Comentário do padre Monserrate, da Companhia de Jesus, sobre sua viagem à corte de Akbar

Descrição

Antonio Monserrate (de 1536 a 1600) foi um sacerdote português que acompanhou outros dois sacerdotes, padre Rodolfo Acquaviva e padre Francisco Enriquez, na primeira missão jesuíta à corte do Imperador Akbar (de 1542 a 1605; no poder de 1556 a 1605), também conhecido como Akbar, o Grande. Monserrate deixou Goa em 17 de novembro de 1579, e chegou à capital mogol Fatehpur Sikri em 4 de março de 1580. Os missionários haviam sido convidados por Akbar e foram calorosamente recebidos na corte. Não demorou e padre Monserrate foi nomeado tutor de Murad, o segundo filho do imperador. Ele também acompanhou Akbar em sua expedição militar a Cabul em 1581, indo até Peshawar com o imperador e até Jalalabad com a retaguarda do exército mogol. Monserrate permaneceu na corte de Akbar até abril de 1582, quando retornou a Goa. Aqui apresentamos uma tradução inglesa da obra Commentarius de Monserrate, um relato sobre seu tempo na corte mogol que ele começou a escrever logo após regressar a Goa, concluindo-o em dezembro de 1590, enquanto esteve preso pelos turcos na Arábia. O texto da obra nunca foi enviado à Europa, mas de alguma forma chegou a Calcutá, onde foi descoberto no início do século XX. O texto em latim foi publicado em 1914 pela Sociedade Asiática de Bengala. O relato de Monserrate é uma importante fonte primária para estudos sobre Akbar e sua corte e império. Seu registro detalhado do exército mogol e sua composição e organização são especialmente valiosos. Ele descreve Akbar como uma pessoa fisicamente imponente, “de um rosto à altura de sua dignidade real, de modo que qualquer pessoa poderia reconhecer facilmente, mesmo à primeira vista, que ele é o rei”, acessível aos seus súditos, e grande defensor do ensino. Monserrate afirma que Akbar adquiriu conhecimento por meio de manuscritos que eram lidos para ele, pois o imperador mesmo não sabia ler nem escrever. O autor concluiu seu manuscrito com 23 páginas de informações sobre os antepassados de Akbar, remontando a Genghis Khan e a Tamerlão. Os editores consideraram essas passagens como não confiáveis e impertinentes ao tempo de Monserrate na corte, e acabaram transferindo-as para um apêndice.

Última Atualização: 23 de março de 2017