Ornitologia

François Nicolas Martinet (cerca de 1725-1804) foi um engenheiro e desenhista que se tornou um gravurista e produziu ilustrações para as obras de Denis Diderot e Benjamin Franklin e para os livros dos ornitólogos mais influentes na França do século XVIII. Antes de Martinet, os ilustradores muitas vezes representavam as aves desproporcionalmente, incorretamente, ou em poses rígidas, antinaturais. Martinet introduziu o realismo em suas ilustrações, mostrando como as aves apareciam no mundo selvagem em seus hábitos naturais. No início dos anos de 1770, ele começou a produzir suas próprias placas para uma coleção intitulada Ornithologie: Histoire des Oiseaux, Peints dans Tous Leurs Aspects Apparents et Sensibles. Martinet produziu dois conjuntos de placas com este título: um conjunto de dois volumes em fólio com mais de 200 placas e nenhum texto; e um conjunto de nove volumes em octavo com 483 placas e com textos próprios descrevendo as aves. Ambas as edições são extremamente raras. Mostrada aqui, está uma versão incompleta da edição em fólio composta de 174 placas de ilustrações, gravadas com a água-forte, coloridas à mão com aquarela. Cada placa tem uma legenda que contém o nome comum do pássaro em francês com o texto adicional. O livro é impresso em um papel fino de algodão azul, que suaviza os contrastes e cria um efeito de céu por trás das aves. Martinet geralmente posicionava aves empoleiradas em galhos de árvores ou em rochas ou pequenos montes gramados, mas várias das placas mais atraentes incluem um tratamento mais completo do fundo e o ambiente natural das aves.

Introdução a Uma História Sistemática de Animais com Conchas

Joachim Johann Nepomuk Anton Spalowsky (1752-97) foi um verdadeiro polímata no Império Austríaco do fim do século XVIII. Pouco se sabe da sua vida, mas acredita-se que ele era de ascendência polaca da Silésia. Ele era um cirurgião ligado aos regimentos cívicos de Viena e membro da Real Sociedade de Ciências da Boêmia, em Praga. Sua erudição é evidenciada pelo conjunto de suas publicações. Sua tese inaugural em 1777, tratava de plantas venenosas e assuntos relacionados. Ele passou a escrever obras sobre conchas, aves e mamíferos, e até mesmo uma dissertação sobre economia e numismática. O estudo de 1795 de Spalowsky, sobre conquiliologia, Prodromus in Systema Historicum Testaceorum (Introdução a uma história sistemática de animais com cochas), está entre os mais raros livros publicados sobre moluscos e outros organismos com concha. O trabalho continua sendo de grande importância por suas descrições originais de várias novas espécies e variedades. Embora Spalowsky pretendesse escrever uma introdução a todos os animais com concha, sua morte em 1797 impediu a publicação de uma análise mais abrangente. As 13 gravuras são lindamente coloridas à mão com aquarela e guache. Folhas de ouro e de prata foram aplicadas sob as aquarelas para capturar a qualidade iridescente das conchas. Uma legenda descritiva em latim estampa cada placa. A parte principal do livro possui textos paralelos em latim e alemão, em duas colunas.

Teatro de Instrumentos e Máquinas

Um novo tipo de livro apareceu na Europa no fim do século XVI, representando um gênero de literatura conhecido como o "teatro das máquinas." O primeiro dos teatros foi produzido por Jacques Besson (cerca de 1540-73), um protestante francês, nascido em Grenoble, que trabalhou principalmente como professor de matemática até que o padronado real cruzou o seu caminho. Em 1559, Besson publicou um livro sobre extração de óleos e águas de drogas simples. Seu segundo livro, Le Cosmolabe, publicado em 1567, descreveu um instrumento elaborado que podia ser usado para navegação, agrimensura, cartografia e astronomia. Em 1569 o rei Carlos IX nomeou Besson “Senhor das máquinas do rei." Antes de Besson, as ilustrações de máquinas já apareciam, mas eram principalmente de tecnologia atual ou forneciam descrições limitadas de novas invenções. Besson começou a trabalhar em um livro de desenhos de um conjunto de instrumentos e máquinas que imaginou serem construídos. Seu livro foi publicado em 1571-72, com descrições de Besson e 60 gravuras feitas com as especificações Besson, por Jacques Androuet du Cerceau. As placas retratavam instrumentos de medição e desenho, muitos usados mais tarde para produzir os planos originais para as máquinas, bem como tornos, cortadores de pedra, serrarias, charretes, barris, dragas, bate-estacas, moinhos de malte, reboques, guindastes, elevadores, bombas, máquinas de resgate, máquinas de propulsão náutica, e muitas outras. Após a repressão aos protestantes, que começou na França em 1572, Besson emigrou para a Inglaterra, onde morreu em 1573. Uma nova edição do seu trabalho apareceu em 1578, com descrições mais detalhadas por François Béroalde de Verville e quatro gravuras de substituição por René Boyvin. A edição de 1578 é a mostrada aqui.

Instrumentos para a Restauração da Astronomia

Tycho Brahe (1546-1601) foi um astrônomo dinamarquês que constriuiu o melhor observatório na europa e definiu um novo padrão para a exatidão das observações celestiais, na era antes da invenção do telescópio. Seu nascimento nobre o permitiu perseguir seus verdadeiros interesses na humanidade e nas ciências, particularmente astronomia. Ele se tornou adepto do desenho de instrumentos cietíficos e em fazer observações durante suas primeiras viagens pela Europa. Em seu retorno para a Dinamarca, ele ganhou os favores do Rei Frederico II, que o proveu com apoio monetário para continuar suas pesquisas astronômicas e deu a ele a pequena Ilha de Hven no Estreito da Dinamarca, onde Tycho começou a construção de seu complexo observatório. Para seu observatório, ele desenhou enormes instrumentos, com os quais esperava obter as observações mais precisas até então. O Rei Frederico morreu em 1588, e seu sucessor na Corte Real não apoiava tanto a Tycho. Em 1597, Tycho deixou Hven para o norte da Alemanha, onde começou a trabalhar em um livro que seria um mostruário de seus instrumentos, mostrando a superioridade dos mesmos e como poderiam proporcionar medições que levariam a "reataurar a astronomia". Além do texto, o livro destaca planos e ilustrações dos instrumentos de Tycho. Tycho completou seu trabalho em janeiro de 1598, e produziu 100 cópias através do impressor de Hamburgo, Philip voon Ohrs. Tycho dedicou seu livro ao Sagrado Imperador Romano, Rodolfo II, na esperança de ganhar seu patrocínio. Rodolfo tmou a iniciativa de Tycho com entusiasmo e, em 1598, deu a ele um castelo perto de Praga para aprofundar seu trabalho astronômico. A morte de Tycho em 1601 interrompeu seu trabalho e foi deixado para seus assistentes, incluindo o grande astrônomo Alemão Johannes Kepler (1571-1630), para continuar suas observações sistemáticas dos planetas e estrelas. É mostrada aqui a edição de 1602 do trabalho de Tycho, produzido em Nuremberg pelo impressor Levinus Hulsius.

Estocolmo

Heinrich Neuhaus (1833–87) foi um cartógrafo e litógrafo nascido na Alemanha que trabalhou na Suécia por muitos anos. Seu maior e mais conhecido trabalho é este mapa panorâmico de Estocolmo, que foi criado nos anos de 1870 usando uma imagem oblíqua em perspectiva isométrica. Os prédios no mapa são restratados com notável precisão. Neuhaus é relatado por ter dito que para fazer o mapa, ele andou por cada vizinhança da cidade e fez esboços do exterior dos prédios e de outras estruturas. O mapa mostra o rápido crescimento de Estocolmo que foi característico de grandes cidades europeias na segunda metade do século XIX. Neuhaus fez mapas em um estilo similar tridimensional dos distritos de Norrmalm, Sodermalm e Ostermalm em Estocolmo.

Descrição Botânica do Chiranthodendron

Pouco é conhecido sobre José Dionisio Larreátegui, a não ser que foi ativo no México, por volta de 1795, a data que ele publicou seu trabalho sobre a Chiranthodendron, pelo qual ele é lembrado. O fim do anos 1700 foi um tempo de intensa atividade científica no México, então parte do Império Espanhol. Em 1787, o Rei Carlos III, autorizou uma grande expedição botânica, o estabelecimento de um jardim botânico e um curso para estudo científico na Universidade da Cidade do México. Larreátegui, um estudante de medcina na Real e Pontifícia Universidade do México, completou o novo curso de botânica na universidade em 1794. Em 1795, ele foi chamado a fazer um discurso para o curso na abertura do novo ano acadêmico. Ele escolheu como tema o Sistema de Lineu de nomear e descrever as plantas, com uma descrição da Chiranthodendron como exemplo. Sua palestra foi então publicada sob o título de Descrições de Plantas. A monografia de Larreátegui marcou a primeira vez que esta planta foi descrita e chamada de Chiranthodendron pentadactylon. A planta é na verdade uma árvore, conhecida naquela época por um único espécime de longa vida em Toluca, no Vale do México, que foi reverenciada pelos nativos e usada em medicamentos para a dor e inflamação. A monografia de Larreátegui, junto com espécimes de folhas secas, flores e sementes da árvore, encontraram seu caminho para a França pelas mãos de Daniel Lescallier, um naval francês e administrador colonial. Lescallier reconheceu a importância da planta e publicou a tradução da Monografia de Larreátegui em 1805, colocando o nome do autor como Joseph-Denis Larréategui.

Página-tapete do Alcorão; al-Fatihah

Esta folha contém uma página-tapete de abertura do Alcorão. É o segundo de cinco folhas pertencentes a um manuscrito disperso do Alcorão nas coleções da Biblioteca do Congresso. Juntamente com outra folha, esta folha constitui o frontispício de página dupla ilustrada com um belo, embora danificado, Alcorão mameluco do século XIV. A folha contém a continuação dos versículos 76-80 da Surata (capítulo) 56, al-Waqi'ah (O inevitável), contidos nos painéis superior e inferior retangulares do frontispício de página duplamente ilustrado. Os padrões e a paleta decorativos desta página-tapete são típicos dos Alcorões mamelucos do século XIV, feitos no Egito. O verso da folha contém o primeiro capítulo do Alcorão, al-Fatihah (A abertura). Nos registros retangulares azuis no topo e na parte inferior, decorados com entrelaçamento de videiras douradas, aparece o título da surata em, agora oxidada, tinta branca. O título especifica que a al-Fatihah foi revelada em Medina e possui sete versos, (29) palavras, e 120 letras. O número de palavras, que teria aparecido no canto inferior direito da folha, agora está faltando. O interesse em contar o número total deayats (versos), palavras e letras em vários capítulos e em todo o Alcorão, não só forneceu um aparato catalográfico para o Livro Santo. Ele também pode ter servido para várias práticas relacionadas ao misticismo ou às ciências esotéricas das letras. A escrita no quadro de texto principal é naskh, um estilo cursivo preferencial em Alcorões feitos no Cairo durante os séculos XIV e XV.

Versículos do Alcorão

Este fragmento do Alcorão inclui versículos de várias suratas (capítulos) no Alcorão. No lado direito, o fragmento contém os primeiros 24 versículos do capítulo 56, al-Waqi'ah (O inevitável). O título da surata aparece na parte superior da folha direita, em tinta branca sobre um fundo dourado e emoldurado por uma cártula horizontal decorada com tema de vinha em um fundo azul ou vermelho. Abaixo da moldura há uma faixa simples horizontal de vinhas florais em azul claro e minúsculos pontos vermelhos contidos em um painel delineado em ouro. O título afirma que al-Waqi'ah consiste de 96 versículos e pertence ao período mecano. No topo do lado esquerdo deste fragmento estão os últimos versículos (38-62) do capítulo 53, al-Najm (A estrela). Na quinta linha aparece um comentário marginal em vermelho, proporcionando uma pronúncia alternativa para uma das palavras no texto. No final da surata al-Najm, na parte inferior da folha, há um medalhão marginal maravilhosamente executado contendo a palavra sajdah (prostração) escrita em dourado sobre um fundo azul. Ele marca o lugar para oração antes de ler a surata seguinte. Na parte inferior da folha esquerda aparece o título do capítulo seguinte, 54, Surat al-Qamar (A lua), seguido por uma bismillah inicial (Em nome de Deus). O título está executado de forma muito parecida com a de al-Waqi'ah no lado direito do fragmento, e especifica que consiste de 55 versículos revelados em Meca. O verso do fragmento inclui a continuação da surata al-Qamar com versículos 1-20. Na margem esquerda estão correções e comentários executados em tinta vermelha. No lado esquerdo da folha aparecem os últimos versículos (55-78) do capítulo 55 do Alcorão, Surat al-Rahman (O Clemente). Estes precedem imediatamente o início do capítulo 56, al-Waqi'ah (O inevitável), no lado direito do reto do fragmento. Na margem esquerda aparece o mesmo marcador juz' redondo, em dourado e azul como encontrado na margem direita da mesma folha. O último versículo (78) do capítulo inclui a expressão "Bendito seja o nome do teu Senhor", escrito em tinta dourada. Não é incomum encontrar o nome de Deus (Alá) ou seus epítetos e sinônimos enfatizados em tinta dourada. A escrita do texto está executada em naskh persa preto, enquanto os títulos são executados em Thuluth branco maior no reto do fragmento. Ambas as escritas cursivas foram utilizados em Alcorões feitos no Irã durante os séculos XVI - XVII.

"Anwar al-tanzil wa asrar al-ta'wil" de al-Baydawi com Frontispício

Esta folha contém o frontispício ilustrado e título de um manuscrito de Anwar al-tanzil wa asrar al-ta'wil (As luzes da revelação e os segredos da interpretação), um trabalho que consiste em uma tafsir (exegese) popular do Alcorão, composta pelo erudito do século XIII, al-Baydawi. O título aparece no painel superior do frontispício em tinta branca com as letras prolongadas na vertical para caber no formato do registo horizontal. As letras brancas estão contornadas em tinta preta e emergem de um fundo dourado, decorado com pontos azuis e brancos. O painel central contém uma variedade de formas poligonais entrelaçadas para formar uma página-tapete, com uma paleta dominada pelos tons ouro, marrom e azul. O ponto central consiste de um painel octogonal contendo os nomes dos autores e títulos escritos em tinta branca sobre um fundo dourado, contendo desenhos pretos em forma de vinhas. Embora a caligrafia do painel seja agora pouco legível, alguns dos títulos de al-Baydawi podem ser lido. Eles incluem al-shaykh (O teólogo), al-'adil (O justo), e Al-Qadi (O jurista), refletindo o fato de que al-Baydawi foi um prolífico e respeitado especialista em exegeses do Alcorão e em lei islâmica, jurisprudência e teologia. O versículo desta folha contém o início da obra. Depois de uma bismillah (Em nome de Deus) inicial, o comentário começa com uma abertura pequena, em que o autor valoriza a interpretação dos versículos do Alcorão e argumenta que a exegese do Alcorão está sobre todas as ciências . O autor dá então o nome de sua obra, antes de lançar-se na explicação da Al Fatiha (A abertura), o primeiro capítulo do Alcorão. O texto em si é realizado por uma mão anônima em escritura naskh desigual, em tinta preta. As frases são separadas por virgulas vermelhas invertidas, e muitas notas foram adicionadas mais tarde.

Versículos do Alcorão

Este fragmento caligráfico inclui dois painéis horizontais separados cortados e colados em um suporte de papelão. A faixa superior contém o versículo 86 da Surata (capítulo) três do Alcorão, 'Al' Imran (A família de Imran), a faixa inferior inclui o versículo 89 do mesmo capítulo. A surata pede aos muçulmanos que mantenham-se juntos em harmonia e amizade. O marcador de ayat (versículos) na parte inferior da faixa é composto por um medalhão dourado composto de círculos concêntricos, contornados em tinta marrom escuro. Três palavras foram omitidas do texto original, e foram adicionadas em escrita menor imediatamente acima da linha principal do texto. O texto no verso de cada painel pode ser visto através do papel. Estes dois fragmentos, colados em uma única folha, vêm do mesmo Alcorão e são executados em uma fina escrita Muhaqqaq. A julgar pela altura de cada painel que contém uma única linha de texto, o manuscrito original deve ter sido grande, talvez 50 centímetros de altura, com cinco linhas de texto por página. Na sua simplicidade e grandeza, o fragmento lembra o famoso Alcorão Baysunghur feito em Herat ou Samarcanda cerca de 1400 d.C., que continha folhas gigantescas medindo 177 x 101 centímetros, com a escrita apenas nos retos. Embora menor e com a escrita em seu verso, as semelhanças entre este fragmento e o Alcorão Baysunghur sugerem que o primeiro pode ter sido feito no início do século XV, na Pérsia ou Ásia Central.