29 de abril de 2016

Anotação sobre a construção de um “Takiyah-khanah”

Este grande pedaço de papel, formado por várias folhas individuais coladas, inclui quatro versos em escrita nasta‘liq. Na parte superior aparece o número 786, que no sistema abjad (número textual) equivale à soma total das letras que aparecem no bismillah (em nome de Deus). Em outras palavras, o número 786 no topo da página funciona como a invocação “Em louvor a Deus, o Misericordioso, o Clemente”, logo antes do conteúdo principal do texto. Os quatro versos abaixo afirmam que certo Muhammad ‘Ali ordenou a construção de um edifício destinado aos serviços de dhikr (homenagem) e às cerimônias de matam (luto) do martírio de Imam Husayn. Esses edifícios são chamados de takiyah ou takiyah-khanah, e servem para realizar a apresentação de ta‘ziyah (teatros da paixão xiita), que retratam os eventos em Karbala em 680. Os takiyahs foram construídos pelas comunidades xiitas no Irã e na Índia durante os séculos XIX e XX. Um dos mais famosos foi erguido sob ordens de Muʼavin al-Mulk em Kermanshah (sudoeste do Irã) em 1895 e 1896. Um complexo ricamente decorado e com várias salas, este edifício foi feito para a realização de vários eventos e apresentações religiosos ligados ao martírio de Imam Husayn.

Versos de Amir Khusraw Dihlavi

Este fragmento caligráfico inclui uma série de versos escritos pelo poeta Amir Khusraw Dihlavi (por volta de 1253 a 1325), cujo nome aparece no canto superior direito do painel de texto central como “li-Amir Khusraw”. Os versos descrevem a permanência do amor como um botão de flor num florescer perpétuo, e declaram: “Tão bonita e agradável no jardim de rosas / (Que Deus coloque) um espinho nos meus olhos, se uma delas (as flores) for semelhante a ti / Eu entro e saio do jardim centenas de vezes / (e) por causa de minha angústia, não sei qual flor está florescendo / A poeira de Kisra se tornou uma flor e a coroa cravejada de joias virou pó / O nome da amada ainda (permanece) em cada porta e em cada parede”. O painel de texto é cercado por uma série de outros versos dispostos num fundo rosa ou azul, com desenhos dourados e colado numa folha maior de papel azul com cervos e flores dourados. A obra está firmada com um papelão colocado por trás. No canto inferior esquerdo e nas duas linhas horizontais de texto, abaixo do painel central, o calígrafo, Muhammad Husayn al-Katib ( “o escritor”), assinou a obra com suas abreviações e registrou um pedido de perdão a Deus pelos seus pecados. Ele também afirma que concluiu o painel caligráfico no ano 998 A.H. (1590). Tudo indica que Muhammad Husayn esteve ativo durante o reinado safávida de Shah ‘Abbas I (no poder de 1587 a 1629).