8 de novembro de 2011

O dicionário dos países

Yaqut Al- Hamawi (de Hama, Síria, 1179–1229 d.C., 574–626 a.H.) foi um geógrafo árabe de origem grega. Nascido em Bizâncio (a antiga cidade grega também conhecida como Constantinopla, ou atual Istambul), foi capturado na guerra e escravizado. Ele foi comprado por um mercador de Bagdá, que lhe deu uma boa educação e por fim o libertou. Yaqut viajou pelo Egito, Síria, Iraque e Pérsia (atual Irã). Seu Mu'jam al-Buldan (Dicionário dos países) é uma vasta enciclopédia geográfica que resume quase todo o conhecimento medieval do mundo. As informações do dicionário são muito abrangentes, e incluem arqueologia, etnografia, história, antropologia, ciências naturais, geografia e as coordenadas dos lugares listados. A obra fornece os vários nomes pelos quais as cidades eram conhecidas e descreve seus monumentos e sua riqueza, história, população e figuras de destaque. O livro é uma fonte primária amplamente utilizada em estudos árabes.

O início para o estudioso e o fim para o seletivo

Muhammad ibn Ahmed ibn Rushd (também conhecido pela versão latinizada do seu nome, Averróis, 1126–1198 d.C.; 520–595 a.H.) foi um polímata muçulmano e um proeminente filósofo da Espanha árabe. Ele nasceu em Córdoba de uma família muito respeitada que era conhecida pelo seu serviço público. Embora mais conhecido no ocidente por seus comentários sobre a filosofia aristotélica, Ibn Rushd escreveu obras sobre uma grande variedade de assuntos, da astronomia à jurisprudência islâmica e à teoria da música. Ele defendeu a razão e a filosofia contra eruditos religiosos depreciativos, tais como Al-Ghazali, argumentando que a religião e a filosofia são conciliáveis e que ambas podem levar à verdade. Ele morreu em Marraqueche, Marrocos. Bidāyat al-Mujtahid wa Nihāyat al-Muqtaṣid (O início para o estudioso e o fim para o seletivo) talvez seja sua obra mais importante no campo da jurisprudência, especialmente na escola Maliki de lei religiosa e de pensamento dentro do islamismo sunita ao qual pertencia.

A enciclopédia de ouro das ciências islâmicas

Nascida no Cairo e educada no Egito, nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, Dra. Fatima Mahjoub é uma historiadora, linguista e escritora especializada em enciclopédias. Al-mawsoo’a al-thahabiya lil ‘aloom al-Islamiya (A enciclopédia de ouro de ciências islâmicas) é uma das três enciclopédias escritas por ela. Organizada de acordo com o alfabeto árabe e publicada em nove volumes, a obra abrange nove ramos ou campos do conhecimento islâmico em estudos religiosos, tais como o exegese do Alcorão, a doutrina islâmica e a jurisprudência islâmica. A enciclopédia inclui também entradas em ciências nas quais estudiosos muçulmanos se sobressaíram, campos que incluem, entre outros, história, geografia, medicina, farmacologia, matemática, astronomia, química e arquitetura islâmica.

O livro de poesia e poetas

Abdullah ibn Muslim ibn Qutaibah (828–885 d.C., 213–276) foi um historiador e crítico literário árabe e islâmico e um jurista erudito. Ele nasceu em Kufa, no atual Iraque, e passou grande parte de sua vida em Bagdá, onde morreu. Seu Al-shiir wal shuaraa (Livro de poesia e poetas) é considerado um clássico importante da literatura árabe e um trabalho pioneiro de crítica literária. É uma enciclopédia biográfica de mais de 200 líderes poetas árabes, abrangendo o período pré-islâmico do início da época abássida (do século VI ao século IX d.C) O livro abrange os poetas dessas épocas, suas origens tribais, histórias de vida, tabaqat (classes artísticas e coragem), e o que seus críticos disseram sobre eles. Ele também inclui seções que classificam a poesia por qualidade e gênero.

Um estudo crítico sobre o que a Índia diz, aceito pela razão ou refutado por ela

Abu al-Rayhan al-Biruni (também conhecido pela versão latinizada do seu nome, Alberonius, 973–1048 d.C.; 363–440 a.H.) foi um polímata muçulmano do século XI, cujas obras e interesses acadêmicos abrangiam as ciências físicas e naturais, a matemática, a astronomia, a geografia, a história, a cronologia e a linguística. Al-Biruni nasceu em Kath, Corásmia, no atual Uzbequistão, e morreu em Gazni, no que é hoje o centro-leste do Afeganistão. Ele escreveu mais de 120 obras e é considerado o fundador da indologia por sua descrição detalhada da Índia do século XI. A cratera Al-Biruni na lua foi assim nomeada em homenagem a ele. Tahqig ma lilhind min maqoolah maqboolah lilaql aw marthoolah (literalmente, Um estudo crítico sobre o que a Índia diz, aceito pela razão ou refutado por ela, mas também conhecido como Indica) é uma visão crítica, sincera e concisa sobre a cultura indiana e o hinduísmo. Ela surgiu depois da viagem de al-Biruni à Índia como um astrólogo da corte na expedição do sultão Mahmud de Ghazni (morto em 1030 d.C.), e após ter estudado com sábios indianos e coletado livros indianos.

O dicionário biográfico de Ibn Khallikan, volumes 1 e 2

Abu-l ‘Abbas Ahmad Ibn Khallikan (1211–1282 d.C., 608–681 a.H.) foi um jurista curdo muçulmano que viveu no atual Iraque, Síria e Egito. Wafayat al-a’yan wa-anba abna az-zaman (Obituários de homens eminentes e da história dos contemporâneos), mais conhecido como dicionário biográfico de Ibn Khallikan, é o livro no qual reside a fama do autor. Considerado uma obra da maior importância para a história civil e literária do povo muçulmano, ela ocupou Ibn Khallikan de 1256 até 1274. O dicionário é de enorme alcance—a tradução inglesa, feita pelo irlandês William MacGuckin (também conhecido como Barão de Slane) em meados do século 19, é composta por mais de 2.700 páginas. Não é de se estranhar, portanto, que posteriormente os historiadores árabes encheram suas páginas com extratos do trabalho de Ibn Khallikan e que retóricos, gramáticos e compiladores de anedotas árabes tenham usado passagens tiradas do dicionário.