9 de novembro de 2011

Regime de saúde

Heinrich von Laufenberg (por volta de 1390-1460) foi um clérigo do sudoeste da cidade alemã de Friburgo, um prolífico escritor de prosa e verso em alemão e latim, mais conhecido por suas letras de músicas religiosas. Seu Regimen Sanitatis (Regime de saúde) de 1429 é um compêndio médico-astronômico de orientação para uma vida saudável que se estende por mais de 6.000 linhas de métrica alemã. A obra brinda o leitor com regras práticas para uma vida saudável sobre assuntos como uma dieta equilibrada, flebotomia (sangria, tratamento conhecido naquela época para prevenir ou curar doenças) e formas de se evitar a peste. O texto reflete a visão científica contemporânea de que as configurações planetárias afetam o bem-estar de um indivíduo. O fólio 23v (imagem 50) do manuscrito, por exemplo, mostra uma ilustração descrevendo as partes do corpo humano as quais acreditava-se que não deviam ser medicadas quando a lua estivesse em um determinado signo do zodíaco. Este esplêndido códice, com sua bela apresentação e 71 desenhos e iniciais coloridos, oferece um exemplo representativo de um manuscrito científico de meados do século XV destinado ao uso prático por cidadãos ricos ou por ordens religiosas.

Histórias dos profetas

As Qisas al-anbiya (Histórias dos profetas), do escritor persa do século XII Ishaq Ibn-Ibrahim al-Nishapuri, contêm a história dos profetas até Maomé, contadas com base na narrativa do Alcorão. A obra inclui histórias extraídas da tradição bíblica do Antigo Testamento, bem como material sobre os profetas pré-islâmicos da Península Arábica. Este manuscrito esplêndido e ricamente iluminado contendo 22 miniaturas foi copiado em Shiraz (no atual Irã) em 1577, na época um centro de artes da Pérsia safávida. O manuscrito pertenceu à coleção do diplomata e orientalista alemão Friedrich Heinrich von Diez (1751-1817) e atualmente se encontra na Biblioteca Estadual de Berlim–Fundação do Patrimônio Cultural Prussiano.

Max e Moritz: Uma história de meninos mal comportados em sete travessuras

Max e Moritz, uma história com desenhos sobre dois meninos travessos, é um dos livros infantis alemães mais populares. A primeira edição saiu no final de outubro de 1865 com uma tiragem de 4.000 exemplares. O autor, Wilhelm Busch (1832–1908), tinha a intenção de ter seu conto publicado no Fliegende Blätter, na época um jornal satírico semanal de sucesso, mas o editor Kaspar Braun incluiu o título no catálogo de livros infantis da empresa de Braun & Schneider. A história cômica é contada em verso rimado e dividida em sete “travessuras”: “Erster Streich” (Primeira travessura), da segunda até a sexta travessura e “Letzter Streich” (Travessura final). A obra é ilustrada com gravações de madeira que também são de Busch e estêncil colorido à mão. Quando Busch morreu em 1908, Max e Moritz estava em sua 56ª edição. A popularidade do livro se espalhou para além do universo da língua alemã e os versos de Busch foram traduzidos para o inglês, o francês, o italiano, o russo, o hebraico, o japonês e outras línguas. O Katzenjammer Kids, uma história em quadrinhos americana criada pelo imigrante alemão Rudolph Dirks (1877–1968), foi inspirada em Max e Moritz, tornando-se uma antecessora das primeiras tiras em quadrinhos.

As 95 Teses

O Disputatio pro declaratione virtutis indulgentiarum, de Martinho Lutero, de 1517, comumente conhecido como as 95 Teses, é considerado o documento central da Reforma Protestante. Seu título completo diz: “Com um desejo ardente de trazer a verdade à luz, as seguintes teses serão defendidas em Wittenberg. Reverendo Frei Martinho Lutero, Mestre de Artes, Mestre de Sagrada Teologia e Professor oficial de Wittenberg, falará em sua defesa. Ele, portanto, pede: que todos os que não puderem estar presentes e debater com ele verbalmente, façam-no por escrito. Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém”. O documento passou a lista de 95 abusos clericais, principalmente relativos à venda de indulgências (pagamento para remissão da pena dos pecados terrenos) pela Igreja Católica Romana. Lutero (1483-1546), um padre e professor de teologia alemão, se tornou a figura mais importante da grande revolta religiosa contra a Igreja Católica conhecida como a Reforma. Enquanto ele pretendia usar as 95 teses como a base para uma disputa acadêmica, sua acusação das práticas da igreja se espalhou rapidamente, graças à então arte ainda nova da impressão. Até o final de 1517, três edições das teses foram publicadas na Alemanha, em Leipzig, Nuremberg e Basel, por impressores que não forneceram seus nomes. Estima-se que cada uma dessas primeiras edições teve cerca de 300 exemplares, dos quais poucos sobreviveram. Este exemplar das coleções da Biblioteca Estadual de Berlim foi impresso em Nuremberg por Hieronymus Höltzel. Foi descoberto em uma livraria de Londres em 1891 pelo diretor do Kupferstichkabinett Berlin (Museu de Gravuras e Desenhos) e doado à Biblioteca Real pelo Ministério da Educação e Cultura da Prússia.

Evangelho da concordância

Este Evangelho da concordância de 1635, em armênio, foi escrito, iluminado, e encadernado no Mosteiro Holy Savoir em Nor Jugha (agora chamado Julfa), o bairro armênio de Isfahan (no atual Irã). Isfahan era naquela época a capital da Pérsia safávida. O livro está muito bem iluminado com quatro retratos dos evangelistas, juntamente com vinhetas, chapéus, e as iniciais decoradas que estão no formato zoomórfico ou antropomórfico. As miniaturas nas primeiras sete páginas são adições posteriores de uma mão diferente. O manuscrito é um dos destaques da coleção de 128 manuscritos armênios mantidos pela Biblioteca Estadual de Berlim–Fundação do Patrimônio Cultural Prussiano.

O livro de esgrima

Este livro do início de século XVI sobre esgrima é composto quase inteiramente de ilustrações, com uma quantidade mínima de texto aparecendo como legendas. Consiste de 258 desenhos em 130 páginas, a maioria dos quais mostram um par de lutadores usando diferentes armas de corte e estocada que eram comuns naquela época: a espada longa, a espada curta, e a adaga. O trabalho é anônimo, mas que deve muito ao trabalho escrito e pictórico de Hans Talhoffer (por volta de 1420-por volta de 1490), um instrutor de esgrima, famoso lutador de espadas e autor de vários Fechtbücher (livros de esgrima). Exibindo combatentes em uma arena, como visto no fólio 6v (imagem 16), o livro também mostra a esgrima como uma forma de provação pelo combate, um duelo armado entre dois combatentes utilizado como um meio final para resolver um litígio. Estilisticamente, as imagens se assemelham aos de um livro de esgrima de 1512 da escola do grande artista alemão, Albrecht Dürer (1471-1528).