Esclarecendo os confusos sobre o novo calendário

Descrição

Xin li xiao huo (Esclarecendo os confusos sobre o novo calendário) é de Tang Ruowang, o nome chinês de Johann Adam Schall von Bell (por volta de 1592-1666), o missionário jesuíta e astrônomo alemão que se tornou um importante conselheiro do primeiro imperador da dinastia Qing. Schall havia treinado em Roma no sistema astronômico de Galileu. Ele chegou em Macau em 1619, onde estudou chinês e matemática, e chegou à China continental em 1622. Depois de impressionar os chineses com a superioridade da astronomia ocidental em predizer o tempo exato do eclipse que ocorreu em 21 de junho de 1629, Schall foi nomeado para um cargo oficial importante traduzindo livros ocidentais astronômicos para o chinês e reformando o calendário chinês. Seu calendário modificado forneceu previsões de eclipses do sol e da lua mais precisas do que os tradicionais calendários chineses. Em 1645, logo após o primeiro imperador Qing subir ao trono, Schall foi convidado a preparar um novo calendário, o qual ele baseou no calendário de 1635 que tinha apresentado para o último imperador Ming. Schall também supervisionou o Conselho Imperial de Astronomia e foi nomeado seu diretor, uma posição que lhe permitiu ganhar a permissão do imperador para que os jesuítas estabelecessem igrejas a fim de pregarem por todo o país. Schall escreveu esta obra para responder às perguntas sobre o novo calendário e para destacar as diferenças entre este e os antigos cálculos calêndricos chineses. Esta cópia é uma edição Qing de 1833 e está incluída na série de 150 juan, Zhao dai cong shu (Trabalhos coletados da dinastia Qing). Ele está na forma de seis perguntas e respostas. As perguntas incluem: por que o novo calendário trocou as posições de zi (bico de tartaruga) e shen (três estrelas), duas das 28 casas lunares das constelações chinesas; por que, ao marcar a hora do dia, o novo calendário usou o 96 kepor dia do sistema (1 ke = 15 minutos) em vez de 100 kepor dia como no sistema antigo e por que ziqi, uma das quatro estrelas invisíveis foi eliminada. Para fortalecer sua posição e evitar confrontos com as autoridades chinesas conservadoras, Schall manteve uma atitude tolerante para com as tradições chinesas e seu calendário que continha conteúdos relativos à adivinhação cotidiana tradicional. Como consequência, a partir de 1648-1649, vários missionários, liderados por Gabriel de Magalhães, publicaram documentos críticos à Schall, primeiro por ter um cargo oficial, que foi considerado um ato contra o seu voto da Companhia de Jesus e em segundo lugar pelo conteúdo de seu calendário, que continha elementos de superstição. Schall defendeu-se em outro trabalho, Min li pu zhu jie huo (Notas detalhadas sobre o calendário para responder às dúvidas), que ele publicou em 1662 com a ajuda do padre Ferdinand Verbiest. Após mais de dez anos de debate e deliberação, a Igreja Católica determinou que o uso de Yin e Yang no calendário de Schall realmente constituía superstição, mas que assumir a direção do Departamento de Astronomia promoveu a obra missionária e, portanto, foi permitido.

Última Atualização: 7 de março de 2014