de sua formação até 1927. West analisa os direitos relativos do kabaka (rei) e dos obutongole (chefes) e define os casos em que havia direitos hereditários. Outros temas incluem registro de terras, acordo de títulos, locador e locatário e planejamento das áreas rurais. Os resumos estatísticos abrangem o uso da terra, as informações da população por tribo, gênero e densidade demográfica e a distribuição dos grupos étnicos.