25 de junho de 2015

Códice da história mexicana de 1221 a 1594

Este manuscrito é uma cópia do século XVIII do original que, desde então, encontra-se perdido. Ele relata a história do México de 1221 a 1594. Entre outros eventos, o documento menciona a lendária descoberta de Tenochtitlán (precursora da atual Cidade do México), por Cuauhcohuatl e a morte do imperador Moctezuma (conhecido também como Montezuma). O documento está em náuatle, a principal língua da população indígena do México. A cópia foi feita no México com papel importado da Europa, provavelmente pelo padre José Antonio Pichardo (de 1748 a 1812), que criou muitas outras cópias de manuscritos mexicanos mantidos nas coleções da Biblioteca Nacional da França.

Códice Azcatitlan

Este manuscrito, conhecido como Códice Azcatitlan, data provavelmente de apenas alguns anos após a chegada dos espanhóis no México. Ele relata a história dos astecas (também conhecidos como mexicas), incluindo sua migração de Aztlán, o antigo ou lendário berço da civilização asteca, para Tenochtitlán (precursora da atual Cidade do México). O códice retrata a sucessão de governantes astecas, a chegada de tropas espanholas chefiadas por Hernán Cortés e a introdução do cristianismo. De todos os manuscritos conhecidos que recontam a história asteca, o Códice Azcatitlan é provavelmente o mais valioso e importante. Em contraste com outras histórias escritas no final do período colonial, o códice é conhecido pela forma singular em que registra memórias indígenas do passado pré-hispânico. Como outros códices astecas, está escrito em pictogramas, que foram cuidadosamente elaborados por um escriba de notável habilidade. O códice foi copiado em 25 fólios de papel importado da Europa para o México no século XVI. Para facilitar a leitura, cada episódio na história é apresentado em um fólio duplo. No primeiro fólio, o autor introduz um grupo de pessoas que os pesquisadores ainda não identificaram, podendo ser tlatoanis, ou governantes mesoamericanos de alto nível ou chefes de Estado. Do fólio 2 ao fólio 25, o escriba descreve a migração das tribos mexicas para a terra prometida de Tenochtitlán.

Códice Ixtlilxochitl

Códice Ixtlilxochitl é um calendário cerimonial que apresenta todas as principais cerimônias e festas celebradas na grande teocalli, a pirâmide escalonada de Tenochtitlán (precursora da atual Cidade do México), durante o ano mexicano. O calendário asteca consistia em dois sistemas. Este códice apresenta o Xiuhpohualli (o primeiro calendário, ou calendário solar), de 365 dias, divididos em 18 meses de 20 dias, mais um período adicional de cinco dias vazios ou de azar no final do ano, chamados de Nemontemi. O manuscrito começa com o primeiro mês do ano, Atlacahualco ou Atlcahualo (escassez de água), representado pelo desenho de uma pessoa abrindo os braços e dobrando os joelhos, aparentemente fazendo uma oferenda ao Sol. Cada feriado é representado por um pictograma: uma forma humana, um animal, uma construção ou algumas ofertas. Abaixo do pictograma de cada feriado há um comentário em espanhol, escrito à mão por um dos proprietários do manuscrito, como tradução ou explicação da imagem. Este documento é especialmente valioso, pois inclui, no fólio 112 verso, uma representação da grande teocalli. A série inclui 21 imagens pintadas. O documento está em excelente estado, como pode ser visto no brilho das cores.

Matrícula de Huexotzinco

Matrícula de Huexotzinco é um censo das aldeias na província de Huexotzinco (também conhecida como Huejotzingo). Este volumoso documento era originalmente composto por mais de 440 fólios, dos quais seis estão perdidos. O censo é dividido em três partes: um texto em espanhol que introduz o censo, o censo pictórico e uma análise em espanhol dos resultados. Cada parte começa com uma página com o glifo do nome da vila, seguido por um registo de todos os homens casados, idosos, viúvas e viúvos, doentes e os que morreram desde o censo anterior. Cada página representa um tecpan (edifício de administração oficial da tribo), e 20 cabeças, às quais foram adicionadas anotações em glifos onomásticos. A cada cinco páginas (ou tecpans), há uma figura representando uma família ou um grupo específicos. O documento também registra as profissões dos indivíduos listados, e o nome das pessoas aparece em espanhol e em náuatle. Um texto em espanhol resume os resultados do censo. A Matrícula é um documento extremamente importante para o estudo do México no início do período colonial. Suas figuras e seus comentários em náuatle e em espanhol têm se mostrado extremamente úteis para decifrar outros documentos pictóricos astecas. O censo também contém informações muito detalhadas sobre economia, organização social, língua, história, povo e arte do México nesse período.

Aubin Tonalamatl

O Aubin Tonalamatl é um códice pictórico que se lê de cima para baixo e da direita para a esquerda. Originalmente incluía mais dois fólios que, desde então, encontram-se perdidos. O Tonalamatl (papel de casca [ou livro] dos dias), era usado por sacerdotes astecas num ritual de adivinhação. Tonalli significa “dia” e amatl se refere ao papel produzido da parte interna da casca de árvores do gênero Ficus. A obra contém um calendário religioso de 260 dias, o Tonalpohualli, que era usado como um devocional diário e cerimonial para a celebração de feriados, e que serviu como a base das previsões astrológicas para o gráfico de nascimento. Este calendário litúrgico fazia parte de uma coleção pertencente a Lorenzo Boturini Benaducci (de 1702 a 1751), confiscada durante sua expulsão da Nova Espanha, em meados da década de 1740. O códice parece ter passado por várias mãos antes de ser vendido por 2.000 francos ao americanista Alexis Aubin em 24 de outubro de 1841, que comprou a obra de Frédéric de Waldeck; o manuscrito havia permanecido com Waldeck desde o início da década de 1800. Em 1889, Eugène Goupil, de origem mexicana e francesa, adquiriu a imensa coleção de manuscritos mesoamericanos de Aubin, incluindo esta obra, e em 1898 sua viúva a doou à Biblioteca Nacional da França. Este precioso manuscrito foi posteriormente roubado e atualmente está no México. As autoridades mexicanas, que se recusam a devolvê-la, confiaram o calendário ao Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH) do país.

Códice Mexicanus

Códice Mexicanus é um manuscrito oblongo com informações calendáricas e astrológicas, algumas das quais se referem à prática medicinal. O manuscrito apresenta sinais de desgaste, provavelmente porque, devido ao seu pequeno formato, quase sempre era levado no bolso de seu dono. As primeiras oito páginas contêm uma série de círculos com letras do alfabeto latino dentro, muito provavelmente designando os dias do mês. Imagens de apóstolos e santos católicos também aparecem. O livro inclui uma história dos astecas, ou mexicas, do período em que partiram, alguns afirmam que tenha sido no século XI, da terra lendária ou antiga de Aztlán. Ele fala sobre a migração asteca para o Vale do México e continua até o ano 1590, com informações sobre os conquistadores espanhóis e sua fé cristã. O livro está em papel amate, produzido das fibras batidas da casca de árvores do gênero Ficus e que foi muito utilizado no Império Asteca.

Mapa do Grande Canal, fonte de conservação de água, na província de Shandong

Este mapa, dobrado como pregas de acordeão, um estilo também conhecido como encadernação sutra, não apresenta moldura nas páginas. Produzido no estilo de pintura tradicional chinês, o mapa mostra o Grande Canal na província de Shandong durante meados da dinastia Qing, com o sul à direita e o norte à esquerda. Esta seção do Grande Canal começava de Huanglin Zhuang, a junção de Pizhou, norte de Jiangnan (na atual província de Jiangsu), e Yixian, sul de Shandong. Ela serpenteava em direção ao norte, passando por mais de 30 cidades e condados, começando em Yixian, e depois Tengxian, Laiwu, Sishui, Yutai, Zouxian, Qufu, Yanzhou Fu, Taishan Zhou, Jinxiang, Jining Zhou, Ningyang, Danxian, Jiaxiang, Feicheng, Chengwu, Pingyang, Wenshang, Caozhou Fu, Dongping Zhou, Yanggu, Yuncheng, Boping, Tangyi, Jiping, Guantao, Qinghe, Xiajin, Wucheng e Gucheng, terminando em Jingzhou (uma cidade administrada diretamente pela capital), na junção de Dezhou e Zheyuan Zhen. O canal fluía para o lago Weishan em Tengxian, e depois para o lago Zhaoyang e vários outros. Em seu trajeto havia diversos pequenos e grandes afluentes, como os rios Wenhe e Sihe, com alguns de seus cursos retratados de forma tão densa como redes. Também são apontadas várias nascentes, todas nomeadas, espalhando-se ao redor dos afluentes. Todos os afluentes são registrados, bem como lagos, montanhas, florestas, cidades, aldeias, pontes, mosteiros, pagodes, templos, canais d’água, barragens, bancos de areia, comportas, distâncias entre os locais e as profundidades de água. Por exemplo, uma breve anotação no início informa: “O canal de Shandong começa em Huanglin Zhuang, na fronteira com Pizhou, sul de Jiangnan, e termina em Zheyuan Zhen, na fronteira com Jingzhou. A distância medida é de 1.125 li (1 li = 576 metros) e 180 bu (1 bu = 1,6 metros)”. Essas palavras resumem todo o mapa. Tais anotações aparecem em outras partes do mapa, com caracteres bem pequenos e registradas com pincel de forma ordenada e harmoniosa. As descrições bem detalhadas indicam que o mapa foi feito pelas autoridades de transporte fluvial da agência de Shandong do Grande Canal. Existem poucos mapas da dinastia Qing, especialmente mapas do Grande Canal. Este mapa ilustra apenas a seção do canal em Shandong, mas é valorizado por sua precisão e seus detalhes.

Novo livro sobre prolongamento da vida dos pais e cuidado dos idosos, em quatro juan

Esta obra contém quatro juan em três volumes. Foi compilada pela primeira vez por Chen Zhi da dinastia Song, com adições posteriores de Zou Xuan do reinado de Dade da dinastia Yuan e editada por Huang Yingzi. Sua primeira publicação ocorreu no ano 11 (1307) do reinado de Dade, com prefácio de Wei Chesun. Atualmente, cópias da edição original são muito raras. Esta cópia, da qual mostramos o índice e o primeiro juan, foi impressa por Zhang Shihong no segundo ano (1342) do reinado de Zhizheng da dinastia Yuan. A família de Zhang Shihong tinha uma cópia da obra em sua coleção. Ele seguiu os princípios do livro ao cuidar de sua mãe, Li, que acredita-se ter alcançado mais de 80 anos e ainda com bastante saúde. Os caracteres da cópia de Zhang ficaram apagados e borrados, e algumas partes foram perdidas. Em 1341 ele adquiriu de Li Zizhen uma cópia completa da obra, que havia sido gravada e impressa na academia. Chen Zhi escreveu o primeiro juan, intitulado Shou qin yang lao shu (Livro sobre prolongamento da vida dos pais e cuidado dos idosos). Não há muita informação biográfica disponível sobre Chen Zhi. Ele foi magistrado de Xinhua Xian, província de Taizhou durante o reinado de Yuanfeng (de 1078 a 1085) do imperador Song Shenzong. O tema principal da obra de Chen é a nutrição dos idosos. Ela contém 15 ensaios sobre uma nutrição adequada, exame de sintomas e diagnóstico pelo pulso, reforço de medicamentos, personalidade e passatempos, festas e vida diária, posição social de ricos e pobres, alerta sobre vícios, uma introdução à nutrição dos idosos durante o ano, receitas para induzir o apetite aos doentes e tratar doenças, e fórmulas simples, embora eficazes, para emergências. Durante o reinado de Dade (de 1297 a 1307), Zou Xuan de Taining (atualmente na Província de Fujian), complementou a obra adicionando mais três juan e mudando o nome para Shou qin yang lao xin shu (Novo livro sobre prolongamento da vida dos pais e cuidado dos idosos). O nome de estilo de Zou Xuan era Binghe e o nome de estilo que deu a si mesmo era Jinzhi Laoren (O velho que respeita Zhi). Seu avô, seu tio-avô e duas mães seguiram o regime prescrito na obra de Chen, e todos viveram além dos 90 anos, enquanto Zou já tinha 70 quando escreveu sua obra. As adições de Zou à obra original são abrangentes e variadas. O segundo juan contém ensaios sobre cuidados da saúde, medicação e outros assuntos. O terceiro e quarto juan discutem a vida diária e bebidas e comidas, fórmulas para o tratamento dietético para mulheres e crianças, exercícios qigong para aumentar a energia da vida, cultivo da natureza interna e outros tópicos. Zou também tratou de outras formas de cuidado, como chá, vinho, incenso, passeios, veículos, criação de tartarugas, coleção de pinturas e prática da cítara.

Prescrições básicas para o uso de emergência que valem mil peças de ouro. Obra imortal de Sun, em 93 juan

Sun Simiao (de 581 a 682), natural de Huayuan, Jingzhao (província de Shaanxi), foi um renomado taoísta e médico durante as dinastias Sui e Tang, e que acabou sendo conhecido como “Rei da medicina”. Tanto o imperador Wendi, da dinastia Sui, quanto o imperador Taizong, da dinastia Tang, desejavam tê-lo na corte, mas Sun, determinado, recusou as ofertas. Quando criança, os constantes resfriados de Sun lhe renderam muitas visitas aos médicos, esgotando assim os recursos de sua família. Sun então estudou medicina e começou a praticar seus conhecimentos ainda moço. Ele selecionou o material de inúmeras obras clássicas e compilou Bei ji qian jin yao fang (Prescrições básicas para o uso de emergência que valem mil peças de ouro). O título deixa claro que, para Sun, a vida humana é tão importante e preciosa quanto o ouro. O objetivo da sua obra era permitir que cada família aprendesse e transmitisse seu conhecimento. Este livro foi concluído no terceiro ano (652) do reinado de Chenghua da dinastia Ming. Ele começa com discussões sobre a profissão médica e a dedicação absoluta que o ofício exigia. Em seguida, a obra fala sobre como lidar com doenças, diagnósticos, prescrições, uso de ervas medicinais e métodos de mistura e ingestão de medicamentos. Sun também expressou seus pontos de vista sobre ética e educação médica de uma forma que influenciou profundamente os médicos de gerações posteriores. Em suas discussões de tratamentos, ele priorizou as mulheres, divergindo da disposição de enciclopédias médicas anteriores. Sun afirmou que “a razão pela qual existem prescrições separadas para as mulheres é que elas engravidam, dão à luz e sofrem lesões no útero. É por isso que os distúrbios das mulheres são dez vezes mais difíceis de serem curados que os dos homens”. Assim, estabeleceu a base para a medicina tradicional da mulher. Após as fórmulas das mulheres, ele discutiu, nesta ordem, crianças e bebês; rosto, boca, língua, dentes e garganta; ataques causados por toxinas transmitidas pelo ar; doenças induzidas pelo resfriado; as cinco vísceras e os seis órgãos internos; diabetes; inchaço da úvula. A obra também inclui pulso, acupuntura e cáries. Além disso, Sun forneceu instruções sobre medicamentos compostos, dieta e cultivo da natureza interior. Suas fórmulas não eram apenas para o uso em caso de emergência, mas para o cuidado diário da saúde.

Citações de antigos mestres Zen

Gu zun su yu lucun er shi wu jia, san shi er (Citações de antigos mestres Zen), é uma coleção de importantes citações feitas por mestres Zen do final da dinastia Tang, do período das Cinco Dinastias e do início da dinastia Song do Sul (por volta de 700 a 1150). A expressão zun su no título significa homens respeitados de gerações mais antigas. É sinônimo de zhang lao (anciãos) e da de (grandes virtudes). Yu lu, que aparece no título, significa uma coleção de sabedoria cultivada pelos patriarcas Zen. A obra registra os ensinamentos de respeitados mestres Zen com notáveis virtudes, e suas palavras nos vários lugares que ficaram, em cada ocasião, e em diferentes formatos, como aparições públicas, informações transmitidas pessoalmente ou debates. Também estão inclusos cânticos, canções de louvor, profecias, ensaios curtos, registros de história de vida, dedicatórias, e os prefácios às coleções de citações associadas a esses homens. Devido à grande quantidade de informações detalhadas sobre os mestres Zen, a obra é um importante recurso para estudar tais mestres e compreender as principais ideias dos mais representativos. Também é um documento essencial para o estudo do Zen-budismo em seu auge. Os títulos anteriores dessa obra foram Gu zun su yu yao (Importantes citações de antigos mestres Zen), Gu zun su yu (Ditos dos antigos mestres Zen), ou Gu zun su lu (Registros de antigos mestres Zen). Sua composição original continha quatro juan. Adições e suplementos posteriores aumentaram a obra para 48 juan, o tamanho mais visto hoje em dia, e seus registros incluem citações de 37 mestres. A opinião geral é que Zezang, o mestre Zen da dinastia Song do Sul, foi o editor. Esta cópia é uma edição Song, impressa, conforme indicado na própria obra, no templo Zen de Guangli, no monte Ayuwang, província de Mingzhou. Ela contém citações de 25 mestres Zen, em 32 juan. Aqui mostramos um prefácio e a primeira parte da obra intitulada “Discursos públicos do monge Longmen Foyan, em Shuzhou”.