Veneração da Santa Cruz

Descrição

O códice De Laudibus Sanctae Crucis (Veneração da Santa Cruz), mantido pela Universidade Complutense, é a cópia mais antiga e de melhor preservação na Espanha de uma obra famosíssima e muito elogiada em sua época, editada no ano 815 por Luís, o Piedoso (de 778 a 840). Seu autor, o monge beneditino Rábano Mauro (por volta de 784 a 856), era abade do mosteiro de Fulda, bispo de Mainz e discípulo de Alcuíno de York. Além de sua obra como teólogo, poeta e cientista, Rábano foi assessor de Luís, o Piedoso, e seus sucessores Lotário I (de 795 a 855) e Luís, o Germânico (de 804 a 876). A obra é dividida em dois livros. O primeiro é composto por 28 poemas gráficos sobre a adoração da Santa Cruz, acompanhados por explicações na página oposta, e o segundo é um complemento das explicações apresentadas no primeiro livro. O manuscrito é sem dúvida uma das coleções mais importantes e famosas de carmina figurata (poemas padrão) da sua época, e um dos destaques poéticos e artísticos da cultura carolíngia. Ele define o tema da devoção à Cruz, que pode ser reconhecida na arte carolíngia a partir do ano 850. Este é o códice mais antigo da Biblioteca Complutense. O documento fazia parte do primeiro conjunto de obras que o cardeal Cisneros forneceu à Universidade Complutense no começo de sua existência. Conforme demonstrado separadamente pelos estudiosos Elisa Ruiz e Manuel Sánchez Marianas, o códice havia pertencido à rainha Isabel, sendo vendido, após sua morte, ao cardeal Cisneros por Fernando, o Católico. O manuscrito, escrito em pergaminho, não apresenta data nem qualquer indicação sobre o copista, o escritório monástico onde foi produzido, ou seus antigos proprietários. No entanto, graças a provas paleográficas e documentárias, é possível atribuir a origem do manuscrito à Salzburgo (na atual Áustria) e estimar sua data na primeira metade do século IX. Os poemas e os comentários estão em escrita minúscula carolíngia; os textos sobrepostos às ilustrações e suas transcrições correspondentes nas páginas de comentário estão em letras maiúsculas. O símbolo da Cruz é posto como a discussão central da obra e, com pouquíssimas exceções, constitui o principal elemento nas ilustrações. A Cruz é um dos símbolos humanos mais antigos e complexos, que remonta à interpretação pagã da interseção entre as energias e os planos ou a interseção das entidades contrárias, como céu e terra ou tempo e espaço. A isso deve-se adicionar o grande peso simbólico que o cristianismo tem dado à Cruz ao longo dos séculos. Embora a Cruz seja o elemento básico da maioria das ilustrações do manuscrito, a obra também traz algumas representações figurativas do tema do poema, como a de Rábano Mauro adorando a Cruz.

Última Atualização: 17 de outubro de 2017