“Bayts” (versos) de poesia

Descrição

Nas coleções da Biblioteca do Congresso, este fragmento caligráfico especial é o único que não utiliza nenhuma tinta. O texto está escrito num estilo conhecido como khatt-i nakhani (caligrafia à unha), em que o escritor utiliza a unha ou uma caneta de metal para criar impressões topográficas numa folha de papel monocromática (geralmente branca). Embora pouco se saiba sobre essa prática de caligrafia sem tinta, vários exemplares assinados e datados mantidos em coleções internacionais (por exemplo, na Biblioteca Pública de Nova York, no Museu Histórico de Berna, na Suíça, e no Palácio do Golestan, em Teerã) provam que o estilo khatt-i nakhani teve sucesso durante o século XIX na Pérsia (Irã). Pelo menos três álbuns foram produzidos pelo calígrafo ʻAli Akbar Darvish de 1849 a 1851 para o governante qajar Nasir al-Din Shah (no poder de 1848 a 1896), embora até a filha do governante Fath ʻAli Shah Qajar (no poder de 1797 a 1834), Fakhr-i Jahan, dominasse a técnica com maestria, tendo ela própria produzido um álbum com dez caligrafias e pinturas à “unha”. Possivelmente ligada ao aumento da litografia e da imprensa, essa prática qajar descarta as ferramentas tradicionais do cálamo e da tinta em favor de uma abordagem mais abstrata e experimental no sentido de caligrafia. Este exemplo específico de khatt-i nakhani em caligrafia nasta‘liq inclui um bayt (verso) de poesia nas linhas dois e quatro, que está relacionado a dois bayts tak (versos individuais) nas linhas um e três. Embora difíceis de decifrar, os versos descrevem a vida errante humana. As linhas dois e quatro dizem: “(Pois) um amigo colocou uma corda em volta do meu pescoço, / E me arrasta para onde quiser”. As linhas um e três dizem: “Não tenho escolha em meus percursos: / Às vezes ele faz da minha casa uma Caaba, e às vezes um mosteiro”.

Última Atualização: 30 de setembro de 2016