11 de agosto de 2011

A Abertura

Este painel caligráfico inclui a Bismillah (Em nome de Deus) no topo, seguido da primeira surata (capítulo) do Alcorão, a al-Fatihah (A abertura). A surata apresenta o Alcorão louvando a Deus e pedindo sua orientação para o caminho certo. Na última linha, o painel Fatiha é assinado por um certo Aliriza, e datado de a.H. 1241 (1825 d.C.). A amostra inteira é caligrafada em escrita (cursiva) naskh em marrom escuro sobre um papel pardo, que é moldada por uma série alternada de molduras dourada e azul escuro, e colada sobre um suporte de papelão grosso. Aliriza pode ser o calígrafo persa do século XIX Aliriza b. Hajji Muhammad Ja'far, que executou um trabalho de caligrafia datado de 1258 (1842) que agora está na Biblioteca Nacional do Irã. O trabalho de Aliriza mostra um ressurgimento do interesse na escrita naskh durante o período moderno, e aparece em débito com o trabalho do seu antecessor, o famoso calígrafo persa do século XVIII, Ahmad Nayrizi. Nayrizi foi o último grande calígrafo do Irã a dominar a escrita naskh num momento em que foi dada preferência às escritas ta'liq e nasta'liq.

Página-tapete do Alcorão

Esta folha contém uma página de abertura do Alcorão. É a primeira de cinco folhas pertencente a um manuscrito disperso do Alcorão nas coleções da Biblioteca do Congresso. Juntamente com outra folha, esta folha constitui o frontispício de página dupla ilustrada de um belo, embora danificado, Alcorão mameluco do século XIV. A folha contém os versículos 76-78 do capítulo 56, al-Waqi'ah (O inevitável), contidos nos painéis retangulares superior e inferior do frontispício ilustrado de página dupla. A próxima folha continua a inscrição dos versículos 56:79–80. Os versículos introduzem o Alcorão como um livro sagrado e precioso revelado por Deus, que deve ser tocado apenas por aqueles que são puros, tanto fisicamente como psicologicamente. Todo ou partes destes cinco versículos aparecem nas páginas-tapete decorativas, com a finalidade de iniciar o Alcorão ou de separar várias partes do mesmo. Eles reforçam ao leitor o caráter sagrado do Alcorão, enquanto fornecem uma pausa artística e visual do texto em si. As cores e os padrões decorativos desta página-tapete são típicos dos Alcorões mamelucos do século XIV, feitos no Egito. O ponto central consiste de um hexágono prolongado para formar polígonos alternados dourados e azuis, e quatro estrelas de oito pontas em cada canto da moldura retangular. As linhas que criam as formas, assim como as inscrições, estão executadas em tinta branca. Os polígonos alternam entre desenhos dourados sobre fundo azul e um desenhos azuis sobre fundo dourado, enquanto as estrelas de oito pontas possuem temas em forma de palmetas e de bulbos em dourado sobre um fundo azul. A borda em torno do painel consiste de ziguezagues dourados entrelaçados.

A Vaca

Este folha inclui, abaixo do painel retangular ilustrado, parte do último versículo do primeiro capítulo do Alcorão, al-Fatiha (A abertura). Abaixo da última linha de al-Fatiha aparece o título, em dourado e delineado em preto, do segundo capítulo do Alcorão, al-Baqarah (A vaca). O título afirma que o capítulo consiste em 287 versículos. Após o título do capítulo seguem uma bismillah (Em nome de Deus) inicial, as letras misteriosas alif e mim e o primeiro versículo: "Este é o Livro, sem dúvida, nele há orientação para aqueles que temem a Deus." Os versículos no reverso do fragmento advertem que aqueles que fingem acreditar em Deus só enganam a si mesmos. Executado em escrita naskh antiga em pergaminho, este Alcorão fragmentário provavelmente data dos séculos XI - XIII, e pode ter sido produzido no Iraque ou na Síria. Ele prenuncia o desenvolvimento da escrita cursiva sob o domínio dos mamelucos, que reinaram no Egito e na Síria durante os séculos XIV e XV. Os painéis decorativos com temas trançados, executados em tinta dourada, incluem remates que saem pela margem esquerda. O texto está totalmente articulado em tinta preta. Os marcadores de versículos consistem em rosetas de oito pétalas preenchidas com tinta dourada e com círculos vermelhos que pontilham seus perímetros. A folha contém buracos de traças e manchas de tinta na margem vertical esquerda.

Versículos do Alcorão (56:77-9) em Página-tapete

Como observado nos registros retangulares vermelhos no topo e na parte inferior deste painel inscrito, esta folha introduz a juz (seção) 26 do Alcorão. O espaço central inclui uma inscrição contendo versículos 77-79 do capítulo 56, Surat al-Waqi'ah (O inevitável). Estes versos normalmente abrem o Alcorão, embora possam aparecer em páginas decoradas usadas para separar as ajza ' (partes) do Alcorão. O título da surata (capítulo ) no topo é executado em dourado com contorno em tinta preta. Ele especifica que esta surata contém 35 versículos, enquanto o reto do fragmento apresenta a seção 26, da qual se constitui o primeiro capítulo. O reverso do fragmento inclui os versículos 1-3 do Capítulo 46, Surat al-Ahqaf (As Dunas). A escrita é Thuluth, uma escrita cursiva típica do período mameluco (séculos XIV e XV) no Egito. O fundo de arabescos espirais nesta página decorativa é característica de Alcorões deste período. Este capítulo é o sétimo e último da série ha-mim (capítulos 40-46). Ele argumenta que toda a Criação tem um propósito divino. Por esta razão, o justo deve esperar com paciência, visto que a Verdade e a Revelação serão justificadas. As letras ha-mim são as letras do mistério ou as letras abreviadas, aparecendo isoladamente ou em combinação, no início de alguns capítulos no Alcorão. O marcador juz constitui uma ruptura artística no Alcorão. As inscrições na parte superior e inferior são executadas em tinta dourada em um contorno preto caligráfico inscrito na página de cor creme, colocada sobre um fundo vermelho com arabescos de folhas azuis e verdes.

"Anwar al-tanzil wa asrar al-ta'wil" de al-Baydawi com Frontispício

Esta folha contém o frontispício ilustrado e título de um manuscrito de Anwar al-tanzil wa asrar al-ta'wil (As luzes da revelação e os segredos da interpretação), um trabalho que consiste em uma tafsir (exegese) popular do Alcorão, composta pelo erudito do século XIII, al-Baydawi. O título aparece no painel superior do frontispício em tinta branca com as letras prolongadas na vertical para caber no formato do registo horizontal. As letras brancas estão contornadas em tinta preta e emergem de um fundo dourado, decorado com pontos azuis e brancos. O painel central contém uma variedade de formas poligonais entrelaçadas para formar uma página-tapete, com uma paleta dominada pelos tons ouro, marrom e azul. O ponto central consiste de um painel octogonal contendo os nomes dos autores e títulos escritos em tinta branca sobre um fundo dourado, contendo desenhos pretos em forma de vinhas. Embora a caligrafia do painel seja agora pouco legível, alguns dos títulos de al-Baydawi podem ser lido. Eles incluem al-shaykh (O teólogo), al-'adil (O justo), e Al-Qadi (O jurista), refletindo o fato de que al-Baydawi foi um prolífico e respeitado especialista em exegeses do Alcorão e em lei islâmica, jurisprudência e teologia. O versículo desta folha contém o início da obra. Depois de uma bismillah (Em nome de Deus) inicial, o comentário começa com uma abertura pequena, em que o autor valoriza a interpretação dos versículos do Alcorão e argumenta que a exegese do Alcorão está sobre todas as ciências . O autor dá então o nome de sua obra, antes de lançar-se na explicação da Al Fatiha (A abertura), o primeiro capítulo do Alcorão. O texto em si é realizado por uma mão anônima em escritura naskh desigual, em tinta preta. As frases são separadas por virgulas vermelhas invertidas, e muitas notas foram adicionadas mais tarde.

Versículos do Alcorão

Este fragmento caligráfico inclui dois painéis horizontais separados cortados e colados em um suporte de papelão. A faixa superior contém o versículo 86 da Surata (capítulo) três do Alcorão, 'Al' Imran (A família de Imran), a faixa inferior inclui o versículo 89 do mesmo capítulo. A surata pede aos muçulmanos que mantenham-se juntos em harmonia e amizade. O marcador de ayat (versículos) na parte inferior da faixa é composto por um medalhão dourado composto de círculos concêntricos, contornados em tinta marrom escuro. Três palavras foram omitidas do texto original, e foram adicionadas em escrita menor imediatamente acima da linha principal do texto. O texto no verso de cada painel pode ser visto através do papel. Estes dois fragmentos, colados em uma única folha, vêm do mesmo Alcorão e são executados em uma fina escrita Muhaqqaq. A julgar pela altura de cada painel que contém uma única linha de texto, o manuscrito original deve ter sido grande, talvez 50 centímetros de altura, com cinco linhas de texto por página. Na sua simplicidade e grandeza, o fragmento lembra o famoso Alcorão Baysunghur feito em Herat ou Samarcanda cerca de 1400 d.C., que continha folhas gigantescas medindo 177 x 101 centímetros, com a escrita apenas nos retos. Embora menor e com a escrita em seu verso, as semelhanças entre este fragmento e o Alcorão Baysunghur sugerem que o primeiro pode ter sido feito no início do século XV, na Pérsia ou Ásia Central.