As luzes das estrelas

Descrição

O presente manuscrito é um comentário intitulado Anwār al-nujūm (As luzes das estrelas), de um autor que parece ter declarado seu nome como Jamist al-Rumi (Jamist, o Bizantino). A obra é baseada em Al-zīj al-jadīd (As novas tabulações astronômicas), de Alī ibn Ibrāhīm Ibn al-Shāṭir (falecido em 1375), o mais distinto astrônomo muçulmano do século XIV. Ibn al-Shāṭir atuou como muwaqqit (guardião do tempo) na mesquita omíada de Damasco, onde construiu um magnífico relógio solar para adornar o minarete central que tinha curvas especiais para marcar os horários das cinco orações diárias. O abrangente tratado no qual este comentário está baseado é chamado de “As novas tabulações astronômicas” para distingui-lo de uma obra anterior, agora perdida, também de Ibn al-Shāṭir, chamada simplesmente de Zīj (Tabulações astronômicas). As pesquisas de Ibn al-Shāṭir para o primeiro Zīj permitiram que ele desenvolvesse ideias revolucionárias sobre astronomia planetária. Ele deixou o modelo astronômico ptolomaico tradicional por um sistema que preservava e até mesmo aperfeiçoava a correspondência entre fenômenos previstos e observados. Ele alterou o sistema ptolomaico sempre que este implicava no movimento não uniforme dos planetas — sendo a uniformidade um dos atributos aristotélicos do movimento da matéria celestial. Os resultados desta substituição são de interesse por várias razões. Ao criar um modelo que era matematicamente consistente com o modelo ptolomaico, Ibn al-Shāṭir foi capaz de formular a teoria planetária do movimento circular uniforme, de acordo com as ideias aristotélicas a respeito da matéria. O texto principal, que abrange quase 300 fólios, está cercado em muitos lugares por notas marginais que parecem ser da mesma caligrafia que o texto principal. Esta marginália não apenas comenta o próprio texto, mas fornece amplos cálculos e outras informações derivadas do tratado de Ibn al-Shāṭir. Os últimos 100 fólios do manuscrito consistem de tabelas astronômicas, incluindo tabelas para a conversão dos diferentes sistemas de datação (copta, persa, bizantino e islâmico). Jamist al-Rumi também fornece os horários da alvorada e do crepúsculo ao longo do ano e todas as informações práticas necessárias para realizar o controle do tempo no Islã. Uma nota no reto do fólio 1 dá o nome de ‘Abdallāh Musā ibn Muḥammad como sendo o do primeiro dono do códice, enquanto uma chapa no mesmo fólio menciona que o manuscrito, mais tarde, pertenceu ao Escritório de Pesquisa Econômica na Ásia Oriental, da Companhia Ferroviária do Sul da Manchúria, uma empresa japonesa cujos proeminentes selos vermelhos podem ser vistos nos primeiros fólios (retos das folhas 1 e 2).

Última Atualização: 15 de abril de 2016