24 de março de 2015

Atlas portulano dedicado a Hieronymus Ruffault, abade de Saint Vaast e Saint Adrian

Battista Agnese, um dos cartógrafos mais importantes da Renascença italiana, nasceu em Gênova. Ele trabalhou em Veneza entre 1536 e 1564, e por volta de 1544 criou este suntuoso e caprichado atlas desenhado à mão com pena e aquarela, com iluminura dourada e prata em velino. O atlas reflete o conhecimento geográfico mais atual da época, obtido principalmente de viagens de exploradores espanhóis e portugueses na primeira metade do século XVI. Apenas 50 anos depois da histórica viagem de Colombo em 1492, novas informações baseadas em observações diretas estavam mudando rapidamente a imagem europeia do mundo. Os mapas um, dois e dez no atlas mostram as Américas. O mapa um mostra o Golfo da Califórnia, descoberto por Francisco de Ulloa em 1539, Yucatan como uma ilha, e segmentos parciais da costa leste e oeste da América do Sul. O mapa dois mostra toda a costa do Atlântico e partes da costa do Pacífico da América do Norte e Sul. O sistema fluvial na América do Sul sugere fortemente que o Brasil seja uma ilha. O mapa dez é um mapa do mundo oval que delineia a rota de circum-navegação de Fernão de Magalhães e as rotas das frotas espanholas em busca de ouro do Peru para a Espanha, com passagens pelo Istmo do Panamá. Nas nuvens azuis e douradas que cercam o mundo oval estão querubins, ou cabeças de vento, que representam os clássicos 12 pontos cardeais, que deram origem às atuais direções da bússola. Uma versão desse mapa do mundo aparece em cada um dos 71 atlas sobreviventes de Battista Agnese. Os mapas dois e dez incluem o que aparece entre as primeiras descrições do Panamá, e o nove mostra a costa do Mediterrâneo. O atlas, que também inclui uma esfera armilar e uma carta do zodíaco finamente desenhado, foi preparado e dedicado a Hieronimus Ruffault, cujo brasão de armas faceia a dedicação. Ruffault foi um abade do mosteiro beneditino de Saint Vaast e Saint Adrian em Arras, cidade francesa de origem galo-romana.

Carta portulana da costa do Pacífico da Guatemala ao norte do Peru com as Ilhas Galápagos

Aqui apresentamos uma carta portulana espanhola da costa do Pacífico que vai da Guatemala ao norte do Peru, incluindo as Ilhas Galápagos. A face do mapa, mostrada primeiro, tem um longo eixo que se estende de leste e oeste e rosas do vento com indicadores de flor-de-lis apontando para o norte. Uma escala de distância no canto superior direito está parcialmente rasgada; uma escala de latitude, de 17 graus ao norte a cerca de nove graus ao sul, também aparece danificada. A abundante nomenclatura costeira foi cuidadosamente escrita, e a carta também indica muitos recursos costeiros, vilas e colônias. Desenhos arquitetônicos estilizados de edifícios e conjuntos de edifícios com bandeiras representam cidades e vilas do interior. Três desses lugares são identificados como “qujto”, “granada” e “leon”. O gráfico também inclui desenhos decorativos de quatro pássaros grandes e uma árvore. Pesquisadores da Divisão de Geografia e Mapas da Biblioteca do Congresso concluíram que o mapa provavelmente “foi feito depois do ano de 1561, pois ele contém o nome Landecho de uma vila na Guatemala. Essa aldeia parece ter sido assim nomeada em homenagem a um presidente da Audiencia de Guatemala, chamado Landecho, que assumiu o cargo em 1561”. O mapa foi cortado no formado de um retângulo rudimentar, esteirado e montado entre folhas de Lucite transparente. A segunda imagem mostra o lado verso do mapa.

Canal do Panamá. Mapa do projeto do canal de esclusas

Esse mapa grande, colorido e cheio de detalhes é da coleção da Biblioteca da Zona do Canal do Panamá, transferida em 1978 para a Biblioteca do Congresso. Essa coleção contém vários mapas, planos e diagramas que revelam detalhes da história do Panamá e da construção do Canal do Panamá durante o período de dez anos de 1904 a 1914. Ele mostra a linha do canal de eclusas planejado com elevações dos pontos altos a 85 pés (25,9 metros) e representa o trabalho da Comissão do Canal Ístmico pelo engenheiro chefe John Stevens. Stevens supervisionou a engenharia do sistema de eclusas do canal e os desvios da ferrovia do Panamá. O mapa mostra a linha do canal, locais contemporâneos e planejados da ferrovia do Panamá, barragens e corpos d'água e suas profundezas, e ainda inclui algumas sondagens e relevos. A elevação de terreno é mostrada por contornos e sombreados, e a medida é dada em metros. Escalas de distância estão em milhas terrestres e quilômetros.

Mapa de propriedade da Zona do Canal mostrando bens pertencentes aos Estados Unidos da América, à Companhia Ferroviária do Panamá e terras reivindicadas por particulares

Esse mapa grande e cheio de detalhes é da coleção da Biblioteca da Zona do Canal do Panamá, transferida em 1978 para a Biblioteca do Congresso. Essa coleção contém vários mapas, planos e diagramas que revelam detalhes da história do Panamá e da construção do Canal do Panamá durante o período de dez anos de 1904 a 1914. De acordo com uma anotação no mapa, o “mapa mostra o terreno na Zona do Canal separado para todos os propósitos governamentais na Zona do Canal até o momento, seja pertencente aos Estados Unidos da América, à Companhia Ferroviária do Panamá ou a particulares. Ele ainda indica se essas reservas para fins governamentais foram feitas para trabalhos no canal, fortificações, iluminação, locais da cidade, reservatórios, bacias hidrográficas ou fins diversos...”. Marcações coloridas no mapa subdividem as terras dos EUA entre as obtidas por tratado, compradas ou adquiridas dos franceses. A França havia começado a trabalhar num canal ao longo do istmo em 1879, mas o projeto foi interrompido. O Panamá conquistou sua independência da Colômbia em 1903, e os Estados Unidos, por sua vez, adquiriram os direitos do Panamá para construir um canal, e ainda compraram os bens da extinta empresa de construção civil francesa que havia iniciado a construção do canal. O mapa fez parte das solicitações à Câmara dos Representantes dos Estados Unidos referentes ao Comércio Exterior e Interestadual feitas por Frank Feuille, chefe do Departamento de Direito da Comissão do Canal Ístmico, em Ancón, na Zona do Canal, em 22 de dezembro de 1911 e 26 de janeiro de 1912.

Vista panorâmica do Canal do Panamá

O matemático e topógrafo francês Charles Muret fez uma das primeiras representações de um canal projetado através do istmo do Panamá por volta de 1881, no início do empreendimento francês para construir o canal, que acabou sendo malsucedido. O molde de gesso de Muret da topografia do Panamá foi apresentado na Exposição Mundial de 1885, em Antuérpia, sendo premiado com medalha de ouro. Aqui mostramos uma gravura do plano de Muret feita por L. Wuhrer (Louis Charles Wuhrer, prosperou de 1874 a 1906). A imagem mostra os navios entrando na área do canal vindo de Colón (anteriormente chamado pelos norte-americanos de Aspinwall, em homenagem a um promotor da Ferrovia do Panamá), na costa do Atlântico em direção ao sudoeste da Cidade do Panamá, na costa do Pacífico. Ela também mostra as cidades de Gatún, Chagres, Gorgona e Cruces e retrata, mas não rotula, montanhas e rios. A legenda no canto inferior esquerdo identifica as bacias do canal, uma barragem para manter o nível da água da bacia de Chagres superior, a parte inferior do rio Chagres separada do Chagres superior pelas encostas do canal, e canais secundários formados pelas encostas do canal. A legenda no canto inferior direito fornece estatísticas da amplitude e profundidade propostas do canal.

Mapa do distrito de Lango, província oriental

Este mapa do distrito de Lango na província oriental de Uganda foi publicado em 1945 pelo Departamento de Pesquisas do Protetorado de Uganda. São mostrados itens como fronteiras distritais, provinciais e municipais; sedes distritais e municipais; cidades e centros comerciais; estradas de diferentes capacidades; e agências de correios e linhas telegráficas. O mapa contém várias adições escritas à mão e correções a lápis nas cores vermelho e azul. O distrito de Lango era a terra natal tradicional do povo Lango ou Langi, que habitou a região pantanosa a nordeste dos lagos Kwania e Kyoga no norte de Uganda. Ambos os lagos aparecem no mapa. Parte da fronteira norte do distrito era formada pelo rio Aswa, que flui sentido norte até o atual Sudão do Sul e depois se junta ao Nilo Branco. A região ao norte do rio é identificada no mapa como “desabitada”. Após a independência, os distritos do protetorado de Uganda foram divididos em pequenas unidades administrativas, e o ex-distrito de Lango agora é composto dos distritos de Apac, Lira e vários outros. A escala do mapa é de 1:250.000.

Lago Nabugabo, Uganda, África Oriental

Este mapa do Lago Nabugabo, em Uganda, foi publicado em 1963 pelo Departamento de Terras e Pesquisas de Uganda, com base em dados de pesquisa de campo, fotografias aéreas e mapas anteriores. São mostrados itens como áreas construídas, estradas, cabanas e aldeias, ferrovias, aeroportos, linhas telegráficas, igrejas e mesquitas, locais antigos e fronteiras internacionais, regionais, distritais e outras. Os símbolos são usados ​​para indicar recursos naturais e os diferentes tipos de terreno, como floresta, mata, bambu, plantação e vários tipos de pântano. Por volta de 5.000 anos atrás, o Lago Nabugabo fazia parte do Lago Vitória, do qual foi gradualmente separado por acúmulo de dunas de areia resultantes de fortes ventos orientais. A estreita faixa de pântano entre os dois lagos é mostrada no mapa. A escala é de 1:50.000. No canto direito inferior há um mapa suplementar da cidade de Mukungwe, localizada no lado oeste do Lago Nabugabo. Esta região inclui o distrito pantanoso do Lago Nabugabo de 22.000 hectares, que consta na lista de Ramsar das Zonas Úmidas de Importância Internacional, criada em uma convenção adotada em Ramsar, no Irã, em 1971, pela Conferência Internacional sobre Zonas Úmidas e Aves Aquáticas.

Mapa do protetorado de Uganda

Este mapa de Uganda durante o período de domínio colonial britânico foi publicado em 1935 pelo Departamento de Pesquisas do Protetorado de Uganda. São mostrados itens como fronteiras internacionais, intercoloniais, provinciais, distritais e municipais; estradas de diferentes capacidades; trilhas pela mata; linhas telegráficas; ferrovias; missões protestantes e católicas romanas; sítios arqueológicos; e características físicas, que incluem rios, lagos, elevação acima do nível do mar, e “cisternas permanentes em áreas secas”. Uma anotação no mapa indica que o Lago Vitória está localizado a uma altitude de 3.720 pés (1.133,86 metros) acima do nível do mar e que abrange uma área de 26.828 milhas quadradas (69.484 quilômetros quadrados). Um diagrama com índice na parte superior esquerda do mapa mostra as diferentes folhas da série internacional da qual esse mapa faz parte. Um mapa adicional mostra rotas marítimas e aéreas da Grã-Bretanha para a Uganda. A escala fornecida é de 1:1.000.000. O protetorado de Uganda aparece fazendo fronteira ao norte com o Sudão Anglo-Egípcio (atual Sudão do Sul e Sudão), ao leste com o Quênia, ao sul com o Território de Tanganica (atual Tanzânia), e ao oeste com o Congo Belga (atual República Democrática do Congo).

Bale, Uganda

O mapa da área em torno da cidade de Bale, na região de Buganda, no distrito de Uganda que na época se chamava Mengo, foi publicado pelo Departamento de Pesquisas Transoceânicas para o governo de Uganda em 1964. Ele se baseia em imagens aéreas feitas em 1960 e em dados de pesquisa de campo. Bale fica no lado oeste do rio Nilo Vitória, que flui sentido norte, saindo do Lago Vitória em direção ao Lago Kyoga, sendo navegável nesse ponto. O mapa mostra a cidade, com suas escolas, prédios administrativos, centro comercial e outras instalações. No canto inferior direito também é possível ver a cidade de Namasagali, localizada na margem direita do Nilo Vitória, com seu cais, bomba de água, escolas, hospital e outras instalações. Habitações individuais nesse mapa de pesquisa extremamente detalhado são indicadas por pontos. Os recursos físicos descritos no mapa incluem florestas, diferentes tipos de pântanos, e lagos e rios. Uma grade com índice no canto inferior esquerdo registra as folhas adjacentes a esse mapa. A escala do mapa é de 1:50.000. As distâncias são mostradas em quilômetros e em milhas, e as elevações em pés.

Masaka, Uganda

O mapa do distrito de Masaka, província de Buganda, no protetorado de Uganda (atual Uganda), foi publicado em 1959 pelo Departamento de Terras e Pesquisas de Uganda. Ele foi compilado pelo departamento com base em mapas anteriores e em fotografias aéreas tiradas em 1950. A área retratada no mapa inclui a região oeste do Lago Vitória e norte da fronteira com o território de Tanganica (atual Tanzânia), incluindo a parte do noroeste do Lago Vitória com as Ilhas Ssese e a Ilha Kome. O extremo norte do mapa é definido pela linha do equador (0° de latitude). Aparecem no mapa estradas; recursos naturais, como florestas e matas, pântanos, lagos e rios; escolas; igrejas; molhes e faróis. A cidade de Masaka, localizada a oeste do Lago Nabugabo, também é identificada. Masaka chegou a ser a segunda maior cidade de Uganda, depois de Kampala, mas foi muito destruída na guerra Uganda-Tanzânia de 1979 e na Guerra Civil de Uganda de 1981 a 1986. Uma grade adicional no canto inferior direito registra as folhas adjacentes a esse mapa. A escala do mapa é de 1:250.000. As distâncias são mostradas em quilômetros e em milhas, e as elevações em pés.