Versos do Alcorão

Descrição

Este fragmento corânico inclui os versos 35 e 36 do quadragésimo capítulo do Alcorão, intitulado al-Ghafir (O perdoador) e também conhecido como al-Mu'min (O crente). Os versos 36 e 37 da mesma surata continuam no verso do fragmento. Este capítulo do Alcorão aborda a história de um indivíduo crente (Moisés) em meio a um povo governado por um líder arrogante (o Faraó) para mostrar como a fé pode prevalecer sobre o mal. Esses dois versos afirmam que Deus fecha os corações dos “transgressores arrogantes e obstinados”, como o Faraó, que acreditam erroneamente ser capazes de construir um palácio alto o suficiente a ponto de atingir os céus. Lê-se no texto: O Faraó disse: “Oh, Haman, constrói-me um alto palácio para que eu possa encontrar o meio e o caminho de atingir os céus e alcançar o Deus de Moisés”. Esses versos estão escritos em um papel marrom em uma caligrafia conhecida como qarmati, variante do kufi oriental com longas hastes verticais e letras de aspecto mais triangular do que aquelas do kufi oriental comum. Em algumas versões mais elaboradas do Alcorão feitas no Irã durante o século XII, a caligrafia aparece sobre um fundo de rolos e espirais de arabescos desenhados com tinta na cor marrom claro. Nesse fragmento, as cinco linhas de escrita em um nível alto aparecem em um pedaço de papel liso, sendo a única decoração um marcador de versos vermelho e dourado do lado esquerdo da segunda linha. O uso do termo qarmati para este estilo específico de caligrafia kufi oriental nunca foi explicado satisfatoriamente. Ele parece ligado aos carmatas, um grupo de ismaelitas da região do Golfo Pérsico que se recusou a reconhecer a reivindicação dos califas fatímidas do imamato (reinaram entre 909 e 1171). Talvez por conta dessa ligação geográfica e cronológica, a caligrafia — associada à criação do Alcorão no Iraque e no Irã entre os séculos X e XIII — ganhou o epíteto de qarmati. Diferentemente de outros Alcorães escritos em caligrafia kufi oriental, que utilizam o sistema vocálico completo inventado no século VIII por Khalīl ibn Aḥmad, este fragmento em particular usa pontos laranja para representar vogais e outros símbolos. A técnica ortográfica foi introduzida por Abū al-Aswad al-Duʼalī (falecido em 688), a fim de tornar a caligrafia kufi anterior, sem pontuação, mais legível. Aqui, a tinta vermelha é reservada para a vogal damma (u), a tinta azul, para sukun (sem vogais) e a tinta cinza escura para shaddah (duplicação de uma consoante).

Última Atualização: 15 de abril de 2016