5 de dezembro de 2011

Mapa da Austrália

Adrien Brué (1786-1832) acompanhou o explorador francês Nicolas Baudin, em sua viagem de 1803 para a Austrália. Baudin descrevia Brué como "um rapaz de boa disposição e com um entusiasmo pela geografia" e, em sua homenagem, chamou de Brué o Recife ao longo da costa noroeste da Austrália. Brué regressou à França para tornar-se o geógrafo real e um importante editor de mapas de alta qualidade. As notas pormenorizadas deste mapa de 1826 identificam suas fontes. Brué chama a Austrália de "Nova Holanda", o primeiro nome dado em 1644 pelo explorador holandês Abel Tasman. Somente no século XIX é que o nome Austrália entrou em uso geral.

Mapa das Três Arábias: Extraído em parte do Árabe de Núbia, e em parte de vários outros autores

Este mapa das "três Arábias" do geógrafo real francês Nicolas Sanson d'Abbeville é um dos poucos mapas da Península Arábica do século XVII. Apesar de sua importância como entreposto do comércio entre três continentes, a geografia da Arábia permaneceu amplamente desconhecida para os cartógrafos europeus até a era da exploração e expansão europeia no século XV. Embora publicado em 1654 pelo impressor e gravador parisiense Pierre-Mariette, o mapa de Sanson permaneceu baseado na obra medieval do cartógrafo árabe do século XII, Al-Idrisi (1099-1164), cuja obra Geographia Nubiensis foi traduzida para o francês, pela primeira vez, somente em 1619. Por volta do século XVII, os tecelões de seda franceses começaram a desafiar a predominância duradoura dos tecelões de seda italianos e o envolvimento francês, no comércio da seda, fomentou um novo interesse em seu epicentro árabe. As três Arábias, às quais se refere o título do mapa, são a Arábia Pétrea, a área noroeste que engloba a Península do Sinai e a Jordânia, a Arábia Deserta, a zona mais setentrional, bem ao sul dos rios Tigre e Eufrates e a Arábia Felix, de longe o maior território que cobre a maior parte da península e que se estende das cidades santas de Meca e Medina, ao noroeste, até o litoral do Mar da Arábia e o Golfo de Omã. O "Bahraim" (sic) também é demarcado separadamente ao longo da costa noroeste do Golfo Pérsico.

Mapa do Congo Belga

Pouco se sabe sobre o verdadeiro cartógrafo e gravador deste mapa, Léon de Moor. Sabe-se mais sobre a editora, J. Lebègue e Cia. A empresa publicou muitos documentos geográficos, inclusive mapas e relatos de viagens. Em 1896, quando este mapa foi publicado, o Congo Belga - conhecido como Estado Livre do Congo - era, na verdade, uma propriedade particular do rei Leopoldo II, e não uma colônia oficial belga. O rei estava envolvido em uma vigorosa campanha publicitária destinada a convencer as outras potências europeias a reconhecerem a legitimidade de seu governo, uma tarefa difícil, tendo em vista a notória brutalidade de seu governo na África. Uma inspeção mais atenta na legenda do mapa revela J. Lebègue e Cia. como o publicador, mas o "Escritório de Publicidade", como seu editor. O mapa inclui suplementos detalhados das províncias de Leopoldville, no Baixo Congo, e de Elisabethville, em Katanga.

América Central, as Índias Ocidentais, América do Sul e partes dos Estados Unidos e México

Este mapa de 1909, publicado pela United Fruit Company, mostra a extensa rede marítima, ferroviária e telégrafica sem fio construída e mantida pela empresa para realizar sua atividade principal, a produção e comercialização de bananas. A United Fruit foi fundada em 1899, através da fusão da Boston Fruit Company e de várias outras empresas envolvidas na indústria da banana na América Central, no Caribe e na Colômbia. A história da empresa remonta a 1872, quando Minor C. Keith começou a adquirir bananais e a construir uma ferrovia na Costa Rica. Através de sofisticada publicidade e de sua complexa rede de logística, a United Fruit conseguiu transformar as bananas, uma fruta tropical antes desconhecida, em um produto alimentício básico nos Estados Unidos e Europa Ocidental. Apesar destas realizações, a United Fruit foi muitas vezes alvo de oposição política nos países em que atuava, acusada de negligenciar seus funcionários e de manipular os governos para os seus próprios fins, daí o termo "república das bananas".

África Central após a mais nova pesquisa

O mapa da África Central do Dr. Joseph Chavanne, provavelmente elaborado no início dos anos 1880, é produto da "corrida pela África" na Europa imperial. Embora os holandeses e portugueses estabelecessem postos comerciais ao longo do litoral da África no fim do século XV, a corrida europeia para reivindicar significativas extensões de território na África sub-saariana começou, mais seriamente, somente no final do século XIX. Bélgica, Grã-Bretanha, França e Alemanha estabeleceram reivindicações semelhantes, baseadas na descoberta de desbravadores cujas expedições Chavanne documenta. Oriundo de Viena, Chavanne era geógrafo e viajante legitimado. Sua obra era admirada na Europa, não apenas por seu conhecimento geográfico e pela sua habilidade cartográfica, mas pelas percepções etnográficas que ele obtivera de suas próprias viagens. Chavanne continuou seu trabalho na África Central, com um mapeamento mais extenso de toda a região do Congo.

Mapa de Galápagos: Pesquisa realizada no navio-mercador Rattler e desenhado pelo Capitão James Colnett da Marinha Real em 1793, 1794; ilustrado por T. Foot

Em 1793, o Capitão James Colnett da Marinha Real, no navio mercante Rattler, realizou uma pesquisa das Ilhas Galápagos. Colnett fez uma extensa viagem ao Pacífico, a qual ele relatou em um livro publicado em 1798 sob o longo título de Uma viagem ao Atlântico Sul e em volta do Cabo Horn até o Oceano Pacífico, no intuito de estender a pesca de baleias cachalotes, além de outros objetos de comercialização, através da averiguação dos portos, baías, cais e pontos de ancoragem em certas ilhas e litorais daqueles mares, nos quais os navios da marinha mercante britânica possam ser reequipados. Este mapa, publicado em 1798 pelo famoso cartógrafo londrino Aaron Arrowsmith, traça a rota do Rattler e é o primeiro mapa de navegação correto do arquipélago. As Ilhas Galápagos são uma província do Equador.