Atentados à bomba na Espanha. Esboço de resposta da Liga das Nações

Descrição

No dia 31 de março de 1938, Miguel Santalo, presidente do Conselho do Trabalho da República Espanhola, enviou uma petição ao diretor da Organização Internacional do Trabalho solicitando que a Liga das Nações condenasse a Itália por seu bombardeio, entre 16 e 18 de março de 1938, da cidade de Barcelona, que resultou na morte de mais de 1000 civis. A ação italiana foi realizada em apoio às forças nacionalistas do General Francisco Franco, que estavam lutando para derrubar o governo da República Espanhola. Santalo argumentou que o bombardeio contrariava uma resolução da Liga de 25 de julho de 1932, proibindo o bombardeio aéreo de alvos civis. Este esboço de resposta foi escrito pelo Setor Político do Secretariado Permanente da Liga das Nações. Ele argumenta que a resolução em questão havia sido “diluída” durante negociações subsequentes e que, portanto, não havia se tornado parte da “lei internacional moderna.” Ela, portanto, não podia ser invocada. O esboço de resposta observava que o Protocolo para a Proibição do Uso em Guerras de Métodos Bélicos de Asfixiação, Venenosos ou Bacteriológicos, de 1925, havia criado princípios válidos de lei internacional. Mas ela sustenta que este protocolo não se aplicava a bombardeios aéreos e, portanto, não era relevante. A petição de Santalo foi, portanto, rejeitada. O documento esboçado oferece um bom exemplo da abordagem estreita e legalista utilizada pela Liga das Nações em relação a ações cada vez mais violentas dos poderes ditatoriais em 1930, uma abordagem que acabaria com a Liga e, na visão de muitos historiadores, contribuiria para o deflagramento da Segunda Guerra Mundial em 1939. O documento é mantido nos arquivos da Liga, que foram transferidos para as Nações Unidas em 1946 e estão mantidos no gabinete das Nações Unidas em Genebra. Eles foram anexados ao registro da Memória do Mundo da UNESCO em 2010.

Última Atualização: 24 de maio de 2017