8 de novembro de 2011

As caractres de Teofrasto

Jean de La Bruyère (1645–1696) foi um ensaísta e moralista francês, cujo livro Les caractères de Théophraste, traduits du grec, avec les caractères ou les moeurs de ce siècle (Os caracteres de Teofrasto, traduzido do grego, com as personagens ou a moral deste século) é uma obra-prima da literatura francesa. Empregado como tutor na casa real de Luís XIV, La Bruyère observou em primeira mão a vaidade e as pretensões da sociedade aristocrática em torno dele. Sua obra consiste em uma tradução do tratado do escritor grego Teofrasto (por volta de 372-288 a.C.) e em uma série de esboços de caracteres e ensaios temáticos relacionados com a França contemporânea, escritos no estilo de Teofrasto. La Bruyère publicou a primeira edição de seu livro em 1688, que foi seguida por nada menos que nove edições sucessivas até ao momento da sua morte, em 1696. Ele não só expandiu e revisou o texto de uma edição à outra, como também alterou-as durante a impressão, tornando as edições mais ricas e cada vez mais variadas. A cópia apresentada aqui é um dos três exemplares raros dos projetos impressos pela primeira vez e, portanto, reflete o ponto básico a partir do qual o trabalho evoluiu. O livro de La Bruyère inspirou uma onda de imitadores, fazendo com que o influente Le Journal de Trévoux publicasse em 1701: “O país inteiro das letras foi invadido pelos caracteres.”

Romances arturianos e outros romances do século XIII

Este manuscrito do século XIII, com texto em duas colunas e soberbamente decorado, é uma antologia dos romances da Idade Média. Os dois primeiros textos, L'Estoire del Saint Graal (A história do Santo Graal) e L'Estoire de Merlin (A história de Merlin) são dedicados às lendas arturianas e são atribuídos a Robert de Boron (por volta de 1200). O terceiro texto, Le Roman des Sept Sages de Rome (O romance dos sete sábios mestres de Roma), é uma obra de antigas origens orientais, provenientes do Livro de Simbá, que era bem conhecido na França do século XII em diversas versões francesas. O último texto, La Penitence Adam (A penitência de Adão), é uma tradução da lenda latina da madeira da cruz, de um monge chamado Andriu, com um tema semelhante ao do Santo Graal. Todo o manuscrito é adornado com ilustrações ricamente pintadas e capitulares iluminadas sobre um fundo dourado. As extensões marginais, as antenas, são decoradas com personagens, animais grotescos e fantásticos, que animam as seções superior e inferior das páginas com suas palhaçadas, como uma escola de macacos vista no fólio 355r. O design expressivo, às vezes beirando a caricatura, as cores frescas e as nuances dão uma vivacidade peculiar à narração, que é bastante perceptível em cenas como a concepção de Merlin (f. 113v) ou a do homem caindo de uma ponte como previsto por Merlin (f. 138v). Estas qualidades estilísticas combinadas à vivacidade e à elegância fazem do manuscrito um dos exemplares mais belos da produção artesanal a partir do final do século XIII. O manuscrito fazia parte da Biblioteca de Visconti de Pavia, norte da Itália, antes de ser incorporado às coleções reais francesas após a sua apreensão por Luís XII da biblioteca dos duques de Milão.

O livro da cidade das mulheres

Cristina de Pisano (por volta de 1364-1430) nasceu na Itália e veio para a França com a idade de quatro anos, com seu pai. Possivelmente a primeira mulher na Europa a ganhar a vida como escritora, ela é considerada como uma das primeiras feministas a pregar sobre os direitos das mulheres e as realizaçãos das mulheres casadas. Ela escreveu poemas e textos em prosa que foram muitas vezes alegóricos e filosóficos, e que refletem sua própria personalidade original e engajada. Ela preparava os livros com o auxílio de copistas e iluminadores e lhes oferecia o patrocínio de príncipes e reis patronos.Le Livre de la Cité des dames (O livro da cidade das mulheres) talvez seja a melhor expressão do feminismo lúcido e humanista de Cristina. Uma resposta implícita à obra de Santo Agostinho Cidade de Deus e também inspirado na obra de Boccaccio, o livro foi escrito como um diálogo entre aluna e mestre. As figuras alegóricas da Razão, Justiça e Retidão travam uma conversa com Cristina e a convidam a construir uma cidade de mulheres famosas do passado e mulheres virtuosas de todos os tempos em um mundo feito para homens. Entre as cerca de 30 cópias conhecidas do texto, esta cópia bastante famosa e ricamente ilustrada contém a assinatura do seu proprietário, Jean de Berry (1340-1416), um grande bibliófilo da Casa de Borgonha.

Os contos mais curiosos e notáveis, observados desde o nascimento de Jesus Cristo até o nosso século

Depois de estudar Direito em várias universidades francesas, Pierre Boaistuau (1517-1566) passou muito tempo viajando por toda a Europa a serviço de diversos embaixadores, o que lhe deu a chance de observar as curiosidades do mundo contemporâneo. Após seu retorno a Paris, ele escreveu e publicou suas obras completas no breve período entre 1556 e 1560. Seus livros foram a origem de dois gêneros dominantes na segunda metade do século XVI: As histoires tragiques (histórias trágicas) e as histoires prodigieuses (histórias prodigiosas). Histoires prodigieuses (Histórias prodigiosas) foi a última obra de Boaistuau publicada em vida. Suas obras foram, em grande parte, inspiradas no humanista e enciclopedista alsaciano, Conrad Lycosthenes (1518-1561), mas ele também se valeu de muitas fontes: histórias contemporâneas do nascimento de monstros, histórias de fantasia, presságios, textos sobrenaturais e mitológicos, e contos medievais, tudo misturado com suas próprias observações. Ilustrados com 49 gravuras em madeira representando monstros e eventos prodigiosos, os contos foram republicados, adaptados e traduzidos inúmeras vezes.

Ligações perigosas

O escritor francês Pierre-Ambroise François Choderlos de Laclos (1741–1803) publicou Les Liaisons dangereuses (Ligações perigosas) em 1782, assinado apenas com suas iniciais. Considerado como uma obra extremamente escandalosa, o romance epistolar gravou o nome de Laclos na tradição literária do século XVIII, na qual a ficção em forma de cartas supostamente descobertas e memórias prosperavam, e a libertinagem e o anonimato andavam juntos. No romance, as personagens Merteuil e Valmont, membros aristocráticos de uma sociedade excessivamente educada e invulgar, perto do fim do antigo regime, armam uma armadilha infernal, na qual eles mesmos caem, levando a história a um final trágico. O sucesso prodigioso de Les Liaisons dangereuses só foi igualado pelo de Jean-Jacques Rousseau La Nouvelle Héloïse (A jovem Heloise) 20 anos antes. O romance, que Laclos inicialmente intitulou Le danger des liaisons (O perigo das ligações), é repleto de tensão e ambiguidade moral, e os críticos têm debatido por muito tempo se Laclos pretendia escrever uma obra expondo a decadência da sociedade aristocrática da época. Este manuscrito é uma cópia de um esboço inicial desconhecido, trabalhado por Laclos em dois momentos distintos. Laclos reordenou algumas das cartas do romance posteriormente.

O colar da pomba

Abu Muhammad Ali ibn Ahmad ibn Said ibn Hazm (994–1064 d.C.; 384–456 a.H.) foi um poeta andaluz de renome e um erudito religioso de Córdoba. Ele nasceu em uma família eminente e, depois de receber uma educação distinta e abrangente, serviu o califado omíada em seu declínio. Suas atividades políticas o levaram à prisão e ao desterro, e ele escreveu Tawq al-hamamah (O colar da pomba) enquanto estava no exílio, em resposta ao pedido de um amigo. O livro é frequentemente considerado a obra mais detalhada e esclarecedora sobre a natureza do amor e suas causas já escrita no mundo árabe. A obra inclui histórias de amor em prosa e verso e análises das afeições como uma emoção humana. O livro é dividido em 30 capítulos, começando com os “sinais do amor”, que incluem o desejo constante de olhar para o amante, o desejo de conversar com o amante, a pressa em encontrar o amante e as batidas do coração no encontro. Outros capítulos incluem temas como sonhar com o amante, o amor à primeira vista, escrever cartas e enviar um emissário a um amante.