8 de novembro de 2011

O Diwan

Al-Waleed ibn Ubaidillah Al-Buhturi (821–97 d.C.; 206–48 a.H.) foi um poeta líder árabe que nasceu em Manbij, na atual Síria e viveu no início da dinastia abássida. Ele era um companheiro do califa abássida, Al-Mutawakil, a quem Al-Buhturi viu assassinado diante de seus olhos em 861. O incidente violento pesou sobre a psique do poeta, enviando-o para o auto-exílio e a um período de reclusão. Frequentemente mencionado em conexão com outros dois poetas proeminentes da época abássida, Abu Tamman que o precedeu e Al-Mutanabbi que o sucedeu, Al-Buhturi é considerado o mais poético dos três. Enquanto a poesia dos outros dois era mais filosófica, Al-Buhturi era decididamente lírico e emocional, levando os críticos literários de sua época a apelidar sua obra de “os colares de ouro” Além de poemas típicos cheios de elogios aos califas e emires, a obra de Al-Buhturi inclui algumas das poesias mais ternas sobre o amor já escritas em árabe. O título da obra refere-se ao termo “diwan,” a palavra persa para escritor ou escriba, o que veio a significar uma coleção de poemas, geralmente de um único autor.

O livro dos avarentos

Abu Uthman Amr ibn Bahr al-Kinani (776–869 d.C.; 163–255 a.H.), apelidado de Al-Jahiz por causa de seus olhos arregalados, foi uma das principais figuras literárias que viveram no início da época abássida. Ele nasceu e morreu em Basra, Iraque. Dizia-se que seu avô foi um escravo na África Oriental. Al-Jahiz foi um escritor prolífico sobre temas que vão da teologia à política e aos costumes, e que deixou muitas obras de grande importância. Ele é reconhecido por ter moldado completamente as regras da prosa árabe. Al-bukhalaa (O livro dos avarentos) é considerado uma enciclopédia científica, literária, social, histórica e geográfica, na qual al-Jahiz conta histórias sobre as pessoas avarentas com quem se encontrou, embora também se acredite que algumas de suas personagens sejam imaginárias. Em uma vigorosa prosa cômica, ele ridicularizou a ganância dos mestres, cantores, escribas e mendigos. Tomando uma atitude imparcial, ele descreveu suas personagens de forma realista, astuta e bem-humorada, retratando-as com boa índole, porém ingênuas.

Esclarecendo as bases para a investigação do significado dos trânsitos

Abu al-Rayhan al-Biruni (também conhecido pela versão latinizada do seu nome, Alberonius, 973–1048 d.C.; 362–440 a.H.) foi um polímata muçulmano do século XI, cujas obras e interesses acadêmicos abrangiam as ciências físicas e naturais, a matemática , a astronomia, a geografia, a história, a cronologia e a linguística. Al-Biruni nasceu em Kath, Corásmia, no atual Uzbequistão, e morreu em Gazni, no que é hoje o centro-leste do Afeganistão. Ele escreveu mais de 120 obras e é considerado o fundador da indologia por sua descrição detalhada da Índia do século XI. A cratera Al-Biruni na lua foi assim nomeada em homenagem a ele Tamhīd al-mustaqarr li-taḥqīq maʻná al-mamarr (O nivelamento, a base para a investigação do significado de trânsito) é um tratado sobre como lidar com o assunto dos raios de luz e o comprimento das sombras. Foi Al-Biruni quem descobriu que a luz viaja mais rápido que o som.

Os campos de ouro e as minas de pedras preciosas

Abu al-Hasan Ali ibn al-Husayn ibn Ali al-Mas'udi (por volta de 896–956 d.C., 283–345 a.H.) foi um historiador e geógrafo árabe, conhecido como o "Heródoto dos árabes". Ele foi um dos primeiros estudiosos a combinar história e geografia científica em um trabalho de grande escala. Muruj adh-dhahab wa ma'adin al-jawhar (Os campos de ouro e as minas de pedras preciosas) é um livro de história do mundo que combina versões reescritas de duas das obras anteriores de al-Masudi. A primeira metade do livro é de enorme valor, embora um pouco extensa e confusa na sua concepção. Ela começa com a criação do mundo e da história judaica. Os próximos capítulos seguem descrevendo a história, a geografia, a vida social, e os costumes religiosos de terras não-islâmicas, como a Índia, a Grécia e Roma. O trabalho continua com as descrição dos oceanos, os calendários de várias nações, o clima, o sistema solar e os grandes templos. Inusitadas e interessantes seções são dedicadas ao mergulho em busca de pérolas no Golfo Pérsico, ao âmbar encontrado no leste da África, à tradição do sepultamento hindu, à rota terrestre para a China e à navegação, com seus inúmeros perigos, tais como tempestades e trombas-d'água. As posições relativas e as características dos mares também são explicadas.

O livro das canções

Abu Al-Faraj Al-Isbahani (ou Al-Isfahani, 897–967 d.C.) foi um estudioso literário, poeta e genealogista que nasceu em Isfahan, no atual Irã, mas viveu boa parte de sua vida em Bagdá e Alepo. Kitab al-Aghani (O livro das canções) é muitas vezes considerado sua obra-prima. Inúmeras outras obras dele são conhecidas. A maioria delas descreve a vida social indulgente de sua época, uma escolha temática que levantou críticas consideráveis, especialmente de clérigos, alguns dos quais chegaram até a questionar o seu rigor acadêmico e autenticidade. Al-Isbahani chamou sua obra de O livro das canções pois baseou-a principalmente em 100 músicas, originalmente selecionadas pelo renomado músico e cantor Ibrahim Al-Mosili, para serem cantadas por seus patronos, os califas abássidas Harun Al-Rashid e Al-Wathiq. Diz-se que Al-Isbahani levou 50 anos para completar o livro, antes dele dedicá-lo a Seif ud-Dawla, o emir de Alepo. O livro é composto de três partes: uma seleção de músicas que Al-Mosili fez para seus patronos califas, histórias de califas e de seus familiares que compuseram as melodias da música, e outras músicas da própria seleção de Al-Isbahani.

A filosofia de ibn Tufail e seu tratado sobre o filósofo autodidata

Abu Bakr Muhammad ibn Tufail (também conhecido por uma versão latinizada do seu nome, Abubácer Abentofail, 1105–1185 d.C.) foi um polímata muçulmano andaluz que nasceu perto de Granada, na Espanha, e morreu em Marrocos. Além de fragmentos de poesia, Hayy ibn Yaqzan (Vivente, filho do vigilante), também chamado de Philosophus Autodidactus (O filósofo autodidata), é seu único trabalho existente. Considerado o primeiro romance filosófico, muitas vezes é visto como uma versão árabe anterior ao Robinson Crusoé de Daniel Defoe. O livro teve muita influência no Ocidente. Tem lugar em uma ilha isolada e desabitada, onde o órfão Hayy é amamentado por um cervo e desenvolve na idade adulta a razão e a compreensão da ciência e da verdade religiosa.