Elocuções

Descrição

O governante turco-mongol Timur (Tamerlão) do século XIV escreveu um livro de memórias em chagatai turco, cujo original está perdido. A obra foi produzida como um livro de aconselhamento para príncipes e governantes e recebeu diversos títulos ao longo dos anos, incluindo, como neste manuscrito, Malfūẓāt (Elocuções). O livro de memórias foi traduzido para o persa por Abu Talib al-Husayni, que parece ter sido um oficial erudito xiita de Coração, a serviço dos governantes mogois na Índia na década de 1630. Ele descobriu uma versão em turco do manuscrito na biblioteca de um governador otomano no Iêmen, que usou como base para sua tradução. Al-Husayni dedicou sua tradução ao imperador mogol Shah Jahan (de 1628 a 1658), que aparentemente não gostou do serviço e exigiu revisões, realizadas por Muhammad Afzal Bakhtiyari. Esta cópia da tradução de al-Husayni foi provavelmente produzida em algum lugar na Índia em meados do século XIX. O manuscrito contém apenas uma das muitas versões do livro de memórias de Tamerlão escritas e revisadas ao longo dos séculos. Ele começa com um prefácio (do fólio 1 ao 4) em que Bakhtiyari oferece uma nota de louvor a Deus, a Maomé, aos quatro Califas bem guiados e aos sultões timúridas. O prefácio também apresenta o título do manuscrito; uma breve menção à história de sua descoberta, tradução para o persa e revisão; e observações sobre sua utilidade para futuros príncipes e estadistas, juntamente com um comentário sobre a infância e a vida real de Tamerlão. Em seguida vem uma breve seção intitulada “12 princípios divinamente inspirados de Tamerlão” (fólios 4 e 5). Entre os 12 princípios pelos quais acredita-se que Tamerlão tenha sido inspirado estão “Reinado justo”, “Diferenciação entre verdade e falsidade” e “Obediência às leis de Deus”. A maior parte do manuscrito (do fólio 5 ao 653) cobre eventos da vida de Tamerlão. A narrativa está na primeira pessoa, e começa com a nomeação dos quatro vizires. Alguns dos eventos estão intitulados com subtítulos vermelhos, enquanto outros não. A seção final (do fólio 653 ao 655) descreve Tamerlão no caminho para a conquista da China, a doença que ele contrai no caminho, sua wasiyat (vontade), e sua morte. O manuscrito está em escrita nasta‘liq, embora não apenas numa caligrafia, indicando que ele foi copiado por uma ou mais pessoas em momentos diferentes. Citações em chagatai turco com traduções persas aparecem em várias partes do texto. A paginação é fornecida em algarismos arábicos. Há diversas repetições, tautologias e obscuridades ao longo do texto, refletindo a influência das muitas biografias e memórias oficiais e não oficiais de Tamerlão, copiadas e recopiadas para várias línguas com o passar dos séculos por pessoas diferentes e para diferentes fins. Estes “Livros de Tamerlão”, de diferentes gêneros e títulos, foram tratados com condescendência e popularizados principalmente por governadores mogois da Índia nos séculos XVII e XVIII.

Data de Criação

Data do Assunto

Idioma

Título no Idioma Original

ملفوظات

Tipo de Item

Descrição Física

656 folhas (17 linhas): encadernado; papel, 29,5 x 17,4 centímetros

Referências

  1. Major Charles Stewart, translator, Malfuzat Timury: Autobiographical Memoirs of Moghul Emperor Timur (London: W. Nicol,  1830).
  2. Ron Sela, The Legendary Biographies of Tamerlane: Islam and Heroic Apocrypha in Central Asia. (Cambridge: Cambridge University Press, 2011).
  3. Howard Miller, “Tamburlaine: The Migration and Translation of Marlowe’s Arabic Sources,” in Travel and Translation in the Early Modern Period, edited by Carmine G. Di Biase (Amsterdam and New York: Rodopi, 2006).

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Última Atualização: 27 de agosto de 2015