Mapa manuscrito da região do rio Dagua, Colômbia

Este belo mapa em aquarela e bico de pena mostra o rio Dagua e a cidade de Sombrerillo na qual estava, na época, o vice-reinado espanhol de Nova Granada. O rio deságua no Oceano Pacífico, próximo à atual cidade de Buenaventura, Colômbia. Sombrerillo era uma "cidade livre" povoada por antigos escravos que haviam conquistado a liberdade das minas das planícies e das fazendas das montanhas da região. O mapa está orientado com o norte na parte inferior.

Um mapa da Corrente do Golfo

Este mapa, da Coleção de Mapas de Peter Force na Biblioteca do Congresso, foi criado pelo gravador James Poupard, de Filadélfia. Foi o terceiro de uma série que mostra um mapa da Corrente do Golfo. Este último era bem conhecido pelos capitães de navios espanhóis, que contavam com ele para navegar das Américas até a Península Ibérica, mas não existiam cartas de navegação universais ou mapas devido ao sigilo espanhol. Este mapa foi originalmente elaborado por Timothy Folger, um pescador de Nantucket e um primo de Benjamin Franklin, que concebeu o mapa e promoveu ativamente o estudo da Corrente do Golfo. Franklin publicou o mapa original em 1770 e pretendia distribuí-lo entre os marinheiros, mas os comandantes da marinha britânica, céticos das ideias coloniais, recusaram-se, em grande parte, a adquirir exemplares. Ele suspendeu seus esforços durante a Revolução Americana a fim de evitar dar qualquer vantagem aos ingleses, mas no final da guerra, ele colaborou em uma segunda edição na França. Em 1786, a gravura de Poupard apareceu na Transações da Sociedade Filosófica Americana, a publicação da primeira sociedade conhecida do país, fundada por Franklin e outros em 1743.

Uma descrição moderna e bastante precisa da América (ou a quarta parte do Mundo)

Em 1554, Diego Gutiérrez foi nomeado o principal cosmógrafo do rei da Espanha na Casa de la Contratación. A coroa incumbiu a Casa de produzir um mapa do hemisfério ocidental em larga escala, frequentemente chamado de "a quarta parte do mundo". O objetivo do mapa era confirmar o direito de posse da Espanha quanto aos novos territórios descobertos contra as reivindicações rivais de Portugal e da França. A Espanha reivindicou todas as terras ao sul do Trópico de Câncer, o que é notoriamente mostrado. O mapa foi estampado pelo famoso gravador antuérpio Hieronymus Cock, que acrescentou inúmeros floreados artísticos, inclusive os brasões de armas das três forças rivais, um serpenteado Rio Amazonas que atravessa a região norte da América do Sul, sereias e lendários monstros marinhos, além de um elefante, um rinoceronte e um leão, na costa ocidental da África. O nome "California" está inscrito perto de Baja California, logo acima do Trópico de Câncer, a primeira vez que aparece em um mapa impresso. Sabe-se que existem apenas duas versões do mapa: este das coleções da Biblioteca do Congresso e outro da Biblioteca Britânica.

Antiga Assíria dividida em Síria, Mesopotâmia, Babilônia e Assíria

Pouco se sabe sobre o cartógrafo francês Philippe de La Rue. Ele era associado ao pioneiro cartógrafo francês Nicolas Sanson e especializou-se em temas bíblicos. Em 1651, ele publicou La Terre sainte en six cartes géographiques (A Terra Santa em seis mapas), a primeira coleção de mapas de um único tema dispostos em ordem cronológica. O objetivo de La Rue era traçar a história do mundo "desde os primórdios até o presente". Os seis mapas abrangem a terra de Canaã e o Êxodo, a Terra Prometida, o reinado de Salomão, a terra dos judeus na época de Cristo, o Patriarcado Cristão de Jerusalém e a Síria moderna sob o governo otomano. Este mapa, mostrando os antigos reinos do Oriente Médio, foi um complemento do atlas.

Atlas portátil ou o Novo Teatro de Guerra na Europa

Daniel de la Feuille foi um relojoeiro, ourives, gravador e livreiro em Amesterdã no final do século XVII e início do século XVIII. Foi, também, um prolífico cartógrafo. Neste "atlas portátil", de la Feuille documentou a complexidade da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714), que se iniciou depois que o rei da Espanha (da Casa dos Habsburgos), Carlos II, morreu e deixou seu reino para Filipe, o Duque de Anjou e neto do rei Bourbon francês, Luís XIV. Preocupados com a intenção do Rei-Sol da França em dominar a Europa, consolidando o seu poder em um Estado Bourbon Franco-Espanhol, uma aliança de potências europeias concorrentes, liderada pela Grã-Bretanha, lançou uma guerra preventiva para desafiar a perspectiva de hegemonia francesa. Este mapa apresenta um levantamento da arquitetura militar do período, incluindo fortificações, fragatas e embarcações à vela, armamentos e material bélico utilizados no novo campo de batalha europeu.

Áustria-Hungria

O Império Austro-Húngaro (1867-1918) foi um império multi-étnico, multilíngue, governado por uma dupla monarquia que implementou as leis de Habsburgo ao longo de todo o segundo maior território soberano da Europa. Embora considerado uma Grande Potência no conjunto das nações europeias, o império dividiu-se internamente por conflitos mortais entre suas minorias nacionais e acabou por desestruturar-se sob as tensões da Primeira Guerra Mundial. Este mapa de Rand McNally de 1906 mostra o império na década anterior à sua dissolução. William Rand fundou a empresa que se tornou a Rand McNally em Chicago, em 1856, inicialmente para imprimir guias e diretórios. Em 1858, ele contratou Andrew McNally, que se tornou seu parceiro de negócios dez anos mais tarde. A empresa logo se tornou uma prolífica editora de atlas, mapas, globos e guias de viagens. Seu sucesso comercial deveu-se, em grande parte, à sua adoção, em 1872, de um processo de gravação em cera conhecido como cerografia e por seu desenvolvimento, quase simultâneo, dos populares Mapas de Bolso, dos quais este mapa é um exemplo.

Mapa do emigrante e guia de rotas para a América do Norte

Este mapa de Gotthelf Zimmermann reflete a importância da imigração alemã para a América do Norte em meados do século XIX. Quando a Revolução de 1848 não conseguiu produzir as reformas desejadas dentro da confederação alemã, multidões de alemães desiludidos almejaram ir para o exterior. Mapas como este ajudaram a mostrar-lhes o caminho. Na época, as terras nos Estados Unidos eram baratas, férteis e abundantes, tornando-as uma escolha perfeita para os imigrantes ansiosos por estabelecer novas colônias e começar vidas novas. As comunidades alemãs nos Estados Unidos tornaram-se tão predominantes que, às vésperas da Primeira Guerra Mundial, cerca de seis por cento das crianças americanas falava apenas o alemão na escola primária. A guerra com a Alemanha acelerou o declínio do uso da língua alemã nos Estados Unidos. No entanto, documentos estaduais oficiais em alemão permaneceram disponíveis na Pensilvânia até 1950.

Pequim

A Força Expedicionária Alemã do Leste Asiático foi enviada para a China em 1900 pelo Imperador Guilherme II como parte da operação das oito nações (Grã-Bretanha, França, Alemanha, Rússia, Estados Unidos, Japão, Áustria, Itália), para reprimir a Guerra dos Boxers contra a influência estrangeira na China. As forças alemãs chegaram a Pequim em meados de outubro, quando o conflito tinha praticamente acabado. Entre o fim de 1900 e o início de 1901, a força expedicionária envolveu-se em uma série de brutais expedições punitivas designadas a acabar com a resistência dos Boxers no interior do país e forçar a China a assinar um tratado de paz com a Alemanha. Este mapa detalhado de Pequim elaborado pela Divisão de Cartografia da Real Sociedade de Artilharia Prussiana baseia-se em levantamentos feitos pela Força Expedicionária em 1900-1901.

Campanhas do Contingente Hesse-Darmstadt sob o Primeiro Império

Durante as guerras napoleônicas do início do século XIX, muitos alemães lutaram ao lado do Império Francês. Depois que Napoleão derrotou a Áustria e a Rússia na Batalha de Austerlitz, em dezembro 1805, ele reuniu 16 estados alemães que faziam parte do Sagrado Império Romano, para formar a Confederação do Reno, controlada pela França. Ele dissolveu, então, o Sagrado Império Romano. Os estados que eram membros da confederação foram obrigados a ceder unidades militares e soldados aos exércitos de Napoleão. Este mapa e sua tabela suplementar, mostram as atividades militares em que estavam envolvidas as unidades de Hesse-Darmstadt, enquanto lutavam pelos franceses na Europa Central, Espanha e na invasão da Rússia de 1812. O mapa é baseado na pesquisa do Tenente-Coronel Jean-Camille Abel-Fleuri Sauzey, um oficial militar e historiador francês que publicou, entre 1902 e 1912, um estudo de seis volumes sobre os contingentes alemães no exército francês.

Cabo da Boa Esperança

John Arrowsmith (1790-1873) ficou mais conhecido pela publicação em 1834 do Atlas de Geografia Universal de Londres, amplamente considerado entre as melhores fontes cartográficas europeias da época. Em 1810, ele se afiliou à empresa cartográfica de seu tio Aaron Arrowsmith, um dos principais editores da época, famoso por retratar as últimas descobertas geográficas em mapas extraordinariamente detalhados. Arrowsmith foi um dos membros fundadores da Real Sociedade Geográfica, a qual lhe concedeu uma medalha de ouro em 1863 por seus mapas da Austrália, América do Norte, África e Índia. O mapa do Cabo da Boa Esperança de Arrowsmith, de 1842,  foi produzido na véspera das intervenções britânicas para estabilizar a Colônia do Cabo. Seu retrato detalhado de portos comerciais litorâneos ao longo de um interior vasto e vazio realça o pouco que se conhecia geograficamente, numa época em que o domínio imperial da Grã-Bretanha permanecia amplamente informal, dando prioridade ao comércio marítimo do que à expansão para o interior do continente.