7 de novembro de 2011

Luta entre Momotaro e Kaidomaru

Esta nishiki-e (xilogravura multicolorida) é de Utagawa Kunisada I, também chamado de Toyokuni III e outros nomes, que viveu por volta de 1786-1864 e foi um artista de ukiyo-e (retratos do mundo flutuante). Ele era famoso por suas gravuras de atores Kabuki, mulheres bonitas e sumô (luta tradicional japonesa). Uma sátira favorita no período Edo (1600-1867) era a representação do sumô realizado por participantes incomuns. Esta gravura de Kunisada mostra o encontro dos dois rapazes fortes de contos japoneses, Momotaro e Kintarō. Momotarō, nascido de um pêssego gigante, derrotou os ogros com a ajuda de seus fiéis companheiros: o cão, o macaco e o faisão. Kintarō (aqui chamado Kaidōmaru), cresceu em uma montanha tendo os animais como seus amigos. Neste combate, o faisão de Momotarō aparece como o gyōji (juiz), enquanto que o urso de Kintarō representa o yobidashi (locutor). Este tipo de nishiki-e servia para aumentar a popularidade do sumô. A Biblioteca Nacional da Dieta, que detém este trabalho, tem mais de 100 gravuras de Kunisada sobre sumô. A partir do nome e do selo, este trabalho pode ser datado de 1843-1844.

Presentes da maré vazante

No Japão, colecionar conchas marinhas e decorá-las com poemas é um passatempo elegante que data de tempos antigos. Shiohi no tsuto (Presentes da maré vazante, popularmente conhecido em inglês comoO livro da concha), é um livro ilustrado de xilogravuras multicoloridas de Kitagawa Utamaro (por volta de 1753-1806). Estes ehon (livros ilustrados) fazem parte de uma longa tradição com o belo trabalho de colaboração de artistas, calígrafos, escritores, papeleiros, cortadores de bloco e impressores. Esta gravura, publicada por volta de 1789 por Tsutaya Juzaburo, possui 36 kyōka (poemas japoneses satíricos e engraçados de 31 sílabas) de diversos poetas que ilustram as 36 conchas. O livro começa com uma cena de shiohigari, (cavar molusco), seguida por seis páginas de desenhos elaborados de conhas com o Kyoka e conclui com uma cena do jogo de correspondência de concha. Em algumas páginas foram aplicados pó de metal, pó de conchas e madrepérola para transmitir brilho ou reflexo de luz. A textura melhorada foi conseguida pressionando-se pedra esculpida contra o papel sem tinta (relevo cego).

O diário escrito à mão de Itō Hirobumi de sua viagem ao estrangeiro

Em dezembro de 1871 (novembro lunar, Meiji 4), a missão de Iwakura partiu do Japão, liderada por Iwakura Tomomi, que servia como embaixador plenipotenciário, e incluiu Kido Takayoshi, Toshimichi Okubo e Itō Hirobumi como embaixadores representantes. A missão durou cerca de dois anos e seus membros passaram pelos Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia e outros países europeus. Um de seus propósitos foi promover o reconhecimento internacional da Restauração de Meiji, que retornou o Japão ao governo imperial em 1868, após o xogunato Tokugawa. Os outros propósitos incluiam a investigação das instituições e culturas de diferentes países, com o objetivo de adotar partes potencialmente adequadas ao Japão e possíveis revisões do "tratados injustos" impostos ao Japão por potências estrangeiras. Este diário, de Itō (1841-1909), foi escrito em março de 1873 (Meiji 6) durante a sua estada na Prússia (Alemanha). Ele inclui notas detalhadas sobre os sistemas parlamentares e eleitorais de diferentes países europeus. Ito, que quatro vezes serviu como primeiro-ministro do Japão, começou a trabalhar tempos depois no projeto da primeira Constituição do Japão, que se tornou lei em 1890 e teve semelhanças com a da Prússia.

Dignatários de Meiji

Estas nishiki-e (xilogravuras multicoloridas) de dignatários de Meiji são de Yamazaki Toshinobu (1857–1886). São grupos de retratos dos membros do governo Meiji em seu princípio, quando o governo imperial reassumiu o Japão em 1868 após o xogunato Tokugawa. A maioria das figuras representadas eram de estadistas importantes à Restauração Meiji, como Sanjō Sanetomi (atrás, à direita no painel central), Iwakura Tomomi (atrás, à esquerda, no painel direito), Kido Takayoshi (atrás, à direita no painel esquerdo) e Okubo Toshimichi (frente, à esquerda no painel esquerdo). O retrato de cada personagem é acompanhado de seu nome e posição. A organização política do governo Meiji adotou cedo o sistema de Dajōkan (Conselho de Estado), com o objetivo de restabelecer uma estrutura parlamentar de estilo. As linhas gerais do sistema Dajōkan tomaram forma em 1871 (Meiji 4). Embora tenha sofrido várias reformas administrativas, o Dajōkan persistiu até o sistema de gabinete ter sido criado em 1885 (Meiji 18). Toshinobu produziu estas gravuras em 1877.

Ordem Imperial para despachar Itō, chefe plenipotenciário da missão para a Europa para estudar formas constitucionais de governo

Este documento é a ordem de comando imperial de 1882 para Itō Hirobumi (1841-1909) visitar a Europa a fim de estudar os sistemas constitucionais de diversos países europeus. Um documento separado apresenta uma lista concreta de 31 itens diferentes a serem estudados, incluindo a constituição de cada país, a família real, os poderes legislativo e judiciário, o conselho de ministros e o sistema de governo local. Em 14 março de 1882 (Meiji 15), Itō zarpou de Yokohama. Ele passou 14 meses na Europa, viajando pela Prússia (Alemanha), Áustria, Grã-Bretanha, Bélgica e outros países. Na Prússia, foi influenciado por palestras de homens como Rudolf von Gneist, o jurista e estadista; Albert Mosse, um advogado que viveu em Tóquio no final de 1880 e Lorenz von Stein, economista, sociólogo e especialista em administração pública. Itō estudou na Grã-Bretanha na década de 1860 e foi um embaixador-adjunto da missão Iwakura, que viajou para os Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia e outros países europeus em 1871-1873. Ele atuou quatro vezes como primeiro-ministro do Japão e supervisionou a elaboração da primeira Constituição do Japão, que se tornou lei em 1890.

Família de emigrantes formalmente vestida ouvindo um toca-discos (na América do Sul)

Durante o período da emigração japonesa para outros países, estabelecimentos diplomáticos japoneses no estrangeiro recomendavam que os imigrantes japoneses adotassem usos e costumes locais, de modo a evitar o atrito com os habitantes locais. Esta fotografia ilustra a assimilação pelos imigrantes japoneses. A emigração japonesa para o Brasil começou em 1908 e alcançou seu pico em 1926-1935. Após a abolição da escravatura no Brasil, em 1888, o governo do Brasil voltou-se para os imigrantes para enfrentar uma escassez de trabalho na indústria do café que ganhava cada vez mais importância. Imigrantes europeus, principalmente italianos, preencheram a lacuna no início, posteriormente completada pela chegada dos imigrantes do Japão, onde a pobreza rural era generalizada e a economia estava lutando para se modernizar e para reabsorver os soldados que estavam retornando após a Guerra Russo-Japonesa (1904-1905).