PalestranteBarbara A. Tenenbaum

Instituição Biblioteca do Congresso

AssuntoDescrição histórica e cronológica das duas pedras

Conta-se que um dia, em 1790, trabalhadores cavavam em volta da catedral na praça central da Cidade do México quando encontraram dois monólitos astecas. O primeiro aspecto notável desta descoberta é que esta sobreviveu totalmente. Se fosse apenas algumas décadas antes, as descobertas teriam sido destruídas como sinais de culto ao diabo ou coisas semelhantes. O fato de haverem sido preservados e proeminentemente exibidos é testemunho da erudição espanhola, começada bem antes, mas incentivada pelo notável monarca da Espanha, Carlos III, que governou no período de 1759-1788.

Ambas as esculturas de pedra seriam fundamentais para a articulação do que, mais tarde, viria a ser chamado de "nacionalismo crioulo", um título para um sistema de crenças que estava, naquela época, apenas em processo de ser sonhado. Antonio de León y Gama realizou uma análise acadêmica desta descoberta e publicou a primeira parte da sua bolsa de estudo dois anos mais tarde, que vemos aqui.

O mais conhecido das duas - a pedra asteca do sol - é  comumente, mas incorretamente, conhecida como o calendário asteca de pedra. É uma imagem esculpida parecida com calendário asteca, com o sol no centro. León y Gama foi o primeiro a contemplar este calendário mesoamericano, separado e diferente dos modelos europeus, argumentando que cada um se  originou de conceitos de tempo muito diferentes . Os astecas acreditavam que o tempo era medido em blocos de 52 anos, quando então o mundo seria destruído apenas para ser recriado novamente. Por ocasião do desembarque de Cortes em 1519, ele já havia sido criado e destruído quatro vezes.

A estátua de Coatlicue tinha uma história bem diferente. Conhecida como a "Mãe dos Deuses" ou "A Dama da Saia de Serpentes", ela foi, primeiramente, considerada bem feia, sobretudo se comparada com as relíquias gregas e romanas e, de fato, ela não é uma Vênus de Milo. Mas, não parece justo que o governo municipal tenha movido a estátua para os porões da universidade para, em seguida, a enterrarem novamente por medo de que ela pudesse incitar os povos indígenas à religosidade do período pré-conquista. Foi exumada para o Barão von Humboldt e, em seguida, enterrada mais uma vez, para só finalmente

reemergir em 1821, mas escondida sob uma escada pela maior parte do resto do século XIX. Agora, é claro, ela e a pedra do sol estão reunidas no mesmo local no Museu de Antropologia da Cidade do México, no Salão Asteca.