Mapa da Província de Quantong ou Lyau-tong e do Reino de Kau-li ou Coreia: Para a história universal de uma sociedade de homens letrados

Este mapa da Coreia, de 1745, foi preparado para uma história universal publicada na França no século XVIII. Baseando-se num mapa inglês anterior, ele foi redigido principalmente em francês mas inclui alguns nomes em alemão, como, por exemplo, "Das gelbe Meer" para o Mar Amarelo. A anotação na parte inferior estabelece o meridiano principal na Ilha Ferro, também conhecida como El Hierro, que fica no extremo sudoeste das Ilhas Canárias. Em sua Geographia, o antigo astrônomo e geógrafo Ptolomeu (87-150) especificava que os mapas deveriam usar coordenadas marcadas em graus, com o meridiano primário -- 0º -- passando através das Ilhas Afortunadas. Estas últimas formavam um grupo de ilhas, com referências na literatura clássica greco-romana, que pode ou não ter sido as Ilhas Canárias. Após Ptolomeu, em 1634, o Cardeal de Richelieu, primeiro-ministro do rei da França, decretou que a Ilha Ferro fosse estabelecida como o meridiano primário. Esta prática foi implementada nos mapas franceses e em outros mapas ao longo de muitos anos. Em 1884 uma convenção internacional estabelecia Greenwich, Londres, como o meridiano primário, prática esta que continua em uso até hoje.

Mapa da África

Este mapa da África de 1820, elaborado por Adrien Hubert Brué (1786-1832), um dos principais cartógrafos franceses da época, mostra o grau de conhecimento geográfico europeu sobre a África no início do século XIX. Ao contrário de muitos cartógrafos sedentários, o parisiense Brué viajara muito desde a mais tenra idade, em longas viagens à vela para as Ilhas Maurício, no Oceano Índico e, como um aspirante de marinheiro, em uma expedição naval francesa, ao longo da costa australiana. Estas viagens, contudo, prejudicaram a saúde de Brué, de forma que ele retornou a Paris, onde começou a elaborar mapas, sob a orientação de um dos seus ex-comandantes, no gabinete de cartografia naval. Este mapa foi feito pouco depois da expedição Senegambiana de 1818-1819, do explorador francês Gaspard-Théodore Mollien. Inclui detalhes físicos e geográficos que foram colhidos a partir das viagens de Mollien, bem como as dos antecessores e contemporâneos, tais como Mungo Park, Henry Salt, John Lewis Burckhardt e George Francis Lyon. Uma década antes da conquista francesa da Argélia e bem mais que meio século antes da "corrida europeia para a África", o mapa de Brué mostra o quanto da África Central saariana e sub-saariana permaneciam como terra incognita para os europeus.

Mapa da Austrália

Adrien Brué (1786-1832) acompanhou o explorador francês Nicolas Baudin, em sua viagem de 1803 para a Austrália. Baudin descrevia Brué como "um rapaz de boa disposição e com um entusiasmo pela geografia" e, em sua homenagem, chamou de Brué o Recife ao longo da costa noroeste da Austrália. Brué regressou à França para tornar-se o geógrafo real e um importante editor de mapas de alta qualidade. As notas pormenorizadas deste mapa de 1826 identificam suas fontes. Brué chama a Austrália de "Nova Holanda", o primeiro nome dado em 1644 pelo explorador holandês Abel Tasman. Somente no século XIX é que o nome Austrália entrou em uso geral.

Mapa das Três Arábias: Extraído em parte do Árabe de Núbia, e em parte de vários outros autores

Este mapa das "três Arábias" do geógrafo real francês Nicolas Sanson d'Abbeville é um dos poucos mapas da Península Arábica do século XVII. Apesar de sua importância como entreposto do comércio entre três continentes, a geografia da Arábia permaneceu amplamente desconhecida para os cartógrafos europeus até a era da exploração e expansão europeia no século XV. Embora publicado em 1654 pelo impressor e gravador parisiense Pierre-Mariette, o mapa de Sanson permaneceu baseado na obra medieval do cartógrafo árabe do século XII, Al-Idrisi (1099-1164), cuja obra Geographia Nubiensis foi traduzida para o francês, pela primeira vez, somente em 1619. Por volta do século XVII, os tecelões de seda franceses começaram a desafiar a predominância duradoura dos tecelões de seda italianos e o envolvimento francês, no comércio da seda, fomentou um novo interesse em seu epicentro árabe. As três Arábias, às quais se refere o título do mapa, são a Arábia Pétrea, a área noroeste que engloba a Península do Sinai e a Jordânia, a Arábia Deserta, a zona mais setentrional, bem ao sul dos rios Tigre e Eufrates e a Arábia Felix, de longe o maior território que cobre a maior parte da península e que se estende das cidades santas de Meca e Medina, ao noroeste, até o litoral do Mar da Arábia e o Golfo de Omã. O "Bahraim" (sic) também é demarcado separadamente ao longo da costa noroeste do Golfo Pérsico.

Mapa do Congo Belga

Pouco se sabe sobre o verdadeiro cartógrafo e gravador deste mapa, Léon de Moor. Sabe-se mais sobre a editora, J. Lebègue e Cia. A empresa publicou muitos documentos geográficos, inclusive mapas e relatos de viagens. Em 1896, quando este mapa foi publicado, o Congo Belga - conhecido como Estado Livre do Congo - era, na verdade, uma propriedade particular do rei Leopoldo II, e não uma colônia oficial belga. O rei estava envolvido em uma vigorosa campanha publicitária destinada a convencer as outras potências europeias a reconhecerem a legitimidade de seu governo, uma tarefa difícil, tendo em vista a notória brutalidade de seu governo na África. Uma inspeção mais atenta na legenda do mapa revela J. Lebègue e Cia. como o publicador, mas o "Escritório de Publicidade", como seu editor. O mapa inclui suplementos detalhados das províncias de Leopoldville, no Baixo Congo, e de Elisabethville, em Katanga.

América Central, as Índias Ocidentais, América do Sul e partes dos Estados Unidos e México

Este mapa de 1909, publicado pela United Fruit Company, mostra a extensa rede marítima, ferroviária e telégrafica sem fio construída e mantida pela empresa para realizar sua atividade principal, a produção e comercialização de bananas. A United Fruit foi fundada em 1899, através da fusão da Boston Fruit Company e de várias outras empresas envolvidas na indústria da banana na América Central, no Caribe e na Colômbia. A história da empresa remonta a 1872, quando Minor C. Keith começou a adquirir bananais e a construir uma ferrovia na Costa Rica. Através de sofisticada publicidade e de sua complexa rede de logística, a United Fruit conseguiu transformar as bananas, uma fruta tropical antes desconhecida, em um produto alimentício básico nos Estados Unidos e Europa Ocidental. Apesar destas realizações, a United Fruit foi muitas vezes alvo de oposição política nos países em que atuava, acusada de negligenciar seus funcionários e de manipular os governos para os seus próprios fins, daí o termo "república das bananas".

África Central após a mais nova pesquisa

O mapa da África Central do Dr. Joseph Chavanne, provavelmente elaborado no início dos anos 1880, é produto da "corrida pela África" na Europa imperial. Embora os holandeses e portugueses estabelecessem postos comerciais ao longo do litoral da África no fim do século XV, a corrida europeia para reivindicar significativas extensões de território na África sub-saariana começou, mais seriamente, somente no final do século XIX. Bélgica, Grã-Bretanha, França e Alemanha estabeleceram reivindicações semelhantes, baseadas na descoberta de desbravadores cujas expedições Chavanne documenta. Oriundo de Viena, Chavanne era geógrafo e viajante legitimado. Sua obra era admirada na Europa, não apenas por seu conhecimento geográfico e pela sua habilidade cartográfica, mas pelas percepções etnográficas que ele obtivera de suas próprias viagens. Chavanne continuou seu trabalho na África Central, com um mapeamento mais extenso de toda a região do Congo.

Mapa de Galápagos: Pesquisa realizada no navio-mercador Rattler e desenhado pelo Capitão James Colnett da Marinha Real em 1793, 1794; ilustrado por T. Foot

Em 1793, o Capitão James Colnett da Marinha Real, no navio mercante Rattler, realizou uma pesquisa das Ilhas Galápagos. Colnett fez uma extensa viagem ao Pacífico, a qual ele relatou em um livro publicado em 1798 sob o longo título de Uma viagem ao Atlântico Sul e em volta do Cabo Horn até o Oceano Pacífico, no intuito de estender a pesca de baleias cachalotes, além de outros objetos de comercialização, através da averiguação dos portos, baías, cais e pontos de ancoragem em certas ilhas e litorais daqueles mares, nos quais os navios da marinha mercante britânica possam ser reequipados. Este mapa, publicado em 1798 pelo famoso cartógrafo londrino Aaron Arrowsmith, traça a rota do Rattler e é o primeiro mapa de navegação correto do arquipélago. As Ilhas Galápagos são uma província do Equador.

Mapa da Coreia do Norte e do Sul em oito províncias

Este mapa japonês da Coreia, em aquarela e bico de pena, do século XIX, foi possivelmente copiado de um mapa manuscrito original de 1785 elaborado por Shihei Hayashi, "Sangoku tsūran zusetsu" (Levantamento ilustrado de três países). Ela retrata oito províncias que se tornaram a base das atuais províncias administrativas e municípios da Coreia do Sul e da Coreia do Norte. O shogunato Tokugawa proibiu o mapa original de Hayashi em 1791, juntamente com seu livro do mesmo ano, Kaikoku heidan (Discussão dos problemas militares de uma nação marítima). O shogunato Tokugawa considerava Hayashi um crítico perigoso da política oficial por alegar a necessidade de reeducar guerreiros samurais e preparar-se para a guerra naval.

Colômbia e Venezuela

A Rand McNally, com sede em Chicago, tornou-se uma das principais editoras de atlas, mapas, globos e guias de viagem dos Estados Unidos na segunda metade do século XIX. Este mapa da Colômbia e da Venezuela é da edição de 1898 da Rand, McNally & Cia. Atlas mundial indexado, contendo mapas em grande escala de todos os países e a jurisdição civil sobre a face do globo, junto com assuntos históricos, estatísticos e descritivos relativos a cada um deles. O atlas contém dois volumes, um com mapas dos Estados Unidos, e outro com mapas de países estrangeiros. No verso do mapa estão índices detalhados da Colômbia e Venezuela, listando características como riachos, ilhas, lagos, montanhas, rios e cidades. O mapa inclui o Panamá que, na época, era uma província da Colômbia. Os mapas inseridos são da ferrovia entre Caracas e a cidade portuária de La Guaira, na Venezuela, e do Istmo do Panamá com o seu canal e ferrovia projetados. A construção do Canal do Panamá começou em 1904, pouco depois da emancipação do Panamá da Colômbia, em novembro de 1903.