25 de novembro de 2014

Aos que tombaram, e outros poemas

Robert Laurence Binyon (de 1869 a 1943) foi um poeta e historiador de arte que passou sua carreira inteira no Museu Britânico, onde escreveu estudos sobre a arte holandesa, britânica e asiática. Aos 16 anos publicou seu primeiro poema e continuou escrevendo poesia ao longo de sua vida. Em 21 de setembro de 1914, logo após a eclosão da Primeira Guerra Mundial, Binyon publicou, no The Times de Londres, o que se tornaria seu poema mais famoso, a elegia “Aos que tombaram”. Profético em relação às enormes baixas que a Grã-Bretanha sofreria durante os próximos quatro anos de guerra, o poema mais tarde foi transformado em música por Sir Edward Elgar em sua obra de coral O espírito da Inglaterra (de 1916 a 1917). Após a guerra, passagens de “Aos que tombaram” foram esculpidas em diversas lápides e cenotáfios, e a obra era frequentemente recitada nas cerimônias do Dia da Lembrança, recordando as perdas da Grã-Bretanha durante a guerra, uma prática que continua até os dias de hoje. Aqui apresentamos Aos que tombaram, e outros poemas, um pequeno volume publicado em 1917 com três poemas de tempos de guerra escritos por Binyon: “Aos que tombaram”, “4 de agosto” e “Às mulheres”, com placas acompanhantes. O livro é um notável exemplo de uma coleção de poesias da Primeira Guerra Mundial. Todos os três poemas já haviam aparecidos em uma obra mais comprida, A joeira: poemas sobre a Grande Guerra, publicada no final de 1914.

Guilherme cabeça inchada: histórias dolorosas e figuras engraçadas sobre os alemães!

Na época da Primeira Guerra Mundial, o livro infantil Struwwelpeter (João Felpudo) foi um conhecido clássico infantil tanto na Alemanha como na Grã-Bretanha. Nessa paródia de tempo de guerra britânica, todos os contos de advertência originais de crianças desobedientes e seus destinos se voltam contra Kaiser Guilherme da Alemanha. O “João Felpudo” do título do poema se torna “Guilherme cabeça inchada”, enquanto “Felipe, o inquieto”, que com seu comportamento na hora do jantar derruba a mesa e estraga a comida, torna-se “Guilherme, o inquieto”, que destrói a prosperidade de seu país. O último poema se afasta mais de seu conto original, “Roberto, o voador”, que é levado por uma tempestade, mas usa o mesmo formato de imagens em quadro para mostrar o kaiser montando uma galeria de “aviação letal”, com imagens de zepelins realizando ataques surpresa contra cidades belgas.

Mapa mostrando áreas úmidas na linha de frente de Passchendaele

Com impressão sobreposta colorida em campo, este mapa da Primeira Guerra Mundial mostra a linha de frente dos Aliados em Ypres Salient no dia 2 de dezembro de 1917. A notória Batalha de Passchendaele (também conhecida como Passendale) começou em julho de 1917 e culminou em 6 de novembro com a captura da vila de Passchendaele (Flandres Ocidental, na Bélgica), pelas forças britânicas e canadenses. Embora a batalha tenha terminado algumas semanas antes, na noite de 1 a 2 de dezembro ocorreu uma ação nas áreas ao norte e leste da vila de Passchendaele, mostradas no mapa. Além das defesas alemãs (em vermelho), as características mais notáveis ​​do mapa são as áreas sombreadas de azul, pois marcam as extensas áreas úmidas e alagadas diante da linha de frente. Agravadas pelo mau tempo e pela destruição do solo devido ao intenso bombardeio de artilharia, essas condições dificultaram o avanço dos Aliados. Tão confusa e variável era a natureza do terreno que a linha destacada em azul, marcando a linha de frente, é apenas uma estimativa. Não houve mais avanços britânicos em Passchendaele e na primavera seguinte as áreas conquistadas caíram na mão dos alemães.

Batalhas britânicas durante 1918 (8 de agosto a 11 de novembro de 1918)

Este mapa colorido foi produzido pelo Setor Geográfico do Estado-Maior Geral do Ministério da Guerra do Reino Unido, impresso por Waterlow & Sons, e disponibilizado para venda ao público logo após o fim da Primeira Guerra Mundial. Ele fornece um resumo da ofensiva dos Cem Dias pelas tropas britânicas, americanas e do Império Britânico que resultou na rendição alemã em 11 de novembro de 1918. O mapa mostra o avanço aliado como fases nitidamente ordenadas, primeiro colorida a área amarela, depois verde, vermelha e azul. As listras diagonais nessas mesmas cores mostram as retiradas alemãs. Ele também informa os números de presos e armas (peças de artilharia) capturadas pelas forças aliadas nas diferentes fases da ofensiva. A linguagem do mapa sugere uma inevitável derrota alemã, em que mesmo as retiradas (como a Linha Hindenburg em fevereiro de 1917) são descritas como parte do plano dos Aliados. O mapa contribuiu para a avaliação do público sobre a guerra e fez parte da justificativa oficial dos custos do conflito de quatro anos.

Livro da criança malcriada de A.D.C.

Livro da criança malcriada de A.D.C. é um livro curto escrito à mão de desenhos e versos feitos com tinta, provavelmente produzido por um oficial britânico que trabalhava no quartel-general do exército britânico em Montreuil Sur Mer, na França, em 1917, durante a Primeira Guerra Mundial. Os temas dos poemas e desenhos são os ajudantes de ordens que trabalhavam no Estado-Maior Geral dos Aliados. Ajudante de ordens é um militar que trabalha como assistente ou secretário pessoal para militares seniores do exército ou da marinha. Entre os que receberam caricatura está o coronel Alan Fletcher, ajudante de ordens sênior do marechal de campo Douglas Haig, comandante da Força Expedicionária Britânica. O criador dessa obra satírica quis claramente permanecer no anonimato. A capa de trás do livro mostra o que é aparentemente uma vista traseira do autor uniformizado, com a legenda: “Vista traseira do autor dessa lamentável publicação”. É fácil imaginar que esse livro passou por diversos oficiais nos escritórios do quartel-general e que o autor não queria que caísse nas mãos erradas ou que sua identidade fosse revelada.

Crônicas de Cliveden, volume 1, edição 1

Crônicas de Cliveden foi um jornal produzido durante a Primeira Guerra Mundial pelos pacientes do Hospital Militar Canadense Duquesa de Connaught, no Reino Unido. O hospital ficava em Cliveden, uma enorme propriedade de campo que foi casa de Waldorf Astor, o segundo visconde de Astor, e sua esposa Nancy. Quando a guerra estourou, os Astor ofereceram parte da propriedade para a Cruz Vermelha canadense, que instituiu o hospital para tratar soldados aliados feridos. No prefácio da primeira edição da revista, o coronel W. Langmuir Wait, comandante do hospital, afirmou: “Deixem as contribuições – em rima ou em prosa... em fotografias ou em preto e branco, em forma de louvor ou de crítica – fluírem tão livremente como a luz do sol na Enfermaria Johnny Walker...” A primeira edição também incluiu uma breve carta de boas-vindas escrita por Nancy Astor. O jornal publicava poemas, contos, “Notas da enfermaria” com informações sobre pacientes e funcionários, desenhos e caricaturas, e a programação dos cultos da igreja e outras informações. Grande parte do conteúdo era humorístico. Comércios, principalmente de Maidenhead, cidade vizinha, publicavam anúncios que apareciam no início e no final do jornal. Aqui apresentamos a primeira edição do jornal, datada de 30 de junho de 1917 com o subtítulo À vontade. Essa copia apresenta uma capa bordada, feita pelo paciente John Spence durante sua recuperação no hospital. O jornal e a capa foram doados à Biblioteca Britânica por descendentes do paciente como parte do projeto Europeana 1914-1918.

Expedições estrangeiras dos franceses contra os turcos e outros sarracenos e mouros no exterior

Les Passages faiz oultre mer par les François contre les Turcqs et autres Sarrazins et Mores oultre marins (Expedições estrangeiras dos franceses contra os turcos e outros sarracenos e mouros no exterior), popularmente conhecido como Passages d'outremer (Expedições ao ultramar), é um manuscrito iluminado feito na França por volta de 1472 a 1475. Ele inclui 66 miniaturas, provavelmente pintadas por Jean Colombe (ativo entre 1463 a 1498), um iluminador de Bourges. Após a queda de Constantinopla, em 1453, o Papa Pio II rogou a libertação dos lugares santos cristãos no Oriente Médio. O projeto do papa nunca foi concluído, mas reavivou certo interesse nas Cruzadas realizadas séculos antes pelos europeus. Em 1472, Luís de Laval, governador de Champagne e conselheiro do rei Luís XI, pediu ao seu capelão e secretário, Sébastien Mamerot, para escrever uma crônica das Cruzadas. A obra é uma compilação de várias histórias que vão da lendária conquista de Jerusalém por Carlos Magno à batalha de Nicópolis em 1396 e o cerco a Constantinopla, em 1394-1402. Mais tarde, uma parte do texto foi adicionada ao início do manuscrito: a tradução francesa de uma carta escrita pelo sultão Bayezid II (por volta de 1447 a 1512) ao rei Carlos VIII (de 1470 a 1498), enviada de Constantinopla em 4 de julho de 1488 (fólio 3, verso), acompanhada por uma cópia em latim e italiano (fólio 4, reto). O manuscrito pertenceu sucessivamente a Diane de Poitiers (de 1499 a 1566), a Charles-Henri de Clermont-Tonnerre (de 1571 a 1640), e, de acordo com os ex-libres encontrados no manuscrito, ao Cardeal Mazarin (de 1602 a 1661), antes de se tornar parte da biblioteca real em 1668.

Livro das horas: imagens da vida de Cristo e dos santos

Este manuscrito, um livro de horas do final do século XIII, é composto de 87 iluminuras que ilustram cenas da vida de Cristo e dos santos. O livro é um calendário em latim da igreja cisterciense. O outro texto encontrado na obra é uma curta legenda abaixo de cada imagem. Quando foi criado, o códice incluía 90 iluminuras. Obra-prima de iluminura gótica, o manuscrito mostra como imagens religiosas eram importantes para as devoções de sua dona, provavelmente uma leiga abastada, talvez Marie de Rethel, senhora de Enghien (por volta de 1231 a 1315), que viveu em Mons, no condado de Hainaut e diocese de Cambrai. Outra possível proprietária seria Marie de Gavre, uma cisterciense de Wauthier-Braine, perto de Nivelles, também na diocese de Cambrai. As pinturas são de dois artistas: Mestre Henri e um pintor anônimo que, no entanto, esteve mais envolvido na obra e pintou as ilustrações mais bonitas. O estilo das iluminuras mostra as influências das tradições artísticas da França, Inglaterra e do Sacro Império Romano. A presença de santos locais, como Gertrudes de Nivelles (de 626 a 659), Waltrude (falecida por volta de 688), Lambert e outros associa o manuscrito à diocese de Cambrai.

Hospital na Cúpula

Esta é uma fotografia do interior do Hospital na Cúpula, em Brighton, na costa sul da Grã-Bretanha. Durante a Primeira Guerra Mundial, diversos prédios em Brighton foram transformados em hospitais para tratar os milhares de soldados indianos feridos em combate na França. Dessas transformações, a mais espetacular ocorreu no Pavilhão Real, em Brighton, originalmente construído no estilo “oriental” para o rei Jorge IV, no início do século XIX. Além de ser “equipado com todas as comodidades modernas”, esse hospital contava com mais de 680 leitos para soldados indianos feridos. Esta série de centenas de fotografias que registram a contribuição de soldados indianos no esforço de guerra dos Aliados foi produzida em 1915 pelo fotógrafo canadense Charles Hilton DeWitt Girdwood (de 1878 a 1964). Logo no início de sua carreira como fotógrafo profissional Girdwood teve uma ligação com a Índia, onde fotografou o Delhi Durbar de 1903, a excursão real de 1905-1906, e o Delhi Durbar de 1911. Em 1908 ele abriu uma agência fotográfica chamada Realistic Travels, especializada em fotografia estereoscópica. Com a eclosão da guerra em 1914, Girdwood voltou da Índia e, em abril de 1915, recebeu autorização do Departamento da Índia para fotografar o trabalho dos hospitais militares indianos em Bournemouth e Brighton. De julho a setembro de 1915 ele trabalhou na França como fotógrafo oficial para registrar tropas indianas e, posteriormente, britânicas em campo de batalha. No final de seu período na França, Girdwood também fez um filme cinematográfico da campanha, lançado sob o título Com os combatentes do Império.

Papéis de Garvin. Caderno de anotações

Em abril de 1915, o segundo-tenente Roland Gerard Garvin do exército britânico se matriculou em um curso de instrução no Colégio Militar em Camberley, condado de Surrey, Inglaterra. Lá assistiu a palestras sobre instrução tática, topografia, engenharia de campo, administração, organização, direito militar e higiene. Um de seus professores foi o major Hubert Conway Rees, que comandou um batalhão durante a retirada de Mons em 1914. Essas anotações e esses desenhos foram feitos por Garvin durante o período que passou em trabalhos de campo realizados como parte do curso e liderados pelo major Rees. As anotações mostram que Garvin aprendeu a abrir seteiras em muros de nove polegadas (22,86 centímetros) e de 14 polegadas (35,56 centímetros), como esconder abatises ou fortificações de campo, e as medidas para uma cobertura eficaz. Major Rees ressaltou a necessidade de usar esse conhecimento junto com o senso comum, pois “fazer trincheiras” não era uma ciência exata. A abreviatura DSO, depois do nome de Rees, significa Ordem de Serviços Distintos, uma honra militar britânica.