O livro dos tempos

Descrição

Esta é a cópia de um manuscrito de Kitāb al-Azmān (O livro dos tempos, também conhecido como Kitāb al-Azmina) de Yuḥannā Ibn Māsawayh (falecido por volta de 857), o famoso médico da época abássida. O trabalho pertence à tradição de hemerologia islâmica—o estudo do calendário, especialmente para perceber a probabilidade de sucesso da realização de várias ações em uma determinada data ou hora. Na introdução, o autor declara: "As pessoas de conhecimentos e filosofia e os médicos da Pérsia, Índia e Rūm (Ásia Menor), disseram que o ano é divisível em quatro seções: primavera, verão, outono, [e] inverno. Depois, designaram para cada uma dessas seções três signos zodiacais e ,também para cada seção, as estações da lua (al-anwāʾ), que são sete. E eles expressaram para cada uma das suas partes componentes as ações que são oportunas para realização." Segue-se uma seção sobre cada estação, listando o número de dias, os signos zodiacais, as estações da lua e o humor galênico associado a cada estação, juntamente com a combinação apropriada das qualidades de calor, seca, frio e umidade. Na seção relativa ao inverno, lemos, por exemplo, que a estação lembra "água, pois é fria e molhada, e é nessa estação que a tosse é evocada, assim como a pleurisia". Uma seção mais longa se segue, listando al-shuhūr al-rūmīya (os meses romanos) na sua forma levantina, dando mais detalhes sobre o significado e as práticas comuns de cada dia. A entrada de Tishrīn al-awwal (outubro), por exemplo, indica que, no seu primeiro dia, o vento leste começa a soprar e as pessoas descem dos telhados, e que o décimo dia do mês é o dia em que Abraão saiu com seu filho para sacrificá-lo. Ibn Māsawayh afirma que deve-se minimizar as relações sexuais nesse mês e evitar a ingestão de melancia, pepino, creme de leite e carne de vaca, assim como grãos, exceto arroz. Ele também proíbe beber água fria nesse mês. O colofão do manuscrito atual não inclui a data, mas lista o nome do escriba como Ṣāliḥ Salīm ibn Salīm ibn Sa‘īd al-Shāmī al-Dimashqī. Esta cópia tem uma inscrição na capa com as palavras Maktabat Taymūr (biblioteca de Taymūr). Uma impressão de selo parcialmente legível contém o nome Taymūr e a data 1912, indicando que este manuscrito foi deixado como herança para a Dār al-Kutub (Biblioteca Nacional do Egito) pelo estudioso e humanista egípcio curdo Ahmad Taymūr (1871–1930.).

Última Atualização: 15 de abril de 2016