Cosmografia

Descrição

Criado na Inglaterra no final do século XII, este manuscrito tinha como objetivo ser um manual científico para monges. O manuscrito é breve, com nove fólios, e foi elaborado como um compêndio de conhecimentos cosmográficos extraídos dos primeiros autores cristãos, como Bede e Isidoro, bem como o posterior Abão de Fleury. Estes autores, por sua vez, basearam-se em fontes clássicas, como Plínio, o Velho, para obter seus conhecimentos, adaptando-os para que fossem compreendidos através do filtro do cristianismo. Os 20 diagramas complexos acompanham e ajudam a ilustrar os textos do panfleto; eles incluem a visualização dos céus e da terra, das estações, dos ventos, das marés e do zodíaco, bem como demonstrações de como essas coisas estão relacionadas com os homens. A maior parte dos diagramas é rotae (esquemas em forma de roda), favorecidos ao longo da Idade Média por sua capacidade de apresentar ideias centíficas e cosmológicas por meio da organização de informações complexas de maneira clara e ordenada, tornando o material mais fácil de ser compreendido, aprendido e lembrado. Além disso, o círculo, considerada a forma mais perfeita e um símbolo de Deus, era visto como expressivo da natureza cíclica do tempo e da Criação, bem como da lógica, da ordem e da harmonia do universo criado. A Inglaterra destaca-se principalmente por sua produção de manuais científicos ilutrados, com os primeiros exemplos produzidos durante o período carolíngeo, sob a influência do notável estudioso beneditino Abão de Fleury, que lecionou na Abadia de Ramsey por dois anos. Embora o agrupamento de textos e diagramas seja único, o manuscrito está relacionado a outras compilações científicas dessa era, como a Biblioteca Britânica, Royal Ms. 13 A.XI e Cotton Ms. Tiberius E. IV, e a Oxford, Saint John's College, Ms. 17.

Última Atualização: 17 de outubro de 2017