Mapa cosmográfico ou descrição universal do mundo, com o caminho real dos ventos

Acredita-se que este mapa-múndi, feito em Dieppe, norte da França, em 1570, seja o único mapa existente de Jean Cossin (também chamado de Jehan e Johan Cossin), um hidrógrafo de Dieppe famoso em sua época por ser um excelente fabricante de mapas marinhos. O mapa intitula-se Carte cosmographique ou universelle description du monde avec le vrai traict des vents (Mapa cosmográfico ou descrição universal do mundo, com o caminho real dos ventos). O mapa está disposto em uma projeção original, conhecida como sinusoidal, em que os meridianos são sinusóides e os paralelos são as linhas retas equidistantes divididas em partes iguais pelos meridianos. Depois do cartógrafo flamengo Gerardus Mercator (1512-1594), Cossin foi o segundo cartógrafo a empregar essa projeção complexa. O mapa revela que seu criador possuía um considerável conhecimento em matemática, mas seu interesse prático ou uso pelos marinheiros era limitado. Ele mostra um vasto continente no sul que se extende desde a Terra do Fogo, e a hipótese era de que isso funcionasse como um contrapeso essencial para as terras do hemisfério norte. O mapa está enquadrado em uma moldura larga onde aparecem os signos do zodíaco do lado esquerdo e os climas do lado direito. Nas faixas que preenchem os quatro cantos, entre o mapa e a borda, estão listados o título, o nome do autor, a data e o local de produção.

O melhor da aritmética

Este tratado sobre a arte da aritmética, concluída no final dos anos 1880, abre uma janela para as primeiras interações entre a pedagogia matemática tradicional e a moderna no Egito. O uso de palavras de origem francesa, como million, juntamente com algumas notações modernas, indica a familiaridade do autor com a evolução do ensino da aritmética naquela época. A obra tem uma introdução, dez capítulos e uma conclusão. Após elogios tradicionais a Deus, ao profeta Maomé, e a vanguardas virtuosos da erudição, o tratado abre com a introdução à aritmética como uma ciência útil e acurada, que se encontra na base da matemática. Ela é a pedra angular das transações do mundo, e é uma fonte de conhecimento para muitas questões da lei islâmica. Em sua introdução, o autor oferece uma definição descritiva e operacional dos números e de suas classificações. O capítulo 1 abrange as operações (adição, subtração, multiplicação e divisão) com números inteiros. O capítulo 2 trata das frações, sua expansão, redução e operações básicas. O capítulo 3 aborda o caso especial de frações com base na divisão por 24 partes, cada uma chamada de qirāt (carat), que se diz terem sido largamente utilizadas pelos coptas egípcios, as quais o autor chama de frações copta. No capítulo 5, o autor volta-se para as frações decimais, que ele apresenta como sendo amplamente utilizadas na Europa. O capítulo 6 discute as frações sexagesimais usadas em cálculos celestiais, fornece informações sobre uma variedade de operações aritméticas utilizadas no Egito da época e discorre sobre medidas de comprimento, pesos, escalas e taxas de câmbio. O capítulo 7 trata da extração de raízes quadradas e cúbicas, bem como das operações com radicais. O capítulo 8 discute números aritméticos, geométricos e musicais, além de operações com os mesmos. O capítulo 9 trata da resolução de equações e contém problemas relacionados ao cálculo zakāt (imposto sobre esmolas) e a divisão de herança. O capítulo 10 discorre sobre a questão da herança mais detalhadamente. A conclusão do livro apresenta métodos algébricos.

Um tratado sobre o desenho de cordas em um círculo

Abu al-Rayhan al-Biruni (também conhecido pela versão latinizada do seu nome, Alberonius, 973–1048 d.C.; 362–440 a.H.) foi um polímata muçulmano do século XI, cujas obras e interesses acadêmicos abrangiam as ciências físicas e naturais, a matemática , a astronomia, a geografia, a história, a cronologia e a linguística. Al-Biruni nasceu em Kath, Corásmia, no atual Uzbequistão, e morreu em Gazni, no que é hoje o centro-leste do Afeganistão. Ele escreveu mais de 120 obras e é considerado o fundador da indologia por sua descrição detalhada da Índia do século XI. A cratera Al-Biruni na lua foi assim nomeada em homenagem a ele. Risālah fī Istikhrāj al-awtār fī al-dāʼirah (Um tratado sobre o desenho de cordas em um círculo) é, como seu título sugere, um tratado sobre a geometria que lida com círculos.

Jabir ibn Hayyan

Jabir ibn Hayyan (também conhecido pela versão latinizada do seu nome, Geber, 721–815 d.C., 103–200 a.H.) foi um polímata, filósofo e alquimista muçulmano. Ele nasceu provavelmente em Tus, Khorasan, no atual Irã, embora algumas fontes afirmem que ele nasceu e cresceu em Kufa, no Iraque. Foram questionados alguns aspectos da vida de Jabir ibn Hayyan, assim como a autenticidade de dezenas, senão centenas, dos títulos de sua vasta obra. Mais de 3.000 tratados ou livros são atribuídos a ele de uma forma ou de outra, abrangendo campos que incluem cosmologia, música, medicina, magia, biologia (incluindo a geração artificial de seres vivos), tecnologia química, geometria, gramática, metafísica e lógica. Este trabalho é uma biografia de Jabir ibn Hayyan por Zaki Naguib Mahmoud (1905-1993), que foi um escritor, acadêmico e professor de filosofia egípcio. Ele era um escritor enciclopédico que era conhecido por sua capacidade de simplificar ideias complexas, e por afastar a filosofia de sua “torre de marfim” e levá-la ao domínio público.

O livro de poesia e poetas

Abdullah ibn Muslim ibn Qutaibah (828–885 d.C., 213–276) foi um historiador e crítico literário árabe e islâmico e um jurista erudito. Ele nasceu em Kufa, no atual Iraque, e passou grande parte de sua vida em Bagdá, onde morreu. Seu Al-shiir wal shuaraa (Livro de poesia e poetas) é considerado um clássico importante da literatura árabe e um trabalho pioneiro de crítica literária. É uma enciclopédia biográfica de mais de 200 líderes poetas árabes, abrangendo o período pré-islâmico do início da época abássida (do século VI ao século IX d.C) O livro abrange os poetas dessas épocas, suas origens tribais, histórias de vida, tabaqat (classes artísticas e coragem), e o que seus críticos disseram sobre eles. Ele também inclui seções que classificam a poesia por qualidade e gênero.

Um estudo crítico sobre o que a Índia diz, aceito pela razão ou refutado por ela

Abu al-Rayhan al-Biruni (também conhecido pela versão latinizada do seu nome, Alberonius, 973–1048 d.C.; 363–440 a.H.) foi um polímata muçulmano do século XI, cujas obras e interesses acadêmicos abrangiam as ciências físicas e naturais, a matemática, a astronomia, a geografia, a história, a cronologia e a linguística. Al-Biruni nasceu em Kath, Corásmia, no atual Uzbequistão, e morreu em Gazni, no que é hoje o centro-leste do Afeganistão. Ele escreveu mais de 120 obras e é considerado o fundador da indologia por sua descrição detalhada da Índia do século XI. A cratera Al-Biruni na lua foi assim nomeada em homenagem a ele. Tahqig ma lilhind min maqoolah maqboolah lilaql aw marthoolah (literalmente, Um estudo crítico sobre o que a Índia diz, aceito pela razão ou refutado por ela, mas também conhecido como Indica) é uma visão crítica, sincera e concisa sobre a cultura indiana e o hinduísmo. Ela surgiu depois da viagem de al-Biruni à Índia como um astrólogo da corte na expedição do sultão Mahmud de Ghazni (morto em 1030 d.C.), e após ter estudado com sábios indianos e coletado livros indianos.

O dicionário biográfico de Ibn Khallikan, volumes 1 e 2

Abu-l ‘Abbas Ahmad Ibn Khallikan (1211–1282 d.C., 608–681 a.H.) foi um jurista curdo muçulmano que viveu no atual Iraque, Síria e Egito. Wafayat al-a’yan wa-anba abna az-zaman (Obituários de homens eminentes e da história dos contemporâneos), mais conhecido como dicionário biográfico de Ibn Khallikan, é o livro no qual reside a fama do autor. Considerado uma obra da maior importância para a história civil e literária do povo muçulmano, ela ocupou Ibn Khallikan de 1256 até 1274. O dicionário é de enorme alcance—a tradução inglesa, feita pelo irlandês William MacGuckin (também conhecido como Barão de Slane) em meados do século 19, é composta por mais de 2.700 páginas. Não é de se estranhar, portanto, que posteriormente os historiadores árabes encheram suas páginas com extratos do trabalho de Ibn Khallikan e que retóricos, gramáticos e compiladores de anedotas árabes tenham usado passagens tiradas do dicionário.

O diwan de Al-Mutannabbi com comentários de Al-Ukbariy

Abu Al-Tayyib Ahmed ibn Al-Hussein (915–965 d.C., 303–354 a.H.), mais conhecido como Al-Mutanabbi (profeta autoproclamado) é provavelmente o maior poeta árabe de todos os tempos. Ele viveu uma vida curta e turbulenta de cerca de 50 anos. Ele nasceu no Iraque, mas viajou extensivamente, cruzando a Síria e o Egito, em seguida, retornou ao Iraque e à Pérsia em busca de recompensas políticas e monetárias. Orgulhoso ao ponto da arrogância e crítico de seus inimigos, ele foi assassinado no Iraque, sua terra natal, a caminho de casa na Pérsia. Sua poesia perdurou por causa de sua extraordinária habilidade para descrever as emoções humanas e suas percepções profundas sobre a vida. As linhas de muitos dos seus poemas sobre a natureza humana e as flutuações da fortuna tornaram-se provérbios e sabedorias muito citados. Seu trabalho continua a influenciar os poetas árabes no presente. O comentário sobre a coleção de poesias de al-Mutanabbi de Al-Ukbari (morto em 1219 d.C., 616 a.H.) é considerado por muitos como a maior autoridade de seu gênero. Não só explica a poesia de Al-Mutanabbi mas também suas conexões com outras pérolas literárias das gerações passadas.

O único do gênero

Abdulmalik ibn Muhammad al-Thaalibi (961–1038 d.C., 350–429 a.H.) foi um linguista líder, figura literária e poeta. Ele nasceu no centro comercial e cultural de Nishapur, na Pérsia (atual Irã). Yateemet al-dahr (O único do gênero) é a mais famosa de suas mais de 80 obras. O livro é uma compilação de biografias dos poetas da época, dividido em quatro seções principais, cada uma delas abrangendo uma região: os poetas do al-Sham (Levante) e seus arredores, os poetas de Buwayhid (Pérsia ocidental e Iraque); os poetas das terras montanhosas de Gorgan e Tabaristão (Pérsia) e os poetas dos reinos da Ásia Central de Khorasan e Transoxiania. Cada seção é dividida em dez capítulos. Normalmente, Al-Thaalibi viajava para conversar com os próprios poetas. Se isso não era possível, ele conversava com os que os conheciam ou, como último recurso, consultava livros sobre eles. Ele terminou o livro por volta de 994 d.C., e reescreveu-o nove anos mais tarde, depois que se tornou bastante conhecido. Cerca de 20 anos mais tarde, ele acrescentou um apêndice atualizado das biografias e adicionou novos poetas, tal como Abu Alaa Al-Al-Maari, que havia alcançado proeminência pan-árabe na época da primeira publicação. Pelo menos cinco autores escreveram versões posteriores similares ao livro ou adicionaram novos materiais abrangendo novas regiões, como a Andaluzia.

A história de filósofos muçulmanos no Oriente e no Ocidente

Muhammad Lutfi Jumaa (1886–1953) foi um advogado, ativista político, linguista, tradutor e romancista egípcio. A história de filósofos muçulmanos no Oriente e no Ocidente é uma compilação de biografias de alguns dos mais famosos estudiosos muçulmanos. Analisa a história de vida, educação, tendências doutrinárias e pontos de vista de muitos dos principais pensadores, filósofos e estudiosos muçulmanos. As figuras abordadas no trabalho incluem Al-Farabi, Al-Kindi, Ibn Sina, Ibn Bajah, Ibn Tufail, Ibn Rushd, Ibn Khaldoun, Ibn Al-Haytham, Ibn Arabi, dentre outras.