Antifonário de Beaupré, Volume III

Descrição

Esta coleção de manuscritos cistercienses ricamente decorados, cujas iluminuras foram realizadas em Hainaut por volta de 1280 e concluídas em 1290, é um raro exemplo do que foi produzido em Flandres no final do século XIII. Permanecem dezenove grandes iniciais historiadas, outras decoradas e ornamentadas e uma abundância de cenas burlescas que facilitam o texto da narrativa litúrgica. Entretanto, as inclusões e as remoções dentro do texto e as imagens trazem muitas informações sobre o uso e a história do manuscrito. Este manuscrito é o terceiro de um conjunto de três volumes (volumes I e II estão perdidos) destinados à prioresa da abadia cisterciense de Santa Maria de Beaupré (diocese de Cambraia, na Flandres francesa). O conteúdo litúrgico apresenta cenas musicais do Natal até a Páscoa. Dois conjuntos de antifonários, cada um composto de três volumes, foram destinados originalmente à abadessa e à prioresa de Beaupré. Desses dois conjuntos, o Museu de Arte Walters abriga três volumes: dois volumes do conjunto destinado à abadessa e este volume do conjunto da prioresa. Um quarto volume associado foi criado posteriormente para complementar o volume I do conjunto da abadessa (W.759). É importante observar que além dos volumes guardados no Walters, existem quatro iniciais recortadas provenientes de outros volumes. Infelizmente, em 1865 esses volumes foram destruídos em um incêndio que se propagou de uma casa adjacente à Sotheby, em Londres, onde haviam sido reunidos para venda. Além da extraordinária iluminura, o manuscrito também apresenta detalhes completos de evidências históricas. O início deste volume inclui uma inscrição de página inteira que detalha a propriedade. Aqui se lê: “Antiphonaire pour servir dans le Choeur du côté de Ma-Dame L’abbesse, depuis le Nöel iusqu' à Pâques.” Este volume contém um retrato autoral do escriba ou artista, um monge cisterciense chamado Johannes de Toussens na base do fólio 1 reto, que segura um pergaminho onde se lê: "Eu, João, escrevi este livro". A patrona dos manuscritos, que se casou com um dos membros da família de Viana, é retratada no início do volume I (W.759). As doações feitas pelos membros da família de Viane para Santa Maria de Beaupré foram registradas de 1244 a 1293. Entre 1475 e 1500, seletos ofícios do século XIII foram substituídos em parte por revisões e inclusões no fim do volume. No século XVIII, algumas páginas dos séculos XIII e XV foram removidas e as neumas e passim de texto sofreram alterações, com inclusões de páginas no fim do volume. Provavelmente, as primeiras inclusões foram feitas para a abadessa Jacqueline Hendricx (1473 a 1500), as próximas inclusões foram para a última abadessa, Angéline de Lossy (1755 a 96), e logo a seguir a abadia foi confiscada pela Revolução Francesa. As cenas burlescas são frequentemente encontradas nas páginas com iniciais historiadas e focam principalmente em cenas retratadas no final da página. Embora muitas cenas burlescas tenham sido apagadas, é possível reconhecer alguns traços dessas imagens através dos contornos sombreados. Acredita-se que o crítico de arte e estudioso inglês John Ruskin (de 1819 a 1900) seja responsável por muitas dessas rasuras. Ele também recebe o crédito pela escrita de um índice separado e de muitas transcrições do texto em latim encontradas em inúmeras páginas. Em 1957, a Hearst Foundation realizou a generosa doação deste magnífico antifonário de vários volumes para o Museu de Arte Walters.

Última Atualização: 24 de outubro de 2017