7 de novembro de 2011

Reunião do Conselho Privado

Esta xilogravura, datada de outubro de 1888, retrata uma reunião do Conselho Privado japonês, que foi criado em 1888 com a finalidade de deliberar sobre propostas para uma constituição. A ideia de escrever uma constituição foi discutida, dentro e fora do governo, desde o início da era Meiji (ou seja, em 1868), que retornou o Japão ao governo imperial após o xogunato Tokugawa. No entanto, o trabalho detalhado sobre um projeto de constituição que levou diretamente à Constituição Meiji não teve início de fato até por volta de 1886 (Meiji 19). Itō Hirobumi (1841–1909), primeiro-ministro do Japão, supervisionou o trabalho. A cópia limpa da Constituição refletindo o debate sobre cada item foi apresentada ao Conselho Privado por Itō em março de 1889 (Meiji 21) e tornou-se lei no ano seguinte. A gravura é de Yōshu Chikanobu (1838–1912) que, junto com outros artistas na década de 1870 e 1880, começou a produzir as kaika-e (gravuras que documentavam a modernização e a ocidentalização do Japão), bem como gravuras de temas mais convencionais.

Cartaz da primeira eleição geral pós-guerra

A primeira eleição geral no Japão após a Segunda Guerra Mundial foi realizada em 10 de abril de 1946, em Showa 21 (Showa é número de anos de reinado do imperador Hirohito, a partir de 1926). Esta foi também a primeira eleição a ser realizada após as reformas da lei eleitoral de 17 de dezembro de 1945 (Showa 20), que concedeu o direito de voto a todos os homens e mulheres com idade de 20 anos. Este cartaz eleitoral inclui texto da autora Ikuta Hanayo (1888-1970) convocando as mulheres a votar. Os eleitores elegeram 39 mulheres para a Dieta, as primeiras mulheres legisladoras da história japonesa.

8 de novembro de 2011

O sacramentário de Drogo

O sacramentário era um livro litúrgico utilizado nas orações durante a Alta Idade Média, contendo as orações, prefácios e cânones da missa. Drogo (801-55), bispo de Metz, filho de Carlos Magno e renomado patrono em sua época, tinha uma magnífica cópia do sacramentário feito em Metz, por volta de 845-855. O manuscrito, escrito em pergaminho, é uma obra de vários artistas empregados pela corte imperial. Foi composto em uma escrita latina clara e inclui alguns dos mais belos florões já produzidos em Metz. A iluminura é feita de capitulares ilustradas, arcaturas decorativas e letras douradas, e distingue-se tanto pela sutileza e dinamismo das características e pela delicadeza de suas cores verde-esmeralda, azul-celeste, violeta e roxo quanto pelo gosto pronunciado por plantas ornamentais. A iconografia da iluminação é centrada na vida de Cristo e corresponde às placas de marfim da encadernação. Executadas na mesma época e pela mesma oficina do manuscrito, tanto a placa da frente quanto a placa do verso estão divididas em nove plaquetas esculpidas em relevo. As plaquetas ilustram os principais sacramentos (placa superior) e as cenas da liturgia da igreja (placa inferior). O sacramentário teria sido usado na catedral carolíngia de Metz e constitui um precioso registro das práticas e dos apetrechos litúrgicos utilizados na época. No século XVI, as placas foram colocadas de volta no manuscrito sobre veludo verde e as bordas cobertas com um revestimento de prata adornado com folhas de acanto.

O espírito das leis

Publicada em 1748 e condenada pela Igreja Católica em 1751, a obra de Montesquieu, De l'Esprit des lois (O espírito das leis) foi um marco na Era do Iluminismo europeu. Ela anunciava uma nova compreensão crítica dos conhecimentos adquiridos, que também se refletiu na Histoire naturelle (História natural) de Buffon e na Encyclopédie (Enciclopédia) de Diderot e d'Alembert. A profundidade da análise e a habilidade de apresentação fez com que a obra de Montesquieu tivesse uma considerável influência sobre o pensamento político nos séculos XVIII e XIX. A obra está dividida em 31 livros, subdivididos em capítulos curtos, que foram escritos em um estilo claro e incisivo, com passagens analíticas intercaladas com anedotas e fatos históricos. Montesquieu substituiu a classificação de leis tradicional e puramente política por uma concepção mais concreta, que ele fundamentou em uma tipologia de ordens políticas (despótica, monárquica e republicana). Ele associou os princípios de governo e as constituições dos países às causas física, moral, econômica e geográfica que influenciaram a criação e a evolução das leis. Na imagem vê-se um manuscrito incompleto da penúltima versão do texto antes da publicação, da mão de diversos secretários, com notas e passagens assinadas por Montesquieu. A divisão dos capítulos difere significativamente daquela da publicação original. O manuscrito inclui ainda diversas páginas de vários outros escritos de Montesquieu, produzidos pelos secretários que ele empregou durante seus períodos frequentes de cegueira quase total.

O romance de Renart

O Roman de Renart (Romance de Renart) é o mais famoso conjunto de histórias de animais produzido na Idade Média. Não é uma história, mas uma coleção de 26 capítulos composta por vários copistas e menestréis por volta do final do século XII e início do XIII. Ele foi inspirado nas Fábulas do antigo escritor grego Ésopo, e no poema épico de escárnio em latim de Nivardus, escrito em Gante por volta de 1150, chamado Ysengrin. Sob o pretexto da guerra interminável entre Renart, a raposa e Ysengrin, o lobo, a obra ilustra a natureza animal do homem e oferece uma crítica à sociedade cavaleiresca do mundo feudal. Este manuscrito bastante ilustrado, criado na primeira metade do século XIV, é uma cópia do raro manuscrito do romance. Miniaturas de estilo ingênuo celebram as façanhas da raposa, o mais astuto dos animais. Elas também ilustram aas histórias, como o funeral de Lady Coppée, a galinha (f. 4r); a partida de Renart para as Cruzadas (f. 12v); o ataque ao castelo de Maupertuis (o covil do herói) por Tibert, o Gato; Noble, o Leão; Tardif, o caracol e Ysengrin, o Lobo, enquanto Reinart e seus filhos jantavam descontraídos (f. 14v); e a violação de Hersent, a esposa de Ysengrin (f. 16r).

Denier

Carlos Magno (742-814) foi coroado imperador dos romanos em 800. No entanto, moedas com o seu título imperial são tão raras que acredita-se que ele as tenha cunhado somente após 812, quando recebeu o reconhecimento como Imperador do Ocidente, pelo imperador do Império Romano do Oriente. Esta moeda de prata denier é típica daquelas produzidas durante o Renascimento Carolíngio, período em que a arte, a cultura e a religião prosperaram sob a influência de Carlos Magno. Essas moedas incluem um busto imperial clássico e um verso muitas vezes inspirado na cunhagem romana: um portão de cidade (em Arles, Rouen, ou Tréveris), um navio (em Quentovic ou Dorestad), uma cunhagem de ferramentas (em Melle) ou um templo, tal como nesta peça. As moedas eram marcadas com letras sob o busto indicando onde elas foram feitas. A letra M nesta moeda significa Mainz; aquelas marcadas com C foram feitas em Cologne, F, em Frankfurt e V, em Worms. Os exemplares sem letras são atribuíveis a Aquisgrano. Esta moeda contém o que parece ser um retrato real de Carlos Magno, tornando-o comparável em importância ao retrato literário de Einhard em sua biografia de Carlos Magno, escrita logo após a morte do imperador, ou a estátua equestre do século IX de Carlos Magno, atualmente no Museu do Louvre.