Tratado sobre os falcões

Jin cheng ying lun (Tratado sobre os falcões) é de Li Leisi (Ludovico Buglio, 1606–1682), um missionário jesuíta italiano na China, matemático e teólogo, que foi o primeiro pregador em Sichuan (onde ele foi o primeiro missionário cristão), e nas províncias de Fujian e Jiangxi. Ele foi feito prisioneiro por Zhang Xianzhong, líder de um bando de piratas e foi trazido para Pequim em 1648 por Haoge, um membro da família imperial, após a morte de Zhang Xianzhong. Libertado e autorizado a retomar o seu ministério, Buglio construiu uma igreja chamada Dongtang (Igreja Oriental). Ele colaborou com o jesuíta flamengo Nan Huairen (Ferdinand Verbiest, 1623-1688) na reforma do calendário chinês. Buglio traduziu para o chinês mais de 80 volumes, principalmente obras sobre teologia, linguagem, astronomia e matemática. Entre suas traduções há dois folhetos que estavam entre os primeiros escritos para introduzir a biologia ocidental na China: Shi zi shuo (Sobre leões) e este trabalho sobre falcões. Quando um diplomata português buscando aprimorar as relações comerciais com a China presenteou o Imperador Kangxi (1654-1722) com um leão, um animal não nativo da China, Buglio produziu seu livreto sobre os leões, que foi publicado em Pequim. O imperador ficou muito satisfeito com o trabalho. Os manchus gostavam de criar falcões de caça e o imperador estava interessado em saber como os falcões eram criados no Ocidente. Por ordem imperial, Buglio compilou este folheto sobre falcões, descrevendo em detalhes vários tipos de falcões, tanto nacionais quanto estrangeiros, as suas formas, disposições, alimentação e métodos de criação e treinamento. O final do livro continha uma seção especial sobre gaviões. A obra toda possui 55 seções. Ela foi incluída no volume 12 do Gu jin tu shu ji cheng (Compêndio de livros antigos e atuais) sob o título original, na seção de falcões, na categoria de ciências naturais. Esta edição, da era Qianlong (1736-1820), está incompleta, com apenas 33 folhas, consistindo das folhas 1-29 sobre falcões e a primeira seção sobre gaviões, a qual trata de como treinar gaviões para apanhar pássaros. Buglio morreu em Pequim, em 7 de outubro de 1682, e lhe foi concedido um funeral de estado. Seus livretos sobre leões e falcões não eram seus próprios escritos, ambos eram traduções de obras do naturalista italiano do século XVI, Ulisse Aldrovandi (1522-1605).

Os heróis retornam à verdade

Este trabalho foi publicado em 1861 durante a Rebelião Taiping, uma grande revolta política e religiosa contra a dinastia Qing da China, que durou mais de dez anos. Muito poucos livros foram produzidos nesse período, portanto, publicações daquela época são raras. O autor principal desta obra foi He Chunfa, ministro do gabinete de punições da corte de Gan Wang (Guarda do rei), um título conferido por Hong Xiuquan (1813-1864), o líder Taiping, a Hong Rengan (1822-1864), um de seus primos. Em 1851, Hong Xiuquan estabeleceu o Taiping Tianguo (Reino Celestial da Grande Paz) em partes da China controladas pelos Taipings e levou o título de Rei Celestial. Após Hong Rengan juntar-se aos Taipings em 1859, ele rapidamente ganhou posições elevadas, incluindo generalíssimo, primeiro-ministro, ministro das Relações Exteriores, e, mais tarde, regente do filho mais novo de Hong Xiuquan. Em sua juventude, Hong Rengan foi professor e mais tarde aprendeu a cultura ocidental e os ensinamentos cristãos em Xangai e em Hong Kong. Ele foi o compilador chefe de três livros, dos quais este livreto faz parte, impresso em sua corte. A obra possui sua capa original e uma etiqueta de livro, na qual consta o título: Qin ding ying jie gui zhen (Os heróis retornam à verdade, publicado por ordem imperial). Os caracteres menores à direita da página de rosto indicam que foi publicado pelo "Primeiro Ministro e Generalíssimo da Guarda do Rei," e os quatro caracteres à esquerda indicam: “Publicado por ordem imperial”. O caracteres menores na parte superior da página dizem: "Recém-impresso no ano xinyou [1861] do nosso Pai, Irmão e Rei do Reino Celestial da Grande Paz". A obra proclama o pensamento revolucionário dos Taipings. Sua finalidade é claramente delineada no prefácio: convocação de heróis e figuras proeminentes para crer na verdade e para ajudar o mundo. Acreditava-se que os autores, que estavam presentes quando Hong Rengan concedeu audiência aos visitantes, tomaram notas cuidadosas de seus bao xun (preciosos ensinamentos) e os colocou no livro. Ele toma a forma de um diálogo entre Hong Rengan e um desertor do acampamento Manchu, com Hong expondo sobre vários sistemas de etiqueta e decoro do Taiping e afirmando que é preciso saber que o movimento do corpo celestial é a ordem da natureza. O livro, em um juan, possui grande valor de pesquisa.

O livro sobre a divisão das fronteiras geográficas com referência às estrelas

A antiga astronomia chinesa foi usada para fazer prognósticos sobre assuntos próprios do homem ao equiparar os corpos celestes com municípios, prefeituras e pessoas. Desse modo, as previsões poderiam ser feitas sobre desenvolvimentos favoráveis ou desastres que poderiam ocorrer a uma determinada localidade ou pessoa com base nos movimentos do sol, da lua ou das estrelas. Esta metodologia foi chamada de fen ye (divisão das fronteiras geográficas com referência às estrelas). A metodologia e a teoria na qual era baseada existiam desde a dinastia Han (por volta de 206 a.C.-220 d.C.), e ao longo dos séculos o sistema tornou-se mais complicado e a divisão de fronteiras geográficas e astronômicas mais complexa. Durante a dinastia Tang (618-907), o sistema foi revisado e foi adotado e usado séculos mais tarde. Da Ming qing lei tian wen fen ye zhi shu (O livro sobre a divisão de fronteiras geográficas com referência às estrelas) é um livro raro, escrito no início da dinastia Ming por Liu Ji, e apresentado ao primeiro imperador Ming, Hongwu, no 17º ano de seu reinado (1384). O arranjo da compilação é único, como as tentativas de demarcar as divisões geográficas com referência às 12 estrelas em relação aos municípios e prefeituras designados pelo Departamento de Astronomia Ming. Seu conteúdo é semelhante ao de uma obra anterior, Tang shu tian wen zhi (Tratados astronômicos dos registros da dinastia Tang). Com base em tratados astronômicos em Tang shu (O livro de Tang), por volta de 941 e Jin shu (O livro de Jin), de 648, o autor introduz cada uma das divisões dos órgãos administrativos em relação às posições das 12 estrelas. O significado e a origem dessas posições estelares foram baseados em 28 casas lunares e elas foram nomeadas em homenagem a grandes personagens, nações históricas e totens de aves. Em função de Hongwu haver estabelecido sua capital em Nanjing, Jiangsu, no sudeste da China, o autor começou com a posição da estrela Douniu Wuyue (Boi de luta dos estados de Wu e Yue) e a área geográfica correspondente às províncias de Jiangsu e Zhejiang. Algumas histórias locais até foram escritas usando este sistema, o que explica por que esse título em particular foi incluído no Xu xiu Si ku quan shu (Suplemento do catálogo da Coleção Siku) como uma obra geográfica na seção de história. A obra possui grande valor histórico, pois fornece informações sobre a evolução das divisões administrativas durante o final da dinastia Yuan e início da dinastia Ming. Ela possui 24 juan, em dez volumes.

Refutando a heresia

Pi xie lun (Refutando a heresia) é de Yang Guangxian (1597–1669) de Shexian, província de Anhui, um feroz oponente dos primeiros missionários cristãos na China. A partir de 1659 aproximadamente, Yang autointitulou-se um ativista contra os missionários. Em 1644, foi pedido ao jesuíta alemão Johann Adam Schall von Bell (por volta de 1592-1666) que preparasse um calendário para a nova dinastia Qing com base em cálculos matemáticos ocidentais. Schall mais tarde foi nomeado diretor do Conselho Imperial de Astronomia. Yang apresentou um documento ao Conselho de Cerimônias, acusando Schall de cometer erros nos cálculos astronômicos e acusando-o e a outros missionários de conspirarem contra o Estado e de doutrinar o povo com falsas ideias. Schall, sete astrônomos chineses e outros chineses foram presos em 1665 e condenados à morte. Os três outros missionários envolvidos foram Ferdinand Verbiest, Lodovico Buglio e Gabriel de Magalhães, que foram sentenciados a serem açoitados e exilados. Schall e a maioria dos chineses foram libertados mais tarde, mas cinco astrônomos, todos eles cristãos convertidos, foram executados. No mesmo ano, Yang foi nomeado chefe do Departamento de Astronomia, mas ele foi removido em 1668 e substituído pelo jesuíta Verbiest, que provou os erros de cálculo feitos por Yang. O caso de Schall, que já estava morto, foi revisado e Yang foi condenado ao banimento. Mais tarde, libertado do exílio devido à sua idade avançada, ele morreu a caminho de casa. Esta cópia do manuscrito, em um volume, é representativa do trabalho de Yang contra calendários baseados em cálculos matemáticos ocidentais. Ele consiste de três juan, cada qual com um subtítulo. No final do texto estão cinco apêndices de outros trabalhos de Yang publicados entre 1662 e 1678, incluindo Hun tian shi er gong tu shuo (Doze divisões ilustradas da esfera celeste). Esta é uma cópia muito rara.

Um calendário completo organizado por assunto

Lei bian li fa tong shu da quan (Um calendário completo organizado por assunto) foi compilado por Xiong Zongli (1409-1482) durante a dinastia Ming. Ele combinou duas outras obras Ming, Song Huishan tong shu (Calendário astronômico enciclopédico) de Song Huishan e Li fa ji cheng (Trabalhos coletados em calendários astronômicos) de He Shitai, fez correções, e publicou-os sob um novo título. O trabalho é em 30 juan. Nos primeiros 19 juan, os índices listam os nomes dos três autores. Nos juan 20-30, os nomes dos autores não são fornecidos e é possível que essas partes tenham sido escritas por diferentes autores. O conteúdo da obra é misto e trivial, com foco nas previsões da vida diária, tais como inovações para uma casa, sucessão de um título ou nomeação para um novo posto, orações e bençãos, a chegada da maturidade de meninos e meninas, casamentos e cerimônias, a construção de uma lagoa, a visita a um médico, a localização de um demônio da pestilência e assim por diante. O livro também fornece informações, com ilustrações, sobre a boa e a má sorte no ciclo de 12 meses, divindades da boa e da má sorte no ciclo de 12 anos do sol e da lua, locais adequados para cada um dos 12 anos, para cada um dos 12 meses, etc. Como o conteúdo do livro estava muito relacionado com geomancia popular sobre a vida diária, ele foi bem recebido e teve ampla utilização. No entanto, os cálculos e previsões usados pelo autor eram diferentes daqueles feitos por outros adivinhos, o que causou confusão. Durante a dinastia Qing, uma outra obra, Qin ding xie ji bian fang shu (Tratado sobre os tempos de harmonização e distinção das direções) foi publicado em 1739 por ordem imperial para unificar as diversas práticas de adivinhação. A Si ku quan shu ti yao (Bibliografia anotada da Coleção Siku) fez uma referência a este trabalho como “errôneo”. Nos primeiros anos da dinastia Qing, publicações particulares de calendários anuais começaram a surgir e a serem distribuídas. Pelo o ano 16 do reinado de Qianlong (1751) a corte concedeu aos cidadãos o direito de publicar de forma particular almanaques e calendários, cujas cópias logo inundaram o mercado. Este trabalho pode ter sido usado como uma das referências durante a compilação do almanaque oficial.

Esclarecendo os confusos sobre o novo calendário

Xin li xiao huo (Esclarecendo os confusos sobre o novo calendário) é de Tang Ruowang, o nome chinês de Johann Adam Schall von Bell (por volta de 1592-1666), o missionário jesuíta e astrônomo alemão que se tornou um importante conselheiro do primeiro imperador da dinastia Qing. Schall havia treinado em Roma no sistema astronômico de Galileu. Ele chegou em Macau em 1619, onde estudou chinês e matemática, e chegou à China continental em 1622. Depois de impressionar os chineses com a superioridade da astronomia ocidental em predizer o tempo exato do eclipse que ocorreu em 21 de junho de 1629, Schall foi nomeado para um cargo oficial importante traduzindo livros ocidentais astronômicos para o chinês e reformando o calendário chinês. Seu calendário modificado forneceu previsões de eclipses do sol e da lua mais precisas do que os tradicionais calendários chineses. Em 1645, logo após o primeiro imperador Qing subir ao trono, Schall foi convidado a preparar um novo calendário, o qual ele baseou no calendário de 1635 que tinha apresentado para o último imperador Ming. Schall também supervisionou o Conselho Imperial de Astronomia e foi nomeado seu diretor, uma posição que lhe permitiu ganhar a permissão do imperador para que os jesuítas estabelecessem igrejas a fim de pregarem por todo o país. Schall escreveu esta obra para responder às perguntas sobre o novo calendário e para destacar as diferenças entre este e os antigos cálculos calêndricos chineses. Esta cópia é uma edição Qing de 1833 e está incluída na série de 150 juan, Zhao dai cong shu (Trabalhos coletados da dinastia Qing). Ele está na forma de seis perguntas e respostas. As perguntas incluem: por que o novo calendário trocou as posições de zi (bico de tartaruga) e shen (três estrelas), duas das 28 casas lunares das constelações chinesas; por que, ao marcar a hora do dia, o novo calendário usou o 96 kepor dia do sistema (1 ke = 15 minutos) em vez de 100 kepor dia como no sistema antigo e por que ziqi, uma das quatro estrelas invisíveis foi eliminada. Para fortalecer sua posição e evitar confrontos com as autoridades chinesas conservadoras, Schall manteve uma atitude tolerante para com as tradições chinesas e seu calendário que continha conteúdos relativos à adivinhação cotidiana tradicional. Como consequência, a partir de 1648-1649, vários missionários, liderados por Gabriel de Magalhães, publicaram documentos críticos à Schall, primeiro por ter um cargo oficial, que foi considerado um ato contra o seu voto da Companhia de Jesus e em segundo lugar pelo conteúdo de seu calendário, que continha elementos de superstição. Schall defendeu-se em outro trabalho, Min li pu zhu jie huo (Notas detalhadas sobre o calendário para responder às dúvidas), que ele publicou em 1662 com a ajuda do padre Ferdinand Verbiest. Após mais de dez anos de debate e deliberação, a Igreja Católica determinou que o uso de Yin e Yang no calendário de Schall realmente constituía superstição, mas que assumir a direção do Departamento de Astronomia promoveu a obra missionária e, portanto, foi permitido.

Atlas terrestre ampliado

Guang yu tu (Atlas terrestre ampliado) é o atlas completo mais antigo existente da China, do famoso cartógrafo Luo Ming Hongxian (1504-1564). Ele é baseado no Yu di tu (Mapa terrestre) da dinastia Yuan, de Zhu Siben (1273–1333). Luo Hongxian, um nativo de Jishui, província de Jiangxi, recebeu seu diploma de shi jin em 1529, o oitavo ano do reinado Jiajing e ganhou um cargo oficial como compilador sênior. Excluído da corte por outros funcionários, ele começou a seguir os ensinamentos de Wang Yangming (1472-1529), o filósofo neo-confucionista. Ele também estudou astronomia, geografia, irrigação, assuntos militares e matemática. Ele supostamente adquiriu uma cópia do mapa Zhu Siben, não mais existente, medindo cerca de 7 x 7 chi (1 chi = aproximadamente 0,3 metros). Usando o trabalho anterior como um modelo, ele aplicou os métodos tradicionais de medição chinesa para desenhar seus mapas em uma escala de grade, que depois foram encadernados em formato de livro. O atlas, contendo mapas de todo o país em meados da era Ming, foi regravado sucessivamente. A primeira edição foi publicada em 1561 por Hu Song, governador da província de Zhejiang, com a adição dos mapas das ilhas Ryukyu e do Japão. Outra edição foi publicada em 1566 por Han Jun'en, um inspetor do circuito imperial da província de Shandong. Essa cópia é datada de 1579, sétimo ano do reinado de Wanli e foi publicada em dois juan por Qian Dai (1541-1622), o inspetor imperial de Shandong. Juan 1 é um atlas completo da China, com 16 mapas das províncias do sul e do norte, duas províncias sob o domínio direto e 13 governos provinciais administrativos. Ele contém 93 folhas, encadernadas em três volumes. Juan 2 possui um total de 27 mapas em 106 folhas, também está encadernado em três volumes, com dez mapas das Nove Fronteiras que se estende desde Liaodong até Gansu. Os outros mapas são de Tao Ele, Songpan, Jianchang, Mayang, Qianzhen, o Rio Amarelo, transporte marítimo, transporte de grãos pela água, Coreia, ilhas estrangeiras ao sudeste e sudoeste, Annan, a região oeste, o desertos do norte, as ilhas Ryukyu e o Japão. Sete prefácios precedem o atlas. No final de cada mapa há breves notas e figuras explicativas. A parte textual inclui informações sobre a evolução dos sistemas organizacionais, áreas filiadas, residências, impostos sobre a terra, guarnições, soldados, estradas e outros tópicos. O atlas pinta uma imagem imponente da China na metade da dinastia Ming e teve uma influência de longo alcance na China e em países estrangeiros. Até o final do século XVII, os mapas da China publicados na Europa foram, sem exceção, elaborados com base neste trabalho.

Um atlas completo ilustrado dos municípios sob a jurisdição do governo administrativo de Jiangning

Jiangning foi designada uma província no 25º ano do reinado de Qianlong da dinastia Qing (1760). O governo administrativo provincial foi criado sob a supervisão do governador geral de duas províncias de Yangtzé, um dos oito governadores do generalato instituído durante a dinastia Qing. A província estava situada no delta do rio Yangtzé e ficava próxima ao mar, na fronteira com Anhui e Sichuan ao sul e ao norte de Henan. Sob sua jurisdição estavam quatro prefeituras, duas divisões diretamente controladas, uma subprefeitura e 33 divisões e condados. O território se estendia por mais de 750 li (a medida li variava ao longo do tempo; um li nessa época equivalia a 0,8 quilômetros) de leste a oeste e 1.200 li de norte a sul. Jiangning bu zheng si shu fu ting zhou xian yu di quan tu (Um atlas completo ilustrado dos municípios sob a jurisdição do governo administrativo Jiangning ) é uma representação detalhada da província. Ilustrações mostrando cada localidade variam em altura (75–143,5 centímetros) e em largura (37,2–139,8 centímetros). Latitude, longitude e orientação direcional são fornecidos, mas não marcas de grau ou escala. A escala e a distância portanto não podem ser determinadas a partir do tamanho das ilustrações. A gravação é muito refinada, com caracteres grandes e pequenos claramente marcados, escritos em caligrafia fina. O atlas contém um total de 43 mapas, incluindo um mapa geral da província de Jiangning; mapas de prefeituras tais como Huai'an, Yangzhou e Xuzhou, mapas gerais das duas divisões diretamente controladas, Haizhou e Tongzhou, e da subprefeitura, Haimen e mapas de condados, incluindo Jurong, Lishui e Jiangpu. O título de cada mapa está escrito à mão em vermelho. Há também um manual ilustrado com uma moldura de seda vermelha. O mapa de Jiangning ocupa uma folha inteira, enquanto que as outras localidades ocupam apenas metade de uma folha. As explicações são precisas e concisas e o texto é escrito em um estilo para ser lido em voz alta, presumivelmente por especialistas. A redefinição das províncias, prefeituras e condados serviu para diversos fins políticos e administrativos na China e este trabalho contém informações valiosas para a pesquisa histórica.

Dicionário geográfico ilustrado dos quatro condados de Shaanxi

Shaanxi si zhen tu shuo (Dicionário geográfico ilustrado dos quatro condados de Shaanxi) é um trabalho importante nas defesas de fronteira durante a dinastia Ming (1368-1644). Ele fornece detalhes sobre os preparativos de defesa nos quatro condados de Shaanxi, que foram pontos estratégicos do sistema de fortificação das Nove Fronteiras (Yansui, Ningxia, Gansu e Guyuan). Esta cópia é fragmentada e inclui apenas dois dos quatro volumes originais: Yansui e Ningxia. O volume sobre Yansui possui 40 folhas, começando com o Yanzhen tu (Mapa de Yanzhen) ilustrado, seguido por descrições ilustradas em detalhes do condado e de 36 fortalezas defensivas, incluindo cidades muradas, fortalezas e acampamentos militares, como as fortalezas de Huangfuchuan Bao e Qingshuiying Bao. Também estão incluídas informações sobre a localização das fortalezas, as fronteiras, o número de tropas defensivas, o número de cavalos e burros, as disposições do exército, os locais das tribos nômades inimigas fora das fronteiras e um guia sobre como se defender, interceptar e matar em caso de um encontro com o inimigo. O segundo volume, sobre Ningxia, possui 35 folhas e registros de mais de 30 fortalezas e acampamentos, incluindo o acampamento de Huama Chi, a fortaleza de Gaoping e a cidade murada de Zhongwei. Embora esta edição seja fragmentada e seu autor e a data de publicação desconhecidos, o livro é uma importante fonte para o estudo da política, economia e assuntos militares da metade da dinastia Ming.

Um atlas geográfico completo da seção leste do condado de Yansui

Este livro em forma de sanfona é um mapa militar pintado com cores sobre seda, retratando Yansui Zhen, uma fortaleza militar no norte da província de Shaanxi. O trabalho é comprido e largo, medindo 48,3 centímetros de altura e 25,5 centímetros de largura, com 14 dobras. Uma etiqueta na capa fornece o título, Yan sui dong lu di li tu ben (Um atlas geográfico completo da seção leste do condado de Yansui). O condado possuía 36 fortalezas, mas apenas 11 delas são retratadas nesta obra: Qingshui Ying, Mugua Yuan, Gushan, Zhenqiang, Yongxing, Shenmu, Dabaiyou, Bailin, Gaojia, Jian’an e Shuangshan. O restante das fortalezas do condado, incluindo Huangfuchuan Bao e 24 outras, estão faltando. As ilustrações coloridas retratam montanhas, cidades muradas, rios e fortalezas, sem textos anexados. Os nomes das localidades estão escritos à mão em pedaços de papel marrom fino, que estão colados no livro. Muitas das margens superiores contêm palavras indicando que os lugares mostrados eram inacessíveis. Produzidos com técnica qualificada e refinada, o atlas é um dos mais raros mapas militares da dinastia Ming (1368-1644). O autor e a data exata da publicação são desconhecidos.