24 de agosto de 2011

Os Países Distantes: Notas de Viagem (Califórnia, Maurício, Áden, Madagascar)

Louis Laurent Simonin (1830-1886) foi um engenheiro de minas francês, escritor e viajante, que neste livro, publicado em 1867, narrou suas impressões de quatro lugares muito diferentes: o estado da Califórnia, EUA, a ilha Maurício controlada pelos britânicos; Áden (Iêmen), e Madagascar. Simonin explicou que esses lugares seriam de interesse para os leitores europeus e que todos os quatro haviam mostrado desenvolvimento econômico e outros avanços nos últimos anos. Ele ficou impressionado com a diversidade da população da Califórnia, e comentou sobre as realizações do estado em comunicações e transporte. Com relação a Maurício e sua ilha vizinha, Reunião, descreveu suas paisagens pitorescas e traçou a história e cultura únicas de Maurício e sua composição étnica, que incluiu os árabes e parsis. Ele ressaltou a importância da ilha para a indústria açucareira, produção agrícola e mineral, e sua função militar e comercial no Oceano Índico como uma estação para navios. Simonin caracterizou Áden como um "novo Gibraltar", em virtude de ter se tornado mais próxima da Europa pelos novos navios a vapor. Simonin também ficou bem impressionado com Madagascar, que acabara de se tornar um objeto de rivalidade imperial entre a França e a Grã-Bretanha.

O Romance de uma Capital Oriental

Francis Bradley Bradley-Birt (1874-1963), um membro do Serviço Civil Indiano e da Sociedade Geográfica Real, em Londres, escreveu vários livros sobre a Índia e a Pérsia britânicas. O Romance de uma Capital Oriental é a história da cidade de Dacca, atual Dhaka, capital de Bangladesh. Localizada às margens do Rio Buriganga, Dacca esteve, sucessivamente, sob o domínio budista, hindu, mughal e britânico. Este livro traça a ascensão e queda de poder do Mughal, a rivalidade entre os britânicos e franceses pela influência política e comercial na cidade, o crescente poder da Companhia Britânica das Índias Orientais no século XVIII, e a história de Dacca sob domínio britânico, que começou oficialmente em 1793. Originalmente parte da província de Bengala na Índia Britânica, Dacca se tornou a capital do novo estado de Bengala Oriental e Assam, após a partição de Bengala em 1905. Em seu prefácio, Bradley-Birt escreveu que "a tão discutida Partição de Bengala" colocou a Bengala Oriental "em lugar de destaque diante o público em geral, tanto na Índia como em seu próprio território, e espera-se que a história de sua Capital, que as páginas a seguir buscam relatar de forma popular, seja de especial interesse no momento presente."

Missões Políticas em Butão, Incluindo os Relatórios do Honorável Ashley Eden, - 1864; Capitão R.B. Pemberton, 1837, 1838, com o Diário do Dr. W. Griffiths; e o Relato por Baboo Kishen Kant Bose

Publicado em Calcutá (atual Kolkata) em 1865, este volume contém quatro narrativas relativas às interações entre a Índia Britânica e o Reino de Butão, no século XIX. O primeiro é o relato de Sir Ashley Eden (1831-1887), um administrador britânico que, em 1863, foi enviado em uma missão para selar um tratado de paz e amizade com o Butão. A missão de Éden falhou e foi seguida pelo início da Guerra Anglo-Butanesa de 1864-65 (também conhecida como a Guerra de Duars ou Duār), na qual o Butão foi forçado a ceder várias regiões de fronteira para os britânicos. A segunda narrativa é do capitão R. Boileau Pemberton, que empreendeu uma missão ao Butão em 1837-38, mas não conseguiu selar um tratado entre o Butão e a Companhia das Índias Orientais Britânicas. A terceira narrativa é o diário de William Griffiths, um médico que acompanhou Pemberton. O relato final é uma tradução de um relatório de Baboo Kishen Kant Bose, um agente nativo que, em 1815, viajou para o Butão, em nome da Companhia das Índias Orientais para negociar certas questões. Além das narrativas principais, o livro inclui os textos de vários rascunhos de tratados e tabelas contendo informações detalhadas sobre a vegetação, geologia e clima do Butão.

O Império Birmanês Há Cem Anos, conforme Descrito pelo Padre Sangermano, com Introdução e Anotações de John Jardine

Vincenzo Sangermano (1758-1819) foi um sacerdote católico Romano e membro da ordem religiosa Barnabitas, que serviu como missionário na Birmânia 1783-1806. Após ter ido inicialmente a Ava, naquela época a capital, estabeleceu-se em Rangum, onde concluiu a construção de uma igreja e uma escola de missionários. Enquanto dirigia o colégio, Sangermano realizou uma pesquisa pioneira sobre o sistema político, jurídico e administrativo do Império Birmanês, bem como sobre cosmografia, ciência, religião e hábitos e costumes birmaneses. Sangermano baseou seu trabalho em observações pessoais e pesquisas, bem como em raros manuscritos birmaneses e páli que analisou e traduziu. Em 1808, Sangermano retornou à sua Itália natal, onde iniciou a preparação de sua pesquisa para publicação, entretanto, morreu em 1819, antes que pudesse completar o seu trabalho. Seu manuscrito permaneceu nas mãos da ordem Barnabita e foi publicado, com o apoio do Fundo de Tradução Oriental da Grã-Bretanha e Irlanda, em 1833. A edição aqui apresentada é a segunda do livro de Sangermano, publicado em Londres em 1893, que inclui uma introdução detalhada por John Jardine, um estudioso de direito e juiz britânico que atuou em vários cargos durante o Império Britânico, incluindo o de Comissário Judicial da Birmânia Britânica. O trabalho de Sangermano permanece como uma fonte vital para o estudo da Birmânia pré-moderna.

Os Melanésios da Nova Guiné Britânica

Charles Gabriel Seligman (1873-1940) foi um etnógrafo britânico que realizou pesquisa de campo na Nova Guiné, Sarawak, Ceilão (atual Sri Lanka) e Sudão. Médico formado, juntou-se, em 1898, a uma expedição organizada pela Universidade de Cambridge ao Estreito de Torres, o corpo de água que separa a ilha da Nova Guiné da Austrália. O objetivo da expedição era documentar as culturas dos ilhéus do Estreito de Torres, que foram desaparecendo rapidamente sob a influência da colonização. Em 1904, Seligman foi um dos três membros da Expedição Etnográfica Cooke Daniels à Nova Guiné britânica, financiada por William Cooke Daniels, proprietário de uma loja de departamentos em Denver, no Colorado. Os Melanésios da Nova Guiné Britânica contém um registro detalhado de grande parte da pesquisa antropológica conduzida por Seligman durante a expedição. As descobertas de Seligman demonstraram as marcantes diferenças físicas e culturais entre os papuanos ocidentais e, sua preocupação principal, seus vizinhos orientais, que tinham sido mais influenciados pela imigração melanesiana. O livro estabeleceu a reputação de Seligman como antropólogo, e continua sendo uma importante fonte de estudo da cultura tradicional dos povos da atual Papua-Nova Guiné. O livro inclui fotografias, desenhos, mapas e um glossário de termos nativos.

Viagens do Samoa

Otto Finsch (1839-1917) foi um ornitólogo e etnógrafo alemão que esteve envolvido no estabelecimento da Terra de Guilherme II, um protetorado alemão localizado na parte nordeste da atual Papua-Nova Guiné. Finsch trabalhou como curador do Museu de História Natural e Etnografia, em Bremen. Ele recebeu um doutorado honorário por seu trabalho ornitológico pela Universidade de Bonn em 1868, e tornou-se diretor do Museu de Bremen, em 1876. Depois de uma expedição inicial para o Pacífico, em 1879-82, ele retornou à Alemanha e se tornou um membro da "South Sea Plotters" (Plotadores do Mar do Sul), um grupo de mercadores, banqueiros e estudiosos empenhados em estabelecer colônias alemãs no Pacífico. Em 1884-85, Finsch realizou explorações no navio a vapor alemão Samoa ao longo da costa nordeste da ilha de Nova Guiné. Ele também visitou a Nova Guiné Britânica, que ocupava a parte sudeste da ilha. A expedição de Finsch resultou na criação, em 1884, da Terra de Guilherme II como um protetorado alemão. Este livro, publicado em 1888, é o relato de Finsch sobre suas viagens. Inclui ilustrações baseadas em seus desenhos originais, mapas e descrições da geografia, povo e cultura da Nova Guiné. Com a eclosão, em 1914, da Primeira Guerra Mundial, tropas australianas ocuparam a Terra de Guilherme II e o protetorado alemão tornou-se um território da Liga das Nações sob administração australiana no fim da guerra.