Siyah Mashq

Descrição

Esta folha de prática caligráfica inclui várias palavras e letras na diagonal, usadas em combinações voltadas para cima e para baixo do fólio. A caligrafia persa cursiva comum nasta'liq é preferida em detrimento da caligrafia shikastah, mais “quebrada”. Este fragmento, decorado com uma borda azul e colado sobre uma folha na cor rosa claro decorada com pinturas de vinhas e flores douradas, carrega uma semelhança notável com outra folha da Biblioteca do Congresso. Parece que ambas as folhas vieram do mesmo muraqqa (álbum) de caligrafia, pertencente a um patrono que colocou sua impressão do selo no canto inferior direito deste fragmento. Infelizmente, a impressão do selo não é legível. Estas folhas, conhecidas como siyah mashq (literalmente, prática em preto no idioma perso), foram completamente cobertas por textos, a fim de que se praticasse a caligrafia conservando o papel. Com o tempo, elas se tornaram itens de colecionador e, assim, passaram a ser assinadas e datadas (este fragmento, no entanto, não está assinado ou datado). Muitos fragmentos, como este, contavam com uma variedade de bordas decorativas e eram colados em folhas ornamentadas com plantas ou flores pintadas em dourado. Várias folhas de siyah mashq produzidas na virada do século XVII pelo grande mestre iraniano da caligrafia nasta'liq, ʻImād al-Ḥasanī (falecido em 1024 a.H./1615), foram preservadas e iluminadas por Muhammad Hadi (em exercício entre 1160 e 1172 a.H./1747 a 1759). Como um gênero estabelecido, as folhas de prática seguiam certas regras de composição formal, amplamente guiadas pelo ritmo e pela repetição. Embora ainda existam folhas de siyah mashq datadas de aproximadamente 1600, elas parecem ter sido um gênero particularmente popular na segunda metade do século XIX, durante o renascimento artístico protagonizado pelo soberano qajar Nāṣir al-Dīn Shāh, xá do Irã entre 1848 e 1896.

Última Atualização: 6 de abril de 2016