Itens adicionados ou atualizados recentemente

18 de agosto de 2014

Memorando sobre a questão colocada pelo judeu sobre o destino divino (Zikr Su’al al-Yahudi min al-Qadha’ wa-al-Qadr)

Memorando sobre a questão colocada pelo judeu sobre o destino divino (Zikr Su’al al-Yahudi min al-Qadha’ wa-al-Qadr)

Este manuscrito curto contém manzumah (respostas em verso) a questões sobre o destino e a predestinação. A obra é anônima. Diz-se que esta área eternamente controversa da metafísica foi inaugurada por um estudioso religioso judeu não nomeado, que tendia à tese da predestinação. O autor desta obra define argumentos contra o determinismo estrito recorrendo ao que chama de ahl al-sunnah (pensadores ortodoxos). Ele mobiliza versos e citações de várias fontes para sua refutação, dois em particular, que cita longamente. A primeira delas é de Ibn Lubb al-Gharnati, sendo às vezes intitulada Taqyid fi Masa’il al-Qadha’ wa-al-Qadr (Investigação sobre a questão do destino divino). A segunda manzumah é atribuída a Jahm ibn Safwan, uma personalidade controversa dos primórdios do Islã. Esta é uma atribuição duvidosa, primeiramente porque não se sabe de nenhum rastro literário deixado por Ibn Safwan e, em segundo lugar, porque ele próprio era repudiado pelo ahl al-sunnah. A primazia do destino divino sobre o livre-arbítrio foi vista como tema de debate e discussão desde o nascimento da filosofia islâmica. O texto principal do manuscrito é acompanhado por notas marginais e comentários, ao final.

Estudo cuidadoso da revelação autêntica

Estudo cuidadoso da revelação autêntica

Este manuscrito do século XIV, de uma obra de Abu Ishaq Ibrahim ibn Qurqul (1111 a 1174) é uma análise de problemas lexicais provenientes de textos canônicos sobre os hadiths de al-Bukhari e Muslim ibn al-Hajjaj. A obra de Ibn Qurqul foi modelada com base na obra mais conhecida de Qadi ‘Ayad, Mashariq al-Anwar `ala Sahih al-Athar (Uma luz de crepúsculo sobre a revelação autêntica). Esta é a terceira e última parte de um conjunto que começa com a letra ‘ayn e continua até o fim do alfabeto. O texto começa tipicamente com uma revisão da morfologia de uma palavra, seguida de instâncias em que a palavra foi usada por autoridades dos hadiths e por outros autores, finalizando com alguns poucos exemplos de como a palavra é usada em contexto. Ibn Qurqul nasceu na Andaluzia (na atual Espanha) e ensinou, pregou e escreveu em cidades da Península Ibérica e do Marrocos. Ele faleceu em Fez. Esta obra foi reimpressa várias vezes, mas nunca foi editada criticamente. O manuscrito tem 193 folhas numeradas, faltando os fólios 19 a 27. A primeira folha é decorada com uma moldura dourada ao redor do texto ornamental em negrito, que infelizmente está danificado, tornando-se ilegível. O restante do texto está em uma caligrafia naskh cuidadosa. A numeração das páginas não é contemporânea à cópia. Reparos e restaurações são aparentes no volume. O título, a nota do autor e o índice foram criados em uma data posterior.

Comentário sobre as distinções gramaticais

Comentário sobre as distinções gramaticais

Este manuscrito, o Sharh al-hudud al-nahawiyah (Comentário sobre as distinções gramaticais), de Jamal al-Din Al-Fakihi (1493 ou 1494 a 1564 ou 1565), é um esclarecimento resumido de questões gramaticais. O autor, natural de Meca, passou parte de sua vida no Cairo. Não se sabe muito sobre sua vida, viagens ou ensino. Ele foi admirado por seus contemporâneos, mas seus estudos se limitavam a algumas poucas obras sobre gramática que não parecem ter tido um impacto duradouro neste campo. O Sharh é conhecido pelos títulos alternativos Sharh Kitab al-Hudud fi al-Nahw (Comentário sobre o livro “Distinções em gramática”) e Hudud al-Nahw (Distinções gramaticais). Este manuscrito permaneceu desconhecido dos estudiosos. As notas biográficas e bibliográficas que acompanham a edição do Sharh publicada em 1993 pelo estudioso egípcio Mutawalli al-Damiri, por exemplo, não contêm nenhuma menção ao manuscrito. Outras cópias do Sharh são mantidas em bibliotecas do Egito e da Arábia Saudita. O texto está em caligrafia naskh clara, com rubricas frequentes. Nenhum copista ou data é fornecido. O manuscrito está encadernado junto a três outras obras: o fragmento de um tratado sobre “Em nome de Deus, o Compassivo, o Misericordioso”; o Tratado e notas sobre orações; e Testemunhas: Comentário de Ibn ‘Aqil’s sobre o al-Alfiyah de Ibn Malik.

Os segredos ocultos para pensar com clareza

Os segredos ocultos para pensar com clareza

Kashf al-asrar ‘amma khafiya ‘an al-afkar (Os segredos ocultos para pensar com clareza) abrange vários tópicos de natureza escritural, devocional e ritual. O autor, Muḥammad ibn Aḥmad Ibn al-ʻImād al-Aqfahsī (1378 a 1462), afirma em sua introdução ao livro: “Eu forneço respostas a questões problemáticas e a obscuridades escondidas da mente racional dos cultos e dos sábios cujos pensamentos estão confusos a esse respeito.” Ele usa o formato de perguntas e respostas, em que coloca uma questão seguida de citações de autoridades mais antigas e de explicações ou interpretações próprias. Poucos detalhes são conhecidos sobre a vida ou a carreira de al-Aqfahasi, além do fato de ter nascido no povoado de Aqfahas (ou Iqfahas), no Médio Egito, e ter se mudado para o Cairo, onde estudou com o estudioso e professor ʻUmar ibn Raslān al-Bulqini (1324 a 1403). Al-Aqfahsi seguia a tradição jurídica shafi’i. Ele faleceu no Cairo. Diz-se que ele era kathir al-ittila’ (inteligente e culto), o que suas obras ainda existentes confirmam. Seus escritos abrangem uma variedade de tópicos. Eles incluem obras pastorais sobre o casamento, obras sobre alimentos e etiqueta à mesa, uma história natural dos animais e uma obra sobre a história do Rio Nilo. Este manuscrito do Kashf al-asrar foi escrito em caligrafia maghribi (Norte da África), com muitas rubricas. No início do volume, há uma página de notas em diferentes caligrafias, feita no ano de 1689. A última página do manuscrito apresenta notas sobre o ritual de oração na caligrafia naskh. Infelizmente, não há nenhum colofão com informações sobre onde ou quando a obra foi copiada. Ela está encadernada junto de outras obras, menores, também em caligrafia maghribi.

Esboço em verso sem título das obrigações islâmicas

Esboço em verso sem título das obrigações islâmicas

Este manuscrito árabe sem título é uma urjūza (versificação) de Muqaddimat Ibn Rushd (Introdução de Ibn Rushd). Trata-se de uma obra sobre jurisprudência islâmica maliquita de Ibn Rushd al-Jadd (o avô), conhecido também como Abū al-Walīd Muḥammad ibn Aḥmad (1058 a 1126, aproximadamente), que não deve ser confundido com seu famoso neto, o filósofo Abu al-Walid Ibn Rushd (1126 a 1198). Esta versificação, comumente conhecida como Naẓm muqaddimat Ibn Rushd (A versificação da introdução de Ibn Rushd), é atribuída a ʻAbd al-Rahman ibn ʻAlī al-Ruqʿī al-Fāsī (faleceu em Fez, no atual Marrocos, no dia 2 de julho de 1455, aproximadamente). O poema descreve as obrigações do muçulmano em acompanhar os rituais fundamentais da religião, como a oração, o jejum, a doação de esmolas, a peregrinação e os procedimentos para ablução antes da oração. As prescrições estão detalhadas. Por exemplo, as estrofes sobre al-zakat (doação de esmolas) incluem a parcela adequada dos lucros com a agricultura e o cultivo de animais que deve ser separada, com instruções específicas quanto a produtos como tâmaras, azeitonas, óleo de oliva, gado e camelos. As seções sobre al-wudhu’ (ablução) fornecem detalhes específicos sobre as partes do corpo que devem ser limpas e em que ordem, a pureza da água usada no banho e o que fazer em locais sem água. O poema tem 19 páginas e está em caligrafia maghribi (Norte da África), com bordas ornamentais simples e os cabeçalhos dos tópicos em vermelho. O manuscrito está encadernado junto a três outras obras: Os segredos ocultos para pensar com clareza; Fatwa sobre o milênio; and Memorando sobre a questão colocada pelo judeu quanto ao destino divino.

Fatwa sobre o milênio

Fatwa sobre o milênio

Kashf ‘an mujawazat hadha al-ummah al-alf (Fatwa sobre o milênio) é parte de uma obra genealógica mais abrangente, Lubb al-Lulab fi Tahrir al-Ansab (A essência da construção de genealogias). Ela lida com os Últimos Dias na escatologia sunita. O fatwa (opinião jurídica) foi estimulado por uma questão trazida ao autor, al-Suyuti (1445 a 1505), quanto à ressurreição do Profeta Maomé, mil anos após sua morte. Al-Suyuti afirma que muitas pessoas estão interessadas na questão do milênio. Ele rejeita esta crença, dizendo que ela tem como base uma tradição batil (falsa). Sua sentença é baseada no testemunho de muitos transmissores confiáveis dos hadiths, ou daqueles que ouviram o Profeta falar. Na escatologia islâmica, os Últimos Dias ocorrerão em um momento não especificado. O fim do mundo islâmico inclui sequências familiares aos cristãos, mas difere pela introdução da figura de al-Mahdi. O Profeta Maomé não participa dos eventos finais. A crença também não tem fundamento, afirma al-Suyuti, porque faltam os sinais do Yawm al-Qiyamah (Dia da ressurreição), ou eles foram alterados por eventos históricos. O manuscrito está encadernado junto a três outras obras: Os segredos ocultos para pensar com clareza; Esboço em verso sem título sobre as obrigações islâmicas; e Memorando sobre a questão colocada pelo judeu quanto ao destino divino. Assim como ocorre com as outras obras encadernadas neste volume, o manuscrito inclui uma página de notas não associadas ao autor ou ao tema do texto. Neste caso, elas dizem respeito às propriedades médicas dos galos, com prescrições do uso do sangue ou de partes do corpo do animal como remédios contra a esterilidade, impotência e outros males.

Correção de “O método”, i.e., “Minhaj al-talibin” de al-Nawawi

Correção de “O método”, i.e., “Minhaj al-talibin” de al-Nawawi

Este manuscrito abrange cinco volumes de uma obra em seis volumes (o volume dois está faltando) sobre a lei islâmica. Trata-se de um manual prático para juízes da tradição legal shafi’i. Ele oferece princípios e precedentes, com poucas das digressões linguísticas e de outra natureza encontradas frequentemente em escritos jurídicos. A obra abrange muitos tópicos, incluindo o tratamento de prisioneiros de guerra, bebidas alcoólicas e xadrez. O manuscrito é atribuído ao jurista ‘Umar ibn Raslan al-Bulqini (1324 a 1403), mas também pode ter sido escrito por outro dentre os vários estudiosos de sua família, não havendo indicação exata de autoria ou mesmo título. As opiniões jurídicas apresentadas na obra têm como base várias fontes, mas têm sua origem na Kitab al-Umm (al-Umm significa “o exemplar”), de Muhammad ibn Idris al-Shafi’i (767 ou 768 a 820) e Minhaj al-Talibin (um manual do século XIII da lei de herança shafi’i), de al-Nawawi. Esta obra nunca foi editada. O suposto autor foi o progenitor de uma família de juristas destacados, que às vezes são confundidos entre si na literatura biográfica. Sua reputação é a de ter sido o mais célebre juíz de sua época, cujas opiniões eram tão frequentemente requisitadas, que ele não teve tempo de finalizar muitas das obras que iniciou. Exceto pelo quarto volume, cada um deles tem como cabeçalho uma inscrição de waqf (dote), de um certo ‘Abd al-Basit ibn Khalil al-Shafi’i. Os volumes estão bem encadernados, com as folhas finais marmorizadas. O texto foi escrito por mais de um escriba. O quarto volume foi provavelmente copiado separadamente, em outro momento. Ele está gravemente danificado por traças e foi rasgado, faltando a declaração de dote.

Fragmento de um tratado sobre “Em nome de Deus, o Compassivo, o Misericordioso”

Fragmento de um tratado sobre “Em nome de Deus, o Compassivo, o Misericordioso”

Este manuscrito é uma parte composta de 40 páginas de uma obra sobre a declaração pia “bi-ism Allah al-Rahman al-Rahim” (“Em nome de Deus, o Compassivo, o Misericordioso”), formalmente chamada de bismillah ou basmalah. O manuscrito contém muitas hashiyah (anotações marginais) de um autor desconhecido sobre o sharh (comentário) anônimo a uma obra maior, sem título, também de um autor desconhecido. Entoar o bismillah é, para um muçulmano, mais do que simplesmente relembrar o nome de Deus. Alguns comentaristas clássicos argumentam que o bismillah é parte integral do próprio Alcorão, já que todos os capítulos do Alcorão (com uma só excessão) começam com esta oração. A questão é discutida no manuscrito. O autor do comentário abrange tópicos como o uso do termo em al-kutub al-samawiyah (a Bíblia) e suas características linguísticas. Hoje, o muçulmano devoto inicia seu dia com esta frase, repetindo-a ao início de qualquer atividade. O bismillah também é um motivo artístico e arquitetônico usado desde os primórdios do Islã até o presente. O manuscrito foi escrito em caligrafia maghribi (Norte da África), e contém observações sobre quem o possuiu.

Comentário sobre Testemunhas: Comentário de Ibn ‘Aqil sobre o “al-Alfiyah”, de Ibn Malik

Comentário sobre Testemunhas: Comentário de Ibn ‘Aqil sobre o “al-Alfiyah”, de Ibn Malik

Este manuscrito é uma cópia do comentário de Ibn ‘Aqil (1294 a 1367, aproximadamente), sobre o famoso al-Alfiyah, de Ibn Malik, um poema de 1000 linhas sobre os princípios da gramática árabe. Tanto o al-Alfiyah quanto o comentário são textos padrão no currículo islâmico tradicional. O título do comentário, “Testemunhas”, refere-se à busca dos estudiosos por shawahid (testemunhas) antigas e confiáveis em quem se fiar para a autenticação da gramática e do léxico da língua árabe. Ibn Malik (faleceu em 1274) pretendia que seu poema fosse uma ferramenta de ensino, e não uma obra de pesquisa. O fato de que os estudantes tinham que memorizar 1000 versos gerou controvérsia nos tempos modernos quanto ao papel da memorização mecânica e da proliferação de comentários na pedagogia medieval. Não se sabe muito sobre o comentarista, Ibn ‘Aqil. Ele parece ter sido uma espécie de bon vivant, que morreu com dívidas. O manuscrito está em caligrafia norte-africana, com várias anotações. Ele está incompleto, faltando a primeira e a última página. Algumas páginas estão manchadas e a marginália foi gravemente danificada durante a encadernação. Manchas frequentes obscurecem o texto em alguns lugares. O conteúdo difere significativamente da primeira edição impressa da Editora Bulaq, no Cairo. O manuscrito está encadernado junto a três outras obras: Tratado e notas sobre orações; Comentário sobre distinções gramaticais, de al-Fakihi; e um fragmento de um tratado sobre “Em nome de Deus, o Compassivo, o Misericordioso”.

Tratado e notas sobre orações

Tratado e notas sobre orações

Este manuscrito trata das orações usadas universalmente pelos muçulmanos. A primeira seção abrange o al-hamdu lil-Allah, recitado em muitas ocasiões quando se recorda a graça de Deus por algum benefício, como o regresso seguro de uma viagem. A frase significa, literalmente, “Louvado seja Deus”, e é usada em várias formas por pessoas de várias fés. Após discutir o significado e o uso à luz dos gramáticos Sibawayh e Khalil ibn Ahmad, pioneiros da linguística árabe do século VIII, o autor distingue entre o uso “adequado” e o falar cotidiano. A obra inclui a discussão sobre os mutaradifat (sinônimos) de louvor, como shukr (agradecimento), que irritam os comentaristas, em razão de sua perceptível redundância, mas até hoje encontram amplo uso em alguns dialetos árabes. O contraste entre a fala comum e a aderência estrita às regras gramaticais e lexicais é um dos temas do texto. A segunda seção do volume abrange outra oração, específica dos muçulmanos, a Salat ‘ala al-Nabi, (Bendições sobre o Profeta), usada em muitas ocasiões em memória da prioridade de Maomé na criação. A oração foi imposta aos muçulmanos pelo próprio Alcorão (33:56). Ela causou controvérsia por causa do paradoxo em se oferecer orações ao Profeta, em vez de simplesmente trazer à memória suas virtudes. O estudo cuidadoso de orações estabelecidas apresenta uma literatura bem desenvolvida e inclui grandes nomes da academia, pregação e misticismo islâmicos. O manuscrito foi escrito em caligrafia maghribi (Norte da África). Ele não possui título, autor, copista e data. A marginália se apresenta sob a forma de notas, em vez de um comentário completo. O manuscrito está encadernado junto a três outras obras: o fragmento do tratado sobre “Em nome de Deus, o Compassivo, o Misericordioso”; O Shawahid, de Ibn Aqil, com Comentário; e o Comentário sobre distinções gramaticais, de al-Fikihi.

Um agradável suplemento à excelente cobertura contida no ensaio “A lareira intelectual e o despertador dos sonolentos”

Um agradável suplemento à excelente cobertura contida no ensaio “A lareira intelectual e o despertador dos sonolentos”

Este manuscrito, Tadhyil latif bi-dhikr masa’il hisan min risalah “Mawqid al-idhhan wa mawqiz al-wasnan” (Um agradável suplemento à excelente cobertura contida no ensaio “A lareira intelectual e o despertador dos sonolentos”), de um autor desconhecido, é um comentário ou suplemento sobre um tratado gramatical do famoso estudioso Ibn Hisham al-Ansari (1309 a 1360). O texto sobre o qual o comentário foi escrito, Mawqad al-Izhan (A lareira intelectual), trata de pontos difíceis da gramática árabe. Ibn Hisham não viajou muito, tendo realizado apenas duas viagens registradas a Meca, em uma das quais esboçou seu magistral Mughni al-Labib (A abordagem sensível), que foi perdido durante sua volta para casa. Ele reescreveu o texto completo ao chegar no Egito. Mais tarde, tomou o que parece ter sido uma medida oportunista, deixando a seita shafi’i pela hanbali, talvez a fim de obter um cargo de docência em uma das academias hanbali do Cairo. O texto principal foi impresso em 1837, na famosa Editora Bulaq, no Cairo. O comentário ou Suplemento parece ser um manuscrito único. Ele não é citado nas principais referências, nem foi publicado. O texto está em uma caligrafia naskh estreita e clara. O colofão está danificado e ilegível exceto pela data e pelo nome do escriba, o qual indica que o manuscrito tenha sido copiado em 11 de janeiro de 1854 por Muhammad.

Introdução acessível aos profetas mencionados no Alcorão. Ensaio sobre as regras de uso de “la-siyyama” (“especialmente”)

Introdução acessível aos profetas mencionados no Alcorão. Ensaio sobre as regras de uso de “la-siyyama” (“especialmente”)

Este manuscrito árabe contém duas obras curtas do estudioso egípcio do século XVIII Ahmad ibn Ahmad al-Suja’i. A primeira obra, com sete páginas, lida com os profetas mencionados no Alcorão, que são descritos em versos com comentários. Dentre as pessoas mencionadas, há alguns dos profetas do Antigo Testamento, como Moisés, Aarão e Isaque. O segundo tratado, de três páginas, é intitulado Risalah fi ahkam la-siyyama (Regras que governam o uso de “especialmente”). Trata-se de uma discussão do significado e uso adequado desta expressão. Ambas as obras foram publicadas em edições críticas modernas. Al-Suja’i nasceu em uma vila ao norte do Cairo, tendo recebido de seu pai, uma distinta figura religiosa, sua educação básica em estudos linguísticos e religiosos. Al-Suja’i é autor de dezenas de obras sobre as ciências islâmicas e a língua árabe. Sua biografia aparece nas principais obras históricas do cronista e biógrafo 'Abd al-Rahman al-Jabarti (1754 a 1822) e de Ali Mubarak Basha (1823 ou 1824 a 1893), um ministro de gabinete e influente reformador. O manuscrito está em uma caligrafia naskh clara, mas pouco artística.

Poema

Poema

Este manuscrito é um poema sem data de ‘Ali ibn ‘Abd al-Haqq al-Qusi (1788 a 1877). O poema é um qasidah (poema lírico). O autor é proveniente de al-Qus, uma vila no Alto Egito. Ele estudou nesta vila e em al-Azhar, no Cairo. Após suas primeiras viagens, estabeleceu-se em Asyut, uma vila no Nilo a aproximadamente 320 quilômetros ao sul do Cairo, onde ensinou até o fim de sua vida. Seus escritos mais conhecidos incluem obras sobre religião e astronomia. Este qasidah, do qual uma cópia autografada é mantida na biblioteca da Universidade Rei Saud, na Arábia Saudita, é seu único poema ainda existente. Nenhuma das obras de al-Qusi foi editada em edições críticas. A cópia apresentada aqui está escrita em uma caligrafia naskh clara. O copista não é conhecido e o local ou data da cópia não são fornecidos.

Seleções da obra de al-Bukhari, com comentários sobre seções pouco comuns

Seleções da obra de al-Bukhari, com comentários sobre seções pouco comuns

Este manuscrito em dois volumes é uma abreviação dos hadiths do Profeta Maomé, conforme organizada por al-Bukhari (810 a 870), feito por Ahmad ibn ‘Umar ibn Ibrahim Al-Qurtubi (1182 a 1258). O primeiro volume está incompleto, faltando tanto a inscrição do título, quanto o colofão. A abordagem do autor é selecionar e comentar certos hadiths da coletânea canônica de al-Bukhari al-Sahih (O genuíno), enfatizando interpretações pouco comuns que tenham se estabelecido ao redor de cada citação. As seleções estão agrupadas em tópicos sobre a fé e a prática, como jejum, zakat (doação de esmolas), peregrinação, promoção da paz e herança. Estão dispersos pela obra muitos detalhes sobre tópicos como crença e superstição, prática do ato sexual durante o mês do Ramadã, anjos, céu, inferno e fenômenos celestiais, como eclipses. Não se sabe muito sobre Al-Qurtubi, além do fato de que ele viveu, ensinou e faleceu em Alexandria, no Egito. Seu nome indica que ele ou sua família provém da Espanha muçulmana, uma suposição sustentada por sua adesão à escola jurídica maliquita. Aparentemente, com base nas notas espalhadas de literatura biográfica, ele concentrou toda sua vida no ensino e não escreveu muitos livros além desta seleção a partir de al-Bukhari, além de uma coletânea similar de Muslim [ibn al-Hajjaj]. Em sua vida, foi conhecido como Ibn al-Muzayyin, ou “Filho do barbeiro”. Uma nota ao fim do segundo volume indica o planejamento de um terceiro. Os livros possuem selos de propriedade da Biblioteca do Quediva, bem como uma nota indicando que fizeram parte de um waqf (legado por caridade).

Coletânea de cinco tratados sobre vários assuntos, de al-Suyuti

Coletânea de cinco tratados sobre vários assuntos, de al-Suyuti

Este manuscrito sem data contém cinco ensaios curtos do prolífico estudioso Jalal al-Din al-Suyuti (1445 a 1505). A obra mais longa deste volume é uma coletânea de 20 páginas de hadiths (ditos atribuídos ao Profeta Maomé) sobre sonhos, visões e outras ocorrências extraordinárias. A obra mais curta é uma nota de duas páginas sobre o al-hamd (louvor), sua gramática e uso. Outros títulos tratam de várias questões gramaticais, sob a forma de perguntas e respostas. Os tratados estão organizados da seguinte forma: 1. Tanwīr al-ḥalak fī imkān ruʼyat al-nabī wa al-malak (Esclarecendo a possibilidade de se ver o Profeta ou anjos, fólios 1 a 21); 2. Al-fatāwa al-naḥwiyya (Éditos gramaticais, fólios 22 a 33); 3. Fajr al-thamd fī iʻrāb akmal al-hamd (Esclarecendo a conjugação de akmal al-hamd, fólios 33 a 35); 4. Rafaʻ al-sinah fī nasb al-zinah (Explicando por que zinah deveria ser um objeto, fólios 35 a 45); e 5. Al-ajwiba al-zakiyya aʻn al-alghāz al-subkiyya (As respostas corretas às enigmas de al-Subki, fólios 45 a 54). Al-Suyuti, que passou a maior parte de sua vida recluso, após lecionar por um breve período no Cairo, é reconhecido por seus comentários às obras de estudiosos mais antigos. Suas principais obras de referência são Tafsir al-Jalalayn (Comentário sobre o Alcorão pelos dois Jalals, i.e., Jalal al-Din al-Suyuti e Jalal al-Din al-Mahalli) e Jami’ al-Jawami’, uma referência padrão aos hadiths. Sua obra histórica sobre os califas ainda é impressa. Ele também escreveu uma história de Rawdhah, a ilha sobre o rio Nilo, no Cairo, onde viveu e escreveu. O manuscrito está em uma caligrafia clara e livresca. Algumas das obras estão incompletas. O nome do copista e a data não são fornecidos.

O caminho dos envergonhados em direção à conquista

O caminho dos envergonhados em direção à conquista

Este manuscrito é um qasidah (poema) de oito páginas sobre Zayn al-Din Sha’ban ibn Muhammad al-Athari (1364 a 1425) louvando o Profeta Maomé. O poeta lista os atributos perfeitos do Profeta e menciona sua estatura, acima de todas as criaturas de Deus. Em seguida, ele fala sobre o milagre de Isra e Miraj, a viagem noturna de Maomé ao céu. O autor se dirige diretamente ao Profeta, pedindo-lhe que “tome-o pela mão”. Ele exalta ahl al-bayt (a família do Profeta), declarando que as orações estão “impedidas e são insignificantes” se não incluírem Fátima, Hasan e Husayn. Os primeiros quatro califas também são elogiados, com ênfase em ‘Ali ibn Abi Talib. O poeta conclui com reflexões pessoais sobre sua própria falta de mérito. O manuscrito não está datado e não apresenta colofão. Embora al-Athari fosse reconhecido como calígrafo, esta cópia, talvez produzida no século XIX, foi escrita em uma caligrafia simplória, sem qualquer distinção em particular. Al-Athari era um estudioso reputado. Ele deixou muitas obras de comentários religiosos, gramáticas da língua árabe e obras de caligrafia. Nascido em Moçul, no Iraque, mudou-se para o Cairo para estudar com os principais estudiosos e calígrafos. Como muitos intelectuais, viajou muito. Viveu em diversos momentos em Damasco, Medina e Meca. Vários de seus escritos, incluindo O caminho dos envergonhados em direção à conquista, foram publicados em edições modernas. Ele é reivindicado por Moçul como filho nativo, e uma tese de graduação sobre suas contribuições como gramático foi escrita na Universidade de Moçul. Este manuscrito está encadernado juntamente a dois outros títulos, A curiosidade mitigada pelas antigas maravilhas relacionadas, de al-Suyuti, e Fundamentos e Regras, de al-Nawawi. Também está encadernada no mesmo volume a primeira página de um manuscrito atribuído ao santo sufista ‘Abd al-Qadir al-Jilani (falecido em 1166).

Fundamentos e regras do Imã al-Nawawi

Fundamentos e regras do Imã al-Nawawi

Este manuscrito curto, Usul wa Dawabit lil-Imam al-Nawawi (Fundamentos e regras do Imã al-Nawawi), do principal jurista shafi’i, conhecido como al-Nawawi (1233 a 1277), destaca os princípios a serem aplicados e os procedimentos a serem usados na conduta pessoal e ritual. O tratado está dividido em várias partes. A primeira define os limites da ação humana e argumenta contra os “exageros” da escola mu’tazalita de filosofia, bem como contra seu distanciamento da ortodoxia baseada nos textos. Em seguida, a obra abrange as regras para a vida cotidiana, incluindo transações de negócios, contratos de casamento, relações de gênero, exigências feitas aos viajantes e as formulações das orações e da limpeza ritual. O autor cita as autoridades de onde provêm suas opiniões, incluindo o conhecido jurista shafi’i al-Juwayni, comumente conhecido como Imã al-Haramayn. Nascido no povoado de Nawa, próximo a Damasco, al-Nawawi foi e permanece sendo uma importante autoridade da escola jurídica shafi’i. Sua obra mais famosa, Al-‘Arba’in (Quarenta hadiths, i.e., ditos do Profeta), foi reimpressa e traduzida para vários idiomas. Este manuscrito foi copiado em uma caligrafia pesada por Ibrahim al-Darajili al-Shafi’i.

A curiosidade mitigada pelas antigas maravilhas relacionadas

A curiosidade mitigada pelas antigas maravilhas relacionadas

Este manuscrito, Mushtaha al-‘Uqul fi Muntaha al-Nuqul (A curiosidade mitigada pelas antigas maravilhas relacionadas), é uma lista de fatos extraordinários, ou maravilhas, compilada por al-Suyuti (1445 a 1505), um dos mais prolíficos autores muçulmanos do final do período medieval. Os fatos se relacionam à religião e à história. Os primeiros verbetes abrangem o maravilhoso tamanho e poder dos anjos. Eles são seguidos por verbetes sobre tópicos não relacionados, como um censo de Bagdá, o tamanho e o custo do exército omaída, os feitos do aprendizado e do ensino dos primeiros estudiosos muçulmanos, e fragmentos curtos do Alcorão sobre Moisés e Aarão. Um verbete revela que Satã serviu ao Senhor por 90.000 anos antes que o orgulho fizesse cair sobre ele a eterna punição. Estudiosos modernos concluíram que al-Suyuti compilou seus “fatos” para impressionar e entreter o leitor. Ele normalmente não achava oportuno fornecer fontes para suas afirmações. Embora al-Suyuti tenha nascido no Cairo, suas origens familiares estão na vila Asyut, no Alto Egito. Ele ficou órfão com cinco anos e foi criado por um pai adotivo, que o orientou no sentido dos estudos religiosos. Em sua autobiografia, al-Suyuti afirma que, com oito anos de idade, memorizou o Alcorão e escreveu seu primeiro livro aos 17. Cerca de 700 obras são atribuídas a ele, sendo apenas uma parte delas mencionada em sua autobiografia. Muitas de suas obras foram reimpressas em edições acadêmicas e populares. Este é um manuscrito de 24 páginas sem colofão. Ele está encadernado com dois outros títulos, O caminho dos envergonhados em direção à conquista, de al-Athari, e Fundamentos e regras, de Nawawi. Também está encadernado no mesmo volume a primeira página de um manuscrito atribuído ao santo sufista ‘Abd al-Qadir al-Jilani (falecido em 1166).

Seu som se espalha por todos os países e suas palavras atingem todos os cantos da Terra

Seu som se espalha por todos os países e suas palavras atingem todos os cantos da Terra

Este mapa, publicado em Roma em 1927, mostra as localizações de missões franciscanas pelo mundo em 1926. Todas as missões estão marcadas no mapa, e uma legenda numerada é usada para fornecer o nome e a área geográfica pela qual a missão se responsabilizava. Símbolos indicam o tipo de missão e o cargo de seu principal prelado. As áreas de atividade missionária histórica são indicadas por sombreamento. O mapa está em italiano, com a faixa do título em latim: In omnem terram exivit sonvs eorum et in fines orbis terrae verba eorum (Seu som se espalha por todos os países e suas palavras atingem todos os cantos da Terra). Os locais das missões incluem Wisconsin e Michigan, norte do Arizona e Novo México, Sul do Arizona e Califórnia, nos Estados Unidos; muitos países da América Latina; vários países da Europa; muitas cidades da China; Sibéria (i.e., Harbin, na China); e a Ilha Sacalina (atualmente na Rússia, mas, na época, dividida entre União Soviética e Japão). O mapa faz parte da coleção de mapas históricos da Biblioteca Nacional da Eslováquia.

Desconstruindo as essências da “Mais maravilhosa das existências”

Desconstruindo as essências da “Mais maravilhosa das existências”

Este manuscrito de 40 páginas, Tahdim al-Arkan min Laysa fi-al-Imkan Abda’ mima Kan (Desconstruindo as essências da “Mais maravilhosa das existências”), de Ibrāhīm ibn ʻOmar al-Biqāʻī (1406 ou 1407 a 1480) lida com o debate filosófico no mundo islâmico acerca da possibilidade de o Criador ter concebido um mundo mais perfeito do que o que existe. Esta questão foi levantada pelo renomado filósofo e teólogo al-Ghazali (1058 a 1111), que respondeu a ela afirmativamente. Neste texto, al-Biqāʻī refuta al-Ghazali, afirmando que “é impossível que a criação de Deus seja mais perfeita do que já é”. O autor argumenta com base nos textos sagrados, o Alcorão e os hadiths (declarações do Profeta Maomé), rejeitando os argumentos de outros filósofos mais antigos. Seus argumentos fortes sugerem que o debate entre os filósofos e os tradicionalistas textuais ainda estava vivo três séculos após se ter acreditado que os escritos de al-Ghazali teriam colocado um fim na discussão. Al-Biqa’i foi uma das figuras mais controversas de seu tempo. Chamado de polímata e polemista, ele é conhecido como um estudioso beligerante, sempre pronto a iniciar brigas com seus colegas. Seus escritos e pregações incomodaram não apenas outros juristas, mas também os líderes mamelucos do Egito. Ele fez muitos inimigos e, por fim, foi expulso do Cairo. Voltou então à sua cidade natal, Damasco, onde faleceu. Esta obra, das coleções da Biblioteca e Arquivos Nacionais do Egito, está encadernada junto a dois outros manuscritos.

Comentário sobre o poema de al-Busti “Ascender em seu próprio mundo é decair”

Comentário sobre o poema de al-Busti “Ascender em seu próprio mundo é decair”

Este manuscrito foi composto por Hasan al-Burini (1555 ou 1556 a 1615 ou 1616). Trata-se de um comentário ao qasidah (poema) de aforismos morais de al-Busti, intitulado “Ascender em seu próprio mundo é decair”. Al-Burini é mais conhecido por seu comentário sobre a poesia mística de Ibn al-Farid e por seu dicionário biográfico de Damasco. Ele também é um reconhecido poeta, matemático e lógico, embora poucas de suas obras nestes campos tenham sobrevivido. Neste comentário sobre o poema de al-Busti, ele geralmente segue o padrão de citar uma estrofe e, em seguida, fornecer uma breve explicação, seguida de uma discussão gramatical e morfológica mais longa. Ali ibn Muhammad al-Busti nasceu na então próspera vila de Bust, no sul do Afeganistão, tendo trabalhado na corte gaznévida. Após cair em desgraça com seu patrono, refugiou-se na Ásia Central, onde faleceu em 1010. Ele é conhecido por seu amor ao jogo de palavras, conforme se demonstra neste manuscrito. Este poema tem vários títulos: “Ziyadat al-Mar’ fi-Dunyahi Nuqsan” (Ascender em seu próprio mundo é decair), “Nuniyat al-Busti”, um poema onde a letra árabe nun aparece ao final de cada dístico, e “‘Unwan al-Hukm” (Bandeira de provérbios). O manuscrito está escrito em uma caligrafia pouco elegante, possui marginália e foi descuidadamente cortado. Ele pertence às coleções da Biblioteca e Arquivos Nacionais do Egito e está encadernado junto a dois outros manuscritos. Detalhes sobre sua cópia são obscuros, mas aparentemente ele foi escrito pelo mesmo escriba que copiou um dos títulos junto dos quais a obra está encadernada, Notas daqueles que se baseiam na compreensão e na verificação quanto à questão dos hadiths e de sua revogação, de Abū al-Faraj Ibn al-Jawzī. A obra nunca foi editada e pode ser uma cópia única.

Notas daqueles que se baseiam na compreensão e na verificação quanto à questão dos hadiths e de sua revogação

Notas daqueles que se baseiam na compreensão e na verificação quanto à questão dos hadiths e de sua revogação

Este manuscrito, de uma obra do jurista do século XII Abu Faraj ibn al-Jawzi, é uma crítica dos 21 hadiths, ou ditos, do Profeta Maomé. Uma questão significativa no estudo dos hadiths é a verificação da cadeia de transmissão, chegando até o próprio Profeta. Nesta obra, bem como em outras, Ibn al-Jawzi comenta sobre a transmissão dos ditos e sobre a má interpretação ou classificação dos companheiros ou parentes do Profeta, como ‘Ali ibn Abi Talib, Ibn ‘Abbas e Abu Hurayrah. Os tópicos dos hadiths discutidos incluem questões sobre as orações, higiene pessoal e o recebimento de presentes. Ibn al-Jawzi foi um dos mais influentes escritores e pregadores da escola hanbali da lei islâmica. Ele foi o autor de dezenas de escritos, alguns dos quais ainda são impressos. O incipit deste texto lista as pessoas que alegam tê-lo ouvido diretamente de Ibn al-Jawzi ou seus estudantes. A obra pertence às coleções da Biblioteca e Arquivos Nacionais do Egito, estando encadernado junto a dois outros manuscritos. A data em que foi copiada é indistinguível, assim como o nome inteiro do copista, que parece ter sido o mesmo escriba que produziu um dos dois outros manuscritos junto dos quais esta obra está encadernada, Comentário sobre o poema de al-Busti “Ascender em seu próprio mundo é decair”.

Antiphonarium Bratislaviense

Antiphonarium Bratislaviense

Este fólio iluminado com notação musical gótica de Metz vem do códice litúrgico do Cônego Jan Han, que foi membro do Cabido de Bratislava e adquiriu este antifonário. O “S” (Sanctum) inicial, iluminado com os dois primeiros mártires da Igreja Cristã, Santo Estêvão e São Lourenço, acompanhados por São Vito, é seguido da legenda Illorum effusus nos in patientia firmet (Sua paciência permitiu que nós avançássemos), o que data o fragmento de 1487. A parte inferior da decoração em acantos, na margem esquerda, apresenta o motivo da marta e do pássaro; plantas típicas são complementadas com pontos dourados característicos. Estes sinais tornam possível identificar o estúdio onde o manuscrito foi criado. Neste período, o Cabido de Bratislava e alguns burgueses encomendaram manuscritos iluminados ao pintor Ulrich Schreier, de Salzburgo, que trabalhava em Viena e em Klosterneuburg, naquela época. Vários dos manuscritos iluminados para clientes de Schreier residentes em Bratislava indicam que ele pode ter tido uma oficina naquela cidade. Os códices iluminados da biblioteca da Casa do Cabido de Bratislava foram inscritos no Registro da Memória do Mundo da UNESCO em 1997.

Livro das horas canônico

Livro das horas canônico

Este livro das horas, proveniente da Eslováquia, tem sua origem na França. As características que refletem a influencia e a procedência francesa incluem a caligrafia, sua decoração e a letra “D” (Domine) inicial, iluminada com o motivo da Virgem Maria segurando um livro, além de um brasão heráldico trazendo as armas da cruz branca com o coração (as armas da Ordem de Crucigeri), carregado por dois anjos. De modo similar, o conteúdo do códice, principalmente a estrutura de seu calendário, indica que ele surgiu no monastério agostiniano dos frades da Ordem de Crucigeri. As festividades de certos santos, incluindo Santa Elisabete, foram adicionadas ao calendário posteriormente, o que indica que o livro também foi usado na Eslováquia. A encadernação em duas placas prateadas e douradas evidencia a produção na Europa Ocidental, entre os séculos XV e XVI. As diferentes partes da encadernação não compõem um todo consistente. Elas vêm de duas fontes diferentes, unidas apenas pela encadernação deste livro. Na parte da frente, há figuras laqueadas dos quatro evangelistas, situadas nos cantos; no medalhão central, emoldurado por um ornamento em filigranas feito de fios retorcidos, pode ser vista uma representação da ressurreição de Cristo. A contracapa está coberta por uma representação da crucificação de Cristo. Esta cena envolve apenas a Virgem Maria e São João, mas é complementada por uma vista da vila, no horizonte. Ao pé da cruz, há um crânio (a tumba de Adão) e, sobre os braços de Jesus, estão os símbolos do sol e da lua (representando a promessa de Cristo da salvação). As inscrições são uma combinação de acrônimos latinos (INRI, MP) e nomes gregos (OX, Joannos). A lombada da encadernação está decorada com ornamentos florais esculpidos.

Crônica do mundo

Crônica do mundo

Weltchronik (Crônica do mundo) é uma tradução alemã de um texto originalmente em latim, atribuído a Joannes de Utino (nome também visto como Giovanni da Udine, falecido em 1366). Esta cópia foi produzida na segunda metade do século XV e apresenta muitos desenhos decorativos coloridos, feitos por um pintor desconhecido. Ela provavelmente foi criada em Bratislava, em algum momento após o ano de 1458, durante o período da ascensão de Matias Corvino ao trono húngaro. Ela foi preservada na biblioteca dos capuchinos de Bratislava. A crônica é uma obra didática que visava fornecer ao leitor de sua época uma explicação elementar da história do mundo, conforme narrada na Bíblia, com extensões que abrangem períodos históricos posteriores. A crônica está em três partes. A primeira parte contém a história bíblica. A segunda parte consiste em textos biográficos sobre imperadores e papas, chegando até o Papa Pio II (1458 a 1464). A terceira parte consiste em textos biográficos dos reis da Hungria, começando pelos reinados de Géza (972 a 997), Estêvão I (1000 a 1038) e terminando com Matias Corvino (reinou de 1458 a 1490), com uma menção a Frederico III, o anti-rei húngaro eleito em 1459. Joannes de Utino escreveu provavelmente apenas a primeira parte da crônica; os autores da segunda e da terceira parte são desconhecidos. Os desenhos decorativos (em tinta colorida) são de dois tipos diferentes. Um conjunto de desenhos consiste nas árvores genealógicas tanto de figuras bíblicas, como seculares. A genealogia de Jesus Cristo ocupa um lugar importante. Retratos de imperadores alemães, reis da Hungria, papas e figuras bíblicas foram inseridos dentro de círculos maiores e menores. Alguns círculos não foram finalizados pelo iluminador, permanecendo vazios. Estes medalhões estão mutuamente ligados e estabelecem relações com as figuras. As figuras são identificadas por legendas. O outro tipo de decoração consiste em cenas e motivos do Antigo Testamento, incluindo Davi e Golias, a arca de Noé, o sacrifício de Abraão e a Arca da Aliança. Não mais do que 20 cópias da obra de Joannes de Utino ainda existentes são conhecidas; a maioria delas é do século XV. Este manuscrito, preservado na Biblioteca Nacional da Eslováquia, é um recurso único para a história da arte e para a pesquisa sobre o desenvolvimento de livros ilustrados no território do antigo Reino da Hungria.

Protocolo do convento de Bratislava (códice heráldico)

Protocolo do convento de Bratislava (códice heráldico)

Protocollum Venerabilis Conventus Posoniensis (Protocolo do convento de Bratislava) é um códice heráldico que contém uma lista dos patronos e doadores de uma instituição religiosa em Bratislava, com 67 miniaturas de página inteira de seus respectivos brasões. A última lista foi criada em 1763. O livro heráldico foi iniciado em 1710, em Bratislava, a pedido de Ľudovít Kirkay, o superior do convento franciscano local, que provavelmente se inspirou em um modelo do protocolo Historia Domus do convento de Bratislava, datado de 1709. Os brasões foram distribuídos de acordo com o status social das pessoas listadas. O primeiro brasão pertence a Christian August, duque de Sachsen-Zeitz e arcebispo de Gran, e é seguido pelos brasões do Palatino Pál Esterházy, do reitor da irmandade, e por brasões de príncipes, condes, barões e assim por diante. Nas seções inferiores, há legendas mais ou menos abrangentes em latim, com informações sobre as pessoas listadas. A excelente qualidade das ilustrações reflete o envolvimento de pelo menos dois pintores heráldicos, que devem ter trabalhado nos escritórios responsáveis pela emissão de títulos e escrituras para a criação de brasões.

Explicação dos Evangelhos que a Igreja da Sagrada Mãe lê e proclama ao longo do ano, aos domingos e em outros dias santos

Explicação dos Evangelhos que a Igreja da Sagrada Mãe lê e proclama ao longo do ano, aos domingos e em outros dias santos

Az Evangeliomoknac, Mellyeket Vasarnapokon, Es Egyeb Innepeken Esztendö Altal, Az Anyaszentegyhazban oluasni es Praedicallani szoktanac, Magarazattyanac. Masodic Resze: Mely Magaban Foglallya, Hvsvettvl Fogva, Adventig Valo Vasarnapi Evangeliomokat (Explicação dos Evangelhos que a Igreja da Sagrada Mãe lê e proclama ao longo do ano, aos domingos e em outros dias santos) é o segundo volume de uma grande obra em vários volumes, com sermões em húngaro do dignitário da igreja e escritor religioso Mikuláš Telegdy (nome também visto como Miklós Telegdi, 1535 a 1586). O segundo volume também contém sermões para os domingos, da Páscoa ao Advento. A obra foi publicada pelo próprio Mikuláš Telegdy em uma gráfica de Trnava (atualmente, na Eslováquia), que ele fundou em 1578. A produção da gráfica era voltada para as necessidades da Igreja Católica, bem como da crescente Contrarreforma, que estava em curso na época. Um dos mais importantes centros de impressão na Hungria, a gráfica funcionou até a morte de Mikuláš Telegdy. Após sua morte, ela se tornou propriedade do Cabido de Esztergom, a comunidade de cônegos associados à Catedral de Esztergom. (O cabido se mudou para Trnava em 1543, após os turcos ocuparem a maior parte da Hungria). O livro possui letras iniciais com fundo ornamental emolduradas, uma folha de rosto em impressão preta e vermelha, palavras de orientação e algumas observações escritas à mão. As referências bíblicas nos sermões estão listadas nas margens. A encadernação renascentista foi restaurada, com carimbo ornamental simples e figural em alto relevo.

Páginas glagolíticas em Hlohovec

Páginas glagolíticas em Hlohovec

Estes dois fragmentos estão entre os mais antigos artefatos das coleções de manuscritos da Biblioteca Nacional da Eslováquia. Eles são fólios em pergaminho, escritos de ambos os lados, de origem croata. Acredita-se que tenham chegado ao território da Eslováquia por meio de frades franciscanos ou pela troca de códices e livros impressos entre bibliotecas ou arquivos franciscanos. Eles foram descobertos na biblioteca do antigo monastério franciscano de Hlohovec, no sudoeste da Eslováquia, em 1936. Os fólios contêm partes do livro de serviço religioso glagolítico do final do século XIII ou início do século XIV, e foram preservados na encadernação italiana de uma cópia do Trattato dell'amore di Dio (Tratado sobre o amor de Deus, Veneza, 1642) de São Francisco de Sales. O texto em eslavo eclesiástico antigo está escrito no alfabeto glagolítico croata de tipo mais antigo. As páginas contêm as missas De communi apostolorum (Da comunidade dos apóstolos) e De communi martyrum (Da comunidade dos mártires). Embora não tenham restado assinaturas do período do Grande Império Morávio (entre 800 e 900, aproximadamente), é provável que estes textos sejam do século IX, com transcrições glagolíticas e cirílicas do século XI e de tempos posteriores. O manuscrito está decorado apenas com as iniciais do copista. O termo glagolítico se refere ao alfabeto inventado durante o século IX por São Cirilo e São Metódio para traduzir a Bíblia e outras obras religiosas para as línguas eslavas faladas na região do Grande Império Morávio.

O fragmento glagolítico de Krtíš

O fragmento glagolítico de Krtíš

Este fragmento de manuscrito contém parte de uma explicação a um evangelho desconhecido. Ele já esteve encadernado juntamente a uma cópia glagolítica do livro manuscrito Historia Scholastica, de Pedro Comestor. O texto do fragmento foi escrito na caligrafia angular glagolítica inventada durante o século IX por São Cirilo e São Metódio, para traduzir a Bíblia e outras obras eclesiásticas para a língua da região da Grande Morávia. Por volta de 1633, o fólio foi usado para preencher a encadernação da tradução tcheca de Pastorale Lutheri (A pastoral de Lutero), de Conrad Porta. Ele foi descoberto por Samuel Zoch (1882 a 1928) na biblioteca pessoal da família Kálmár, na vila de Veľký Krtíš, no sul da Eslováquia. O irmão de Samuel Zoch, Ivan Branislav Zoch, deu o texto ao Professor Vatroslav Jagič (1838 a 1923), um dos fundadores do campo de estudos da linguística croata. Jagič provou a autenticidade do pergaminho e levantou a hipótese de que ele tivesse sido trazido ao território histórico da Eslováquia por tchecos que passaram a viver no exílio após a Batalha da Montanha Branca (1620). Em 1930, o Professor František Ryšánek (1877 a 1969) anunciou que o manuscrito podia ser datado da virada do século XV, indicando o Monastério Emaús, em Praga (o monastério dos Beneditinos Croatas, em Slovany), como seu lugar de origem.

Antifonário

Antifonário

Este documento é um fragmento de um antifonário de procedência desconhecida, datado do século XII. Ele está escrito em minúsculas carolinas. A letra “S” inicial é um exemplo da pintura de códices romanesca. O escriba e o iluminador são desconhecidos. A caligrafia está estilizada como uma faixa de decoração em palmeta. É difícil determinar com precisão o contexto histórico do fragmento, que pode ter sido produzido na Renânia (Colônia) ou no vale do Rio Danúbio (Salzburgo). A notação musical é representativa da notação alemã em neumas do círculo de Salzburgo. O fragmento foi preservado no encadernamento de um volume do início do século XVII sobre conteúdos filosóficos e médicos, da biblioteca pia de Podolínec, no norte da Eslováquia. Ela hoje pertence às coleções da Biblioteca Nacional da Eslováquia.