O Tesouro da Sabedoria. Da Criação até 138 d.C.

Descrição

Este manuscrito ricamente decorado de Trésor de sapience (O Tesouro da Sabedoria) conta a história do mundo desde a Criação até 138 d.C. A obra foi iluminada por associados de Loyset Liédet e Willem (também conhecido como Guillaume) Vrelant, e concluída, provavelmente em Bruges, por volta de 1470 a 1480. Este livro é um belo exemplo das obras seculares procuradas por clientes aristocratas no sul dos Países Baixos durante o terceiro quarto do século XV. Juntamente com um vasto plano de decoração, a história também apresenta importantes evidências heráldicas. O escudo heráldico mais atual, pintado dentro de uma área desgastada, é o de Adolfo de Borgonha, senhor de Beveren, Veere e Vlissingen (falecido em 1540). Ele foi membro da Ordem do Tosão de Ouro a partir de 1516, seguindo seu pai, Filipe de Borgonha, e seu avô Antônio de Borgonha (o “Grande Bastardo de Borgonha”, filho ilegítimo de Filipe, o Bom). A decoração, e sua organização ao longo do texto, incorpora princípios de design hierárquico e colaboração artística típicos de planos expansivos pictóricos neste tipo de texto secular. Destaque para seis grandes miniaturas, que aparecem antes de cada uma das principais divisões textuais da crônica e ocupam duas colunas de texto cada. Essas ilustrações são bastante imaginativas, estilisticamente variadas e belas. As ilustrações dão uma ênfase visual sobre a Trindade, conforme evidenciado pelo frontispício, que apresenta um ciclo de criação em seis medalhões. Este manuscrito relembra os princípios agostinianos sobre o Trinitarianismo associados aos seis dias da criação, às seis idades do homem e às seis eras do mundo. Ele contém uma mistura de temas bíblicos e seculares, incluindo a história de Tebas, Troia e Grã-Bretanha; a terceira era do mundo; a história de Roma desde Rômulo e Remo até a derrota dos gauleses e os imperadores romanos até Adriano (falecido em 138 d.C.); reis italianos a partir de Eneias; e Alexandre, o Grande, e os governantes que o precederam. A obra está em letra bastarda borgonhesa com várias caligrafias diferentes.

Última Atualização: 17 de outubro de 2017