17 de agosto de 2016

Viagens na Índia

Jean-Baptiste Tavernier (1605 a 1689) foi um dos viajantes mais renomados na Europa do século XVII. Filho de um protestante francês que havia fugido de Antuérpia para escapar da perseguição religiosa, Tavernier era um comerciante de joias que entre 1632 e 1668 realizou seis viagens ao Oriente. Entre os países que visitou (a maioria mais de uma vez) estão os atuais Chipre, Malta, Turquia, Síria, Iraque, Irã, Afeganistão, Paquistão, Índia, Sri Lanka e Indonésia. Em 1676 ele publicou seu livro Les six voyages de Jean Baptiste Tavernier (As seis viagens de Jean Baptiste Tavernier), em dois volumes. Em 1677 apareceu uma tradução resumida e com muitas imperfeições da obra para o inglês. A primeira edição acadêmica moderna em inglês, que apresentamos aqui, foi publicada em 1889, com tradução, notas e um esboço biográfico de Tavernier escritos por Dr. Valentine Ball (1843 a 1895), um funcionário britânico do Departamento de Serviços Geológicos indiano. Entre os capítulos mais memoráveis do livro estão os que narram as visitas de Tavernier às minas de diamantes da Índia e a inspeção das joias do Grande Mogol. Tavernier não era um estudioso ou linguista qualificado, e apesar da sua popularidade inicial durante o século XVII, sua credibilidade diminuiu depois que historiadores e outros interessados questionaram a precisão de suas observações. No século XX, no entanto, sua reputação aumentou depois que importantes historiadores como Lucien Febvre e Fernand Braudel usaram informações detalhadas registradas por Tavernier sobre os preços e as qualidades dos produtos e sobre as práticas comerciais e de negócios em seus estudos pioneiros da história social e econômica. O livro contém vários apêndices escritos por Ball sobre famosos diamantes (incluindo o histórico diamante Koh-i-Noor, atualmente propriedade da família real britânica), minas de diamantes na Índia e em Bornéu, minas de rubi na Birmânia, e limpeza de safira no Ceilão (Sri Lanka). Um mapa desdobrável mostra as viagens de Tavernier na Índia e as minas que visitou.

Afeganistão: o estado tampão. Grã-Bretanha e Rússia na Ásia Central

Afeganistão: o estado tampão. Grã-Bretanha e Rússia na Ásia Central é uma visão geral sobre a rivalidade anglo-russa e a percepção da ameaça russa à Índia Britânica, escrita por um ex-oficial e intérprete de russo no exército indiano. O objetivo do texto é apresentar uma introdução sucinta de um assunto complexo e fornecer compreensão sobre um determinado pensamento imperial britânico que prevaleceu até a Primeira Guerra Mundial. O capítulo um discute a importância da Índia para o Império Britânico. O livro argumenta que os objetivos britânicos deveriam ser proteger “todas as linhas de comunicação ligando a Índia à Pátria Mãe”, bem como a própria Índia. Para isso, a Grã-Bretanha “deverá então indicar uma política em que Pérsia, Afeganistão e China Ocidental se mantenham independentes e não divididos, e se possível mais propensos à influência britânica do que a de qualquer outra potência”. Também seria essencial manter Bósforo e Dardanelos “sempre fechados para a Rússia” e evitar que os russos consigam um porto no Golfo Pérsico. O capítulo dois apresenta uma visão geral de invasões passadas da Índia, desde o tempo dos antigos assírios e persas até Nadir Shah no século XVIII. Os capítulos três e quatro falam da presença e das políticas russas na Ásia Central. O capítulo cinco discorre sobre o campo de batalha em que possivelmente haveria um conflito anglo-russo. O capítulo seis lida com o papel dos estados ou principados que influenciariam o curso de qualquer conflito, sendo o Afeganistão o mais importante, mas também Baluquistão, Tibete, Caxemira e China. O capítulo final discute o acordo anglo-russo de 1907, que reafirmou a predominante influência da Grã-Bretanha sobre o Afeganistão. Publicado em Londres e em Madras (atual Chennai, na Índia), o livro contém dois mapas desdobráveis detalhados que ilustram o “avanço” da Rússia na Ásia Central. O livro tem pouco a dizer sobre a Alemanha, com a qual, ironicamente, dentro de alguns anos a Grã-Bretanha estaria em guerra (em aliança com a Rússia).

Rússia na Ásia: um registro e estudo, de 1558 a 1899

Alexis Sidney Krausse (1859 a 1904) foi um jornalista e autor britânico que escreveu para muitos periódicos britânicos e produziu livros sobre vários assuntos, incluindo pobreza na cidade de Londres, China e Extremo Oriente, e Império Russo. Rússia na Ásia: um registro e estudo, de 1558 a 1899 é uma história da expansão russa na Ásia, começando em 1558, ano em que Grigorii Stroganov recebeu uma carta de Ivan, o Terrível, para colonizar terras no rio Kama na margem ocidental dos Montes Urais. O livro abrange a anexação da Sibéria, a conquista russa dos canatos de Khiva e Bucara, sua expansão no final do século XIX para o território do Turquestão, a anexação de terras anteriormente pertencentes à Pérsia e à China, a construção de ferrovias e a política russa sobre o Afeganistão. No prefácio, Krausse escreve que seu livro “não pretende ser mais do que uma história, completa porém concisa, da Rússia asiática. Ao criticar as políticas concorrentes da Rússia e da Inglaterra, meu esforço busca apresentar a dedução clara e imparcial resultante de um estudo cuidadoso dessas políticas”. Na verdade, o livro apresenta fortes tendências contra a Rússia, que na obra é retratada como inexoravelmente expansionista e “inimigo natural” da Grã-Bretanha. Rússia na Ásia teve várias edições, tanto na Grã-Bretanha como nos Estados Unidos. Aqui apresentamos a edição original publicada em Londres em 1899. Ela contém 12 mapas e três anexos: uma cronologia dos “Marcos na história da Rússia asiática”; um compêndio dos mais importantes tratados e convenções entre Rússia e China, Pérsia, Afeganistão e outras organizações políticas na fronteira sul do Império Russo; e uma bibliografia de autoridades na Rússia asiática e em países vizinhos.

Vida e correspondências do major-general Sir John Malcolm

Sir John Malcolm (1769 a 1833) foi um soldado, administrador colonial, diplomata, linguista e historiador britânico. Ele nasceu na Escócia, deixou a escola aos 12 anos e por meio de um tio teve acesso a uma posição na Companhia das Índias Orientais. Durante o tempo que permaneceu em várias partes da Índia como oficial das forças militares da companhia, adquiriu interesse em línguas estrangeiras, estudando-as com afinco. Tornou-se fluente em persa e ao longo dos anos serviu como intérprete e enviado britânico à Pérsia em várias posições. Malcolm escreveu vários livros no período em que viveu na Pérsia e durante várias estadias prolongadas na Inglaterra, incluindo Esboço da história política da Índia (1811), Observações sobre os distúrbios no exército de Madras em 1809 (1812), Esboço dos sikhs (1812), e sua obra mais famosa, a História da Pérsia: dos primórdios aos dias de hoje, publicada em 1815. Seu último cargo oficial foi de governador de Bombaim entre 1827 e 1830. Ele voltou à Inglaterra em 1831, e concluiu duas outras obras: Governo da Índia (1833), e Vida de Clive (publicada postumamente em 1836). Vida e correspondências do major-general Sir John Malcolm é uma biografia em dois volumes escrita por Sir John William Kaye (1814 a 1876), um ex-oficial do exército da Companhia das Índias Orientais que em 1841 abriu mão de seu cargo para se dedicar exclusivamente à atividade literária da história militar. Entre outras obras de Kaye estão História da guerra no Afeganistão (1851), em dois volumes, e História da Guerra dos Sipais na Índia, em 1857 e 1858 (entre 1864 e 1876), em três volumes.

O coração de um continente: narrativa de viagens na Manchúria, pelo deserto de Gobi, através das montanhas do Himalaia, de Pamir e de Chitral, de 1884 a 1894

Francis Younghusband foi um explorador e soldado mais conhecido por liderar em 1903 e 1904 a controversa missão militar britânica a Lhasa, no Tibet. Em 1886 Younghusband foi liberado de seu posto militar na Índia Britânica para acompanhar o explorador H. E. M. James numa viagem de sete meses ao redor da Manchúria. Após concluir essa expedição, em março de 1887 Younghusband recebeu permissão para realizar uma viagem por terra de Pequim (Beijing) até a Índia. Viajando apenas com guias contratados, Younghusband cruzou o deserto de Gobi até chegar a Hami (na China), e de lá seguiu para as montanhas do Himalaia por Kashgar (atual Kashi, na China), e pelo Passo Muztagh até Caxemira. Ele chegou a Srinagar em 2 de novembro e ao seu posto em Rawalpindi em 4 de novembro, exatamente sete meses após deixar Pequim. Younghusand registrou essa viagem nos oito primeiros capítulos de seu livro O coração de um continente. Entre 1890 e 1891 Younghusband realizou viagens adicionais às Montanhas Pamir (principalmente no atual Tadjiquistão, com partes no Afeganistão, na China e no Quirguistão) e a cordilheira Caracórum, o corredor não reivindicado entre o Afeganistão e a China. Ele e seus superiores no governo indiano suspeitaram que os russos talvez estivessem procurando uma rota de invasão para a Índia através dessas montanhas, e um dos objetivos das viagens era buscar sinais de atividades russas. Younghusband fala sobre essas expedições nos últimos capítulos do livro. A obra fornece descrições de paisagens espetaculares e de vários povos, como chineses, calmucos (calmuques), quirguizes, tadjiques, hunzas e outros povos que Younghusband encontrou durante as viagens. Ele também relata vários encontros com grupos de reconhecimento russos, incluindo um encontro nas montanhas Pamir em agosto de 1891 com um destacamento russo de mais de 30 soldados cossacos, que resultou num confronto diplomático entre Grã-Bretanha e Rússia. Após um inicial encontro amigável, o oficial de estado-maior russo no comando do grupo, coronel Yonoff, afirmou que Younghusband estava em território reivindicado pela Rússia e que como intruso britânico deveria ser escoltado até a fronteira da China. Esse evento resultou num protesto diplomático da embaixada britânica em São Petersburgo, e no pedido de desculpas pelo governo russo e no reconhecimento de que Yonoff estava operando fora da esfera de influência russa. O livro contém ilustrações e vários mapas, incluindo um grande mapa desdobrável intitulado “Mapa da fronteira norte da Índia”. Amplamente elogiado por suas explorações, em 1890 Younghusband foi eleito o membro mais jovem da Sociedade Geográfica Real e em 1891 nomeado Companheiro do Império Indiano (CIE).

Disfarçado pela Pérsia, com lembranças da Revolta Indiana

Disfarçado pela Pérsia, com lembranças da Revolta Indiana é uma obra formada por registros do diário de Charles Edward Stewart, um oficial do exército indiano e mais tarde cônsul geral britânico em Tabriz e Odessa, editada e publicada postumamente por seus familiares. A primeira parte do livro relata o papel de Stewart na supressão da Revolta Indiana de 1857 (também conhecida como Rebelião dos Sipais), uma revolta dos sipais (soldados autóctones) contra o exército da Companhia Britânica das Índias Orientais. A maior parte da ação descrita ocorre em Peshawar (no atual Paquistão). Stewart também participou do evento e descreve a Campanha de Umbeylah (também conhecida como Ambala) de 1863, em que uma força anglo-indiana marchou contra tribos pachtun (também conhecidos como pachtos e pastós) contrárias ao governo colonial britânico. A segunda parte trata de várias missões realizadas por Stewart no início da década de 1880, em que viajou pela Pérsia até a fronteira persa-afegã e depois entrou no Afeganistão. O propósito de suas viagens era coletar informações para o governo britânico, e por boa parte do tempo viajava disfarçado de negociante de cavalos armênio de Calcutá. Em 1884 Stewart foi nomeado segundo comissário assistente na Comissão de Fronteiras do Afeganistão, dirigida por Sir Peter Lumsden, e o livro apresenta um capítulo sobre o trabalho da comissão na cidade de Herat e em seus arredores. O livro também inclui ilustrações e um mapa da região fronteiriça entre o Afeganistão e a Pérsia, além de quatro apêndices: o texto de um documento lido na Sociedade Geográfica Real em junho de 1887, “O País dos turcomanos tekke e dos rios Tejend e Murgab”, baseado na missão de Stewart de 1880; um artigo sobre o uso do petróleo como combustível para locomotivas e navios a vapor (baseado na observação de Stewart sobre essa nova tecnologia usada pelos russos na região do Mar Cáspio); um artigo sobre uma possível extensão ferroviária para ligar a Ferrovia Centro-Asiática da Rússia e o Sistema Ferroviário Indiano; e um pequeno artigo intitulado “Trabalho bíblico na Pérsia”, em que Stewart apresenta diversas observações sobre os diferentes grupos religiosos na Pérsia, incluindo muçulmanos xiitas, cristãos armênios e nestorianos, e babís.

Contos de viagem

George Nathaniel Curzon (1859 a 1925) foi um político, viajante e escritor britânico que serviu como vice-rei da Índia de 1899 a 1905 e como secretário de relações exteriores de 1919 a 1924. Quando jovem, realizou diversas viagens e escreveu vários livros de viagem, ou livros inspirados em suas viagens, como Rússia na Ásia Central (1889), Pérsia e a questão persa (1892), e Problemas do extremo oriente (1894). Contos de viagem (1923), que apresentamos aqui, é um de seus últimos livros. A obra consiste de memórias e ensaios inéditos baseados em viagens realizadas durante a juventude de Curzon. O livro reflete o percurso das viagens de Curzon, sua curiosidade e capacidade de observação, e seu talento literário. Um ensaio, “As grandes cachoeiras do mundo”, descreve e compara as cachoeiras na América do Norte, América do Sul, África, Índia e Nova Zelândia. Outro ensaio, intitulado “As areias cantantes”, fala dos estranhos sons de cantos ou ruídos que se acredita ouvir no deserto, e discute esse fenômeno manifestado nos desertos da Ásia Central, do Afeganistão, da Pérsia, do Sinai, da Arábia, da África do Norte e das Américas. Outro artigo discorre sobre a luta de sumô no Japão. Um dos ensaios mais notáveis do livro, “O emir do Afeganistão”, relata as reuniões de Curzon em 1894 e 1895 com ‘Abd al-Rahman Khan (por volta de 1844 a 1901), governante do Afeganistão. Curzon considera o emir tão brilhante quanto eficaz, mas também cruel e impiedoso. “Ele uniu as tribos afegãs numa unidade que elas nunca haviam apreciado antes, e preparou o caminho para a total independência alcançada por seus sucessores. Ele e somente ele era o Governo do Afeganistão”. O livro traz ilustrações e contém um grande mapa fac-símile desdobrável do Afeganistão, produzido e distribuído por ‘Abd al-Rahman Khan.

O oásis de Merv, viagens e aventuras ao leste do Cáspio durante os anos de 1879, 1880 e 1881

Edmund O’Donovan (1844 a 1883) foi um correspondente de guerra britânico que cobriu conflitos e revoltas na França, Espanha, Bósnia e Herzegovina e Ásia Central. Nascido em Dublin, ele escreveu para o Irish Times e para outros jornais de Dublin, e mais tarde para o jornal britânico Daily News. Em 1879 O’Donovan viajou para Merv (no atual Turcomenistão), onde os turcomanos o prenderam por suspeitarem ser um espião russo. Foi solto após vários meses na prisão, e permaneceu por quase três anos na região. O oásis de Merv é o relato das aventuras e observações de O’Donovan. O volume dois trata de sua viagem de Trebizonda, na Turquia, passando por Geórgia e Cáucaso, até Baku (no atual Azerbaijão), sua travessia do Mar Cáspio, e suas viagens nas regiões ao leste do Mar Cáspio, no Turcomenistão e no Irã. O volume dois é dedicado quase exclusivamente a um relato detalhado de Merv, onde o autor ficou por cinco meses. O livro abrange tópicos como geografia, história, governantes e sistema de governo, práticas religiosas, economia, comida e costumes do oásis. O’Donovan também descreve a campanha militar russa na região e a queda da fortaleza de Geok-Tepe no início de 1881, mas se concentra principalmente nos povos e nas culturas da região. O apêndice inclui uma coleção de documentos relevantes para a narrativa, com traduções de persa e russo, e fac-símiles de vários documentos persas e russos. A capa reproduz seu passaporte russo (laissez-passer), emitido em nome do czar Alexandre II, concedendo permissão O’Donovan para viajar de Tíflis (Tbilisi, na Geórgia) a Baku.

Primeira viagem naval russa, realizada para solucionar a questão geográfica: a Ásia e a América são contíguas? Realizada de 1727 a 1729 sob a liderança do capitão de primeira ordem da Marinha, Vitus Bering. Incluindo breves biografias do capitão Bering e dos oficiais que o acompanharam

No verão de 1728, Vitus Jonassen Bering (de 1681 a 1741) partiu para sua primeira viagem no Pacífico ao largo da costa russa, que foi de Kamchatka até o Oceano Ártico pelo canal que mais tarde ficou conhecido como o Estreito de Bering. Em 1725, no seu último importante ato oficial como czar, Pedro, o Grande, encomendou esta viagem para descobrir se a Ásia e a América do Norte eram ligadas por terra. Este livro, cujo título inclui a questão básica do czar sobre uma ponte de terra, resumiu a história e os resultados dessa expedição. A viagem foi onerosa, pois Bering teve primeiro que atravessar a Sibéria por terra e depois construir e abastecer seu navio, o Saint Gabriel, em Kamchatka. Assim, o esforço ficou conhecido como a Primeira Expedição a Kamchatka (de 1725 a 1730). Este volume fornece os registros de boletins meteorológicos diários da expedição, bem como leituras de latitude e longitude e os registros de localização geográfica enquanto Saint Gabriel navegava para o norte. As descobertas de Bering foram inconclusivas, pois tanto o gelo quanto o mau tempo o impediram de comprovar a presença ou a ausência de uma ligação terrestre entre Ásia e América. Para desgosto de Bering, os sucessores czaristas de Pedro insistiram para que ele realizasse uma segunda viagem com uma missão ampliada, mais de dez anos depois. Nesta Segunda Expedição a Kamchatka, parte da Grande Expedição ao Norte (de 1733 a 1743), em julho de 1741 Bering finalmente avistou o Monte Santo Elias, no sul do Alasca. Ele reivindicou para a Rússia a região inteira desse local, até o extremo sul e o leste do Estreito de Bering. A expedição também finalmente resultou na confirmação de que a Sibéria e o Alasca eram de fato separados por água. Bering ficou famoso na Rússia e no mundo inteiro por realizar essas duas viagens. Talvez como consequência disso, este livro também apresenta breves esboços biográficos de Bering e de seus oficiais seniores da primeira viagem. Bering era um capitão luterano da Dinamarca que passou quase toda a sua carreira a serviço do Estado russo e chegou à alta patente na Marinha Imperial Russa.

História cronológica da descoberta das Ilhas Aleutas, ou as façanhas de comerciantes russos. Inclui uma visão histórica sobre o comércio de peles

No verão de 1741 Vitus Jonassen Bering (de 1681 a 1741) navegou de Kamchatka até o Alasca, comandando o primeiro navio europeu a explorar a costa noroeste da América do Norte. As tripulações de Bering e de seu assistente, Aleksei Chirikov (de 1703 a 1748), retornaram à Rússia com valiosas peles de lontra-marinha. A busca por pele logo superou o interesse inicial do Estado em mapear e obter conhecimento geográfico do Pacífico Norte. A partir de 1743, uma sucessão de promyshlenniki (bandeirantes) russos seguiu o rastro de Bering navegando ao largo das Ilhas Aleutas em busca de peles de lontra-marinha. Este livro narra as diversas viagens iniciadas há mais de um século de colonização russa no Alasca. O livro inclui dados sobre a quantidade anual de peles de animais coletadas por cada mercador e seu valor em rublos. O autor também destaca a história do comércio de peles na contínua exploração da costa do Alasca, e observa que a força motriz por trás das viagens para a região foi a alta qualidade e a grande abundância de pele de lontra-marinha e de outros animais de pelo. Portanto, a monografia é um compêndio dos feitos dos principais comerciantes de pele da Rússia, começando com Emilian Basov em 1743. Esses comerciantes essencialmente conseguiram estabelecer uma presença quase governamental para os czares ao longo da costa do Alasca, culminando no notável comerciante Grigorii Ivanovich Shelikhov, que em 1784 fundou uma empresa na Ilha Kodiak, tornando-se mais tarde a Companhia Russo-Americana.