Dois versos sobre a doença do amor

Descrição

Este fragmento caligráfico inclui dois bayts (versos) sobre as angústias da doença do amor. Os versos iniciam com “al-ʻaziz” (o Glorioso) e “al-rashid” (o Bem Guiado), que são louvores a Deus, e continuam: “Naquele lugar alto, onde os habitantes dos céus / Desejam ser os porteiros de sua morada / Qual o propósito de contar-te sobre minha condição / Se tu mesmo já sabes o estado da (minha) infelicidade”. Em torno dos versos de poesia, um calígrafo acrescentou uma dedicatória. Ele afirma que a khatt (caligrafia) é bi nadir (incomparável) a todas as outras formas de arte e dedica a obra a Mir Safdar ‘Ali. Embora permaneçam os diminutivos referentes ao calígrafo, isto é, al-ʻabd (o servo) e al-mudhnib (o humilde), e seu pedido de perdão a Deus por seus pecados, seu nome foi apagado. Outras partes do fragmento foram danificadas e depois reparadas, dando a entender que talvez o nome do calígrafo tenha sido apagado durante esse processo. De 1886 a 1892, Mir Safdar ‘Ali Khan (falecido em 1930) foi um governante do estado principesco de Hunza, na atual região nordeste do Paquistão. Quando as forças britânicas invadiram a região em dezembro de 1891, Mir Safdar ‘Ali fugiu para Kashgar, na China. Hunza se tornou o posto de fronteira mais setentrional da ocupação britânica na Índia. Portanto, parece que essa obra caligráfica foi produzida para Mir Safdar ‘Ali durante seu governo, por volta de 1890. Se tal data for aceitável, então essa peça testemunha a existência e a prática da escrita nasta‘liq nessa região da Índia na véspera da colonização britânica.

Última Atualização: 30 de setembro de 2016