Ruba'i de Ḥāfiẓ

Descrição

Este fragmento caligráfico inclui uma ruba'i (quadra iâmbica pentâmetra) do famoso poeta persa Hafiz (falecido em 791 a.H./1388 a 1389). Começando com uma invocação de Deus como o Glorificado (huwa al-'aziz), os versos dizem: “Aqueles que transformam a poeira em ouro com o olhar, / Poderiam também olhar para mim com o canto dos (seus) olhos? / Esconder minha dor dos médicos pretensiosos é melhor. / Que eles (me) curem do tesouro do invisível”. Hafiz usa a metáfora da al-kimiya (alquimia) para descrever o desejo doloroso e ardente de um homem por testemunhar o reino de Deus, em que a poeira terrena se transforma em radiação dourada e divina. O texto foi escrito em caligrafia nasta'liq na cor preta em papel abri ou ebru (mármore) preto e branco, cortado em mosaicos de nuvens e destacado com tinta vermelha. O texto está colado em outra folha de papel decorada com manchas douradas, que apresenta algumas molduras (de má qualidade), e colado em uma folha bege sustentada por um cartão. No canto inferior esquerdo, o calígrafo Muhammad Tahir assinou a obra, enquanto uma nota posterior em inglês no verso do fragmento a atribui a um certo Tahir Lahuri. Este é, provavelmente, Hafiz Muhammad Zahir Lahuri, um calígrafo de Alcorães e outros textos que viveu em Lahore no século XVIII. Após a morte de Aurangzeb (1618 a 1707), o poder mogol foi descentralizado, e o patronado real da caligrafia diminuiu. Novos estilos surgiram em cidades, entre as quais: Lucknow, Hyderabad e Lahore, onde calígrafos como Muhammad Zahir buscaram a patronagem de líderes locais. Os mesmos versos aparecem em outro fragmento nas coleções da Biblioteca do Congresso, escrito por 'Abdallah, um calígrafo também em exercício em Lahore durante o século XVIII, sugerindo portanto uma relação entre as duas obras.

Última Atualização: 27 de abril de 2016