Um manifestante durante os motins de fevereiro de 1848

Descrição

Este retrato em daguerreótipo de um manifestante foi feito ao fim das manifestações de fevereiro de 1848, em Paris. O fotógrafo não-identificado provavelmente não possuía muita experiência com esta técnica, já que o texto da bandeira, “République Liberté Egalité Fraternité 22, 23, 24 février” (República Liberdade Igualdade Fraternidade, 22, 23, 24 de fevereiro), está invertido. Um fotógrafo profissional teria usado um sistema de espelhamento inventado anteriormente para corrigir a imagem na câmara escura. Apesar deste erro, no entanto, o observador pode perceber o intenso desejo do fotógrafo de imortalizar a face da rebelião por meio das características deste garoto, que faz lembrar a personagem Gavroche, criada por Victor Hugo em seu romance de 1862 Les Misérables. O processo do daguerreótipo foi inventado por Louis-Jacques-Mandé Daguerre (1787 a 1851) e passou a ser usado a partir de 1839, embora logo tenha passado a concorrer com um processo alternativo concebido pelo inventor britânico William Henry Fox Talbot. Os daguerreótipos foram usados na década de 1840 para registrar cenas históricas, incluindo as revoluções de 1848. O reinado do Rei Luís Filipe I foi caracterizado por significativas agitações sociais, especialmente em Paris, cuja população superou um milhão de habitantes graças à Revolução Industrial. As agitações ocorriam majoritariamente em razão do autoritarismo do ministro dominante no governo, François Guizot. Seguiu-se à abdicação de Luís Filipe, em fevereiro de 1848, a criação da Segunda República, que logo foi finalizada por Napoleão III e pelo estabelecimento do Segundo Império, em 1852. A agitação política deste período se reflete no quão viva ainda se encontrava entre a população a ideologia de 1789, o que fazia de Paris uma cidade revolucionária. A Comuna de Paris de 1871 é outra prova deste duradouro espírito revolucionário.

Última Atualização: 31 de julho de 2014