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17 de outubro de 2014

Demonstração do estalo do chicote – L.K. Edwards, Junior

Demonstração do estalo do chicote – L.K. Edwards, Junior

Fredric Remington apresentou aos americanos o vaqueiro “Cracker da Flórida” na edição de agosto de 1895 da Harper’s Magazine. Remington delineou e escreveu sobre a raça ferozmente independente de pecuaristas da Flórida, que criavam gado e lutavam contra ladrões de rebanho ao longo da fronteira. Para Remington e muitos de seus contemporâneos, a Flórida que conheceram se assemelhava a uma fronteira como qualquer região dos EUA no final do século XIX. O termo “cracker” deriva do som criado pelo estalo de um chicote. Os Crackers da Flórida carregavam chicotes e os usavam, junto com cães, para pastorear o gado em pradarias úmidas e cerrados da Flórida. Nesta gravação, L.K. Edwards, Junior, um pecuarista da terceira geração de criadores do condado de Marion, na Flórida, demonstra o estalo do chicote no Festival Folclórico da Flórida de 1956, em White Springs. De acordo com Edwards, o melhor chicote era feito de camurça “curtida pelos índios” e mantida com óleo produzido do pé da vaca. Ele fala sobres os diferentes tamanhos, materiais e estilos de fabricação usados ​​para fazer chicotes, que fazem parte de uma antiga tradição e arte popular entre os criadores de gado da Flórida.

Caixões empilhados ao longo da margem de um canal após a passagem do furacão de 1928, em Belle Glade, Flórida

Caixões empilhados ao longo da margem de um canal após a passagem do furacão de 1928, em Belle Glade, Flórida

Apenas dois dias antes do segundo aniversário do furacão Great Miami, que devastou o sul da Flórida, outra poderosa tempestade atingiu a costa do estado. O furacão de categoria 4 causou pelo menos 1.500 mortes no Caribe antes de chegar ao condado de Palm Beach, em 16 de setembro de 1928. A tempestade resultou em danos estimados em US$ 25 milhões ao longo da costa atlântica da Flórida, de Fort Pierce a Boca Raton. No entanto, o maior estrago ocorreu no interior, especialmente ao longo da costa sul do Lago Okeechobee. Durante a passagem do furacão sobre o grande e raso lago, ventos intensos formaram uma onda que derrubou comunidades agrícolas que haviam sido construídas de forma apressada. O impacto da tempestade foi tão devastador na região que ela ficou conhecida como o Furacão do Lago Okeechobee. A destruição pode ser em grande parte atribuída à drenagem dos Everglades e seus efeitos. Décadas antes da tempestade, o estado da Flórida drenou milhares de hectares de terras úmidas nos Everglades do norte. Operações agrícolas comerciais foram estabelecidas na terra recuperada e caminhões cheios de trabalhadores imigrantes foram trazidos para trabalhar nas fazendas. Casas e edifícios construídos sem muita qualidade acompanharam o boom agrícola. Essas falhas apareceram durante o furacão de 1928. Estimativas de morte na região do Lago Okeechobee variam de 1.800 a 3.500; só no Cemitério Port Mayaca estão enterradas pelo menos 1.600 pessoas. Devido ao afastamento da área devastada e a dimensão da destruição, nunca conheceremos o verdadeiro número de vítimas. Depois de visitar a área após a passagem do furacão, o presidente Herbert Hoover iniciou um projeto para construir um dique maciço para cercar a metade inferior do Lago Okeechobee. O resultado foi o Dique Herbert Hoover, com 85 milhas (136,79 quilômetros) de comprimento e 36 pés (10,97 metros) de altura. O dique permaneceu firme durante outros furacões na década de 1940.

Cartão de serviço da Primeira Guerra Mundial de Marjory Stoneman Douglas

Cartão de serviço da Primeira Guerra Mundial de Marjory Stoneman Douglas

Marjory Stoneman Douglas, mais conhecida como ambientalista e autora do livro O rio de grama (1947), serviu na Marinha dos Estados Unidos durante a Primeira Guerra Mundial, de abril de 1917 a maio de 1918. Frank Bryant Stoneman, pai de Marjory e editor-chefe de Miami Herald, enviou sua filha para cobrir a história da primeira mulher na área de Miami a se alistar nas forças armadas durante a Primeira Guerra Mundial. Marjory foi a primeira a chegar ao escritório de recrutamento e se tornou a própria mulher do relato que havia sido enviada para fazer. Mais tarde ela entrou para a Cruz Vermelha e viajou para a Europa depois da Grande Guerra. Quando retornou aos Estados Unidos, tornou-se uma talentosa autora e proponente incansável da proteção ambiental. Marjory Stoneman Douglas faleceu em 1998 aos 108 anos de idade. O documento que apresentamos aqui é o cartão de serviço da Primeira Guerra Mundial de Marjory. Este cartão indica que ela serviu por 319 dias no posto de escrevente de 1ª classe, sendo depois promovida a escrevente-chefe, posto em que foi exonerada.

Canção Passeio no barco com fundo de vidro em Wakulla Springs, por Luke Smith

Canção Passeio no barco com fundo de vidro em Wakulla Springs, por Luke Smith

A gravação sonora apresentada aqui possui uma canção recitada por Luke Smith no Festival Folclórico da Flórida em 1981, em White Springs, Flórida. Smith, um antigo guia no Rio Wakulla, canta sobre o ambiente subaquático e chama os peixes para o barco. Sua canção relembra cantos espirituais e de trabalho no campo de afro-americanos, comuns em todo o extremo sul dos Estados Unidos. Aligatores, cobras, pássaros raros e exotismo local fazem parte da indústria turística da Flórida. Passeios de barco narrados em lugares como o Parque Estadual de Wakulla Springs, localizado na nascente sul de Tallahassee e que dá origem ao Rio Wakulla, oferecem aos visitantes a oportunidade de experimentar todas essas coisas e muito mais com a orientação de guias instruídos. Esses passeios são parte consagrada das atrações da Flórida em Wakulla Springs, Silver Springs, Homosassa Springs, Rainbow Springs, entre outros locais. Desde o final da década de 1800, guias em Wakulla Spring contam lendas populares e descrevem a fauna e a flora enquanto remam subindo e descendo o rio com os visitantes. Em 1930, o empresário Edward Ball construiu uma pousada em Wakulla Springs, e à medida que Wakulla Springs se firmava como um atraente local para turistas e cineastas, os guias recebiam embarcações maiores e emprego regular. Ainda nos dias de hoje, descendentes dos primeiros barqueiros em Wakulla Springs seguem os passos de seus antepassados, ​​e seus cantos, piadas e histórias são passados de geração em geração.

Águas do destino

Águas do destino

A drenagem sistemática dos Everglades da Flórida começou a sério em 1905. Napoleon Bonaparte Broward, então governador da Flórida, destinou fundos substanciais do estado e solicitou ajuda federal para reclamar o uso dos vastos pântanos no sul do Lago Okeechobee. O objetivo final da recuperação dos Everglades era para ter acesso ao rico lodo, em muitas áreas coberto por uma fina camada de água doce. O lodo consistia em material orgânico acumulado por milhares de anos acima da base rochosa de calcário. O lodo resultou em solo fértil e pronto a ser usado, porém se esgotou rapidamente diante da agricultura intensiva. Quando secado pelo sol quente da Flórida, o lodo podia pegar fogo. Essa combinação de fogo e agricultura excessiva reduziu significativamente a extensão do lodo nas décadas após o início da drenagem. Quando o lodo acabou, operações agrícolas comerciais em grande escala dependiam fortemente de fertilizantes que contaminavam o meio ambiente. Além disso, a drenagem necessária para expor o lodo alterou significativamente a paisagem e a ecologia do sul da Flórida. Canais baixaram o lençol d’água e inibiram o fluxo natural do próprio Everglades. Como resultado dos projetos de infraestrutura da drenagem, populações de animais selvagens enfrentaram redução e perda de habitat em toda a região. Esse filme, Águas do destino, apresenta o retrato típico dos projetos de manejo de água antes de todos os seus impactos ambientais ficarem conhecidos. O narrador se refere aos esforços da Região de Controle de Enchentes Sul e Central da Flórida e do Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA ao mostrar “domínio [sobre a água] pela mão do homem determinado”. O filme, produzido em 1950, contém excelentes cenas de todos os aspectos do processo de construção da infraestrutura da drenagem e fornece ideias sobre as mudanças no pensamento sobre o conhecimento do manejo de água desde meados do século XX.

Palhaço Emmett Kelly, do circo Ringling, em Sarasota, Flórida

Palhaço Emmett Kelly, do circo Ringling, em Sarasota, Flórida

Emmett Kelly (de 1898 a 1979), na imagem, representou a melancolia do palhaço-vagabundo Weary Willie para o circo Ringling Bros. and Barnum & Bailey por mais de uma década. Sua atuação foi diferente da retratada do típico palhaço jovial e tornou Weary Willie um dos componentes mais memoráveis ​​do show dos Ringling Brothers. Os Ringling Brothers criaram o show de origens humildes em Baraboo, Wisconsin, para mais tarde ser o maior e mais conhecido circo americano. Começaram a ascensão no ramo de shows em 1884, quando se juntaram ao circo Yankee Robinson. No ano seguinte, os Ringlings compraram o Yankee Robinson e se tornaram os únicos proprietários do show móvel. Não demorou muito e adquiriram espetáculos circenses menores e buscaram os melhores artistas do mundo. Em 1919, eles uniram seus dois maiores empreendimentos – Ringling Brothers e Barnum &Bailey – em um único circo, o “Maior Espetáculo da Terra”. Em 1927, o circo mudou seus alojamentos de inverno de Bridgeport, em Connecticut, para Sarasota, na Flórida. Os membros da família Ringling passavam o inverno em Sarasota desde 1911. Esta fotografia, tirada em 1947, é de Joseph Janney Steinmetz, um fotógrafo comercial mundialmente conhecido cujas já foram publicadas em revistas como Saturday Evening Post, Life, Look, Time, Holiday, Collier’s, e Town & Country. Seu trabalho é visto como “uma história social dos EUA”, que documentou diversas cenas da vida americana. Em 1941, Steinmetz se mudou da Filadélfia para Sarasota.

Matando tempo

Matando tempo

Durante a segunda década do século XX, foram abertas rodovias para os estados do sul dos EUA, permitindo que homens e mulheres de todo o país vissem os locais exclusivos do interior da Flórida, longe das cidades nas costas leste e oeste. Após a conclusão da estrada que vai de Montreal a Miami, em 1915, o número de turistas com automóveis aumentou drasticamente. Os “turistas em latinhas” originais da década de 1920 foram pioneiros na viagem campista, e a prática se tornou cada vez mais popular depois da Segunda Guerra Mundial, à medida que jovens famílias e também aposentados cada vez mais móveis iam para o sul. Estacionamentos para trailers surgiram para atender esses novos visitantes que traziam junto suas acomodações. Da mesma forma, atrações de beira de estrada e parques de diversões construíram instalações para satisfazer as necessidades dos campistas e dos trailers. A Tin Can Tourists of the World, uma organização de apaixonados por acampamento e trailer, foi fundada em Tampa, Flórida, uma área de acampamento em 1919. Seu objetivo era fornecer aos seus membros áreas seguras e limpas para acampamento, entretenimento sadio e altos valores morais. Esta imagem de John e Lizzie Wilson e seu trailer em Bradenton, na Flórida, em 1951, é um exemplo de turistas em latinhas pós-Segunda Guerra Mundial. A placa na parte traseira do trailer identifica os Wilsons como de Boston, Massachusetts. A fotografia é de Joseph Janney Steinmetz, um fotógrafo comercial mundialmente conhecido cujas imagens já foram publicadas em revistas como Saturday Evening Post, Life, Look, Time, Holiday, Collier’s, e Town & Country. Seu trabalho é visto como “uma história social dos EUA”, que documentou diversas cenas da vida americana. Em 1941, Steinmetz se mudou da Filadélfia para Sarasota, na Flórida.

Trem de resgate arrastado para fora dos trilhos pelo furacão do Dia do Trabalho do 1935

Trem de resgate arrastado para fora dos trilhos pelo furacão do Dia do Trabalho do 1935

Em 2 de setembro de 1935, um poderoso furacão atingiu em cheio as Chaves da Flórida. Conhecido como o furacão do Dia do Trabalho, essa foi a primeira tempestade registrada de categoria 5 que atingiu os EUA. O furacão levou pelo menos 485 vidas, incluindo cerca de 260 veteranos da Primeira Guerra Mundial que trabalhavam em um trecho da rodovia transoceânica em um projeto de auxílio federal. Os veteranos faziam parte do Exército do Bônus, um grupo de soldados que acampou nas escadas do Capitólio dos EUA na década de 1930 para reivindicar a compensação prometida pelo governo federal e que, em 28 de julho de 1932, foi disperso ​​por tropas do exército americano sob o comando do general Douglas MacArthur. Mais tarde, alguns veteranos receberam tarefas de auxílio no governo do presidente Franklin D. Roosevelt através do Ministério de Progresso e Trabalhos. No dia da tempestade, as autoridades enviaram um trem para evacuar os homens, mas o trem não conseguiu chegar aos campos localizados em Lower Matecumbe Key. Esta imagem é uma vista aérea do funesto trem de resgate, tirada três dias após a tempestade. Ventos fortes e uma maré de tempestade de aproximadamente 18 pés (5,49 metros) varreram o trem para fora dos trilhos. O autor Ernest Hemingway, até então residente de Key West, capturou a indignação pública sobre o episódio em um artigo intitulado “Quem matou os veteranos?”, publicado poucos dias após o furacão. Uma investigação do governo verificou tanto os erros da evacuação como as falhas do trabalho de previsão feito pelo Departamento de Meteorologia nos dias que antecederam a chegada da tempestade. No final, o julgamento oficial atribuiu a culpa em ambos os casos à natureza, em vez de erro humano. Após o furacão do Dia do Trabalho de 1935, o Departamento de Meteorologia fundou mais estações de monitoramento no sul da Flórida e tomou medidas para melhorar a preparação contra desastres em áreas costeiras vulneráveis. O furacão do Dia do Trabalho ainda é classificado como uma das tempestades mais fortes a atingir os Estados Unidos, mas é provável que seja lembrado principalmente como o trágico desfecho da história do Exército do Bônus.

Devastação em Miami causada pelo furacão de 1926

Devastação em Miami causada pelo furacão de 1926

A Flórida, especialmente a região sudeste do estado, experimentou um rápido crescimento no início do século XX. O boom imobiliário da década de 1920 trouxe milhares de novos moradores e marcou o início de um período de construção sem precedentes. A prosperidade iniciada pela chegada das estradas de ferro Plant e Flagler, e prolongada por um interminável ufanismo, chegou a uma estridente parada no meio de setembro de 1926. Nas primeiras horas da manhã de 18 de setembro de 1926, um furacão catastrófico atingiu a costa perto de Miami Beach. Conhecido como furacão Great Miami, a tempestade traçou um rastro de destruição no sul da Flórida. Com ventos de mais de 150 milhas (241 quilômetros) por hora e maré de tempestade com alturas de até 11 pés (3,35 metros) acima da média da maré alta, o furacão deixou sua marca de South Beach a Moore Haven, no Lago Okeechobee, e na área de Baía de Tampa. A costa norte do Golfo também experimentou a ira da tempestade, que atingiu a terra pela segunda vez perto de Gulf Shores, Alabama, e despejou mais de oito polegadas (20 centímetros) de chuva em uma área que se estende de Pensacola, na Flórida, até o sul da Louisiana. Funcionários do Departamento de Meteorologia não estavam preparados para o furacão que se movia com rapidez, que não mostrou alguns sinais reveladores de uma grande tempestade antes de atingir o sul da Flórida. Os cidadãos de Miami e as comunidades vizinhas também foram surpreendidos pelo rápido avanço da tempestade. A devastação deixada no rastro do furacão fez com que um funcionário do Departamento de Meteorologia chamasse a tempestade de “a mais destrutiva na história dos Estados Unidos”. Autoridades estimaram que a tempestade destruiu 4.700 casas no sul da Flórida e deixou 25.000 pessoas desabrigadas. A Cruz Vermelha informou que 372 pessoas perderam a vida e mais de 6.000 pessoas ficaram feridas na tempestade. O impacto a longo prazo do furacão Great Miami ficou evidente nos meses e anos seguintes, com o estouro da bolha imobiliária e a Flórida mergulhada em uma depressão econômica cerca de três anos antes que o resto da nação.

Concessão de território indígena pelos índios creeks do norte e do sul e pelos índios seminoles ao coronel Thomas Brown, superintendente de assuntos indígenas do Distrito Sul da América do Norte

Concessão de território indígena pelos índios creeks do norte e do sul e pelos índios seminoles ao coronel Thomas Brown, superintendente de assuntos indígenas do Distrito Sul da América do Norte

Este documento é um anexo enviado originalmente por Henry Lee IV ao juiz territorial da Flórida, Augustus Brevoort Woodward, em setembro de 1824. Lee procurou ajuda de Woodward para garantir a reivindicação de uma propriedade adquirida por seu pai, general Henry Lee, de Thomas Brown, em 1817. Em 1 de março de 1783, vários “reis e guerreiros” representando cidades dos creeks do norte, creeks do sul e seminoles colocaram seus nomes e marcas de família em um documento que concedia a Thomas Brown, superintendente britânico de assuntos indígenas, um grande território a oeste de Santo Agostinho, no que então passou a ser a Flórida Britânica do Leste. Brown tinha vindo da Inglaterra para a América do Norte em 1774 para estabelecer uma fazenda no interior da Geórgia. Ele permaneceu leal ao governo britânico durante a Guerra da Revolução Americana e liderou uma patrulha montada, conhecida como Guardas-florestais do rei, em ataques contra os americanos ao longo da fronteira do sul. Brown ganhou o apoio e a assistência de vários líderes indígenas creeks e seminoles, que forneceram guerreiros para lutar contra seu inimigo comum, os americanos. Como troca, Brown mantinha suas cidades bem armadas e supridas. À medida que a guerra chegava ao fim em 1783, Brown e seus homens recuavam para a Flórida. Em algum momento antes de 1 de março, uma delegação que representavam cidades creeks e seminoles visitaram Santo Agostinho e se reuniram com Brown e outros oficiais britânicos. A concessão de terras inclusa aqui é resultado dessa reunião. Por conduzi-los para a batalha contra os americanos, a delegação indígena honrou seu “pai e amigo” com uma concessão de terra que se estende do Rio Amajura, agora conhecido como Withlacoochee, ao Rio Saint Johns. Este documento é uma cópia do original feita em 20 de junho de 1820, enquanto Brown morava em São Vicente, no Caribe. Esse documento contém ilustrações raras de símbolos de clãs indígenas do sudeste. Muitos americanos nativos do sudeste praticavam uma forma de organização social baseada em clãs matrilineares, onde traçavam suas linhagens com as famílias de suas mães e nasciam no mesmo clã que suas mães. Os símbolos que aparecem nesse documento representam vários clãs diferentes. É possível identificar alguns por sua semelhança com animais conhecidos, como jacaré e pássaro, enquanto outros não. Os nomes dos clãs se referiam a ancestrais míticos e geralmente tomavam forma de animais, plantas ou forças da natureza. Na época em que esse documento foi criado, dezenas de clãs existiam entre os creeks e os seminoles. O documento também apresenta títulos pertencentes a homens de liderança de cidades creeks e seminoles. Homens de alta patente portavam um título diplomático ou de guerra e se identificavam com uma cidade. Por exemplo: Tallassee Mico era um Mico, ou líder, da cidade de Tallassee.

Rua principal do canal da Flórida

Rua principal do canal da Flórida

O interesse em construir uma rota de água que cortasse a península da Flórida remonta ao domínio colonial dos espanhóis e ingleses e continuou quando a Flórida se tornou território dos EUA em 1821. Os primeiros levantamentos americanos para um possível canal na Flórida foram realizados depois da empolgação em torno da abertura do Canal Erie, em 1825. O presidente Franklin D. Roosevelt autorizou a primeira obra importante em um canal que cortaria toda a Flórida como parte dos programas de obras públicas do Novo Acordo na Flórida. Depois de muito debate, a construção da rota 13-B, de 28 rotas sugeridas, começou em 1935. Defensores da obra receberam bem os empregos e as perspectivas comerciais associadas ao canal, mas opositores temiam que o projeto ficasse muito caro, danificasse o aquífero subterrâneo e tivesse um efeito negativo sobre a agricultura na região central e sul da Flórida. Devido à oposição generalizada, em junho de 1936 o progresso no canal foi interrompido. Em 1962, o Congresso dos EUA autorizou novamente a construção. O Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA planejou o que foi chamado de Cross Florida Barge Canal. O canal deveria ter 12 pés (3,66 metros) de profundidade e largura suficiente para duas embarcações passarem ao longo do percurso iniciado na década de 1930. O curso planejado entrava no Rio Saint Johns perto de Jacksonville, cruzava Ocklawaha sul de Palatka, atravessava a cordilheira da região central da Flórida entre Silver Springs e Dunnellon, e depois se encontrava com o Rio Withlacoochee antes de chegar ao Golfo do México perto de Yankeetown. O presidente Lyndon B. Johnson falou das obras na cerimônia de inauguração e, na conclusão de seu discurso, acionou as primeiras cargas de dinamite do projeto. Em 1968, era evidente o grande progresso na parte leste do canal. O filme apresentado aqui oferece um retrato positivo do canal nos estágios iniciais de construção. O governador Haydon Burns introduz o filme descrevendo as razões para realizar a construção, o local e outros detalhes do canal. Também são mostradas ilustrações do projeto proposto, o testemunho de um geólogo, consequências na indústria da Flórida, cenas de inundações em março de 1960, uma sequência de ameaças submarinas do inimigo, e o presidente Johnson acionando as cargas de dinamite que marcaram o início da obra. Porém, principalmente por razões ambientais, logo surgiu uma feroz oposição ao canal, e a construção foi interrompida em 1971.

Seminoles com ferros durante arrebanhamento e marcação de gado na reserva de índios seminoles de Big Cypress

Seminoles com ferros durante arrebanhamento e marcação de gado na reserva de índios seminoles de Big Cypress

A pecuária na Flórida começou logo depois que a cidade mais antiga do país, Santo Agostinho, foi criada, em 1565. Espanhóis importavam gado para atender às necessidades da pequena, mas importante colônia. No início do século XVIII, criadores de gado espanhóis, africanos e americanos nativos criavam vacas nas vastas pradarias úmidas e cerrados encontrados em toda região norte e central da Flórida. La Chula, o maior rancho da Flórida espanhola, ostentou milhares de cabeças de gado nas últimas décadas do século XVII. Migrantes seminoles assumiram a criação de gado no norte da Flórida após a destruição do sistema de missões espanhol nas primeiras décadas do século XVIII. Quando, na década de 1770, William Bartram visitou a cidade seminole de Cuscowilla (também conhecida como Tuscawilla), localizada perto das antigas rancharias de La Chula, onde hoje é Paynes Prairie, ele testemunhou milhares de gados pastando na exuberante pradaria. Os seminoles permaneceram como os principais criadores de gado da Flórida até o final da Segunda Guerra dos Seminoles, em 1842. Durante a Guerra Civil, os Crackers da Flórida, chamados assim por causa do som emitido por seus chicotes, supriram o exército confederado de carne bovina e enviaram gado a Cuba e a outras ilhas do Caribe por Punta Rassa, perto da foz do Rio Caloosahatchee. A indústria pecuária moderna da Flórida decolou com a chegada das estradas de ferro no final do século XIX. No século XX, pecuaristas desenvolveram raças especialmente adaptadas para lidar com as condições extremas do clima da Flórida. A área aberta acabou no final de 1940 com a implementação de leis de delimitação territorial em todo o estado. Hoje, a indústria pecuária continua sendo um componente vital da economia da Flórida, posicionando o estado entre os principais criadores de gado nos EUA. A tribo seminole da Flórida é um dos maiores produtores do estado. Nesta fotografia, vaqueiros seminoles na Reserva de Big Cypress seguram ferros forjados na forma de suas iniciais como preparação para marcar o gado.

Retrato do vaqueiro indígena seminole Charlie Micco, na Reserva Indígena de Brighton

Retrato do vaqueiro indígena seminole Charlie Micco, na Reserva Indígena de Brighton

Índios seminoles dominaram a indústria pecuária da Flórida durante o início do século XIX. Os seminoles, povo sem origem na pecuária, herdaram gados espanhóis abandonados no século XVIII e adotaram o pastoreio como parte de sua própria cultura. Como resultado da luta durante as Guerras dos Seminoles (de 1817 a 1818, de 1835 a 1842 e de 1855 a 1858), o gado seminole praticamente desapareceu. Após a remoção da grande maioria dos seminoles e a apreensão de seu gado, os índios remanescentes da Flórida adaptaram sua cultura de pastoreio à abundante quantidade de porcos selvagens encontrados nas regiões central e sul da Flórida. O governo federal desenvolveu um programa de criação de gado para os seminoles da Flórida durante a Grande Depressão, como parte do Novo acordo indígena. O programa foi criado para fornecer uma base econômica à tribo, e seu objetivo essencial era fazer com que os seminoles deixassem o estilo de vida tradicional baseado na caça, não mais viável no sul do estado. O primeiro rebanho enviado de uma reserva ocidental chegou no início de 1930, mas não conseguiu se adaptar ao calor da Flórida. Os esforços de criação subsequentes combinavam os traços desejáveis ​​do gado que vivia no cerrado da Flórida, descendentes do antigo rebanho espanhol, com variedades produtoras de carne comprovadas. Os programas de criação acabaram resultando em animais resistentes capazes de suportar o clima e manter o peso. Charlie Micco, na foto, teve importante participação no início no desenvolvimento do programa de criação de gado na Reserva de Brighton, localizada no noroeste do lago Okeechobee. Autoridades federais escolheram Micco devido à sua experiência anterior com criação de vacas para fazendeiros brancos perto de Brighton. O governo ajudou a administrar o programa de criação de gado seminole por várias décadas, e depois, na segunda metade do século XX, os seminoles gradualmente assumiram o controle total do programa. A fotografia é de Joseph Janney Steinmetz, um fotógrafo comercial mundialmente conhecido cujas imagens já foram publicadas em revistas como Saturday Evening Post, Life, Look, Time, Holiday, Collier’s, e Town & Country.

O sagrado Alcorão

O sagrado Alcorão

Este Alcorão diferenciado contém as seis primeiras surahs (capítulos) do livro sagrado muçulmano, começando com al-Fātiḥah (A abertura) e terminando com al-Anʻām (O gado). As duas páginas iniciais contendo al-Fātiḥah são decoradas com cuidado, como geralmente acontece nesta surata, primeiro com um quadro na parte mais externa de numerosos vãos pequenos verde-oliva, mas também com uma série de outras molduras lineares em vermelho, branco, preto, verde e dourado. Entre os detalhes incluem barras de metal retorcidas e vinhas com cártulas como viga em cima e embaixo, sugerindo o formato de uma porta, e possivelmente aludindo ao fato de que al-Fātiḥah é a abertura ou entrada para todo o Alcorão. O texto está em tinta preta em negrito com frequentes rubricas e o manuscrito não segue nenhum dos estilos caligráficos conhecidos, embora ainda reflita elementos do thuluth e do naskh. Cada capítulo começa com um título que informa não só o número de versos, mas também o número de palavras e letras no capítulo – dos quais todos são elementos usados ​​na tazīb (divisão) do Alcorão em seções e subseções, bem como no esotérico ʻilm al-urūf (conhecimento das letras). Retângulos e triângulos diagonais se ramificam nas margens, fornecendo chaves de pronúncia e orientações adicionais sobre outras possíveis riwāyāt (leituras) do texto sagrado. Os marcadores de verso são indicados com vírgulas invertidas triangulares, enquanto os de seções e subseções assumem diferentes formas, todos em vermelho ou dourado. Ao longo do texto, as frases iniciais de todas as seções e subseções são rubricadas com ism al-jalālah (Nome de Deus) e a curva interna da letra kāf (k), uma possível inferência a kāf al-mashī ʼah, ou a vontade de Deus: “Seja! e é”. Duas notas de colofão, distintas e independentes, aparecem atribuindo a cópia a dois escribas diferentes: Sayf ibn Muhammad ibn Salim al-Tawqi, no início, e ʿAbdulkarīm ibn ʿUmar ibn Mūsā al-Nawfalī, no final. O manuscrito foi produzido em 1365 A.H. (1945).

Marcos da divina revelação

Marcos da divina revelação

Al-Ḥusayn ibn Masʻūd al-Baghawī (de 1044 a 1117, aproximadamente), apelidado de muḥyī al-sunnah (Revigorador das tradições do Profeta), foi um estudioso Shāfiʻi e exegeta do Alcorão. Nasceu, e possivelmente morreu, em Bagh ou Baghshor, uma antiga cidade que ficava em Coração, entre as antigas cidades de Herat (no atual Afeganistão) e Merv (perto da atual cidade de Mary, no Turquemenistão). Essa cópia do manuscrito preserva a segunda e a última parte de maʻālim al-tanzīl (Marcos da divina revelação), de al-Baghawī, uma exegese do Sagrado Alcorão. O manuscrito começa com al-kahf (A caverna), o 18º surah (capítulo), e passa a incluir o restante do livro sagrado muçulmano, com seus 114 capítulos. O texto principal está inscrito em molduras de linhas douradas, verdes e vermelhas. Todos os versos são escritos e vocalizados em tinta vermelha, nas mesmas linhas com a exegese, que segue na cor preta. Há poucos textos nas margens, com a exceção de chamadas e textos rubricados indicando o início das seções. O manuscrito, copiado por [ilegível] Ibn ʿAlī ibn Muḥammad ibn Ismāʿil em 1110 A.H. (1699), pertencia a um homem chamado Muḥammad ibn Sālim ibn 'Āmir al-Ṭawqī ainda em 1946.

Bebê robusto

Bebê robusto

O filme Bebê robusto, apresentado aqui, é um excelente exemplo das obras produzidas pela Vim Comedy Company em Jacksonville, Flórida, durante os primeiros anos do cinema mudo. Clima favorável, apoio político e imóveis e mão de obra baratos ajudaram a transformar Jacksonville em um importante centro de produção cinematográfica nessa época. O prefeito de Jacksonville, J.E.T. Bowden, no poder de 1915 a 1917, resolveu restaurar a confiança dos negócios no nordeste da Flórida após uma crise de recessão e convidou abertamente “a fraternidade de imagens em movimento deste país” a se mudar para sua cidade. No começo, as empresas cinematográficas prosperaram no clima hospitaleiro de Jacksonville, mas cidadãos e funcionários públicos se cansaram dos estúdios, cujas façanhas – como perseguições de carro sem aviso prévio ou falsas denúncias de incêndios para filmar a reação – ameaçavam a segurança pública. Em 1917, John W. Martin foi eleito prefeito numa plataforma política para reduzir a indústria cinematográfica. Naquela época, Hollywood, na Califórnia, ofereceu um local mais viável, e grande parte da indústria cinematográfica norte-americana foi para o oeste. A Vim Comedy Company, fundada no final de 1915 por Louis Burstein e Mark Dintenfass, tipificou os estúdios de curta duração do boom cinematográfico na Flórida. Vim empregava muitas personalidades intrigantes e, só em 1916, produziu 156 filmes de uma bobina. No mesmo ano, Vim também criou uma série de 35 comédias-pastelão estreladas por Oliver “Bebê” Hardy e Billy Ruge intitulada “Rechonchudo e nanico”, que de vez em quando incluía participações especiais de Ethel Burton. Outros artistas que trabalhavam regularmente com a empresa foram Harry Meyers, Rosemary Thebe, Kate Price, e Billy Bletcher e sua esposa, Arline Roberts. Incluindo elencos, diretores, equipe de filmagem (conhecida na época como “cavaleiros da manivela”) e pessoal administrativo, a Vim Southern Studio em Jacksonville empregava cerca de 50 pessoas em 1916, com uma folha de pagamento semanal regular de cerca de US$ 3.800. A produção nos estúdios da Vim foi interrompida em 1917 depois que Oliver Hardy descobriu que Burstein e Dintenfass estavam roubando dinheiro da folha de pagamento.

Resolução de interposição pelo Poder Legislativo da Flórida em resposta ao caso Brown vs. Conselho escolar, em 1957, com nota escrita à mão pelo governador da Flórida LeRoy Collins

Resolução de interposição pelo Poder Legislativo da Flórida em resposta ao caso Brown vs. Conselho escolar, em 1957, com nota escrita à mão pelo governador da Flórida LeRoy Collins

Em 1957, o Poder Legislativo da Flórida aprovou uma decisão que se opunha à decisão do Supremo Tribunal em 1954 no caso Brown vs. Conselho escolar, em Topeka, Kansas, que acabava com a segregação legal na educação pública. Foi no marcante caso Plessy vs. Ferguson, em 1896, que a segregação racial passou a ser considerada constitucional pelo Supremo Tribunal dos EUA . A decisão serviu de base para o que se tornou conhecido como leis de Jim Crow, que declarava a segregação legal se as instalações fossem “separadas, mas com os mesmos direitos”. A decisão de Brown removeu esse fundamento, e muitos segregacionistas viram o caso como o início de uma abertura para acabar com todo tipo de segregação. O Poder Legislativo da Flórida argumentou que a decisão usurpou o poder constitucional do Estado e aprovou uma resolução para declarar a decisão de 1954 inválida. O propósito da resolução de “interposição” era interpor-se entre os cidadãos da Flórida e o governo dos EUA em resposta ao que o Poder Legislativo afirmou ser uma intrusão ilegal por parte do governo federal sobre os direitos do Estado. Embora inicialmente tivesse condenado a decisão de Brown, assim como a maioria dos representantes eleitos do Sul, o governador LeRoy Collins tentou impedir que o Poder Legislativo aprovasse a resolução. Ele usou uma disposição pouco conhecida da constituição estadual para adiar de forma unilateral a ação do Legislativo de evitar a aprovação. Depois que o Poder Legislativo voltou e aprovou a resolução, ele não tinha mais o poder para vetá-la, pois não se tratava de uma lei, mas apenas de uma resolução que expressava a opinião do Legislativo sobre o assunto da integração racial. Porém, quando a resolução passou por seu escritório, Collins escreveu à mão a seguinte nota na parte inferior do documento: “Esta resolução recorrente de ‘interposição’ passa pela mesa do governador como uma questão de rotina. Não tenho nenhuma autoridade para vetá-la. Faço uso deste meio, no entanto, para avisar ao estudante do sistema político, que nos próximos anos poderá examinar este documento nos arquivos do Estado, que o governador da Flórida expressou uma oposição vigorosa e aberta contra essa resolução. Sinto que o Supremo Tribunal dos EUA usurpou indevidamente poderes reservados aos estados sob a constituição. Faço parte do protesto e da busca por meios legais de rejeição. Mas se esta resolução, que declara as decisões do tribunal ‘inválidas’, for levada a sério, ela será anarquia e rebeldia contra a nação que deve permanecer ‘indivisível abaixo de Deus’ se quiser sobreviver. Não apenas não irei tolerar a ‘interposição’, como muitos têm me procurado para fazer, mas também a censuro como algo do mal, chicoteada pelos demagogos e levada pelos ventos perigosos e inconstantes de entusiasmo, preconceito e histeria. Se a história me julgar certo hoje, quero que ela saiba que dei meu máximo para evitar essa mancha. Se eu for julgado errado, então aqui na minha própria escrita e diante de minha assinatura está a prova de culpa para sustentar minha convicção. LeRoy Collins, governador. 2 de maio de 1957.” Apresentamos aqui o texto completo da resolução, com a nota escrita à mão de Collins na parte inferior da página nove.

O assistente no campo da medicina e da sabedoria

O assistente no campo da medicina e da sabedoria

Esta cópia do manuscrito é uma obra do século XV de um autor iemenita, Ibrāhīm ibn ‘Abd al-Raḥmān ibn Abū Bakr al-Azraq, ou Azraqī. É um livro de remédios que fala sobre os usos medicinais de sementes, grãos e outros alimentos e seu valor nutricional. Parte do material se baseia em duas obras anteriores: Shifā’ al-ajsām (A cura dos corpos), de Muḥammad ibn Abū al-Ghayth al-Kamarānī, e Kitāb al-raḥmah (O livro da misericórdia), de Ṣubunrī. Há mais uma obra inclusa no final, Burʼ al-sāʻah (Recuperação rápida), um pequeno tratado escrito pelo renomado polímata persa Abū Bakr Muḥammad ibn Zakarīyā al-Rāzī (também conhecido por versões latinizadas do seu nome, Rhazes ou Rasis, por volta de 865 a 925). Na introdução, al-Azraq escreve: “Nas palavras do Profeta . . há [de pessoas] das quais sempre se precisará, os médicos para os corpos e os ulamā para a religião.” Al-Azraq ainda usou obras complementares, a saber, Laqṭ al-manāfi’ (O apanhador de benefícios), de al-Jawzī (por volta de 1116 a 1201), e Al-tadhkirah (O lembrete), de al-Suwaydī (por volta de 1203 a 1291). Ele organizou o livro para citar primeiro Ṣubunrī, seguido por al-Kamarānī e depois o seu próprio comentário. Um adendo no final fornece um glossário que define as sementes, os alimentos e outras substâncias mencionadas no livro. Al-Azraq afirma que incluiu em seu trabalho apenas alimentos medicinais conhecidos e disponíveis para seus companheiros iemenitas naquela época, uma alegação que poderia ter implicações de pesquisa interessantes, caso comprovada. De acordo com uma nota no final da obra principal, este manuscrito foi copiado para um amigo acadêmico de nome Abdullāh ibn Muḥammad ibn Jumuʻa al-Būsa’īdī, em Rabia al-Akhar 20, 1200 A.H. (19 de fevereiro de 1786). O assistente no campo da medicina e da sabedoria aparece na enciclopédia bibliográfica de Kātip Çelebi (de 1609 a 1657), mas apesar disso e do aparecimento de várias impressões modernas, pouco se sabe sobre al-Azraq.

O Compêndio da fé

O Compêndio da fé

Muḥammad ibn Jaʻfar al-Izkiwī foi um importante estudioso muçulmano que viveu por volta de 900. Seu nome, al-Izkiwī, sugere que ele veio de Izkī, uma das cidades e um dos centros de estudo mais antigos no interior de Omã. Jāmiʻ al-adyān (O compêndio da fé), às vezes chamado simplesmente de al-Jāmiʻ (O compêndio) ou Jāmiʻ Ibn Jaʻfar (Compêndio de Ibn Jaʻfar’s), é sua obra mais conhecida. Este aqui é um manuscrito do século XVIII, que contém a primeira parte do Jāmiʻ al-adyān. Conforme sugere o título, o livro resume uma grande variedade de tópicos da jurisprudência islâmica a partir da perspectiva de um ibadita. O ibadismo é uma denominação islâmica que tem suas origens no século VII, no período de dissidência entre sunitas e xiitas. O nome é em homenagem a Abdullāh ibn Ibāḍ, um dos estudiosos fundadores da doutrina. Os atuais adeptos do ibadismo são encontrados principalmente em Omã, além de outras comunidades nas regiões norte e leste da África. Esta obra aborda aspectos relacionados aos cinco pilares do islã, incluindo as cinco orações diárias, o jejum no ramadã e a esmola e inclui muitos decretos relacionados a esses tópicos. O manuscrito, em bom estado, apesar de alguns danos nas margens causados ​​pela água, foi pago pela herança do xeique ʿUmar ibn Saʿīd al-Bahlawī. Saʿīd ibn Muḥammad ibn ʿUdai al-ʿAbrī fez uma cópia em 1156 A.H. (1743). Além de chamadas, as margens incluem correções, elaborações e paráfrase do texto principal. O livro é dividido em mais de 80 bāb (capítulos), que por sua vez são divididos em opiniões e masāʼil (assuntos). Adições interessantes incluem uma lista das moedas usadas em Omã na época.

Comentário sobre “Madārij al-Kamāl”

Comentário sobre “Madārij al-Kamāl”

ʻAbd Allāh ibn Ḥumayyid al-Sālimī (entre 1869 e 1914, aproximadamente) foi um importante estudioso ibadita omaniano e poeta, que nasceu na cidade de Al-Ḥoqain, na região Rustāq do interior de Omã. O ibadismo é uma denominação islâmica que tem suas origens no século VII, no período de dissidência entre sunitas e xiitas. O nome é em homenagem a Abdullāh ibn Ibāḍ, um dos estudiosos fundadores da doutrina. Os atuais adeptos do ibadismo são encontrados principalmente em Omã, além de outras comunidades nas regiões norte e leste da África. Al-Sālimī primeiro estudou jurisprudência islâmica com os estudiosos da sua área, antes de viajar para a região leste para ampliar seus conhecimentos ao se tornar um aluno do renomado xeique Ṣālih ibn ʻAlī al-Ḥārithī (entre 1834 e 1896, aproximadamente). Apesar de sua vida relativamente curta, al-Sālimī escreveu vários livros sobre diversos assuntos, incluindo doutrina e jurisprudência islâmicas, kalām (argumento cosmológico), religião comparada, gramática árabe, ʻarūḍ (ritmos poéticos árabes), e história. Esta cópia do manuscrito é a primeira parte de um comentário intitulado Maʻārij al-āmāl (A ascensão da esperança), na qual al-Sālimī explica alguns dos conceitos em seu primeiro tratado versificado Madārij al-kamāl (As escadas da perfeição), que por si só é um comentário sobre Mukhtaṣar al-khiṣāl (O resumo das características) pelo estudioso iemenita ibadita Abū Isḥāq Ibrāhīm ibn Sulaymān al-Ḥaḍramī ibn Qays (falecido em 1082). O metacomentário aborda vários temas da jurisprudência islâmica a partir da perspectiva ibadita. Este volume se concentra nos ritos de purificação e ablução como parte da jurisprudência de salāt (orações). O comentário é dividido em vários tópicos kalām que se subdividem em masāʼil (assuntos) na forma de perguntas e respostas. O manuscrito, em tinta preta com rubricas frequentes nas seções, não tem nenhuma informação de colofão, mas está em boas condições. Não há nome de escriba ou data de criação.

O método mais sincero de distinguir os ibaditas dos caridjitas e o presente do céu sobre o julgamento do derramamento de sangue

O método mais sincero de distinguir os ibaditas dos caridjitas e o presente do céu sobre o julgamento do derramamento de sangue

Sālim ibn Ḥammūd ibn Shāmis al-Siyābī (de 1908 a 1993) foi um estudioso, poeta, historiador e juiz omaniano nascido em Ghāla, no estado de Bawshār, no leste de Omã. Estudante autodidata, al-Siyābī memorizou o Alcorão aos sete anos e passou a estudar os clássicos da língua árabe, incluindo o Alfiyah de Ibn Malik, um poema de 1.000 versos sobre as regras da gramática árabe. Al-Siyābī também foi um escritor prolífico e autor de 84 obras, de acordo com Sultān ibn Mubārak al-Shaybānī, quem categorizou o acervo das obras de al-Siyābī em prosa e tratados, poesia e escritos versificados, e pesquisa e correspondência. Este manuscrito foi copiado por Yūsuf ibn Sāʿid al-Zakwānī em 1386 A.H. (1966). Ele foi feito com tinta preta com rubricas apenas nos títulos, e o manuscrito é composto por duas obras de al-Siyābī. A primeira parte é um tratado que defende o ibadismo contra a difamação de outros estudiosos muçulmanos, e a segunda parte, intitulada wahb al-samā fī aḥkām al-dimā (O presente do céu sobre o julgamento do derramamento de sangue), apresenta-se principalmente em verso e trata da jurisprudência das lesões corporais. Essa parte é dividida em grupos de poucos versos, cada um informando o julgamento referente à lesão de uma parte específica do corpo. Na primeira obra, Aṣdaq almanāhij fī tamyīz al-ibāḍiyya min al-khawārij (O método mais sincero de distinguir os ibaditas dos caridjitas), al-Siyābī lamenta os preconceitos que outros estudiosos têm contra o ibaditas, argumentando no formato de perguntas e respostas que os ibaditas são sunitas, não caridjitas. Ele afirma na introdução que escreveu o tratado depois de ler “centenas de livros da doutrina muçulmana”, em que “alguns dos estudiosos ... estão indignados ... porque sustentam a opinião de que [os ibaditas] mataram ‘Alī depois de ter matado ‘Uthmān”. A referência aqui é ao quarto e ao terceiro califa do islã, cujos reinados (de 644 a 661) marcaram a divisão da comunidade muçulmana entre sunitas e xiitas. Os khawārij, ou caridjitas, eram historicamente seguidores de ‘Alī, mas o declararam incapaz de ser um califa porque acreditaram que ‘Alī havia comprometido sua legitimidade ao concordar com a arbitragem durante o conflito que o colocou contra Mu'āwiyah, defensor de ʻUthmān. Rebelando-se contra os dois grupos de muçulmanos e, mais tarde, declarando o regulamento da maioria muçulmana ilegítimo, esses rebeldes passaram a ser conhecidos como khawārij, ou “os perigosos”. Uma dissidência posterior dentro dos caridjitas sobre quais meios usar para promover uma mudança política legítima resultou no surgimento dos ibaditas.  Os atuais adeptos do ibadismo são encontrados principalmente em Omã, além de outras comunidades nas regiões norte e leste da África.

Al-Furqānī’s Qur’anic “Duʻā”

Al-Furqānī’s Qur’anic “Duʻā”

Este manuscrito de 13 páginas é uma duʻā (oração) mística muçulmana atribuída a Sayf ibn ʻAlī ibn ʻĀmir al-Furqānī, um estudioso ibadita omaniano conhecido por seus escritos sobre o esoterismo islâmico. O ibadismo é uma denominação islâmica que tem suas origens no século VII, no período de dissidência entre sunitas e xiitas. O nome é em homenagem a Abdullāh ibn Ibāḍ, um dos estudiosos fundadores da doutrina. Os atuais adeptos do ibadismo são encontrados principalmente em Omã, além de outras comunidades nas regiões norte e leste da África. O atributo do nome adicional de Al-Furqānī’s, al-Nizwī, sugere que ele veio de Nizwā, uma das cidades e centros de estudo mais antigos no interior de Omã. Não está claro quando ele viveu, mas uma nota no final da oração afirma que o manuscrito está em seu próprio punho, e outra nota, embora com tinta diferente, acrescenta que o manuscrito foi copiado em Rabīʿ al-Awwal em 1318 A.H. (junho de 1900). Acredita-se que al-Furqānī costumava praticar esta duʻā após cada uma das cinco orações muçulmanas diárias. O texto nas margens das duas primeiras páginas fornece orientações sobre a natureza da duʻā e como praticá-la. A linguagem é claramente de natureza Sufi, com uso frequente de termos como nūr (luminosidade), ʻilm (conhecimento), luṭf (sublimidade), e sirr (mistério). A última folha do manuscrito mostra outra oração em uma grade formada por 36 quadrados. Cada quadrado é dividido em dois triângulos que estão inscritos com a frase Allāhu ʿalīm (Alá é onisciente) e o número de vezes que a frase deve ser repetida. O uso das letras raízes ‘a-l-m (conhecer), junto com os números, sugere uma crença no chamado ʻilm al-ḥurūf (conhecimento das letras), onde acredita-se que as letras, especialmente aquelas contidas no nome de Deus, carregam segredos divinos que podem ser percebidos apenas por aqueles que adoram com diligência.

Guia bem-definido sobre o casamento dos jovens

Guia bem-definido sobre o casamento dos jovens

ʻAbd Allāh ibn Ḥumayyid al-Sālimī (entre 1869 e 1914, aproximadamente) foi um importante estudioso ibadita omaniano e poeta, que nasceu na cidade de Al-Ḥoqain, na região Rustāq do interior de Omã. O ibadismo é uma denominação islâmica que tem suas origens no século VII, no período de dissidência entre sunitas e xiitas. O nome é em homenagem a Abdullāh ibn Ibāḍ, um dos estudiosos fundadores da doutrina. Os atuais adeptos do ibadismo são encontrados principalmente em Omã, além de outras comunidades nas regiões norte e leste da África. Al-Sālimī primeiro estudou jurisprudência islâmica com os estudiosos da sua área, antes de viajar para a região leste para ampliar seus conhecimentos ao se tornar um aluno do renomado xeique Ṣālih ibn ʻAlī al-Ḥārithī (entre 1834 e 1896, aproximadamente). Apesar de sua vida relativamente curta, al-Sālimī escreveu vários livros sobre diversos assuntos, incluindo doutrina e jurisprudência islâmicas, kalām (argumento cosmológico), religião comparada, gramática árabe, ʻarūḍ (ritmos poéticos árabes), e história. Seu Īḍāḥ al-bayān fī nikāḥ al-ṣibyān (Guia bem-definido sobre o casamento dos jovens) de cinco capítulos é um tratado pequeno e bem-organizado sobre a jurisprudência do casamento, especialmente para aqueles que ainda não podem ser considerados adultos responsáveis. O tratado aborda o assunto a partir de uma perspectiva ibadita. Primeiro, Al-Sālimī divide as diversas opiniões em três categorias, ou seja, permissão, objeção e permissão condicional, antes de se aprofundar nelas, examinando criticamente cada categoria em detalhe. O manuscrito está em boas condições e o texto aparece em tinta preta e vermelha, com os locais das diferentes opiniões rubricados ao longo do texto. Esta cópia foi produzida por Muḥammad ibn Ṣāliḥ al-Muḥaidharī em 1339 A.H. (1921).

Uma viagem pela atmosfera em um dirigível

Uma viagem pela atmosfera em um dirigível

Al-riḥla al-jawwīya fī al-markaba al-hawā'iya(Uma viagem pela atmosfera em um dirigível) é uma tradução árabe de Yusuf Ilyan Sarkis (de 1856 a 1932 ou 1933) de Cinq Semaines en Ballon (Cinco semanas em um balão), um romance do escritor francês Júlio Verne, publicado pela primeira vez em 1863. O mostrado aqui é a segunda edição desta obra, produzida pela gráfica jesuíta em Beirute, em 1884 (sendo a primeira edição publicada em 1875). O romance conta a história de um explorador, Dr. Samuel Ferguson, que, acompanhado por um servo e um amigo, resolve cruzar o continente africano em um balão a hidrogênio. Um dos objetivos é encontrar a fonte do Nilo. Na tradução de Sarkis, os capítulos iniciais são compactos, tendo a obra inteira 42 capítulos, diferente da original com 44. Nascido em Damasco, Sarkis foi um dos mais importantes autores e editores árabes de sua época. Ele viveu por certo tempo em Istambul, mas passou a maior parte de sua vida adulta no Cairo. Foi editor, livreiro e escritor ativo e fez algumas pesquisas sobre antiguidades em geral, mas especialmente sobre numismática. Sarkis é mais conhecido por seu Muʻjam al-maṭbūʻāt al-ʻArabīya wa al-muʻarraba (Dicionário enciclopédico da bibliografia árabe), publicado em 1928. Faleceu no Cairo.

Anuário de 1887

Anuário de 1887

Este volume é um anuário que trata de eventos políticos no Egito de 1887, cobrindo atividades em vários ministérios e departamentos do governo. O trabalho é dividido em 12 seções, cada uma voltada para um mês. Na seção de janeiro, por exemplo, lemos sobre a chegada ao porto de Alexandria do príncipe herdeiro da Itália, o futuro rei Vítor Emanuel III, e as cerimônias oficiais realizadas em sua homenagem. Na seção dedicada a abril, lemos o obituário de Muḥammad Sharif Pasha, o quarto primeiro-ministro do Egito. O livro foi publicado pela Maṭbaʻat al-qāhira al-ḥurra em 1887. O autor do anuário, Yūsuf Ibn-Hammām Āṣāf (de 1859 a 1938), é mais conhecido por sua história sobre os otomanos, Tārīkh salāṭīn Banī ʻUthmān min awwal nashʼatihim ḥattā al-ān (História dos sultões otomanos: da sua origem aos dias de hoje). Nascido no Líbano, Āṣāf se estabeleceu no Egito e, em 1888, fundou a editora al-ʻUmūmīya, no Cairo.

A contribuição de Al-Nabhani para a história da península árabe

A contribuição de Al-Nabhani para a história da península árabe

Al-Tuḥfat al-Nabhānīya fī tārīkh al-jazīra al-ʻArabīya (A contribuição de Al-Nabhani para a história da península árabe) é de Muḥammad ibn Kahlīfa ibn Ḥamd ibn Mūsā Al-Nabhānī (de 1883 ou 1884 a 1950 ou 1951). O autor foi professor em Masjid al-Ḥarām, na Meca (assim como seu pai). O jovem Al-Nabhani começou essa obra após sua visita ao Bahrein e depois de um pedido para que escrevesse um livro sobre a história dos atuais governantes do Bahrein, bem como seus emires antigos e suas relações com amigos e inimigos. Como o plano original era limitar a obra à história de Bahrein, no começo Al-Nabhānī usou o título al-Nubdha al-laṭīfa fī al-ḥukkam min al-khalīfa (O fascinante trecho sobre os governantes da casa de al-Khalīfa). Após a ampliação da obra para incluir toda a Península Árabe, seu título também foi alterado. O nono capítulo é uma grande seção (com páginas numeradas de forma independente) sobre Basra (no atual Iraque), onde Al-Nabhani atuou por pouco tempo como juiz e foi preso pelos britânicos durante a Primeira Guerra Mundial. A presente cópia é uma segunda edição revista e ampliada, publicada em 1923 e 1924 pela editora Maṭbaʻat al-maḥmūdīya, no Cairo.

Introdução ao estudo do discurso eloquente dos árabes

Introdução ao estudo do discurso eloquente dos árabes

Muqaddama li dirāsat balāghat al-ʻArab (Introdução ao estudo do discurso eloquente dos árabes) é uma obra sobre belas-letras ou literatura árabes. O autor, Aḥmad Ḍayf, foi instrutor na Universidade Egípcia (renomeada mais tarde como Universidade do Cairo). O livro destinava-se a estudantes universitários e servia como guia de estudo para a compreensão da eloquência literária, e ainda inclui uma breve descrição do movimento moderno da literatura árabe. Outros tópicos abordados são belas-letras e sociedade, e as diferentes categorias da poesia árabe, como a poesia do período jāhilīya, literalmente “a poesia da ignorância”. Essa poesia pré-islâmica é uma importante fonte de gramática e vocabulário árabes clássicos e alguns consideram que os poemas remanescentes estão entre as melhores poesias árabes de todos os tempos. Ḍayf também inclui uma pesquisa de crítica literária na França, que vai de Pierre de Ronsard (de 1524 a 1585) a Boileau (Nicholas Boileau-Depréaux, de 1636 a 1711), ambos poetas e críticos. O autor também aborda críticos literários posteriores, como Hippolyte Taine (de 1828 a 1893) e Ferdinand Brunetière (de 1849 a 1906). O livro foi publicado pela editora de al-Sufūr no Cairo, em 1921.

Contentamento daquele que busca as mais famosas composições árabes impressas por gráficas ocidentais e orientais

Contentamento daquele que busca as mais famosas composições árabes impressas por gráficas ocidentais e orientais

Edward Van Dyck foi um diplomata americano e autor que trabalhou como secretário consular e vice-cônsul no Líbano e no Egito de 1873 a 1882. Ele era filho do missionário Cornelius Van Dyck, um médico que lecionou patologia na Universidade Protestante Síria (que se tornou a Universidade Americana de Beirute), mas muito conhecido por sua edição árabe da Bíblia. Kitāb iktifā' al-qanūʻ bimā huwa matbuʻ min ashhar al-ta'ālīf al-arabīya fī al-maṭābiʻ al-sharqīya wa al-gharbīya (Contentamento daquele que busca as mais famosas composições árabes impressas por gráficas ocidentais e orientais) é um dicionário bibliográfico de obras impressas em árabe, publicado em 1896 por Edward Van Dyck.  O livro é composto por uma introdução e três seções. A primeira seção é sobre “o interesse dos europeus na língua árabe”. A segunda é sobre a “literatura árabe desde suas origens até pouco depois da queda de Bagdá”. A terceira seção aborda a literatura árabe do “século XIII ao XVII d.C.”. O livro inclui um índice das obras literárias discutidas no texto e um índice de autores, e seu corpo principal foi concluído em 9 de setembro de 1896; porém, os índices só ficaram prontos no ano seguinte. Depois dos índices há uma declaração que diz: “Os índices foram finalizados e a impressão concluída em abril de 1897.” O epílogo do autor data de março de 1897, então a data de publicação de 1896 impressa na capa de toda a obra parece ser um erro. O livro foi editado por Muḥammad ʻAlī al-Bablawī, e publicado por Maṭbaʻat al-ta'ālīf (al-hilāl), no Cairo.

Lâmpada dos reis

Lâmpada dos reis

Sirāj al-mulūk (Lâmpada dos reis) é de Muḥammad ibn al-Walīd al-Ṭurṭūshī, um imame maliki também conhecido como Ibn Abū Zandaqa. Al-Ṭarṭūshī nasceu em Tortosa, na Catalunha (até então al-Andalus, na atual Espanha) em 1059 ou 1060, vindo a falecer em Alexandria, no Egito, em 1126 ou 1127. O tema de Sirāj al-mulūk, sua obra mais famosa, é a teoria política. A presente edição foi publicada em 1888 e 1889 por Maṭbaʻat al-khayrīyah no Cairo. De acordo com Kitāb iktifā' al-qanūʻ bimā huwa matbuʻ min ashhar al-ta'ālīf al-arabīya fī al-maṭābiʻ al-sharqīya wa al-gharbīya (Contentamento daquele que busca as mais famosas composições árabes impressas por gráficas ocidentais e orientais), um dicionário bibliográfico de obras literárias árabes, publicado por Edward Van Dyck em 1896, uma edição impressa mais antiga dessa obra foi feita em Alexandria, em 1872 ou 1873. Nas margens desta obra encontra-se o texto de al-Tibr al-mabsuk fī naṣā'iḥ al-mulūk (O lingote de ouro de conselhos para reis), uma tradução do persa para o árabe de al-Ghazzālī's Naṣīhat al-mulūk (Conselhos para reis). Nascido em Ṭūs, Pérsia (no atual Irã), em 1058, al-Ghazzālī foi um dos luminares intelectuais mais importantes do mundo islâmico. No entanto, a autoria de boa parte do Naṣīhat al-mulūk tem sido questionada no campo da estilística e em outras áreas.

A viagem de um sírio na América do Sul e Central

A viagem de um sírio na América do Sul e Central

Padre Henri Lammens nasceu em uma família católica em Ghent, Bélgica, em 1862. Com 15 anos se juntou aos jesuítas e mais tarde se estabeleceu definitivamente no Líbano. Ele dominava latim e grego e ensinou árabe em Beirute. Seu primeiro trabalho foi um dicionário árabe, Farā'id al-lugha (As pérolas da linguagem), que data de 1889. Também atuou como editor para o jornal jesuíta de Beirute, al-Bashīr (O evangelista), e escreveu muitas obras, principalmente sobre a história da Arábia na era pré-islâmica, bem como sobre a dinastia omíada. Sua obra acadêmica é prejudicada pela falta de objetividade e por uma polêmica visão geralmente violenta sobre o islã. Entre suas mais conhecidas obras estão Remarques sur les mots français dérivés de l' arabe (Comentários sobre palavras francesas derivadas do árabe), Tasrīh al-abṣār (sobre sítios arqueológicos no Líbano), e Etudes sur le régne du calipha Omaiyade Moʼawia Ier (Estudos sobre o reinado do califa omíada Muʻāwiyah I). Lammens morreu em Beirute em 1937. Al-Riḥla al-sūrīya fī Amīrka al-mutawwasiṭa wa al-junūbīya (A viagem de um sírio na América do Sul e Central) se baseia na viagem do autor para a América e seus ensaios sobre a viagem publicados em al-Bashīr em 1893 e 1894. Esses artigos foram traduzidos para o árabe por Rashid al-Shartouni e publicados como livro pela gráfica católica de Beirute em 1894. No livro, o autor fornece informações sobre práticas religiosas, agricultura, indústria, comércio e demografia dos lugares que visitou. Os países abrangidos são Cuba (do capítulo 1 ao 3), Jamaica (capítulo 4), México (do capítulo 5 ao 11), Honduras Britânicas (atual Belize, capítulo 12), Guatemala (capítulo 13), Honduras (capítulo 14), Nicarágua (capítulo 15), Costa Rica (capítulo 16), Panamá (na época uma região da Colômbia, do capítulo 17 ao 19), Colômbia (do capítulo 20 ao 23) e Equador (capítulo 23).