O Bibliotecário do Congresso dos EUA,  James H. Billington, propôs a criação da Biblioteca Digital Mundial em um discurso para a Comissão Nacional dos EUA para a UNESCO em junho de 2005. A idéia básica era criar uma coleção facilmente acessível pela Internet, abrangendo as riquezas culturais do mundo que relatariam as histórias e destacariam as conquistas de todos os países e culturas, promovendo, assim, a conscientização e a compreensão multiculturais. A UNESCO acolheu a idéia como uma contribuição para o cumprimento de seus objetivos estratégicos, que incluem a promoção de sociedades de conhecimento, criação de capacidades nos países em desenvolvimento, além da promoção da diversidade cultural na Internet. O Diretor-Geral da UNESCO, Koichiro Matsuura, designou a Diretoria de Comunicação e Informação da UNESCO, liderada pelo Dr. Abdul Waheed Khan, para trabalhar com a Biblioteca do Congresso no desenvolvimento do projeto.

Em dezembro de 2006, a UNESCO e a Biblioteca do Congresso convocaram uma Reunião de Peritos para discutirem o projeto. Os peritos reunidos, vindos de todas as partes do mundo, identificaram uma série de desafios que o projeto teria que superar para ser bem sucedido. Observaram que pouco conteúdo cultural estava sendo digitalizado em muitos países e que os países em desenvolvimento, particularmente, careciam da capacidade de digitalizar e exibir seus tesouros culturais. Muitas vezes, os web sites existentes possuíam funções de pesquisa e exibição precariamente desenvolvidas. O acesso multinlíngue não estava bem desenvolvido. Muitos web sites mantidos por instituições culturais eram difíceis de utilizar e, em muitos casos, falhavam em atrair usuários, especialmente os usuários jovens.

A Reunião de Peritos levou ao estabelecimento de grupos de trabalho para desenvolver diretrizes para o projeto, bem como a uma decisão da Biblioteca do Congresso, da UNESCO e de cinco instituições parceiras - a Bibliotheca de Alexandria, a Biblioteca Nacional do Brasil, a Biblioteca e os Arquivos Nacionais do Egito, a Biblioteca Nacional da Rússia e a Biblioteca Estadual da Rússia - no sentido de desenvolver e contribuir em conteúdo para um protótipo da Biblioteca Digital Mundial a ser apresentado na Conferência Geral da UNESCO em 2007. Ôs recursos para a concepção do protótipo foram solicitados através de um processo consultivo que envolveu a UNESCO, a Federação Internacional das Associações e Instituições Biblioteconômicas  (IFLA), além de indivíduos e instituições de mais de quarenta países.

A bem sucedida inauguração do protótipo foi seguida por uma decisão tomada por várias bibliotecas no intuito de desenvolver uma versão pública e livremente acessível da Biblioteca Digital Mundial, para lançamento na UNESCO em Abril de 2009. Mais de duas dezenas de instituições forneceram conteúdo para a versão de lançamento do site.

A versão pública do site apresenta ítens digitais de alta qualidade,  refletindo o patrimônio cultural de todos os países-membros da UNESCO. A Biblioteca Digital Mundial continuará a adicionar conteúdo ao site e irá convidar novos parceiros para o projeto, o maior número possível dentre os membros da UNESCO.

Marcos cronológicos da Biblioteca Digital Mundial

  • Junho de 2005: O Bibliotecário do Congresso, James H. Billington, propõe a criação de uma Biblioteca Digital Mundial para a UNESCO.
  • Dezembro de 2006: A UNESCO e a Biblioteca do Congresso co-patrocinam uma Reunião de Peritos com as principais partes interessadas de todas as regiões do mundo. A Reunião de Peritos resulta em uma decisão de estabelecer grupos de trabalho para desenvolver normas e diretrizes para seleção de conteúdos.
  • Outubro de 2007: A Biblioteca do Congresso e cinco instituições parceiras apresentam um protótipo da futura Biblioteca Digital Mundial na Conferência Geral da UNESCO
  • Abril de 2009: A Biblioteca Digital Mundial é lançada  para o público internacional, com conteúdo sobre cada estado-membro da UNESCO.

Principais Características

A Biblioteca Digital Mundial representa uma mudança em projetos de bibliotecas digitais, do enfoque em quantidade por si só,  para qualidade; a quantidade continua a ser uma prioridade, mas não à custa das normas de qualidade estabelecidas durante a fase inicial.

A Biblioteca Digital Mundial proporciona novas experiências nas seguintes áreas, cada uma representando significativos investimentos de tempo e de esforços:

  1. Metadados consistentes: Cada item é descrito por um conjunto coerente de informações bibliográficas (ou metadados) relativos à sua abordagem geográfica, temporal e temática, entre outros requisitos. Metadados consistentes fornecem a base para um site que seja fácil e interessante de se explorar e que ajude a revelar as ligações entre os itens. Os metadados também melhoram as ferramentas externas de busca.
  2. Descrição: Entre as mais impressionantes características da Biblioteca Digital Mundial estão as descrições de cada item, respondendo as questões: "O que é este item e por que ele é importante?" Esta informação, escrita por curadores e outros especialistas, fornece um contexto essencial para os usuários e é concebida para incitar a curiosidade de estudantes e do público em geral para aprender mais sobre o patrimônio cultural de todos os países.
  3. Multilingualismo: Os metadados, a navegação e o conteúdo de suporte (por exemplo, vídeos de curadores) estão traduzidos em sete idiomas: árabe, chinês, inglês, francês, português, russo e espanhol. Esta funcionalidade prolongou o desenvolvimento do site e também complica a manutenção, mas aproxima a Biblioteca Digital Mundial da meta de tornar-se realmente universal.
  4. Desenvolvimento técnico da biblioteca digital: A equipe da Biblioteca Digital Mundial, trabalhando com as mais modernas ferramentas e tecnologias, resultou em avanços na catalogação e no desenvolvimento do Web site multilingue:
    • Foi desenvolvido um novo programa aplicativo de catalogação adequado aos requisitos dos metadados.
    • Foi utilizada uma ferramenta centralizada com uma memória de tradução, o que evita que os tradutores tenham que traduzir a mesma palavra ou frase duas vezes.
    • Foi desenvolvida uma interface que apresenta o conteúdo da Biblioteca Digital Mundial de forma atrativa para usuários não tradicionais, incentivando a exploração de fontes primárias.
    • Novas tecnologias continuam a ser desenvolvidas, melhorando o fluxo de trabalho e reduzindo o tempo decorrido entre a seleção do conteúdo e a disponibilidade no site.
  5. Rede de colaboração: A Biblioteca Digital Mundial enfatiza a abertura em todos os aspectos do projeto: acesso aos conteúdos; transferência de tecnologia para a criação de capacidades; e a participação de parceiros, interessados diretos e usuários. As redes técnicas e programáticas são vistas como vitais para a sustentabilidade e o crescimento da Biblioteca Digital Mundial.

Parceiros

Consulte uma lista atual de parceiros.

Parceiros são principalmente bibliotecas, arquivos ou outras instituições que possuem coleções de conteúdos culturais, os quais são contribuidos para a Biblioteca Digital Mundial. Os parceiros podem, também, incluir instituições, fundações e empresas privadas que contribuem para o projeto de outras formas, por exemplo, compartilhando tecnologia, convocando ou co-patrocinando reuniões de grupos de trabalho ou contribuindo financeiramente.

Centros de Digitalização

Enquanto muitos dos parceiros ou parceiros em potencial que pretendem contribuir com conteúdos para a Biblioteca Digital Mundial tenham programas de digitalização bem estabelecidos, com  equipamentos e funcionários dedicados, outros, especialmente nos países em desenvolvimento, não têm acesso a essas capacidades. Ao longo dos anos, a Biblioteca do Congresso vem trabalhando com parceiros no Brasil, Egito, Iraque e Rússia a fim de estabelecer centros de conversão digital para produzir imagens digitais de alta qualidade. Grande parte do conteúdo da Biblioteca Digital Mundial foi produzida nestes centros.

A Biblioteca Digital Mundial apoia a missão da UNESCO no desenvolvimento de capacidades nos países em desenvolvimento e pretende trabalhar com a UNESCO, os parceiros destes países e os financiadores externos para estabelecer centros de conversão digital adicionais em todo o mundo. Estes centros produzirão conteúdos não só para a Biblioteca Digital Mundial, mas também para outros projetos nacionais e internacionais.

Grupos de Trabalho da Biblioteca Digital Mundial

Os Grupos de Trabalho da Biblioteca Digital Mundial, criados depois da Reunião de Peritos de dezembro de 2006, incluem o Grupo de Trabalho de Seleção de Conteúdos e um Grupo de Trabalho Técnico Arquitetônico. Estes grupos são constituídos, inicialmente, por representantes de instituições parceiras.

A Federação Internacional de Associações e Instituições Biblioteconômicas (IFLA) e a Biblioteca do Congresso co-patrocinaram um grupo de trabalho com o intuito de desenvolver diretrizes para bibliotecas digitais, inclusive a Biblioteca Digital Mundial.

A Universidade de Ciência e Tecnologia King Abdullah, em parceria com a Biblioteca do Congresso e a UNESCO, patrocinam um Comitê Internacional de Consultoria sobre a História da Ciência Árabe e Islâmica a fim de identificar livros científicos e manuscritos importantes do mundo árabe e islâmico, além de facilitar a inclusão destes itens na Biblioteca Digital Mundial.