Testamento de Zephaniah Kingsley, 1843

Descrição

Zephaniah Kingsley foi um fazendeiro rico e dono de escravos no nordeste da Flórida. Entre seus herdeiros estavam sua esposa, uma ex-escrava de nome Anna M.J. Kingsley, e seus filhos. Kingsley era tanto um defensor da escravidão como um ativista pelos direitos legais dos homens negros livres. Nascido em Bristol, Inglaterra, em 1765, Kingsley mudou-se para Charleston, Carolina do Sul, então colônia britânica, em 1770. Por volta da década de 1790, Kingsley atuava no comércio marítimo, inclusive no tráfico de escravos. Em 1803, tornou-se um cidadão da Flórida espanhola e começou a adquirir terras no nordeste da Flórida. Em 1806, Kingsley comprou, em Havana, Cuba, uma adolescente da região de Jolof, no Senegal, na África Ocidental, de nome Anta Majigeeen Ndiaye; osteriormente, ele a libertou e a fez sua esposa: Anna Kingsley. Os Estados Unidos concordaram em honrar os direitos dos homens negros livres do território quando tirou a Flórida do domínio da Espanha, em 1821. Durante as próximas três décadas, porém, leis estaduais e locais e costumes lentamente erodiram os direitos daqueles cidadãos dos Estados Unidos. Por volta das décadas de 1840 e 1850, muitos negros livres foram forçados à escravidão. Ao final de sua vida, Kingsley estava amargurado pela discriminação racial praticada na sociedade antebellum (pré guerra) da Flórida, e preocupado com o destino de sua esposa e de seus filhos. Temendo pela segurança de sua família na Flórida, Kingsley fez preparativos para enviar sua esposa e filhos para o Haiti e, em 1838, Anna e seus filhos eram residentes do Haiti. Neste seu testamento, Kingsley buscava garantir a liberdade e o bem estar financeiro dos filhos que teve com várias mulheres (escravas e livres), bem como os de sua esposa. Suas instruções eram de que as famílias de escravos que possuía não podiam ser separados sem o seu consentimento, que a seus escravos deveria ser dado o privilégio de comprar a sua liberdade pela metade de seus respectivos valores, e que lhes fossem dada a oportunidade de ir para o Haiti, se não pudessem ser livres na Flórida.

Última Atualização: 18 de setembro de 2015