3 de novembro de 2011

Álbum

Este muraqqa’ (álbum) com caligrafia em um formato sanfona foi compilado na Turquia otomana, no século XII a.H. (século XVIII d.C.). Os meios são a tinta e os pigmentos em papel montado sobre papelão fino. Ele consiste, em parte, de folhas tendo passagens fragmentárias do Alcorão, do capítulo 2 (Sūrat al-baqarah), versos 65–68, e capítulo 4 (Sūrat al-nisā’), versos 103–106. Também estão incluídos os hadith (ditos do profeta Maomé), e duas folhas do karalama (exercícios de caneta). Os versos do Alcorão e as passagens do hadith estão em naskh e thuluth vocalizados, em tinta preta. O fólio 5a leva o nome do calígrafo otomano Şeyh Hamdullah, também chamado de Ḥamd Allāh al-Amāsī, morto em 926 a.H. (1520 d.C.). Şeyh Hamdullah foi o calígrafo mais célebre de sua época e influenciou gerações subsequentes de calígrafos. Cada página do álbum está emoldurada com bordas marmóreas do século XVIII. A encadernação em pele de ovelha com medalhão central lobalizado tem um painel central preenchido com camurça e, provavelmente, é contemporânea ao álbum. O manuscrito pertence ao Museu de Arte Walters e foi denominado como Walters W. 672.

A prosódia eloquente de 40 versos

Este manuscrito é um comentário turco otomano em quarenta versos do Alcorão, com hadith (Ditos do profeta Maomé) e citações em verso de Okçuzade Mehmet Şahî, morto em 1039 a.H. (1629 d.C.). Esta cópia foi feita no século XI a.H. (século XVII d.C.). O texto é escrito em naskh, em tinta preta e vermelha. O selo waqf (doação) de al-Wazīr al-Shahīd ‘Alī Pāshā, datado de 1130 a.H. (1717 d.C.), aparece nos fólios 1a, 1b e 2a. O nome de um antigo proprietário, Sayyid Burhān al-Dīn, e seu selo datado de 1039 a.H é encontrado no fólio 1a, provavelmente colocado lá quando o segundo proprietário adquiriu a obra um século depois. O texto começa com um incipit iluminado com vinheta (fólio 1b). A encadernação em pele de cabra marrom-escura com medalhão central lobalizado, preenchido com trabalho floral em arabesco e delineado em ouro, é contemporânea ao manuscrito. O manuscrito pertence ao Museu de Arte Walters e foi denominado como Walters W. 667.

Duas obras sobre crenças e práticas islâmicas

Este códice é composto por dois trabalhos sobre as crenças e as práticas islâmicas de Aḥmet bin Muḥammed Şemsī Pāşā, morto por volta de 990 a.H. (1580 d.C.). Estas obras são intituladas Tercümet ül-Viḳāye (a tradução de “Wiqāyat al-Riwāyah”) e I’tiḳādiyāt (crenças), como inscrito nas rubricas dos fólios 2b e 29b, respectivamente. Ambos os textos foram copiados na escrita nasta'liq negra do século X a.H. (século XVI d.C.). O fólio 2a possui uma nota de aprovação do famoso jurista otomano Abū al-Su’ūd (Ebussuud) Efendi (morto em 982 a.H. [1574 d.C.]). A primeira composição, Tercümet ül-Viḳāye, é uma versificação do famoso compêndio da lei Ḥanafī, conhecida em árabe como Wiqāyat al-riwāyah (Salvaguardas de transmissão) de Maḥmūd ibn Ṣadr al-Sharī’ah al-Maḥbūbī, que prosperou no século VIII a.H. (século XIV d.C.). A encadernação em couro marrom-escuro tem um medalhão central oval, com pingentes e partes do canto com desenhos de arabesco em um fundo dourado. O manuscrito pertence ao Museu de Arte Walters e foi denominado como Walters W. 665.

Breve manual geográfico, com um texto adicional sobre a Bósnia: para escolas primárias

A primeira tipografia da Bósnia-Herzegovina foi fundada em 1519 por Božidar Goraždanin, na cidade de Gorazde, na Bósnia Oriental. Dois anos depois, em 1521, o estabelecimento foi fechado e transferido para a Romênia. Posteriormente, um pequeno número de livros escritos na Bósnia-Herzegovina foi enviado para ser impresso fora do país, em Veneza, Viena, Roma e em outros lugares, mas os livros não eram produzidos no país. Na segunda metade do século XIX, houve um ressurgimento do interesse na impressão e publicação na Bósnia-Herzegovina. A tipografia começou a funcionar em 1866, em Sarajevo, e foi chamada de Sopronova pečatnja (Editora de Sopron), em homenagem ao seu fundador, Sopron Ignjat (1825-1894), um jornalista e editor de Novi Sad. Mais tarde ela se tornou a Vilajetska štamparija (Tipografia do Vilaiete) Os livros eram impressos no alfabeto latino, cirílico, hebraico e árabe. Após a ocupação da Bósnia-Herzegovina pela Áustria-Hungria em 1878, a Vilajetska štamparija continuou a produzir livros, mas mudou seu nome para Zemaljska štamparija (Tipografia Nacional). A Biblioteca Nacional e Universitária da Bósnia-Herzegovina preserva uma valiosa coleção dos primeiros livros escolares impressos na Vilajetska štamparija. Na imagem vê-se um dos itens desta coleção, a Kratka zemljopisna početnica s dodatkom o Bosni: za niže učione (Breve manual geográfico, com um texto adicional sobre a Bósnia: para escolas primárias), publicado em 1869.

Eslavônia, Croácia, Bósnia e parte da Dalmácia

O mapa produzido em 1590 por Gerard Mercator Sclavonia, Croatia, Bosnia cum Dalmatiae parte (Eslavônia, Croácia, Bósnia e parte da Dalmácia) é a melhor representação da Bósnia feita até aquele momento. Um dos itens mais antigos nas coleções cartográficas da Biblioteca Nacional e Universitária da Bósnia-Herzegovina, o mapa foi publicado pela empresa Blaeu, famosa em Amsterdã. O mapa mostra aldeias, vilas, rios e montanhas. A escala gráfica é em milhas alemãs. O mapa está em latim, mas dá nomes de lugares nas línguas da região, que incluem as línguas eslavas e, em alguns lugares, o alemão. Mercator (1512–1594) nasceu em Rupelmonde, na região de Flandres (Bélgica). Recebeu o nome de Gerard Kremer. “Mercator,” significando “mercador”, é uma versão latinizada de seu sobrenome em holandês. Ele estudou filosofia e teologia na Universidade de Leuven, e desenvolveu um interesse especial por astronomia e matemática. Criou o seu primeiro mapa, da Palestina, em 1537, e passou a produzir inúmeros mapas e globos terrestres ao longo de sua extensa carreira. Ele é mais conhecido por sua invenção da projeção cartográfica de Mercator.

7 de novembro de 2011

A maldição de Ártemis - Fragmento

Esta antiga maldição é um dos mais antigos documentos gregos em papiro do Egito. Com data do século IV a.C., é originário da comunidade de gregos jônicos estabelecida em Mênfis, no Baixo Egito. A cultura grega passou a ser dominante em Mênfis, especialmente depois de 332 a.C., quando Alexandre, o Grande foi coroado faraó no templo do deus Ptah. No documento, Ártemis, de quem quase nada se sabe, apela para o deus greco-egípcio Seráfis punir o pai de sua filha por privar a criança dos ritos funerários e negar-lhe um enterro. Seráfis foi identificado com o touro mumificado Ápis, considerado uma manifestação de Ptah, e com o deus egípcio Osíris. Por vingança, Ártemis exige que o homem - cujo nome não é mencionado no texto - seja privado de ritos funerários semelhantes para seus pais e ele próprio. Suas palavras drásticas são um exemplo notável da grande importância da tradição dos ritos funerários gregos e egípcios. O papiro pertence à coleção de papiros da Biblioteca Nacional Austríaca, que foi montada no século XIX pelo arquiduque Rainer. Em 1899 a coleção foi doada ao imperador Franz Joseph I, que a tornou parte da coleção da Hofbibliothek (Biblioteca Imperial), de Viena. Uma das maiores coleções do gênero no mundo, a Coleção de Papiros (Coleção Erzherzog Rainer) foi inscrita no Registro da Memória do Mundo da UNESCO em 2001.